Notas iniciais
Ola meninas, aqui vai mais um capítulo, espero que gostem... Obrigada pelos cometários, e por estarem lendo a fic, bjs

Quando voltou para a sala, ele estava esperava-a. Tinha posto um casaco de couro e a cabeça estava descoberta.

— Isso é o mais quente que tem? — perguntou, olhando sua jaqueta com desaprovação.

— Sim — afirmou ela, inexpressiva.

Roupa da Gina: http://www.polyvore.com/gina_augustin/set?id=118637882

Ele se encolheu de ombros e saíram para fora onde, para surpresa de Gina, havia um trenó puxado por um cavalo. O jovem que esperava junto ao cavalo lhes entregou as rédeas.

Jake ajudou Gina a subir no veículo e depois se sentou a seu lado. Embora o sol brilhasse, o ar era frio e ela agradeceu que a cobrisse com uma manta. Jake deu uma sacudida às rédeas e estalou a língua. Com um rangido e o alegre tinido das campainhas de arnês, o trenó começou a andar e se encaminharam para a beira do lago, atravessando um pitoresco paraíso de colinas recobertas de abetos e pinheiros nevados. Era uma experiência tão deliciosa e inesperada que Gina começou a sorrir.

— Já tinha andado de trenó alguma vez? — perguntou ele, olhando-a de relance.

— Não — replicou ela. — Mas acredito que dar um passeio em trenó foi uma idéia maravilhosa.

— Então não se arrepende de ter vindo?

— Não. — Era impensável arrepender-se.

— A verdade é que tinha pensado em algo mais que dar uma volta.

— Sim? — Gina ficou em guarda.

— Não se preocupe... — sorriu zombador —... fugir com você não entra dentro de meus planos.

— Nunca me ocorreu em pensar tal coisa — objetou ela com altivez. Imediatamente compreendeu que havia voltado a morder o anzol, e procurou acalmar-se. — Que planos tem em mente?

— Ir às compras. Amanhã é Natal, e ainda não comprei um presente para Suzannah. Ocorreu-me que poderia me ajudar a escolher algo.

— Eu adoraria — disse ela com entusiasmo. — Assim eu também poderei comprar algo. De momento, só consegui comprar um livro de contos de fadas e tecer um gorro e um cachecol para a Cocó.

— Acredito que esse será o presente que terá mais êxito — ele aprovou.

Meia hora depois, chegaram a Winfellows, o hotel principal do pitoresco e turístico Hemslock e, deixando o cavalo nas mãos de um moço da cocheira, entraram para comer. A conversa foi leve e pouco pessoal; Jake se esmerou em ser agradável e Gina, relaxada e contente, baixou a guarda e desfrutou de sua companhia.

Assim que acabaram, foram a pé para as lojas. Havia adornos natalinos por toda parte, e as vitrines brilhavam cheias de luzes, músicas e felicitações festivas de todo tipo. Passaram mais de uma hora na seção de brinquedos das lojas de departamentos Mason, e finalmente se decidiram por vários brinquedos que encantariam a qualquer menina.

Jake escolheu um papel de presente com motivos natalinos, e pediu que enrolassem tudo e o enviassem ao hotel; a seguir comentou que faltava algo para comprar. Subiram um andar mais e, compreendendo subitamente que estavam na seção de casacos de pele, Gina o olhou alarmada.

— Por que vamos...?

— Porque penso comprar algo que a esquente — a cortou na metade da frase.

— Não! — cravou os pés no chão e se negou a mover-se. — Não quero que me compre nada.

Jake a agarrou pelos ombros e, lhe cravando os dedos com força, olhou-a com tal dureza que ela compreendeu que era uma advertência.

— Quer me escutar antes de que fique histérica. Gina? Isto não é um pagamento por serviços prestados, se o fosse te compraria um visom; tampouco exijo nada em troca. Não é mais que um presente de Natal.

— Odeio as peles — protestou tremente.

— Então pode escolher de outro material.

Agarrou-a pelo cotovelo e a obrigou a mover-se. Selecionou um precioso casaco que, a olhos de uma inexperiente como ela, parecia de visom. Mostrou-lhe a etiqueta que dizia Beleza sem Crueldade e garantia que a pele era acrílica cem por cento.

— Prova isso.

Era leve e suave e deliciosamente quente. O pescoço era muito largo, e ao levantá-lo formava uma espécie de capuz que emoldurava o rosto. Embora não era pele de verdade, não cabia dúvida de que era muito caro.

Presente da Gina: http://www.polyvore.com/gina_augustin/set?id=118638931

— Ideal — declarou ele. — A não ser que você goste de outra coisa.

— Não, mas de verdade não quero...

— Então não o levamos — disse. Uma atendente se materializou junto a eles. — Não se incomode em enrolá-lo. Minha noiva o usará agora.

Aturdida, mas agradecida porque tivesse tido a consideração de lhe dar categoria de noiva, Gina seguiu-o até a caixa. Minutos depois, com sua jaqueta em uma bolsa da loja, saíram à rua e foram para o hotel.

Uma vez conseguido seu objetivo, Jake voltou a comportar-se na agradável companhia que tinha feito que o dia fosse tão especial. Gina se encontrou respondendo de novo a seu encanto. Tomaram uma xícara de chá no Winfellows, depois empilharam suas compras no trenó e voltaram pela tranquila estrada que rodeava o lago. O sol tinha-se posto, e o céu havia se tornado de cor pérola, com farrapos de nuvens cinzentas aqui e lá. Começava a anoitecer e as luzes do trenó brilhavam nos aros contra a neve. Envolta no quente casaco, Gina desfrutou da paisagem, digno de um cartão natalino, e escutou o ruído apagado dos cascos do cavalo, imersa em uma borbulha de felicidade.

— Que idade tinha seu marido quando morreu?

A súbita pergunta fez que a borbulha se rompesse em mil pedaços.

— Co...como?

Ele repetiu a pergunta.

— Tinha vinte e um anos — desconcertada, disse a verdade.

— Era muito jovem — comentou Jake. — Brady, meu meio-irmão, tinha a mesma idade — continuando, com suavidade, perguntou. — Do que morreu seu marido?

— Tinha um tipo de câncer pouco comum — respondeu ela rouca, depois de um momento de dúvida. Por um momento, Jake pareceu sobressaltar-se, depois seu rosto se tornou inexpressivo.

— Brady morreu em um acidente de carro. Sua esposa conduzia. Só o Senhor sabe por que o permitiu; nevava e a estrada estava muito mal, e ela não estava em condições de ficar atrás do volante.

— Fala como se acreditasse que o acidente fosse culpa dela — disse Gina, doída.

— Não a culpo pelo acidente... isso foi inevitável. Rodopiaram no gelo e se estrelaram contra o pilar de granito de uma ponte; Brady saiu voando pelo para-brisa. Quando ela insistiu em conduzir, trocaram de lugar, e ele não fechou o cinto de segurança. Sim a culpo pela sua morte...

«Culpo-a pela sua morte...» A acusação reverberou na cabeça de Gina, e apertou as têmporas com os dois dedos. O veredicto de Jake lhe doeu ainda mais por destroçar com a felicidade do momento anterior. Ficou quieta, sentia cada baforada de ar como uma punhalada.

Brady sempre tinha sido muito descuidado com o cinto de segurança, ela normalmente o lembrava. Mas aquela noite não o fez. Assim Jake tinha razão. De certo modo era culpada da morte de Brady. Lhe escapou um gemido desolado.

— Está bem? — perguntou Jake.

— Sim, estou bem — replicou, com os lábios intumescidos.

— Não ficou mal por recordar a seu marido, verdade?

— Só tenho dor de cabeça.

— Espero que não seja muito forte — embora solícita, sua voz encerrava uma advertência velada. — Pensava te levar a festa de Véspera de Natal esta noite.

Cinco minutos atrás, embora não tivesse nada adequado que usar, a idéia de ir à festa com ele a teria entusiasmado. Agora, punha-a doente pensar em que teria que atuar como se tudo estava bem. Mas recordou suas palavras daquela manhã «Se requeiro sua companhia... espero consegui-la , e se mordiscou o lábio, nervosa.

— Quando chegarmos, tomarei um calmante.

Jake não fez nenhum comentário e, excetuando os rangidos do arnês e os ruídos do trenó, continuaram em silêncio absoluto.

Gina imóvel, com os olhos nublados, estava absorta em seus pensamentos. Nunca lhe tinha ocorrido que Jake pudesse culpá-la pela morte de Brady e o impacto que lhe produziu a acusação foi devastador. Não tinha nenhuma possibilidade de defender-se nem de explicar suas ações.

Possivelmente não deveria ter aceito o trabalho, teria se economizado muita dor e sofrimento. Mas não teria conhecido a sua filha, nem desfrutado desses maravilhosos momentos nos braços de Jake. Não, não se arrependia.

Notas finais
E ai o que vcs fariam?