Notas iniciais
Olá meninas, como vão? Bem este é o último capítulo desta fic, espero que tenham gostado dela, Obrigada a todas que deixaram recadinho, eles foram realmente importantes para mim. Ainda tenho outra fic que estou postando, aquelas que desejam ler sejam bem vindas, bjs, até a próxima fic.

Jake suspirou profundamente.

— Entretanto, eu sou o maior culpado. Se tivesse ido vê-la, ou me tivesse informado, teria compreendido a verdade e nada disto teria ocorrido. Mas deixei tudo nas mãos de Heather, e acreditei no que ela me dizia... — seus olhos se obscureceram. — Suponho que agora que sabe tudo, deve odiá-la, não?

— Não posso odiá-la — replicou Gina, descobrindo que só sentia compaixão. — Adorava Brady, e perdê-lo destroçou seu coração...

Assim como a ela perder a sua filha.

— Inclusive engoliu a história sobre Sara, fica difícil acreditar que estivesse disposta a me dar à menina quando se negava a pôr um pé em minha casa... Suponho que fez porque era filha de Brady.

— Não, não foi essa a razão — negou Gina. Jake, com os olhos fixos nela, esperou. Tinha chegado a hora da verdade, mas insegura sobre qual seria sua reação, decidiu fazer rodeio. — Quando disse que não pensava em me casar com Brady, falava a verdade...

— Já sei — interrompeu Jake. — Fui ao seu dormitório pela manhã e li a nota que lhe deixou: «Tem que aceitar que não posso me casar com você, e recorda que nunca disse que o faria...». Compreendi que me havia dito a verdade, e que não estavam comprometidos.

— Mas, já não se importava? — suspirou ela.

— Sim, claro que me importava. Decidi que quando Brady se sentisse melhor, iria te buscar... — para Gina essas palavras foram como uma punhalada no coração. — Como um estúpido, acreditava que entre nós havia algo especial, quase mágico. Imagine como me senti quando, poucas semanas depois, anunciou que iam se casar... por que mudou de opinião?

— Por dois motivos...

— Acredito que um eu adivinho. Aceitou se casar porque estava grávida.

— Sim — admitiu. — Como sabe?

— Só estavam sete meses casados quando aconteceu o acidente, mas deu a luz a uma menina perfeitamente formada... — observou. — Se não tinha intenção de se casar com Brady — acrescentou, com raiva repentina —, devia ter sido mais cuidadosa.

— Suzannah não é filha de Brady — admitiu ela, sua voz não foi mais que um sussurro. Jake levantou a cabeça e lhe lançou um olhar glacial.

— Então, de quem é filha? Ou acaso não sabe?

— Sim, sei — Gina apertou as mãos com força. — É sua. Por isso permiti que ficasse com ela.

Por um momento Jake ficou paralisado, sem saber qual atitude tomar, até que conseguiu recuperar a voz.

— As datas encaixam, mas... como pode estar segura de que é minha, se te deitava com os dois?

— Só tinha me deitado com você.

— Se isso for verdade, Brady sabia que o bebê não era dele. Ou não sabia que estava grávida? — perguntou Jake, muito afetado.

— Sim, sabia. Também sabia que não era dele; mas não de quem era.

— E mesmo assim, quis casar-se com você? Senhor, devia estar perdidamente apaixonado! — a fúria o invadiu por completo. — Se sabia que era meu, como pôde se casar com outro? E para piorar mais as coisas, com meu meio-irmão. Isso é o que não posso te perdoar.

— A princípio me neguei. Mas continuou me pressionando, e então lhe disse que estava grávida. Em lugar de zangar-se, adorou a ideia. Disse: «Parece-me um milagre. É a resposta a minhas preces... Diremos a todo mundo que o bebê é meu. Eu cuidarei de vocês. Seremos uma família...». Eu continuei negando e então me disse algo que nunca havia dito a ninguém. Queria levar o que ele considerava uma vida normal — viu que Jake a olhava como se nunca a tivesse visto. — Na realidade, não era capaz de aceitar sua homossexualidade, e estava desesperado por ocultá-la, especialmente a sua mãe, que não fazia mais que insistir para que arrumasse uma noiva e que se casasse. Sentia-se acossado, e por isso insistiu tanto em que eu a conhecesse. Quando o pressionei, admitiu que a razão fundamental para casar-se comigo, era tirar a sua mãe de cima dele.

— Pobre diabo — murmurou Jake.

— Acredito que sua mãe agia assim porque tinha suas suspeitas, e quando nos casamos não só dava impressão de alegria, mas também de alívio.

— Sim — aceitou Jake, — tudo encaixa.

Esfregou os olhos com as mãos e acrescentou, com tristeza.

— É estranho não dar-se conta de algo tão óbvio, até que alguém lhe mostre isso... Mas não entendo como Brady acreditou, nem por um momento, que um casamento como esse pudesse funcionar.

— Fiz-lhe essa pergunta... — Gina sorriu forçadamente — Parece que lhe dava a impressão de que era fria e assexuada, bem frígida. Acreditou que me conformaria com lar e um pouco de companhia. Quando continuei negando a aceitar, porque só lhe tinha carinho, e isso não me parecia suficiente, disse-me: «Para mim é, não quero uma grande paixão». Disse-lhe que eu sim, e me respondeu... «Não seja boba, querida. É muito sensata e equilibrada. Se alguém te oferecesse uma grande paixão, sairia correndo».

— Está claro que não te conhecia absolutamente — comentou Jake.

Ela, ao recordar a noite anterior, ruborizou-se.

— Assim que seu casamento foi só de papel?

— Sim — Gina o olhou e captou um brilho de satisfação, quase selvagem, cruzar seu olhar.

— O que fez que uma mulher como você se conformasse com uma existência tão vazia? — perguntou ele, com voz controlada, mas curiosa.

— Sentia pena por ele e parecia uma boa solução para os dois.

— E se mais adiante tivesse apaixonado por outro? — perguntou. Ela negou com a cabeça. — Não é impossível, sabia?

— Sabia que não me ia apaixonar por outro.

— Por que não?

— Quando estava no hospital, por que não foi alguma vez me visitar? Foi porque continuava me odiando? — perguntou ela, em vez de responder a sua pergunta.

— Dizia a mim mesmo que essa era a razão, mas a verdade era que era incapaz de ir. Estava muito doído, zangado e ciumento. Não podia te perdoar por ter preferido Brady, que tivesse tido uma filha dele...

Gina respirou entrecortadamente. Se ainda tinha ciúmes do passado, devia sentir algo por ela.

— Tentei esquecer trabalhando todas as horas do dia, e passava o maior tempo possível em viagens de negócio. Se tivesse sabido que estava em coma... — Jake afundou o rosto entre as mãos.

Ela se levantou com cuidado e se aproximou dele.

— Não se culpe. Tudo começou por minha culpa. Se tivesse contado sobre Brady quando me perguntou se havia alguém em minha vida.... Mas temi..., bom estragar tudo. Já sabia que, acontecesse o que acontecesse entre nós, não podia me comprometer com Brady. Por isso segui para São Francisco, para terminar com ele de uma vez por todas.

— Se te tivesse acreditado — sua voz soava atormentada.

— Não é mais que o passado, já se acabou. Temos o futuro pela frente.

— Oh, sim, o futuro — Jake deixou cair às mãos e elevou a cabeça. — Forçada a se casar com um homem com o qual não queria te casar, só para poder estar com sua filha...— disse sombrio. — Tenho que admitir que Heather e eu conseguimos arruinar a vida — inquieto, levantou-se e se apoiou contra o suporte da lareira. — Sei que é um pouco tarde para retificar, mas já conhece o ditado «Antes tarde que nunca»... Se quer me deixar e levar Suzannah, comprarei uma casa e manterei às duas.

— É isso o que quer? — perguntou Gina, rezando por que não fosse assim.

— Não, claro que não... — seus olhos refletiam sua angústia. — Mas agora só importa o que você quer.

— Bom, a não ser que seja inevitável, eu não gosto da ideia de formar uma família sozinha. Acredito que Suzannah deveria ter um pai, e eu, certamente, quero um marido.

— De acordo, se no futuro apaixonar-se por alguém e desejar se casar, concederei o divórcio — aceitou ele, apertando os dentes. Ela fez um movimento negativo com a cabeça.

— Pouco tempo atrás, quando te disse que sabia que não voltaria a me apaixonar, perguntou-me por que. Agora responderei sua pergunta... — começou ela. Jake, completamente rígido, esperou. — Foi o primeiro homem com o qual me deitei, e não ficou só em sexo. Apaixonei-me por você e nunca deixei que te querer.

— Está falando a verdade? — gemeu ele, abraçando-a.

— Completamente a verdade — respondeu ela serena.

Apertou-a com mais força e ela gemeu. Imediatamente, afrouxou o abraço.

— Devo ter mais cuidado — murmurou ele. — Já te causei muito dano. Depois de como te tratei, é difícil acreditar que...

— Sabia que me arriscava quando fui à entrevista — disse ela brandamente, para tranquiliza-lo e lhe devolver a confiança em si mesmo —, mas fui incapaz de resistir. Não só desejava ver Suzannah desesperadamente... Você mesmo se deu conta imediatamente que continuava havendo algo entre nós...

— Mas eu acreditei que, ao menos de sua parte, era meramente atração sexual — disse Jake.

— O que quer dizer com «ao menos de sua parte» — perguntou ela, quase sem respirar.

— Quero dizer que, assim que te vi, apaixonei-me perdidamente... Estive a ponto de te pedir que te casasse comigo na primeira noite, mas, por precaução, decidi esperar um pouco, até que nos conhecêssemos melhor. Mas, em só um dia, convenci-me de que era a esposa que eu desejava... Tinha tudo o que eu queria em uma mulher: paciência, doçura e paixão, senso de humor e coragem, e, além disso, como um presente inesperado, resplandecia de inocência. Em São Francisco, foi como se o mundo caísse em cima de mim. Depois me convenci de que o que havia sentido, e continuo sentindo, não era mais que uma espécie de obsessão. ..

— Continua acreditando nisso ainda?

— Importaria se fosse assim?

— Não, se o soletrar a-m-o-r — sorriu ela.

Jake a beijou com paixão.

— Gina, ficará comigo?

— Como poderia te abandonar no meio da lua de mel? — brincou ela — E, falando em lua de mel... — deliberadamente apertou seu corpo contra ele.

— E o braço e o ombro? — perguntou ele, inseguro.

— Estão como novos — assegurou ela. Ao vê-lo hesitar, perguntou. — Importaria de abaixar a cabeça para que eu possa te beijar?

Ele obedeceu.

— Ajuda-me a voltar para sofá...? — murmurou colada a seus lábios. — Acredito que preciso me deitar de novo. E teria menos frio se o compartilhar comigo.

— Acaso pensa em me tentar?

— Estou conseguindo? — olhou-o e ele riu com júbilo.

— Me dê um minuto e lhe demonstrarei isso.

Fim

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