Notas iniciais
Ola meninas como estão? Espero que estejam bem, esta semana vai ser um pouco complicada por que tenho que começar a estudar para a semana de provas que eu vou ter semana que vem, então não estranhem se eu não conseguir postar todos os dias. Obrigada pelos recados que vocês me deixaram, me digam o que estão achado tudo bem? Bjs

Gina quase não podia acreditar em sua boa sorte; mas, inclusive enquanto se congratulava, uma voz de precaução lhe recordava insistentemente que não podia deixar-se cegar pela alegria. Estar ali era perigoso. Cada minuto que passasse em companhia de Jake aumentava o risco de delatar-se; devia evitá-lo o máximo possível e rezar para que nunca suspeitasse de sua verdadeira identidade.

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Parecia incrível que só tivesse transcorrido um mês desde que Jake insistiu em levá-la a Haight-Ashbury para pegar suas coisas.

Enquanto ele falava com Karen Amesbury, ela fez a bagagem, todas suas posses cabiam em uma mala, e havia se despedido das gêmeas. Com a perspectiva de cuidar de Suzannah, despedir-se da família não foi tão terrível como temia.

A senhora Morgan tinha sido a amabilidade em pessoa e Gina se integrou perfeitamente na vida do apartamento de cobertura. Para seu alívio, não ouviu nenhum comentário sobre a noiva de Jake e cada dia tinha sido cheio de uma felicidade que não tinha esperado voltar a encontrar. Embora desse a Suzannah todo o amor e atenção que necessitava, tentava evitar que a menina passasse a depender dela por completo; sabia que o futuro era incerto.

Era mais difícil ainda não começar a chamá-la de filha.

Foi uma bênção, ao menos isso se dizia, não ver muito Jake depois dos primeiros dias. No princípio ele a vigiava atentamente, como uma galinha a sua presa, mas quando comprovou que havia ganhado o afeto e confiança da menina, dedicou-se a pôr em dia montanha de trabalho atrasado, antes de empreender sua viagem à Nigéria.

Sem sua dinâmica presença, o apartamento parecia vazio, falta de vida e intensidade. Embora Gina se sentisse mais segura quando ele estava longe, também ansiava vê-lo, ouvir sua voz e saber que estava ao alcance da mão...

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— Boa noite e que o Senhor a abençoe — disse Gina, agasalhando Suzannah e Cocó.

— Papi já chegou?

Jake levava três semanas de viagem de negócios, e retornava essa noite, bem a tempo para o Natal.

— Não, ainda não chegou querida. Mas se dormir como uma boa menina, quando chegar pedirei que entre para te dar um beijo.

— História do sapo? — suplicou Suzannah. Estava cansada e já fechava os olhos.

— Bom, mas só se escutar com os olhos fechados — concordou Gina, derretendo-se de amor.

Obediente, a menina fechou os olhos e meteu o dedo polegar na boca.

Gina, sentada na beira da cama e fracamente iluminada por um abajur com forma de coelhinho, começou o conto que, depois de um mês, converteu-se no favorito de Suzannah.

— Havia uma vez um príncipe muito bonito...

— Papi?

— Sim, ele chamava-se Jake...

Essa parte havia se convertido em uma rotina; sempre a mesma pergunta, a mesma resposta e os mesmos risinhos porque, a primeira vez, quando Gina perguntou «Como você acha que se chamava?» Suzannah tinha escolhido o nome de Jake sem duvidar.

— Bom, uma bruxa má tinha transformado o pobre Jake em sapo e a única forma de quebrar o feitiço era que uma bela princesa o beijasse. Uma manhã, quando saltava pelo bosque...

Era um conto de sua infância e Gina sabia de cor. As palavras lhe soavam relaxantes, familiares, permitiam que sua mente pusesse a voar...

— E a bela princesa disse «Sapo de pernas torcidas, sapinho, abre a porta, suplico-lhe isso».

Suzannah havia adormecido, assim Gina calou, tirou-lhe a mão da boca brandamente e, depois de agasalhá-la, deu-lhe um beijo na bochecha. Acendeu o intercomunicador, para ouvir a menina se ela despertasse, e com um terno sorriso nos lábios se voltou para a porta; assustada, deu um pulo.

A alta figura que se apoiava na soleira se endireitou.

— Sinto muito — desculpou-se Jake, zombador. — Te Assustei?

— Eu... Nós, não esperávamos que chegasse em casa tão cedo — gaguejou ela, perguntando-se quanto tempo estava escutando.

Ainda estava usando um terno escuro, de trabalho, e seu rosto parecia tenso, como se a viagem tivesse sido muito intensa, inclusive para sua energia inesgotável. Gina desejou lhe dar um abraço de boas-vindas, mas, conforme pensava, notou um brilho perigoso em seus olhos, que a alarmou. Entrou no quarto e ela tentou sair, mas ele a agarrou pela mão.

— Não vá... — disse. Agachou-se para dar um beijo na testa de Suzannah e conduziu Gina de volta ao quarto de brinquedos, onde brilhava uma lâmpada. — Temos um assunto pendente.

— Um assunto pendente? — ela, alarmada por sua expressão e pela crescente tensão, tentou soltar-se. Só conseguiu que a pressão se acentuasse, tanto que acreditou que ia quebrar-lhe os ossos. Ele se aproximou.

— Suponho que a bela princesa tem que beijar o pobre sapo, não? — sugeriu com voz sedosa, aproximando-se dela.

— Não é mais que um conto que agrada a Suzannah — disse ela com rapidez, tentando dominar o pânico que se produziu sentir-se abandonada.

— Ah, mas os contos têm que ter um final feliz, e se tivermos em conta que sou o protagonista...

Seu rosto estava a só uns centímetros de distância. Ela olhou sua boca, austera, mas sensual, e recordou com entristecedora claridade a sensação que podia provocar sobre a sua. Uma traiçoeira onda de calor percorreu seu corpo.

— Não acredito que possa me considerar uma bela princesa — respondeu com muita dificuldade.

— Pode ser que não seja uma princesa, mas sem dúvida é o suficientemente bela — disse ele, com tom de aborrecimento.

— Oh, por favor, Jake... — gemeu ela, aterrorizada do que poderia ocorrer se a tocasse. Ele ignorou sua súplica, tomou seu rosto entre as mãos e esmagou a boca contra seus lábios.

Sua mente ficou em branco e sentiu que se derretia; se não tivesse apoiada contra a parede, teria caído ao chão. O roçar de sua pele, seus beijos, isso era o que ansiava desesperadamente.

Quando ele levantou por fim a cabeça, ela demorou uns segundos em recuperar a estabilidade e em dar-se conta de que ele respirava com dificuldade, como se acabasse uma corrida. Sabia que só a tinha beijado deixando-se levar por um inexplicável ataque de ira, e sentiu grande satisfação ao comprovar que o beijo não o tinha deixado totalmente frio.

— Ora, ora, ora... — balbuciou ele, com certa dureza na voz. — Quem teria suposto que uma babá de aspecto tão rígido fosse capaz de tanta paixão?

— Por favor, me deixe partir — suplicou ela, aterrorizada de que sua reação houvesse lhe trazido lembranças que era melhor esquecer. — Não tem nenhum direito de me tratar assim.

— Posso alegar que me provocou? — pôs-se a rir, zoando dela. — Quer que te prometa não voltar a te tocar?

— Preferiria que o fizesse, senhor Arkeman.

— Por que tão formal? Não faz tanto tempo que me chamou de Jake.

— Sinto muito... não era minha intenção... estava nervosa — disse, com uma pontada de medo.

Ele ainda lhe segurava o rosto entre as palmas das mãos, e deslizava os polegares de um lado a outro de suas bochechas em um gesto que, mais que uma carícia, era expressão de sua ira.

— Me diga, senhorita Kurt, se for impossível para mim não te tocar, o que fará?