O Preço da Volta
6 Capítulo 6 - O Plano...
Notas iniciais
A mulher de meia-idade desceu as longas escadas que levavam ao hall de entrada e deparou-se com a filha já pronta para sair.
— Finalmente! — Exclamou a jovem em tom de surpresa. — Depois da sua síncope após a abertura do testamento, achei que nunca mais saíria do quarto.
— Poupe-me do seu sarcasmo, Francine. — Falou friamente. — Sua professorinha já saiu? — Perguntou com desdém.
— Pare de chamá-la assim! — Esbravejou. — O nome dela é Cassandra, é minha esposa e mãe da minha filha.
— Você jogou seu futuro fora ao não querer casar com o filho dos Berry. — Acusou pela enésima vez.
— Meu futuro está bem garantido com a herança do papai. Eu nem precisaria trabalhar. Com o dinheiro eu criaria até minha décima geração. E todos sabem que Kurt não aprecia do que eu tenho no meio das minhas pernas. E eu não gosto do que ele tem. — Respondeu fria
— Ele é um ótimo garoto que sacrificou sua sexualidade para unir duas famílias tão amigas que construiriam um império juntas.
— Ah claro! O império da grife dos Berry e o império de joias dos Fabray. — Riu em desdém. — Pare de pensar em dinheiro e pense uma vez na vida com o coração, se é que ainda bate um aí dentro. — Apontou para a mãe.
— Eu não vou ficar aqui ouvindo idiotices. Há coisas melhores para fazer. — Caminhou até a porta.
— Onde a senhora vai tão cedo? — Questionou seguindo a mãe para fora da mansão.
— Resolver algumas coisas para o enterro do seu pai e para a chegada da sua...irmã. — Proferiu a palavra com nojo.
— Escute aqui. — Aproximou-se da mulher. — Se ousar encostar um dedo sequer em Lucy eu esquecerei que sou sua filha e expulso você dessa mansão que agora só pertence a mim e à minha irmã. — Despejou tudo entredentes.
— Não me ameace, Francine Fabray. — Apontou o dedo no rosto da filha.
— Então mantenha-se longe de Lucy, ou verá as consequências. — Finalizou descendo os degraus de cimento até o carro preto estacionado em frente à fonte luxuosa do jardim, partindo com o mesmo pelos enormes portões de ferro e sumindo do campo de visão da mãe.
...
— Eu a criei como uma boa mãe, para no final defender a anormal da irmã dela. — Contava andando pelos corredores da mansão Berry, entrando no escritório acompanhada dos dois homens.
— Judy, querida, você sabe que Frannie sempre será uma tola como Russel. — Leroy respondeu sentando em sua poltrona enquanto Hiram sentava-se na outra ao seu lado.
— Estávamos preocupados depois do seu surto no dia do testamento. — Hiram comentou.
— Eu ainda não acredito que passei vinte e cinco anos casada com aquele idiota, sendo a esposa perfeita e recatada para no final ser traída por ele e estar nas mãos de uma mulher que coloca os sentimentos na frente e de uma pirralha anormal que eu nunca desejei. — Esbravejou passando as mãos no rosto e acomodando-se no sofá de dois lugares.
— Isso será por pouco tempo. Onde está Finn? — Indagou para o marido.
— Está vindo com Kurt. Já deveriam estar aqui. — Hiram respondeu olhando o relógio em seu pulso.
Mal terminou de falar e o rapaz alto adentrou no escritório trajando um terno totalmente preto, desde a camisa até a gravata.
Kurt logo apareceu atrás do amigo. A altura entre eles era gritante. Finn era muito alto. O rapaz de traços delicados trajava uma calça justa demais ao seu corpo e uma gravata borboleta azul, em contraste com a camisa branquíssima.
Finn jogou-se no sofá de três lugares, enquanto Kurt sentava ao lado de Judy no menor.
— Quando a aberração irá voltar? — Finn indagou afrouxando a gravata.
— Schuester irá ligar avisando e aí teremos de colocar o nosso plano em prática gradativamente. — Leroy respondeu.
— Mal posso esperar para conhecer a filha de vocês. — O rapaz sorriu.
— Shelby era uma mulher bonita. Rachel com certeza herdou sua beleza. — Hiram divagou sorrindo ao lembrar da filha.
— Se essa maldita não a tivesse sequestrado, ela estaria aqui conosco. — Leroy bateu a mão na mesa do escritório.
— Isso não importa. O que importa é que depois de procurar esse país todo por Rachel nós finalmente a encontramos por acaso quando pedimos para Schuester averiguar nesse local. Ela estava em Londres esse tempo todo. — O marido respondeu.
— Naquele lugar com gente daquela classe social. — Fez cara de nojo. — E ainda por cima morando com aquela anormal. Assim que ela chegar, iremos remover a impureza que deve estar na minha filha. — Leroy passou as mãos nos cabelos.
— E então... — Judy levantou-se e se aproximou de Finn. — Faremos Rachel casar-se com Finn. — Sorriu pondo a mão no ombro do rapaz, que sentou-se de imediato, sorrindo orgulhoso.
— Mas antes... — Leroy começou. — Temos que fazer Rachel casar com Lucy e garantir que nossa filha herde tudo o que for da esposa. — Completou.
— E então Finn, como um bom amigo, aparecerá com seu charme e enlaçará Rachel em sua plena fragilidade, tornando-se assim o dono de tudo junto com nossa menina. — Hiram segurou a mão do marido.
— Vocês vão arder no inferno por isso. — Kurt zombou.
— Não venha com essa. — Finn debochou. — Você irá lucrar sendo parte da família. Sempre quis a filial de joias de Miami e a mansão de veraneio daquele lugar. — Lembrou ao mais novo, atingindo o ponto fraco da ambição do rapaz.
— Faremos o que for preciso, então. — Kurt decretou.
— Você é o meu orgulho. — Judy sorriu orgulhosa. — Russel serviu para algo ao adotar você ao meu pedido. — Passou a mão pelo rosto liso de Finn. — Quando olhei para você naquele sinal de trânsito, soube que era lindo e inteligente demais para viver naquelas condições.
— E você... — Leroy levantou-se e pôs a mão sobre o ombro de Kurt, que olhou para o pai. — Me conquistou com esses olhos azuis e esse seu jeito astuto quando tentou me furtar naquela praia aos seis anos. — Completou, fazendo o rapaz sorrir.
— Quando sacrificou sua sexualidade para casar com Francine nos deixou mais orgulhosos ainda. — Hiram começou.
— Mas tola como o pai, colocou o amor na frente e casou-se com Cassandra. Uma professorinha de dança. — Judy suspirou.
— Mas Lucy e Rachel serão perfeitas. — Leroy sorriu. — Serão apoiadas por nós, casarão e depois a doce anormal irá sofrer um fatídico acidente, deixando todos esses milhões para Rachel, e Finn será o amigo e futuro marido perfeito do jeito que sempre foi esse homem de fibra.
— E depois do casamento, eu controlarei tudo. — Finn sorriu de canto. — Esse plano será fantástico.
— Estaremos a sua espera, Lucy Quinn. — Judy sorriu friamente. — Essa volta será perfeita.
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