O Preço da Flor de Ferro
7 A Flor e o Carvalho
A celebração tinha chegado ao fim, e o silêncio luxuoso do castelo agora envolvia o quarto principal. O aroma de pétalas de rosas brancas e o crepitar da lareira criavam uma atmosfera de intimidade que fazia o coração de Jasmine martelar contra as costelas.
Jasmine estava parada perto da janela, observando a lua. Ela ainda usava o vestido de noiva, mas o véu já havia sido removido. Heitor entrou no quarto e fechou a porta suavemente, o som do trinco ecoando como o início de um novo capítulo.
Ele retirou a casaca pesada, ficando apenas com a camisa de seda entreaberta. Aproximou-se dela com passos lentos, notando a rigidez nos ombros da esposa.
— Você parece um pássaro pronto para voar pela janela, Jasmine — ele disse, sua voz agora um barítono baixo e aveludado.
— Eu nunca... eu não sei o que se espera de mim agora, Heitor — ela confessou, a voz trêmula, sem coragem de encará-lo.
Heitor parou atrás dela, mas não a tocou imediatamente. Ele respeitava o espaço dela, como o cavalheiro que provara ser.
— Espera-se apenas que você seja você mesma. Não há pressa, não há ordens aqui. Apenas nós dois.
Ele levou as mãos aos ombros dela, sentindo a pele macia sob a seda do vestido. Seus dedos eram grandes e calejados pelo trabalho na ferraria e na reconstrução, mas o toque era de uma leveza desconcertante. Ele começou a desamarrar os pequenos laços nas costas do vestido.
— Suas mãos estão tremendo — ele sussurou, inclinando-se para beijar a curva do pescoço dela. O calor do hálito dele fez Jasmine fechar os olhos e soltar um suspiro contido.
— É tudo tão novo... e o senhor é tão... experiente — ela murmurou, sentindo o vestido começar a deslizar.
Heitor a virou gentilmente para que ficassem de frente. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, forçando-a a olhar em seus olhos azuis, que agora brilhavam com uma intensidade ardente, mas carregada de ternura.
— Esqueça o "Senhor", Jasmine. Aqui, sou apenas Heitor. E prometo que serei tão paciente com o seu coração quanto fui com as pedras da sua fazenda. Deixe-me guiar você.
Ele a beijou. Foi um beijo lento, que começou com uma doçura exploratória e foi crescendo em profundidade. Jasmine, inicialmente tímida, levou as mãos ao peito dele, sentindo os batimentos acelerados de Heitor. Aos poucos, ela se soltou, permitindo que seus dedos se enroscassem nos cabelos grisalhos da nuca dele.
Heitor a pegou no colo com uma facilidade impressionante e a deitou sobre os lençóis de linho. Ele se posicionou sobre ela, sustentando o peso nos braços para não sufocá-la.
— Você é a mulher mais linda que já entrou nesta casa — ele disse, a voz rouca, enquanto suas mãos percorriam as curvas dela com uma possessividade gentil. — Cada centímetro seu é um presente que eu pretendo honrar todas as noites da minha vida.
— Heitor... — ela chamou o nome dele pela primeira vez, e o som pareceu dar ao Duque uma satisfação visível.
Ele foi um amante impecável, alternando entre carícias delicadas que a faziam estremecer e beijos quentes que despertavam nela um desejo que Jasmine nem sabia que possuía. Ele a ensinou a sentir, a descobrir seu próprio corpo através do toque dele, celebrando cada resposta dela com um elogio sussurrado.
Naquela noite, sob o dossel de veludo, Jasmine descobriu que a força de Heitor não residia apenas em seus títulos ou braços fortes, mas na capacidade de ser vulnerável e entregue a ela. A timidez deu lugar a uma entrega profunda, e o fogo que antes simbolizava a perda de sua antiga vida, agora era o calor que selava sua união definitiva.
Quando a aurora começou a tingir as cortinas, Jasmine adormeceu nos braços dele, sentindo-se, pela primeira vez, completamente em casa.
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