Notas iniciais
Olá meninas como vão? Aqui vai mais um capítulo, espero que vocês gostem. Muito obrigada pelos comentários, como eu sempre digo, eles são muito importantes para mim, bjs

Gina se esticou e descobriu que era de dia e estava sozinha na cama. Sentou-se e olhou pela janela; tinha deixado de nevar e dava a impressão de que faria um bom dia. Asseou-se, vestiu-se e se dirigiu à cozinha, onde a recebeu o agradável aroma de café recém feito. Jake estava vestido e preparava panquecas.

— Como pode ver, o temporal terminou, a tira-neve já passou, assim podemos voltar depois que comermos — disse-lhe, voltando-se para ela.

— Sim, eu gostaria de sair o quanto antes se por acaso Suzannah...

— Suzannah estará perfeitamente bem — interrompeu. — Se preocupa com ela como se fosse sua mãe, em vez de sua babá — acrescentou com tom seco.

De novo, seu humor tinha mudado.

— Sou sua babá, paga-me para que eu me preocupe.

— Pago-lhe para que dê satisfação, profissionalmente falando. Embora ontem à noite teve bastante êxito em outras áreas — acrescentou com ironia, e observou como suas bochechas se avermelhavam.

Gina mordeu a língua para não responder. Não serviria de nada começar uma briga. Com seu humor azedo e seu controle, ele ganhava todas.

— O café da manhã está pronto quando quiser — disse ele, servindo as panquecas. Com um olhar de recriminação, sentou-se silenciosa à mesa.

O cabelo castanho com os longos cachos rodeavam lhe os ombros e seu rosto ovalado seguia ligeiramente ruborizado. Jake, observando-a jogar mel sobre as panquecas, pensou surpreso, que estava muito bela. Seus amendoados olhos castanhos estavam emoldurados por longos cílios. Tinha a pele perfeita, quase translúcida, como uma aquarela, mas sua boca e queixo insinuavam caráter e força. Ela levantou a vista e encontrando-se com seu olhar, ruborizou-se mais ainda.

— Está muito diferente com o cabelo solto — comentou ele. —Deixe-o sempre assim, prefiro-o.

Ela preferia o ar de formalidade que lhe dava o coque, mas, para não discutir, se calou.

Tomaram o café da manhã em silêncio, Gina limpou a mesa e saíram ao branco resplendor do exterior. Jake fechou a porta e a ela escapou um suspiro. Tinham passado muitas coisas desde que a abriu, coisas que não podia esquecer nem desfazer, que tinham alterado sua relação irremediavelmente. Ele a tinha utilizado como uma espécie de vacina, para imunizar-se contra o que havia descrito como uma febre...

Subiu no carro e lhe ocorreu uma idéia ainda pior. Teria posto em perigo seu trabalho ao entregar-se a ele? Se Jake, arrependido do o que acontecera, decidia que sua presença o envergonhava podia optar por despedi-la. Ele tinha as rédeas...

A neve, quebradiça e fofa, afundava-se sob as rodas do carro, que Jake conduzia cuidadosamente para a estrada principal. Tal e como ele havia dito, a estrada estava limpa. Parecia que, para compensar a tormenta do dia anterior, os elementos se puseram de acordo para orquestrar uma manhã gloriosa, do sol resplandecente e céu azul profundo.

Chegaram ao chalé e Suzannah saiu correndo para recebê-los; abraçou-se aos joelhos de Gina e levantou o rosto para receber um beijo. Ela se agachou, para abraçá-la e beijá-la.

— Olá, boneca passou bem à noite? — Jake a elevou pelo ar e, com um rugido, simulou lhe mordiscar a orelha, a menina gritou encantada. Quando a deixou no chão, correu para uma agradável mulher de meia idade e, agarrando-a pela mão, levou-a até Gina.

— Eu sou Gladys.

Por cima da cabeça da menina, as duas mulheres se sorriram.

— Foi tudo bem? — perguntou Jake.

— Perfeitamente — respondeu Gladys. — Quando a deitei me perguntou onde vocês estavam, mas se tranquilizou quando lhe assegurei que voltariam esta manhã...

Gina recordou sua suspeita de que Jake tivesse planejado essa noite juntos e lhe lançou uma rápida olhada, mas estava tranquilo, sem nenhum traço de remorso ou culpa.

— Disse-me que Gina sempre lhe conta a história de um sapo — continuou Gladys. — Mas como eu não sabia, conformou-se com as aventuras de um dragão chamado Donald...

— Vamo? — saltou Suzannah, lhe puxando pela saia.

— Está impaciente para reunir-se com as outras crianças — explicou Gladys. — Mas lhe disse que tínhamos que esperar até que voltassem.

— Posso, papai?

— Sim, podem ir — respondeu ele.

— Vem? — Suzannah agarrou a mão de Gina e a olhou.

— Sim...

— Não, hoje não — interrompeu Jake com firmeza. — Gina tem coisas a fazer — voltou-se para Gladys e perguntou. — Não há escassez de pessoal, verdade?

— Oh, não, há pessoal de sobra e temos o dia organizado — exclamou Gladys com entusiasmo — Todos adoram a aula de pintura, e preparamos as camas elásticas. Depois de comer, montaremos no trem de brinquedo e visitaremos a brinquedolândia, depois lancharemos com Papai Noel, e com seus duendes e suas renas...

— Tem sim papai — acrescentou Suzannah contente, enquanto colocavam os casacos.

— Vocês a colocaram para dormir esta noite? — inquiriu Gladys.

— Sim, claro — resmungou Gina, envergonhada por Gladys lhes tratava como se fossem um casal, em lugar de um chefe e sua empregada. Perguntou-se por que Jake não havia dito nada que corrigisse essa impressão.

— Então a trarei de volta às seis horas.

— Não é preciso — disse Jake. — Eu mesmo irei pegá-la.

— Então já vamos, anjo — disse Gladys. Depois de recolher a galinha Cocó, partiram de mãos dadas para o edifício central.

— Parece que sua creche é um grande êxito — comentou Gina, intranquila por ficar de novo a sós com Jake e não poder retomar a seu papel de babá.

— Como te disse, enquanto as crianças aprendem e se entretêm, os pais e as babás habituais podem desfrutar por sua conta... E o que gostaria agora mesmo é tomar uma ducha quente. O que você acha?

— Parece-me uma grande idéia.

— Depois, como estamos de férias, pensei que poderíamos sair.

— Sair? — repetiu ela.

— Suponho que não pensará em ficar em casa com um dia tão precioso.

— Não, mas... sou a babá de Suzannah, uma assalariada, e... — Gina calou.

— Depois de ontem à noite, não te parece um pouco tarde para preocupar-se por isso?

— Já sei que está arrependido, e estou de acordo com você em que não devia ter ocorrido, mas estou disposta a esquecer tudo se você... — Gina calou, sem saber como seguir.

— Pode esquecê-lo?

— Sim, claro que posso — mentiu dissimulada. — Acredito que o melhor séria que voltássemos a ser simplesmente...

— Patrão e empregada? — sugeriu ele, ao vê-la hesitar.

— Sim.

— Quer continuar trabalhando para mim? — Seus verdes olhos brilhavam zombadores. — Não tem planos de partir ?

Ela negou com a cabeça, incapaz de pronunciar uma palavra.

— Bom, se quer continuar trabalhando para mim, tem que recordar que te pago para que faça o que eu quiser. Dentro do razoável — acrescentou com ironia. — Quer dizer, se requisito sua presença como, digamos, acompanhante, espero consegui-la...

«Maldito seja!», pensou Gina, furiosa. Se não fosse por Suzannah, não suportaria sua arrogância um segundo mais.

— Está claro?

— Muito claro — respondeu secamente. Ele assentiu com a cabeça.

— Como não vamos fazer exercício, sugiro que se agasalhe bem... — o tom de sua voz era mais amável. — E deixe o cabelo solto — sorriu, como se soubesse exatamente o que ela pensava nesse momento e acrescentou. — Por favor.

Gina, com a cabeça confusa, tomou banho e trocou de roupa. Seguia convencida de que tivesse sido mais seguro voltar atrás na relação, mas não podia evitar sentir-se excitada. Uma excitação cheia de insegurança, apreensão e certa confusão e aborrecimento.

Se só desejava companhia, tinha que haver mulheres disponíveis em um complexo termal tão grande. Mulheres belas e sofisticadas que estariam encantadas de receber os olhares de um homem tão atraente como Jake. Por que teria insistido em que ela o acompanhasse, se nem sequer gostava dela? Fosse qual fosse o motivo, tinha deixado bem claro que estava no comando, e não tinha mais remédio que dançar ao som que ele tocasse.

Notas finais
E ai o que acharam?