Notas iniciais
Ola meninas, como vão? Demorei um pouco para postar, mas aqui estou eu com mais um capítulo para vcs. Esta fic já está quase no fim, e assim que eu a terminar, começarei um outra fic, acho que vai ser sobre Orgulho e Preconceito, ainda não decidi, mas vou informá-las, obrigada pelos recados, bjs

— Tire as mãos de cima da minha mulher — embora não elevasse a voz, a ordem soou como uma chicotada.

— Bryce só estava... — começou a protestar Gina. Jake a agarrou pela mão e a puxou. Quando chegou à porta, voltou-se para Bryce.

— É melhor que faça as malas e parta daqui, Martinson, antes de que sinta a tentação de te quebrar a cara.

— Mas, Jake, não entende que...

— Senhor Arkeman, deixe que o explique... — disse Bryce ao mesmo tempo. — Íamos nadar e sua mulher se viu envolvida em um acidente, eu ia a...

— Já ouviu o que eu disse — grunhiu Jake. — Se não tiver desaparecido quando voltar, não me considerarei responsável por meus atos.

Fechou a porta e quase arrastou Gina pelo corredor. Para alívio desta, não cruzaram com ninguém. Quando chegaram à suíte, ela estava sem fôlego, e tinha a testa molhada de suor frio.

— Como te atreve a me maltratar assim? — gritou ela, soltando-se de um puxão, assim que havia fechado a porta.

— Estou pensando em te pôr sobre meus joelhos e te bater — disse Jake furioso, com um brilho perigoso nos olhos.

— Mas não fiz nada de mal, nem tampouco Bryce — a ponto de começar a chorar, engasgou-se. — Como pode tratá-lo assim? É um homem bom e amável e...

— Por isso correu para seus braços assim que te dei as costas?

— Não fiz nada do que disse — negou. — Encontramo-nos na piscina por acaso.

— Pode economizar nas desculpas.

— Jake, por favor, me escute — suplicou, sentando-se na cadeira mais próxima. — Bryce só tentava me ajudar. Preocupava que não fosse suficientemente boa nadadora. Simplesmente se ofereceu a me acompanhar à piscina e...

— Almoçaram juntos.

— Sim, mas...

— E pouco depois te encontro em sua suíte, e ele te ajuda a te despir.

— Oh, não seja ridículo! — falou ela zangada. Suas palavras terminaram com um grito de dor. Jake se aproximou e agarrando-a pelos ombros a pôs em pé bruscamente.

— É uma harpia — grunhiu. — Devia imaginar que eu não a teria reconhecido desde o começo Gina?

O impacto de suas palavras foi caótico, o coração lhe deu um tombo e ficou sem fôlego.

— Acreditava que não sabia? — perseguiu-a, vendo seu rosto ficar branco como um lençol — Pode ser que tenha trocado de aparência, mas esses olhos são inconfundíveis. Não pode trocá-los. Nem tampouco seu caráter — soltou uma áspera gargalhada — Não ficou satisfeita ontem à noite? Não podia esperar a ver se esta noite o fazia melhor?

Ela, com os lábios brancos, não foi capaz de responder.

— É óbvio que não. Tinha que agarrar o primeiro homem que encontrou. Foi uma vagabunda quando te conheci e segue sendo uma vagabunda agora.

— Isso não é verdade.

— Se chegasse um minuto depois, os teria encontrado...

— Teria encontrado Bryce Martinson, que, por certo, é muito melhor do que você chegará a ser alguma vez, comprovando se tinha alguma lesão. Machuquei o braço, e pensou que podia ter o ombro deslocado.

— O que? — exigiu Jake. Soltou-a, e ela se afundou na cadeira de novo. Apesar de que estivesse tonta de dor, levantou o queixo e o olhou aos olhos.

— Os dois tentamos te explicar que tive um acidente, mas ste negou a escutar. Está tão cheio de preconceitos que prefere acreditar no pior. Não me importa tanto por mim, estou acostumada, mas Bryce atuou com a melhor das intenções. Fez o que pôde para cuidar de mim...

— Estou seguro de que sim — assentiu Jake com voz sedosa.

— Não esqueça que ele não sabe que sou uma nadadora com experiência e não podia dizer-lhe — continuou ela, ignorando seu sarcasmo. — Perguntou-me se você sabia que ia nadar sozinha e quando admiti que não me disse «Olhe, senhora Arkeman, não quero lhe impor minha companhia, mas se lhe ocorrer algo seu marido nunca me perdoará...». Tentou me ajudar — gritou com paixão —, e este é o agradecimento que vai receber.

— Mais vale que me conte o que ocorreu — disse Jake, com o rosto rígido.

— Tentei te contar isso e você não me escutou.

— Agora te escuto.

Fazendo um esforço por manter a voz tranquila, contou tudo. Jake, inexpressivo, escutou-a em silêncio até o final.

— Será melhor que dê uma olhada nesse braço — disse depois, com tom grave. Ela levantou uma mão para segurar o robe. — Eu o farei — ficou de cócoras e, com cuidado, o retirou dos ombros. Quando viu os hematomas, soltou o ar entre dentes, lentamente, com uma espécie de assobio. Depois, começou a amaldiçoar com violência.

— Eu adoraria agarrar aos idiotas que foram responsáveis por isto.

— Foi um acidente — disse ela, tremendo.

— Um acidente que não devia ter acontecido. Se não tivessem desobedecido as mais elementares normas de... — interrompeu-se e Gina observou como fazia um esforço visível para recuperar seu autocontrole. Quando o conseguiu, terminou de lhe examinar o braço e o ombro, com suavidade.

— Bom, o ombro não está deslocado, graças ao Senhor, mas não resta dúvida de que a dor vai te impedir de qualquer atividade.

Levantou-se e se aproximou de um armário; voltou um momento depois com um estojo de primeiro socorros.

— Já se convenceu? — perguntou ela, enquanto ele passava um creme anti-inflamatório pelas contusões.

— Convencido? — olhou-a com surpresa.

— De que Bryce e eu não estávamos a ponto de... digamos... nos deitar juntos?

— Parece que desta vez me equivoquei — disse Jake, com os lábios apertados — Mas qualquer um que saiba como é na realidade, teria chegado à mesma conclusão.

— Exceto você não sabe como sou. Nunca o soube.

— Bom, minha querida esposa, como não tenho intenção de te perder de vista nem um momento durante o resto de nossa lua de mel, terá tempo de sobra para me contar isso.

Contemplou seu rosto desdenhoso e a invadiu o desespero. Podia contar-lhe, mas conseguiria convencê-lo para que lhe acreditasse?

Capítulo 10

Gina começou a sentir os efeitos retardados da comoção e, apesar da calefação e do fogo, começou a tremer de modo incontrolável.

— Será melhor que tire o traje de banho e ponha uma roupa mais quente — aconselhou Jake. Desapareceu em direção ao dormitório e voltou um momento depois com roupa debaixo limpa e um roupão suave e solto. Ajudou-a vestir-se e a instalou no sofá, ante o fogo. — A seguinte prioridade é que tome algo quente e um calmante.

— Não estou de acordo — objetou ela. Ele a olhou com curiosidade. — Acredito que a seguinte prioridade é que ligue para Bryce e impeça que ele vá embora.

Jake pareceu furioso durante alguns segundos, mas depois pegou o telefone.

— Martinson, sou Jake Arkeman. Acredito que te devo desculpa... Sim, está bem, obrigado. Depois irei falar com você.

Depois de desligar o telefone ficou em pé e foi à cozinha. Voltou pouco depois com chá e um frasco de aspirinas. A fez tomar o comprimido e em seguida se sentou frente a ela.

— Como soube onde me encontrar? — Gina perguntou curiosa.

— Quando retornei, a recepcionista mencionou que tinha me procurado. Acrescentou que tinha ido em direção à piscina. Estava percorrendo todas as piscinas quando me encontrei com um empregado que me perguntou se te procurava. Disse que sim, e mencionou que te tinha visto almoçando com Martinson — sua expressão se endureceu. — Um momento depois, por pura casualidade, vi vocês desaparecer atrás das portas que levam à suíte do pessoal. Supus que se sentia abandonada.

— Se tivesse sido o caso, dificilmente poderia me culpar por isso — Gina, sabendo que não tinha nada a perder, devolveu o golpe. — Supõe-se que estamos de lua de mel, e me trata como se... como se fosse um objeto sem importância.

— Que é exatamente o que é.

— Se me despreza tanto, por que se casou comigo? — perguntou com uma careta de dor.

— Porque Suzannah necessita de uma mãe — replicou ele sinceramente. — O dia que veio para a entrevista vi como lhe encheram os olhos de lágrimas ao vê-la. Isso me fez pensar que possivelmente merecia uma segunda chance.

— Depois de me evitar durante toda a manhã, por que veio me procurar?

— Não a estava evitando. Tive que solucionar um problema.

De repente, Gina não pôde conter um bocejo.

— Parece que está esgotada. Assim que fizer efeito os calmantes, será melhor que se deite e tente dormir um momento.

Sim, estava esgotada, mas tinha muitas coisas na cabeça para poder dormir. Coisas que queria saber, coisas que precisava perguntar. Reuniu toda sua coragem.

— Jake, desde quando sabe que sou Gina? Pensei que se o descobrisse... — hesitou e passou a língua pelos lábios ressecados. — Reconheceu-me desde o começo?

— Não te reconheci absolutamente. Exceto pelos olhos. Mas sabia quem era inclusive antes de que viesse à entrevista. Eu preparei tudo.

— Como se inteirou? — perguntou ela com o coração acelerado.

— Quando o hospital nos informou que tinha partido, fiquei furioso. Contratei a uma agência de detetives particulares para que lhe procurassem, mas parecia ter esfumado. Não lhe teriam encontrado jamais se tivesse se desfeito dos cartões de crédito. Embora não os usasse muito, notificou aos emissores sua mudança de endereço. Então, já era a babá dos Amesbury.

“Decidi pensar com calma, e pedi aos detetives que estivessem atentos. Faz seis meses me trouxeram a notícia de que os Amesbury voltavam para o Texas. Ao princípio não sabia se pensavam te levar com eles. Isso teria sido um problema...”

— Um problema? — ela franziu a sobrancelha.

— Não estava disposto a permitir que fosse com eles — disse, olhando-a friamente nos olhos. Ela sentiu um calafrio. — Um mês depois da morte de Heather, deram-me a data definitiva da mudança e me comunicaram que você ficava aqui. Por pura casualidade, naquele momento necessitava de uma babá, e organizei de maneira que uma amiga mútua, Sally Denvers, entrasse em contato com a senhora Amesbury e te oferecesse o trabalho. Não sabia se te atreveria a aparecer; dependia do quanto tinha mudado e de quanto desejasse ver sua filha.

“Embora tivessem passado quase três anos desde a última vez que te vi, imaginei que tentaria alterar sua aparência. Mas quando entrou fiquei aniquilado. Durante um momento acreditei que a agência de detetives tivesse se equivocado e era outra mulher. Não demorei a descobrir que, apesar das mudanças, seguia existindo uma forte química sexual entre nós... Mesmo assim, para me convencer, tinha que ver os teus olhos.”

Ela respirou entrecortadamente, recordando como tinha se inclinado para ela, e lhe tirando os óculos.

— Então...

— Sem mais perguntas até que tenha descansado um pouco — disse ele com firmeza, ao fixar-se em seus ombros caídos e sua extrema palidez. Gostaria de deitar-se, mas não queria se afastar do fogo. Interpretando seu rosto corretamente Jake continuou. — Se não querer ir para a cama, estará cômoda no sofá. Deixa que te dê uma mão.

Ajudou-a deitar-se de lado, sobre o braço bom, e a agasalhou com uma manta. Ela tinha tanta coisas na cabeça que não acreditou poder dormir, mas foi um grande alívio deitar-se e fechar os olhos. Sentia o calor do fogo no rosto, e ouvia o rangido dos troncos ao assentar-se e o discreto tic tac do relógio...