O Preço da Volta
7 Capítulo 7 - Uma nova realidade...
Notas iniciais
Rachel remexeu-se na cama e ao virar para o lado, deparou-se com a namorada fitando o teto com um olhar vago. O rosto parecia cansado e a morena notou que Quinn não havia dormido. Olhou pela pequena janela do quarto e o céu denunciava a madrugada de Londres.
— Quinnie... — Murmurou com a voz rouca, apoiando-se em seu cotovelo e passando os dedos delicadamente no maxilar da namorada. — Você deveria ao menos tentar dormir.
— Eu não consigo. — Sussurrou, virando o rosto e olhando para os olhos castanhos.
— Tente. — Pediu, aproximando-se e deitando sobre o peito coberto pela regata cinza. — Amanhã o senhor Schuester já virá providenciar a nossa ida para Ohio e será muito corrido.
— Como você acha que vai ser? — Perguntou suspirando.
— Acho que vai ser muito diferente. Muito estranho, mas estamos juntas aqui, sempre estivemos e sempre estaremos. — Levantou a cabeça para beijar os lábios finos.
— Para sempre. — A loira murmurou.
— Para todo o sempre. — Sorriu, voltando ao aconchego do corpo magro. — Agora tente dormir, antes que eu bata em você até apagar.
Quinn soltou uma risada divertida e puxou a grossa coberta para cobrir mais os corpos juntos.
— Você não tem força para isso. — Zombou marota.
— Oras... — A morena ia levantar-se, mas a loira a puxou novamente.
— De repente estou com sono. — Fingiu coçar os olhos. — Boa noite. Eu amo você. — Passou os braços ao redor do corpo moreno e a prendeu contra o seu.
Rachel gargalhou abafadamente contra o peito da namorada, negando com a cabeça, e encaixou seu rosto no pescoço pálido.
— Eu te amo. Boa noite. — Beijou o local e fechou os olhos.
...
— Eu não entendo. — Santana olhava para a amiga. — Por que temos que levar essas roupas velhas se vocês estão podres de ricas?
— Porque... — Quinn jogou a mochila da latina em seu colo. — Não tenho ao menos um registro concreto com meu nome e não sei quando terei dinheiro e quando eu tiver, não irei gastar com bobagens. — Respondeu séria.
— Quinn, Q, Quinnie... — Santana levantou-se e caminhou até a amiga. — Roupas não são bobagens, são necessidades e o que vestimos são trapos que as pessoas jogaram fora.
Quinn ia abrir a boca para contestar, mas ouviu batidas na porta. Apenas revirou os olhos e caminhou, abrindo a mesma e deparando-se com William Schuester sorrindo e carregando duas malas médias de rodinhas.
— Olá, meninas. — Sorriu educado. — Prontas para ir?
— Sinceramente, não. — Quinn respondeu, sentando-se no sofá.
— Vai dar tudo certo. — Garantiu o homem. — Já liguei para sua irmã comunicando nossa volta e ela pediu-me para providenciar algo antes de partirmos e informou que se precisar de algo, dinheiro não é problema.
— O que ela pediu que providenciasse? — Santana cruzou os braços.
— Primeiro: Onde estão as outras garotas? — Indagou curioso.
— Aqui! — Brittany apareceu com Rachel enquanto segurava uma bolsa preta.
— Frannie pediu-me para comprar algumas coisas para vocês. — Entregou uma das malas para Santana e a outra para Quinn.
A loira arqueou a sobrancelha e sentou-se no sofá, abrindo a mala com Rachel já ao seu lado.
A morena abriu a boca em surpresa quando viu as peças de roupas ainda com as etiquetas de lojas famosas da cidade, juntamente com calçados e algumas peças íntimas.
— Minha esposa me ajudou a escolher as peças íntimas. Conhecerão Emma quando chegarmos ao aeroporto. — Sorriu simpático.
— Díos mio. — A latina segurava um sobretudo vermelho com botões dourados com uma expressão de criança feliz.
Brittany não estava diferente. Segurava em mãos um par de botas novas com adoração.
— Nós mal aceitamos voltar e já querem nos comprar? — A loira questionou cruzando os braços.
— Olhe. — O advogado aproximou-se. — Sei que tudo é muito confuso e novo, mas Frannie é uma boa mulher e sabe como a cidade pode ser maldosa. Ohio já sabe que a filha caçula dos Fabray e a filha dos Berry estão retornando para a cidade e os repórteres estão a todo vapor. Se voltarem nos trajes que estão eles não pouparão ofensas. — Aconselhou calmo.
— Eu tenho orgulho de ser quem sou. — Bufou. — Rachel...— Virou-se para olhar a namorada. — RACHEL! — Repreendeu com a expressão incrédula.
— Ele tem razão, Quinnie. — A mais baixa falava distraída enquanto olhava um vestido preto com zíper nas costas e com pouco decote na frente.
— Não acredito que está sendo comprada dessa forma. — Frustrou-se, sentando novamente.
— Pare de ser ranzinza. — Rachel olhou a namorada. — Sua irmã se importa com você. Dê uma chance à ela. Seu pai não falou nada de mal sobre ela. Apenas não confie na sua mãe.
— Tudo bem. — Rendeu-se. — Vamos trocar de roupa porque ainda temos que ir em alguns lugares.
— Que lugares? — O homem indagou.
— Saberá em breve. — Pegou a mala de rodinhas. — Vamos lá.
Rachel sorriu largamente e caminhou para o quarto, enquanto as amigas faziam a mesma coisa.
...
A morena terminava de calçar as botas pretas de salto médio quando virou-se para pedir que a namorada auxiliasse com o zíper do vestido, mas sua fala morreu em sua garganta.
Ela observou as costas pálidas e fortes desnudas da loira, descendo diretamente para as nádegas que estavam perfeitamente moldadas na calça escura e justa.
Rachel sentiu um desconforto em seu baixo ventre que só aumentou de proporção quando a loira virou-se para capturar o top preto e Rachel pôde ver o volume que a calça fazia em seu membro.
De repente o quarto tornou-se extremamente quente e a baixinha passou a abanar-se com uma das mãos.
— Está tudo bem, Rach? — A namorada questionou preocupada.
— Oh, Deus, Quinnie. — Rachel suspirou pesadamente. — Eu daria agora pra você de todas as formas possíveis se não estivéssemos com pressa.
Quinn seguiu o olhar da namorada e sentiu o ego inflar e as bochechas corarem quando notou do que ela estava falando.
— Não ficou ruim? — Perguntou fitando o rosto moreno.
— Se com ruim você quer dizer que está gostosa, então você está terrivelmente ruim. — A morena aproximou-se, virando de costas. — Ajude-me com esse zíper antes que eu te prenda nesse quarto. — Pediu afastando os cabelos escuros para o lado e deixando o pescoço moreno à mostra.
Quinn soltou uma risada e beijou a carne do pescoço da namorada algumas vezes antes de subir o zíper.
— A sua bunda está deliciosa nesse vestido. — Mordeu o maxilar da namorada, que arrepiou-se.
— CHICAS! ANDEM LOGO QUE NÃO TEMOS O DIA TODO! — A voz da latina ecoou pelo quarto e as garotas riram antes de afastarem os corpos.
Quinn vestiu a camisa social feminina de cor púrpura sobre o top e a abotoou sentindo o tecido de seda contra sua pele, calçou as botas pretas sem salto e pôs o sobretudo da mesma cor, vendo a namorada vestir um de tonalidade branca.
O cheiro e a textura de roupas caras recém compradas era um adereço que nunca haviam experimentado, mas podiam facilmente se acostumar.
Ao saírem do quarto, observaram a latina com o sobretudo vermelho e um vestido justo cor baunilha. As botas possuíam saltos finos e altos.
Brittany fisgou o último sobretudo de cor verde musgo e o vestiu. Estava adorável com um vestido branco e justo na parte de cima e rodado na parte de baixo. As botas marrons possuíam pouco salto para não ficar mais alta do que já era.
— Acho que já podemos ir. — William observou as quatro garotas. — Ohio não está em um clima frio então não será necessário muitas roupas de inverno.
— Vamos visitar um amigo antes. — Quinn falou. — Ele irá conosco.
— Puck irá conosco? — A latina perguntou.
— Sim. — Quinn assentiu. — Eu não irei deixar ele ficar aqui, além do mais, ele é ótimo em administrar negócios e irá me ajudar em algumas coisas.
— Como preferir. — O advogado sorriu educado. — Vamos então!
O homem fisgou as duas malas e saiu acompanhado das garotas. Desceram os pequenos degraus e pararam na calçada.
— Nós definitivamente precisamos nos acostumar com essa vida. — Rachel murmurou ao observar o carro preto luxuoso estacionado.
— Vamos! — O homem chamou já acomodado no banco do motorista. — Providenciei um carro com sete lugares para o melhor conforto de vocês.
As garotas aconchegaram-se nos bancos de couro macios. Santana e Brittany atrás. Rachel e Quinn nos lugares do meio e o advogado na frente.
Seguiram conversando algumas coisas aleatórias enquanto Quinn ditava o caminho para Woodford Green.
O carro estacionou em frente ao velho edifício e antes de sair, Quinn inclinou-se e cochichou algo no ouvido de William, que assentiu, e em seguida puxou Santana pelo braço para também cochichar algo para a latina, que maneou a cabeça em concordância.
— Voltamos logo. — A loira segurou a mão da namorada e a puxou para fora do carro.
O veículo partiu em seguida e Rachel franziu o cenho.
— Para onde eles foram? — Questionou.
— Foram até o sushi bar da senhora Chang avisar da nossa partida e também pedi que o senhor Schuester providenciasse um cheque para ela como forma de agradecimento por nos aceitar mesmo sendo de menores e sem documento. Ela poderá expandir os negócios. — Sorriu.
— É por isso que eu amo você. — Afagou o rosto alvo. — Sempre se importando com os outros. — Deu-lhe um selinho demorado.
— Eu também amo você. — Apertou a mão morena. — Muito.
Entraram no local e subiram as conhecidas escadas, parando na porta do apartamento do rapaz e batendo na porta em seguida.
Dessa vez não houve demora e Puck logo apareceu, formando uma expressão chocada no rosto.
— Quem são vocês e onde estão Quinn e Rachel moradoras de East End? — Perguntou ainda surpreso.
— Não temos tempo. — Quinn respondeu. — Viemos fazer uma proposta.
— Primeiro me contem o que houve e se assaltaram um banco, porque se for o caso, eu gostaria de ter sido chamado para participar. — Afastou-se da porta para as amigas entrarem.
— Não é nada disso, Noah. — Rachel revirou os olhos. — Vamos sentar.
Os três acomodaram-se nos mesmos lugares do dia anterior e Quinn passou a contar tudo o que houve. Desde a aparição do advogado, do vídeo de Russel e da volta para Ohio.
Puck ficou um tempo em silêncio absorvendo as informações e logo abriu um sorriso.
— Nossa...Isso é...Nossa! Finalmente vocês irão conhecer seus pais biológicos. Digo...Sua mãe é uma vaca. — Olhou para Quinn. — Mas agora você está cheia de grana, e mesmo tendo esse negócio aqui eu quero ir para cuidar de vocês e não deixar que ninguém tente passar a perna.
As garotas sorriam largo e abraçaram o amigo uma de cada vez.
— Agora vá preparar uma mochila com roupas porque temos que ir logo. — Quinn avisou.
— Eu já volto. — O garoto saiu apressado para o quarto.
...
Vinte minutos mais tarde e Puck acomodou-se ao lado de William no banco do carona.
— Olá, cabelo de guaxinim. — Santana saudou, recebendo um beliscão de Brittany.
— Como vai, Satanás? — Indagou.
— Você sabe, estou ótima com essas roupas caras e feliz por você estar aqui e não morto em uma vala qualquer. — Sorriu.
— Também é bom ver você. — Sorriu para a amiga pelo retrovisor do carro.
O caminho demorou quase uma hora, quando finalmente chegaram ao Heathrow, todavia William não estacionou em frente ao local e sim contornou o enorme aeroporto.
— O que está fazendo? — Brittany indagou confusa.
— Não vamos de avião. — O homem sorriu maroto.
— Vamos de quê, então? Andando? — A latina cruzou os braços.
— Vocês verão. — Terminou de dar a volta e parou na área onde os aviões estavam pousados. — Venham. — Chamou, saindo do carro.
Os quatro saíram atrás do advogado, seguindo-o curiosos. O homem cumprimentou um senhor de meia-idade com roupas de piloto e o queixo de todos caíram quando seguiram o olhar de William.
O jatinho branco estava parado com a porta aberta e a escada de tonalidade escura já estava posta até o chão.
O sobrenome Fabray em letras douradas nas laterais tornava o veículo mais imponente do que já era.
Quinn observava tudo incrédula. Sim! Sabia que estava milionária, mas ainda era uma vida bastante distante. A ficha não havia caído. Roupas caras, um carro luxuoso e agora um jatinho particular...Era uma nova realidade imensuravelmente utópica aos olhos da loira.
— Você só pode estar brincando comigo. — Quinn murmurou ainda chocada, olhando para William que observava os jovens com um sorriso divertido.
— Frannie não deixaria a irmã caçula juntamente com a namorada e os amigos viajarem em um avião comercial. — Caminhou até as escadas, parando no primeiro degrau e olhando para ela. — Bem-vinda à sua nova vida, senhorita Fabray.
Fale com o autor