O Prelúdio.

1 Capítulo 1 - O assassino.


Notas iniciais
Nunca sei quando por acima de 16 ou acima de 18 anos. Presumo que 18 anos seja para quando tenha cenas inadequadas para maiores. Porém, caso eu mude de ideia - e acho que vou mudar - e escrever algo que tenha isso, mudarei a classificação. Por enquanto, aproveitem =DKisus.

Capítulo I – O assassino.

Seus olhos estavam doendo ao serem abertos. Ela sentia uma tontura, um enjoo. Alguma coisa latejava em seu corpo, no entanto, ela não conseguia ter certeza do que era. Podia parecer impressão, mas estava com o coração batendo forte? Devia lembrar-se de alguma coisa. Algo havia acontecido de ruim. Ela não conseguia lembrar o que era.


Conseguiu finalmente abrir os olhos. A claridade a cegou por alguns segundos. Piscando algumas vezes, ela finalmente conseguiu ver tudo mais nítido, bem como sua audição pode exprimir os sonhos de gritos que vinham daquele mesmo recinto.
Alarmou-se. O que estava havendo? Conseguia ver os seus amigos tais como ela, amarrados. Alguns deles gritavam muito, mas ela não conseguia identificar quem. Ali estava Ivanna, Mark e Fred. O que estava acontecendo?


Ela percebeu quando viu seus amigos que, aparentemente, eles tinham sido sequestrados. Kalina não conseguia se lembrar como isso tinha acontecido. Parecia que sua memória não estava no tempo de pensar no passado, mas sim no presente, em tudo que ela supunha que ela deveria fazer para se ver livre daquele espaço.


– Kalina! Por favor! Nos tire daqui! – Gritou Ivanna e começou a chorar copiosamente. Kalina prendeu a respiração. Teve vontade de chorar, quando viu que um dos dois algozes estava enfiando uma faca no intestino da amiga, que gritava cada vez mais angustiada. Por que elas?


Como num passe de mágica, Kalina lembrou-se. Eles estavam na casa de verão de Mark, perto da praia. Estava deserto em virtude da chuva que assolava a região, porém isso não era preocupante para os amigos, que estavam no local para fazer os deveres da faculdade. Tudo tinha acontecido muito rápido. Quando perceberam, alguns deles tinham sido atacados na cabeça, como ela, por exemplo, e outros tinham sido cortados. Todos amarrados e torturados.


Era óbvio que ninguém estaria ali tão cedo. Ainda estava chovendo muito e a região era vazia. O pai de Mark, um rico empresário, gostava de silêncio em seus momentos de férias. A alternativa que tinham era morrer.


– Seu pai tem sido um rapaz muito mal Mark. Que tal mostrarmos a ele que não se deve brincar com quem pega fogo? – Disse um deles e Ivanna gritou pelo namorado. Kalina, que tinha tremenda fobia de sangue, fechou os olhos. Mark gritou sentindo a faca adentrar seus órgãos genitais. Os olhos dele reviraram enquanto um deles parecia calmamente usufruir da faca como se estivesse numa mesa cirúrgica.


Fred começou a tentar quicar na cadeira e um deles revirou os olhos cortando o homem no pescoço. Ele não servia de muita coisa. A cabeça girou por sob o espaço, caindo próxima dos pés da jovem. Ela sentiu a ânsia voltando. Ambos os assassinos estavam com uma espécia de máscara preta. Apenas os olhos ferinos eram perceptíveis. Um deles possuía os olhos negros como a noite; intensos, porventura, como tal. Os cílios pareciam ser bem densos. O outro, por sua vez, tinha os olhos mel, como se tivesse sido escorrido gotas de mel sobre sua visão. Também possuía cílios bem densos.


– Qual das duas é sua querida namorada Mark? – O garoto que estava com os olhos revirados não conseguia dizer nada. O assassino de olhos escuros revirou os olhos e foi em direção a Ivanna. Andava e assoviava, como se estivesse fazendo um bem para a sociedade. Kalina não conseguia ter reação. Não sabia o que fazia. Não sabia se chorava, gritava. Não sabia o que fazer.


– É você, não é mesmo? -Ivanna negou com a cabeça. Os olhos estavam vermelhos e ela continuava chorando. Mark estava quase morto para perceber a amada morta, mas, ainda assim, sem piedade, o assassino de olhos negros enfiou a faca no mesmo buraco feito outrora no intestino e seguiu num corte vertical, chegando até o coração, quando finalmente, os últimos gritos de Ivanna cessaram e Kalina percebeu que era a sua vez de ver a morte.


O assassino seguiu em sua direção. Kalina mirou o chão. Não queria olhar o garoto enquanto suas entranhas pulavam. Ouviu a respiração dele sedenta por sangue quando ele se abaixou até ela, puxando seu rosto com força em sua direção. Kalina olhou aqueles olhos negros. Nunca mais ia esquecer aquele brilho sanguinolento, aquelas olheiras roxas ao redor do rosto, aqueles cílios densos. Ia levar aquilo até sua morte. Engoliu em seco.


– Está com medo Kalina? – Ela não fazia ideia nem de como ele sabia o seu nome. Não disse nada. Queria logo morrer, se fosse possível. – Você tem que ter mesmo. Vamos fazer uma brincadeira? Eu te dou dez segundos para fugir daqui. Vamos? – Ele cortou a fita durez que prendia seus pulsos com força. Ria, como se fosse um psicopata. Kalina estava arrepiada, só que de medo. Os pulsos ficaram um pouco vermelhos, mas ela não se preocupou muito quando ouviu o barulho da polícia do lado de fora. Se chegasse no outro ambiente com rapidez, poderia sobreviver. Bastasse que corresse com a maior força que suas pernas pudessem aguentar ou que seu estômago não pudesse revirar e impedi-la de tal coisa.


– Dez, Nove... – Ouviu o garoto contar. Mexeu com a maior força que podia as suas pernas. Seu coração batia descompassadamente quando ela começou a correr. Tinha que alcançar outro espaço, do contrário não conseguiria sair com vida. Precisava se agarrar naquela esperança. Foi com um susto que ela percebeu que aquela esperança era irrisória. Sentiu quando as mãos geladas do jovem tocaram seus ombros e ela se desequilibrou rodando no chão. Sua voz e suas lágrimas que, há tanto se seguravam para sair, escaparam com força. Ela tinha perdido completamente as esperanças de sair dali.


Ainda assim, Kalina lutou. Tentou chutar seu assassino, sair debaixo dele e conseguiu retirar o capuz da face dele. Foi com um grito que ela sentiu ele furando a pele de seu ombro a prendendo no chão, com isso. A ponta da faca cortou completamente sua pele, sendo cravada no chão de madeira. Ele balançou os cabelos negros que ameaçavam cair na testa, colocando-os de volta ao lugar. Isso fora segundos suficientes para ela analisar o rosto do assassino.


Ele possuía os olhos negros. A pele ao redor do rosto estava com leves marcas arroxeadas. O rosto dele era um branco tão pálido que ela se perguntou se ele não estava morto. Ainda assim, era perceptível que a marca das unhas dela na testa dele estivessem sangrando levemente. Os lábios vermelhos sorriram levemente enquanto ele mexia com mais força no ombro dela. Ela gritou mais.


Os olhos ardiam e ela já enxergava com dificuldade. Não queria morrer, mas parecia inevitável. Percebeu quando ele retirou a faca do ombro dela e a aproximou de seu corpo para cortá-la. Havia um sorriso psicótico saindo de seus lábios.


– Até logo Kalina. – No entanto, no último segundo, ambos ouviram um tiro. Kalina percebeu quando seu assassino começou a sangrar na altura do intestino e passou a se arrastar, até sumir nas sombras da casa. Ela percebeu que estava na sala, próxima a mesa de vidro. Percebeu quando o policial que havia lhe salvado começou a respirar. Ela não conseguiu segurar o choro. Estava viva? Era a única sobrevivente?


Sentiu os joelhos bambos e as lágrimas caíram. Porque tudo aquilo? O que ela havia feito? O policial se aproximou perguntando se ela estava bem, o que ela respondeu com um aceno de cabeça, chorando mais ainda. Ele a levantou do chão. Estava ferida no ombro e sangrava. Aquilo ia ficar uma marca.


Não somente na pele, de forma que todos pudessem ver a marca de sua desgraça, mas na sua alma. Tinha quase morrido. Poderia agora estar como seus amigos, sofrendo por não ter feito nada e ter sido atacada. Sofria por ter saído de sua terra natal. Por ter saído do local mais bem protegido do mundo, naquele vilarejo onde todo mundo conhecia todo mundo, para estar na Linda Europa, buscando um futuro melhor. Sofria, porque as férias começariam em alguns dias e ela não teria mais os amigos para aproveitar. Sofreria, porque, depois de um ano inteiro renegando voltar para Ruse, para ver sua mãe, lá estava ela, tendo que acatar essa ideia.


Respirou fundo. Aquelas imagens não pareciam sair da mente dela. A viagem de trem de Sófia até Ruse parecia angustiante. Ela se segurou várias vezes para não chorar. No entanto, fora tempo suficiente para que as lágrimas secassem. Ela não tinha mais ânimo para nada. Não tinha ânimo para chorar. Ainda assim, ela sentia medo. Era como se ela estivesse cercada. Como se de repente o assassino dela estivesse ali, vendo-a seguir para Ruse, perseguindo-a.


Olhou para o lado. O ambiente gelado estava em todo o local. A tundra parecia recobrir cada parte daquele ambiente inóspito. Kalina sentiu um arrepio percorrendo sua pele. A marca ardia. Não tinha escolha. Tinha tão pouco tempo que havia ganhado pontos em forma de X no ombro. Era inevitável que aquela marca lhe gerasse tantas lembranças.


– Estou voltando, Cherven. – Murmurou. Ainda assim, não conseguiu acreditar no que estava dizendo. Estava voltando...