O Preço do Pecado
15 O Fim das Armaduras
O jantar naquela noite de sábado começou envolto em uma atmosfera vibrante. A mesa da varanda da casa de praia estava farta com as lagostas e frutos do mar que os irmãos haviam buscado. Romeu e Vanessa agiam como o "casal sensação" que sempre foram: trocavam risadas, provocavam-se com cumplicidade e preenchiam o ambiente com uma leveza que há muito tempo não entrava na vida dos Laurentis.
No entanto, do outro lado da mesa, o clima era de pura eletricidade estática. Natasha e Heitor mantinham a dinâmica de farpas afiadas a cada frase.
— Essa lagosta está excelente, Vanessa. Bem diferente do gosto amargo que certas pessoas trazem para a mesa — Natasha comentou, dando um gole sutil em seu vinho, lançando um olhar atravessado para o marido.
Heitor soltou uma risada anasalada, o semblante fechando milimetricamente. — Se o gosto está amargo, Natasha, talvez seja porque você passa tempo demais cuspindo veneno em vez de aproveitar o que te dão de mão beijada.
— Eu não pedi nada disso, Laurentis. Você me arrastou para cá, lembra? — ela rebateu, o queixo erguido, os olhos verdes desafiando a autoridade dele diante do irmão.
— Já chega — Heitor sibilou, a voz mansa, mas carregada daquela ignorância rústica de mafioso. A paciência dele, já testada pelas palavras de Romeu no carro, estourou por completo.
Sem qualquer aviso ou cerimônia, Heitor empurrou a cadeira de mogno para trás com um baque seco, levantando-se. Ele deu dois passos largos, parou ao lado de Natasha e, antes que ela pudesse soltar um grito, segurou-a pela cintura e a jogou de cabeça para baixo por cima do seu ombro musculoso, segurando suas coxas firmemente com uma das mãos.
— Heitor! Me solta, seu bruto! Ficou maluco?! — ela começou a gritar, esmurrando as costas dele com os punhos.
Romeu e Vanessa apenas trocaram um olhar divertido, segurando o riso enquanto Heitor caminhava firme em direção ao corredor dos quartos. — Com licença. Minha esposa precisa de um corretivo — Heitor rosnou, sumindo escada acima.
O Quarto e a Mudança
Heitor empurrou a porta do quarto com o pé e a bateu com força, trancando-a por dentro. Ele caminhou até a imensa cama de casal e soltou Natasha sobre o colchão macio. Ela se sentou imediatamente, o cabelo castanho bagunçado caindo sobre os olhos, respirando de forma arfante de pura fúria.
— Você é um animal, Heitor! Me carregar daquele jeito na frente dos outros... Eu odeio você! — ela gritou, avançando para tentar empurrá-lo.
Heitor não respondeu com a grosseria habitual. Em vez disso, ele subiu na cama, encurralando o corpo dela contra os travesseiros. Suas mãos grandes seguraram os pulsos de Natasha, mas não com a força ríspida das outras noites. Ele prendeu os braços dela acima da cabeça com uma delicadeza firme que a pegou de surpresa.
Seus olhos castanhos, sempre tão calculistas e frios, estavam diferentes na penumbra do quarto. Havia uma névoa de exaustão e uma intensidade ardente que ela nunca tinha visto. Heitor inclinou-se devagar e colou seus lábios aos dela.
Natasha esperava a brutalidade das estocas de quatro ou os beijos famintos e sujos no carro. Mas o que recebeu foi um beijo de uma doçura devastadora. A boca de Heitor se moveu contra a dela com lentidão, a língua explorando a dela com uma cadência profunda, sôfrega, quase suplicante. Ele soltou os pulsos dela, e suas mãos desceram para as bochechas de Natasha, acariciando a pele macia com os polegares enquanto continuava o beijo, sugando o lábio inferior dela com um carinho que fez o coração da jovem errar as batidas.
— Heitor... — ela murmurou entre o beijo, a voz perdendo toda a pose de fúria, os olhos lacrimejando por uma confusão de sentimentos.
— Cala a boca, boneca... Só por hoje, não luta contra mim — ele sussurrou com a voz extremamente rouca, desabotoando a própria camisa com uma mão enquanto a outra traçava linhas suaves pela lateral do corpo dela, subindo pelo vestido até encontrar a pele nua de sua cintura.
Naquela noite, Heitor despiu o monstro que Chicago temia. Ele despiu o terno, as armas e as palavras vulgares, transformando-se em um verdadeiro amante gentil, paciente e amoroso. Suas mãos grandes mapearam cada centímetro do corpo de Natasha com uma reverência quase religiosa, deixando trilhas de carícias suaves e arrepios por onde passava. Seus beijos desceram pelo pescoço, encontrando a clavícula e os seios fartos, lambendo e mordiscando com uma lentidão que arrancava de Natasha gemidos agudos, mas não de humilhação, e sim de puro e genuíno prazer carnal.
Movida por aquela mudança avassaladora e pelo fogo que consumia seu peito, Natasha tomou a iniciativa. Sem que ele precisasse pedir ou mandar com sua ignorância habitual, ela empurrou levemente o peito tatuado dele, fazendo-o deitar de costas nos lençóis brancos. Ela subiu por cima dele, montando em seu quadril com uma lentidão felina.
Heitor a olhou de baixo, os olhos brilhando na escuridão, as mãos espalmando-se nas coxas dela, incentivando-a.
Natasha guiou o membro rígido dele para dentro de si devagar, soltando um suspiro longo ao sentir o preenchimento total. Ela começou a cavalgar sobre ele de forma ritmada, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás. Suas curvas moviam-se com graça sob a luz do luar que entrava pela janela de vidro. Heitor ergueu as mãos, segurando a cintura dela com carinho, puxando-a para baixo a cada estocada, subindo os dedos para acariciar as costas nuas dela. O sexo selvagem das outras noites transformou-se em um ato de fazer amor de verdade, onde os toques eram profundos e os olhares conectados.
O ápice veio como uma onda quente e mansa. Natasha acelerou o ritmo, apertando os músculos ao redor dele enquanto soltava um gemido longo e agudo. Heitor soltou um suspiro pesado, arqueando o quadril para cima enquanto descarregava seu sêmen dentro dela. Exausta e flutuando no prazer, Natasha desabou para a frente, caindo com o corpo suado diretamente sobre o peito musculoso e arfante dele.
Heitor fechou os braços ao redor dela, puxando o lençol para cobri-los. Sua mão grande começou a fazer carinhos lentos nas costas nuas de Natasha, subindo e descendo pela espinha dela, enquanto ela, rendida ao momento, deslizava os dedos suavemente pelo abdômen e pelo peito tatuado dele, ouvindo os batimentos cardíacos acelerados do marido.
A Ducha e a Declaração
Minutos depois, no mais absoluto silêncio, Natasha moveu-se devagar. Ela saiu de cima dele, levantou-se da cama e caminhou em direção ao banheiro da suíte. Heitor continuou deitado, observando a silhueta dela sumir na penumbra.
Dentro do banheiro de mármore, ela ligou a ducha, deixando a água quente escorrer pelas paredes de vidro do box. Natasha entrou embaixo da água, fechando os olhos, sentindo o suor e o cansaço serem lavados.
O som da porta de vidro se abrindo a fez abrir os olhos. Heitor entrou no box nu. A água quente começou a molhar seus cabelos escuros e a escorrer pelo peito largo. Ele deu dois passos lentos, eliminando qualquer distância entre eles, e encurralou-a suavemente contra os azulejos molhados. Suas mãos subiram para o rosto de Natasha, erguendo o queixo dela.
Heitor a beijou. Foi um beijo intenso, molhado, as línguas se entrelaçando com uma urgência emocional que quebrou a última barreira que restava. Ele encostou a testa na dela, a água caindo sobre os dois, e soltou a respiração pesada que guardava há semanas.
— Eu não aguento mais lutar contra isso, Natasha... porra, eu não aguento mais — ele confessou, a voz rouca falhando sutilmente, os olhos castanhos fixos nos dela com uma vulnerabilidade crua. — Eu passo os dias tentando ser o monstro que a cidade precisa, mas quando eu entro naquele quarto e vejo você... tudo desmorona. Eu tentei te odiar, tentei te tratar como um contrato, mas eu estou completamente apaixonado por você, garota. Eu te amo, e essa porra está me enlouquecendo.
Natasha estancou, a água morna lavando as lágrimas que começaram a brotar instantaneamente em seus olhos verdes. Um sorriso lindo, leve e desarmado surgiu em seus lábios pela primeira vez desde que se conheceram. Ela estendeu as mãos, acariciando os ombros molhados dele.
— Eu também não aguento mais as brigas, Heitor... Eu estava tão cansada de usar palavras de ódio para tentar esconder o que o meu corpo e o meu coração sentiam toda vez que você me tocava — ela sussurrou, a voz embargada pela emoção. — Eu também te amo, seu cafajeste rústico. Eu tentei lutar, mas eu sou sua. De verdade.
Heitor soltou um sorriso de canto, o peito aliviado de um peso de anos. Ele a puxou para um abraço apertado embaixo da ducha, os corpos colados enquanto trocavam beijos carinhosos e risadas curtas de pura felicidade.
Eles desligaram a água, secaram-se rapidamente com as toalhas felpudas e voltaram para a cama de casal. Naquela noite, o muro de gelo derreteu por completo. Eles deitaram-se agarradinhos, com o corpo de Natasha aninhado perfeitamente no peito de Heitor, e as pernas entrelaçadas sob as cobertas. O lobo de Chicago finalmente encontrara sua paz, e ambos adormeceram profundamente, unidos pelo laço inquebrável do amor que nasceu em meio à tormenta.
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