Notas iniciais
Olá meninas, como vão? Espero que gostem do capítulo, obrigada pelos comentário... Aqui vai mais um capítulo, do passado de Gina.... É complicado a escolha que ela tomou....

Na manhã seguinte Gina voltou para Condado Pitkin e tentou retomar o fio de sua vida. Todos os dias se levantava, tomava banho e vestia, para seu trabalho com a eficiência habitual, comia, falava com as pessoas e inclusive sorria. Mas se sentia morta, como se sua força vital tivesse se extinguido e só à força de vontade conseguia suportar essa paródia de vida.

As semanas passaram lentamente e, em vez de sentir-se melhor, perdeu o apetite e lhe custava manter no estômago o pouco que conseguia ingerir. Determinados aromas lhe provocavam náuseas, e não suportava nem o chá nem o café. Em várias ocasiões, tinha tido que abandonar uma reunião de administração para correr ao banheiro a esperar, tremente e pálida, que lhe passasse o enjoo. A terceira vez que ocorreu, ao voltar para a reunião teve que enfrentar-se à senhora Wallace que, com olhos de suspeita e desaprovação, começou a fazer perguntas.

— Ainda se encontra mal, senhorita Augustin? O que você acha que pode ser?

— Uma espécie de gripe estomacal, suponho — disse Gina.

— Está durando muito tempo. Se eu fosse você, iria ao médico — com malícia, acrescentou. — Vejo que seu noivo não vem ultimamente.

— Não — disse preferindo não pensar em Brady.

Em lugar de deixá-la em paz, tinha telefonado e escrito repetidas vezes. Rasgou suas cartas sem chegar a abri-las e, depois de desligar o telefone cada vez que ouvia sua voz, pediu que não lhe passassem mais chamadas dele.

Seu mal-estar continuou, e o fim de semana seguinte o teste de gravidez deu positivo.

— Você não tem..... companheiro? — pergunto o médico, vendo que o resultado a tinha pego despreparada.

— Não — disse ela inexpressiva.

— Mas sabe quem é o pai?

— Sim.

— Assim, ele poderá ajudá-la?

— Não tenho intenção de lhe pedir ajuda.

— Não é fácil criar um filho sozinha; suponho que sabe que há outras opções. Estaria disposta a entregá-lo em adoção?

— Não! Arrumarei de algum modo — replicou. Era o filho de Jake e desejava ficar com ele. Pela primeira vez em semanas, um fio de paz começou a dispersar a cinzenta neblina que envolvia seu espírito.

Nessa tarde, sentada em sua suíte, tentou decidir o que fazer. Se o mal-estar continuava, seria impossível ocultar que estava grávida. A senhora Wallace já o tinha adivinhado. Gina suspirou. O futuro imediato se via muito negro. Tinha muito pouco dinheiro, e lhe seria difícil seguir trabalhando quando avançasse a gestação. Sabia que à senhora Wallace não gostava que suas empregadas ficassem grávidas.

Possivelmente o melhor seria voltar para São Francisco. Por certo que poderia encontrar algum trabalho e um lugar para morar. Mas, o que faria quando não pudesse seguir trabalhando? Como poderia manter a seu filho?

Enquanto analisava todas as possibilidades, tentando não se desesperar, bateram na porta e, sem lhe dar tempo a reagir, Brady entrou na suíte. Estava magro e abatido, com o rosto tenso. Não havia dúvida de que estava passando muito mal.

— Por favor, Gina. Tenho que falar com você — sua voz soava chorosa.

— Não servirá de nada — replicou ela cansada. — Por mais que falemos, nós terminamos. Não posso me casar com você.

— É porque não me quer?

— Não se pode amar por obrigação.

— Disse que me tinha carinho.

— E é certo. Mas o carinho não é suficiente.

— É tudo o que peço. Não desejo um amor apaixonado.

— Olhe, embora te quisesse, não poderia me casar com você.

— Me dê uma razão.

— Estou grávida de outro homem — espetou, a ponto de estalar. Ele piscou, tentando sobrepor-se à surpresa.

— Será melhor que se sente — sugeriu cansada. Ele se afundou na cadeira mais próxima e colocou a cabeça entre as mãos.

— Quem é ele? — perguntou um momento depois.

— Não penso em te dizer isso.

— Você o ama?

— Sim.

— Vais te casar com ele?

— Não.

— Por que não?

— Ele não quer casar-se comigo.

— Você contou sobre o bebê? — Brady levantou a cabeça.

— Não.

— Vai lhe dizer?

— Não. Tudo terminou entre nós. Foi só uma... uma loucura passageira.

— Pensa em ter a criança? — perguntou Brady, dando um suspiro.

— É obvio que vou tê-lo.

— Como vai mantê-lo?

— Não sei — admitiu ela. — Mas já pensei em alguma coisa — depois de uns segundos, ao ver que ele se calava, acrescentou. — Já sei que deve ser um golpe duro para você, e deve te parecer que...

— Parece-me um milagre — interrompeu ele, com o rosto excitado. — É a resposta a minhas preces. Gina, por favor, se case comigo e te prometo que nunca voltarei a mencionar esse homem. Diremos a todo mundo que o bebê é meu. Eu me ocuparei de vocês. Seremos uma família...

— Não, não poderia. Acabaria se arrependendo — rechaçou ela, perguntando-se por que razão estaria disposto a aceitar o filho de outro homem.

— Não me arrependeria.

— Isso é o que diz agora, mas imagine que mais adiante mude de opinião. Não seria justo para você.

— Mas é o que quero. Se concordasse em se casar comigo, solucionariam muitos problemas... seria o melhor para todos. Preciso de você, Gina.

— Pela última vez: há razões suficientes para que seja impossível que me case com você.

Possivelmente notou o tom terminante de sua voz. Que punha fim a suas esperanças, porque de repente se ajoelhou em sua frente, e agarrou suas mãos com angústia e impotência evidentes.

— Por favor, me escute. Vou te dizer algo que nunca jamais contei a ninguém...

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Quinze dias depois se casaram no civil. Foi uma cerimônia singela, a qual só assistiram a mãe de Brady, seu primo David, que voou do Canadá para ser o padrinho, e as testemunhas imprescindíveis.

Heather, encantada de que o casamento se celebrasse tão cedo, tinha sido a amabilidade em pessoa. Quando Gina chegou a São Francisco, ajudou-a a encontrar uma suíte em um hotel econômico e um trabalho temporário como recepcionista de um dentista. Brady não tinha lhe comentado sua ruptura, e lhe pareceu estranho que Gina desaparecesse tão cedo naquela manhã, sem sequer despedir-se, evitou dizê-lo.

Gina, embora esperasse o pior, havia sentido um grande alívio quando Jake, possivelmente por respeito a sua madrasta, comportou-se decentemente. Embora deixasse claro que se opunha ao matrimônio, não expôs suas razões, nem despediu Brady. Aliviou-a ainda mais que ele se preocupasse de estar no outro lado do mundo no dia do casamento.

Tanto Brady como sua mãe tentaram convencer Gina de que fosse viver na casa de Jake, mas ela se negou. Inclusive a cruzar a soleira.

— Sei que, por alguma razão, Grandalhão e você não simpatizaram um com o outro — disse Brady, — mas te asseguro que quase não o verá. Além disso, seria muito caro encontrar algo decente.

— Quero que vivamos em nossa própria casa. Não me importa se for um chiqueiro, e estou disposta a trabalhar enquanto possa para colaborar com o pagamento do aluguel.

— Desgosta-me que tenha que trabalhar, sobretudo em seu estado. Quero que você e nosso bebê vivam em um lugar agradável... — protestou Brady, preocupado.

Quando compreendeu que não conseguiria convencê-la, começaram a procurar uma moradia que pudessem pagar. Alguns dias antes do casamento encontraram um sombrio apartamento mobiliado, no último andar de um bloco próximo a ponte Golden Gate, e se mudaram depois de casar-se.

Seu trabalho temporário finalizou, e Gina conseguiu trabalhar de garçonete em um restaurante econômico. Trabalhava muitas horas. Pagavam-lhe mal e estava de pé todo o dia. Brady, preocupado por ela, rogou-lhe que o deixasse.

— Necessitamos do dinheiro — rechaçou ela.

— Não posso suportar que trabalhe assim quando deveria estar descansando... deixe-me que fale com Grandalhão. Não é um ogro, e se soubesse o que ocorre estou seguro de que...

— Se pedir ajuda a seu meio-irmão, partirei e não voltarei nunca mais — ameaçou Gina. Isso bastou para calá-lo.

Servir mesas era exaustivo e Gina sempre estava cansada. Mas não se queixava, os mal-estares da gravidez tinham acabado e se contentava com isso.

Brady, fazendo honra a sua palavra, nunca voltou a mencionar o pai da criança. Comportava-se sempre como se o bebê fosse dele e, como um menino pequeno com um segredo, morria de vontade de dar as boas novas a sua mãe. Gina, com o coração em um punho, fez-lhe prometer que esperaria ao menos dois meses. Assim, quando a criança nascesse, poderiam dizer que era prematuro. Consciente do que Jake poderia suspeitar dela, não queria que tivesse a mínima suspeita de que a criança fosse dele.

Gina seguia amando-o como no primeiro dia. Rememorava frequentemente o breve tempo que tinham passado juntos. Às vezes, entre sonhos, voltava a sentir essa doce felicidade, essa maravilhosa sensação de estar entre seus braços.