O Preço De Uma Mentira
16 Capítulo 16
Notas iniciais
— Tome cuidado de não se queimar — advertiu Jake — Está muito quente.
Durante um segundo ou dois, seguiu sonhando, presa no passado. Levantou os olhos, suaves e imensos, para ele. Então, voltando bruscamente para a realidade, encontrou-se de novo na casa isolada pela neve, sentada ante o aquecedor. Jake, de pé, oferecia-lhe uma fumegante xícara de chá.
— Obrigado — aceitou-a com lerdeza e apesar da advertência, estava a ponto de derramá-lo.
— A pouco tempo atrás parecia radiante de felicidade. No que pensava? — perguntou, com voz distinta a normal.
— Na... nada em particular — gaguejou ela.
Pareceu que Jake ia insistir, mas mudou de opinião, aproximou outra cadeira ao aquecedor e tomou sua própria xícara.
Gina, ainda evitou cuidadosamente olhá-lo enquanto bebia o chá, percebia que ele não separava os olhos de seu rosto nem um instante e perguntou se sua intenção era intimidá-la. Se o era, estava conseguindo. Inquieta pelo escrutínio moveu-se incômoda, torturada pela sensação de estar presa.
Se tivessem descido antes que o tempo piorasse... Jake conhecia a montanha e o clima da zona muito bem. Como podia ter cometido um engano assim? E se não era um engano? Era possível que o tivesse planejado? Possivelmente teria insistido em seguir até Prospect Point sabendo que o tempo ia piorar com a intenção de que ficassem presos a sós.
Essa idéia lhe provocou um pânico sufocante. Agarrou a xícara com força e tentou controlar-se; sabia que, de outro modo, só poderia precipitar a confrontação que tanto temia.
— Parece nervosa — disse ele irônico. — É por estar aqui a sós comigo?
— Não estou nervosa.
— Mentirosa — ele a desmentiu.
— Por que diz isso?
— Bom, ou é uma mentirosa ou uma tola, e não acredito que seja tola.
— Está insinuando que tenho razões para estar nervosa? — inquiriu levantando o queixo.
— É muito possível que sim.
— Está tentando me assustar.
— Por que ia eu fazer isso? — perguntou ele, com uma careta sarcástica.
— Porque você não gosta de mim.
— Acredita que o fato de eu não gostar é razão suficiente?
— Há alguma outra?
— Talvez eu goste de saber que você me olha com esses olhos enormes e cheios de apreensão.
— Você se transformou em um sádico — acusou ela, sem parar para pensar no que dizia.
— Me transformei... Então não acredita que sempre fui?
— Não tenho nem idéia — disse agitada. — Pode ser que era um menino cruel que acabava fazendo mal a qualquer ser mais débil...
— Não — disse, negando com a cabeça. — Meu desejo de fazer mal é relativamente recente, e é por culpa de...
Ela viu o perigoso brilho de seus olhos verdes e estremeceu.
— Não prefere adivinhá-lo?
Estava rindo dela, sabia. Tinha que seguir o jogo. Engoliu a saliva.
— As mulheres?
— Uma em especial.
— Sua ex-namorada? — sugeriu ela, sem muita esperança.
— Sara era muito simples para provocar esse tipo de sentimentos. Não, pensava em uma mulher que conheci em The Little Nell. Uma mulher que também se chamava Gina — explicou, e fez uma careta. — Não era especialmente bonita, senão fascinante e misteriosa. Parecia possuir uma estranha paz e inocência, uma espécie de luminosidade interior — sua voz endureceu. — Mas seu ar de inocência era tão falso como ela mesma. Resultou não ser mais que uma vagabunda. Tem idéia do que é pensar que finalmente encontrar a perfeição e sofrer uma desilusão assim? — perguntou.
Sua amargura fez que Gina se sentisse como se a estivessem esfolando.
— Mesmo assim, não podia tirá-la da cabeça. Sua lembrança me perseguia. Não podia trabalhar, nem comer, nem dormir. Era uma loucura. Quando conheci Sara e nos comprometemos, disse-me que estava a ponto de me curar. Mas ela, com típica intuição feminina, adivinhou que havia outra mulher. Ainda que nunca lhe dissesse quem era, e lhe deixei claro que tudo tinha acabado entre nós, não acreditou em mim. Por isso acabou rompendo o compromisso; achava que seguia obcecado... E tinha razão. Até agora, Gina é como uma enfermidade, uma febre recorrente contra a qual não tenho defesa. Embora não te pareça em nada com ela, por alguma estranha razão, você me recorda ela.
Gina, paralisada, sentia-se como se a tivessem amarrada à cadeira com barras de ferro. Jake se levantou e, agarrando-a pelos ombros, fazendo-a ficar em pé.
— Possivelmente por isso te beijei na outra noite. Por isso disse que possivelmente não pudesse suportar não te tocar — murmurou, olhando-a nos olhos. — Agora que estamos a sós, sei que não posso.
Na última noite que havia passado com ele foi um encantamento de luz e doçura; aquela vez era magia negra e amarga, mas o feitiço era igualmente potente. Desejou seu amor então e o desejava agora, ainda com mais intensidade, depois de tantos anos vazios. Recordou desconsolada que ele não sentia amor, só uma obsessão da qual não podia livrar-se.
Jake inclinou a cabeça para beijá-la; apartou o rosto bruscamente e seus lábios lhe roçaram a bochecha.
— Me deixe em paz — sussurrou, levantando as mãos para apartá-lo.
— Não sei por que põe essa cara de susto — espetou, cáustico. Não é uma inocente virgem. Já foi casada.
— Isso não tem nada que ver. Não quero ocupar o lugar de um fantasma do passado. Parece-me degradante que faça amor comigo só porque te recordo a... a outra pessoa.
— É uma mulher de carne e osso, não um fantasma, e se isso te faz feliz, prometo-te dizer seu nome enquanto eu faço amor...
— Não quero que me toque — interrompeu ela agitada.
— Não o diz a sério — com uma mão lhe tirou os grampos do cabelo, pôs a outro sob seu queixo e levantou seu rosto para ele.
— Por favor, não... — seu protesto se apagou quando ele pousou os lábios em sua boca, com beijos suaves como plumas, até deter-se brandamente em um canto. Seu corpo inteiro ficou tenso e, aterrorizada por sua própria reação, engasgou-se. — Sério! Não quero que faça amor comigo.
— Isso é mentira — repôs ele com calma. — A primeira vez que te beijei, poderia ter te levado para cama. Nisso te pareces muito com a Gina.
Deslizou as mãos sob o pulôver de lã e rodeou suas costas, atraindo-a para ele com uma mão enquanto com a outra procurava a suave curva do seio. E através do fino tecido do sutiã, acariciava-lhe um mamilo.
— Sim quer que eu faça amor, verdade? — ronronou contra sua bochecha.
Desejou dizer que não, tinha que dizer que não, mas o amava tanto que sua garganta resistia a dizer semelhante mentira. Enquanto o tentava, ele a beijou, fazendo que entreabrisse os lábios; o beijo se fez mais profundo soube que estava perdida, já não havia salvação possível.
Ele a beijava com paixão, como se levasse anos desejando fazê-lo. Gina percebeu sua intensidade e isso alimentou a chama de seu próprio desejo. Começou a tremer violentamente.
Notando sua reação, ele se afastou um momento para apagar a luz; depois a deitou sobre o grosso tapete que havia ante o aquecedor e a despiu ao resplendor do fogo, que dava a sua cremosa pele uma textura bronzeada. Jake tirou a roupa e se deitou junto a ela, apoiando-se em um cotovelo. Nesse momento, um tronco se assentou, provocando uma labareda e uma chuva de faíscas que iluminou seu rosto, convertendo-o em uma máscara de escárnio.
De repente, teve medo dele. Podia ser muito cruel, tinha-o sido. Recordava-lhe a Gina do passado, e ele odiava aquela mulher, tinha confessado seu desejo de lhe fazer mal... Gemeu, um som suave que se ouviu perfeitamente apesar da tormenta que continuava no exterior.
— Não faça essa cara — disse ele com aspereza, interpretando corretamente o pânico de sua expressão.
— Não... não posso evitá-lo — sussurrou. Ele estendeu a mão e lhe apartou uma mecha de cabelo da bochecha com certa ternura.
— Não tenhas medo. Não te farei mal, nem farei nada que não deseje que faça.
Apesar de tudo, acreditou, e quando começou a beijá-la e a acariciá-la relaxou; suas mãos suaves a fizeram sentir um prazer que recordava de antigamente. Desejava tocá-lo a sua vez, deslizar as mãos por seus ombros largos, e brincar com o pelo escuro que salpicava seu peito, mas temendo ser descoberta, ficou quieta.
Enquanto suas mãos a acariciavam, seus lábios deixaram um rastro de beijos ardentes desde o ombro até o seio, onde se detiveram. Embora ele fizesse amor como se tivesse todo o tempo do mundo, ela percebia que estava fazendo um grande esforço para controlar sua excitação. Ele nunca tinha pretendido que lhe agradasse, e muito menos que lhe importassem seus sentimentos. Por essa razão, quase esperava que a tomasse rapidamente para satisfazer próprio prazer, sem preocupar-se com ela.
Mas, com paciência e destreza, excitou-a até que começou a desejá-lo com ânsia.
Quando se acomodou entre seus quadris, rodeou-lhe o pescoço com os braços e afundou o rosto em seu pescoço. Ele notou sua reposta e a amou com tal força e paixão, que uma tormenta de sensações engoliu a ambos, deixando-os esgotados e serenos.
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