Notas iniciais
Olá meninas aqui estou eu, desculpa a demora em postar, mas aqui vai mais um capítulo para vcs.

Na manhã seguinte Gina despertou e ficou um momento deitada com os olhos fechados, imersa em sua felicidade. A noite passada entre seus braços tinha sido plena, uma união tão espiritual como física. Com um suspiro, estendeu a mão para ele, mas estava sozinha na cama.

Apartou o edredom, colocou um robe de seda que havia sobre uma cadeira e se aproximou da janela para correr as cortinas e olhar o branco mundo do exterior. Durante a noite, tinha deixado de nevar e o céu estava limpo. Era a manhã de Natal mais maravilhosa de toda sua vida, um presente envolto em felicidade e júbilo.

Com o coração leve como um pássaro, foi ao banheiro, onde conseguiu encontrar uma escova de dentes nova e um tubo de pasta de dente. Escovou os dentes, tomou banho e, depois de passar um pente pelo cabelo, voltou a pôr o robe, bastante mais adequada para tomar o café da manhã que um traje de noite.

Jake, com calças escuras e um pulôver de gola alto, estava na cozinha servindo café. Embora Gina estivesse descalça e não fizesse nenhum ruído, voltou-se quando ela chegou.

— Bom dia — sorriu-lhe ela, com o rosto iluminado de amor e felicidade, disposta a abraçá-lo.

— Bom dia — replicou ele, com fria formalidade e expressão fechada. Não havia nem rastro da felicidade que ela esperava. — Estava a ponto de te levar uma xícara de café.

— Obrigado — disse, com tom cortês, esforçando-se para ocultar seu descontentamento, e aceitou a xícara que ele lhe oferecia.

— Pedi o café da manhã, para terminar antes... — informou-a. Gina se a intenção de preparar o café da manhã e desfrutar de uns minutos de mais intimidade antes de irem juntos pegar Suzannah. Mas segundos depois bateram na porta.

— Entre! — exclamou Jake.

Um jovem entrou com um carrinho e, com grande eficácia, dispôs seu conteúdo sobre a mesa. Quando partiu, Jake, com estudada cortesia, retirou uma cadeira para Gina, antes de tomar assento.

— O que gosta de comer primeiro? — perguntou, como se falasse com uma estranha.

Ela, para ocultar que tinha perdido o apetite por completo, serviu-se de umas fatias de bacon tostado e batatas salteadas, e simulou comer. Jake se serviu de ovos mexidos e comeu em silêncio. Tinha uma expressão distante, e parecia tenso, como uma bomba a ponto de explodir.

— Faz uma manhã maravilhosa — comentou ela depois de um momento, incapaz de suportar a tensão um momento mais.

Ele não respondeu, e lhe lançou um olhar que parecia desqualificar tanto a ela como a sua tentativa de iniciar uma conversa.

— Não entendo por que está tão distante, tão zangado... — resmungou ela, ferida por sua indiferença.

Ele levantou a cabeça e a olhou fixamente.

— Ontem à noite pensei que... — perdendo a coragem, não conseguiu acabar. — O que é que está errado? — perguntou desesperada.

— Não há nada de errado, simplesmente a luz do dia faz que se vejam as coisas de outra maneira — replicou ele, com olhos frios e uma careta nos lábios. — Com a volta da prudência fica claro que o que aconteceu ontem à noite não devia ter acontecido.

Estava arrependido, assim como tinha feito na outra noite em sua casa. Gina recordou perfeitamente a conversa, ele tinha perguntado: « Está arrependida?» E quando ela replicou: «Deveria estar?», ele a amassou com sua resposta: «Possivelmente os dois devamos estar». Perdendo a esperança, Gina se sentiu, destroçada. Tinha sido uma estúpida ao supor que a noite passada mudaria as coisas. A sensação de satisfação e amor pleno não tinha sido mútua. Claro que a tinha desejado, mas para ele a satisfação tinha sido meramente física. E de curta duração.

— Desde o momento em que te beijei pela primeira vez soube que haveria problemas... e tinha razão. Note aonde nos levou — disse ele friamente, observando-a.

— Fala como se me culpasse — replicou ela cortante, ocultando sua dor.

— Mas é verdade.

— Eu não te pedi que me beijasse — protestou ela rouca. — E se a tempestade não nos tivesse pego...

— O caso é que nos pegou.

— Isso não foi minha culpa. Eu queria voltar depois de comer.

— Diz como se me culpasse — replicou ele.

— De certa forma te culpo sim.

— Por interpretar mal o tempo?

— Não deveria ter adivinhado.

— Acaso acredita que fiz de propósito? Que planejei tudo? — sorriu ele.

Ela estava a ponto de dizer que não mas ao ver o brilho zombador de seus olhos, recordou suas suspeitas.

— Acredito que você o preparou.

— Tem toda a razão — admitiu ele tranquilamente.

— Planejou tudo a sangue frio e me seduziu só para te liberar de um fantasma! — irada, continuou. — Como te atreve a me culpar?

— Os homens levam culpando às mulheres desde que Eva tentou a Adão.

— Mas isso não é justo — gemeu ela.

— Onde está escrito que a vida seria justa? — Jake, ao ver que não respondia, seguiu com um tom mais calmo. — Veja, há um problema: o plano não funcionou. Não consegui me liberar do fantasma de Gina... bem ao contrário. Mas como... complica muito a vida...

Convencida de que a coisa não ia ficar aí, olhou-o com apreensão enquanto ele voltava a encher as xícara de café.

— Acredito que te disse que queria adotar Suzannah, não? — com a alma apreensiva, Gina assentiu com a cabeça, e ele continuou com voz seca e decidida. — Não quero que me neguem a adoção e não me parece prudente ter uma aventura com a babá. Você o que acha?

— Estou de acordo — disse Gina, depois de engolir a saliva. — É o que tentava te dizer ontem.

— Então, está disposta a que voltemos a ser patrão e empregada? A ser simplesmente uma babá?

— Sim — repôs ela, sabendo que pisava sobre areia movediça.

— Não acredito que funcione.

— Posso fazer que funcione — insistiu ela, assustada.

— Pois eu não — espetou ele. — Inclusive se me casasse, facilitaria muito a adoção, se seguisse vivendo debaixo de meu teto, não poderia resistir à tentação que representa. E, como acabo de dizer, não seria sensato nem desejável ter uma aventura com a babá de minha filha — seu rosto se endureceu como se fosse de granito. — Por isso, temo que depois do Natal... — não acabou a frase.

— Quer que eu vá embora... — murmurou ela com voz tênue.

— Darei um mês de salário por não te ter avisado com antecipação, e boas referências...

Suas palavras a feriram como se a houvesse apedrejado. Não, não podia estar falando a verdade... Mas na realidade sabia que sim.

Tinha-lhe parecido um milagre que o destino lhe tivesse oferecido outra oportunidade de estar junto a sua filha, mas, por culpa da indômita atração sexual que seguia existindo entre Jake e ela, tinha perdido tudo. Queria chorar, suplicar, mas não serviria de nada, e seria muito esclarecedor.

— Não vai protestar? — inquiriu ele com olhos zombadores, como se lhe tivesse lido o pensamento. — Nem pedir que mude de opinião?

— Serviria de alguma coisa?

— Não saberá se não tentar.

— Você gostaria de me ouvir suplicar, não é? — acusou-o, levantando o pálido rosto. Sabia com certeza que estava brincando com ela.

— Me daria um grande prazer — admitiu ele com um sorriso amargo.

— E um prazer ainda maior, te negar, não?

— Adivinha por quê?

— Porque te lembro a... Gina. Como não pode fazer mal a ela, usa-me de bode expiatório.

— Faz pouco tempo atrás deixou muito claro que, custasse o que custasse, queria continuar trabalhando para mim.

— Você acaba de deixar muito claro que não seria possível — replicou ela, tentando manter a voz calma.

— E não o seria. Mas estava disposta a tentá-lo. Por que, depois de como te tratei? Qualquer babá normal o teria deixado muito antes.

— Eu... tenho muito carinho a Suzannah.

— Depois de tão pouco tempo?

— É uma menina adorável.

— Estou seguro de que, normalmente, as babás procuram não afeiçoar-se muito.

— Às vezes é difícil não fazê-lo — sua voz tremeu, era consciente do perigo. Se ele suspeitasse...

— Pensei que possivelmente queria ficar por outra razão.

— Por outra razão? — repetiu ela.

— Outra razão, além de Suzannah — explicou ele. Ela o olhou fixamente e ele sorriu zombador. — Desde o primeiro momento, sua reação a mim não foi absolutamente como a de uma babá a seu patrão...

De repente, Gina compreendeu que ele lhe estava oferecendo uma via de escape. Se admitia que estivesse interessada nele...

— Como sabe muito bem, é o tipo de homem que agrada às mulheres — disse com voz entrecortada.

— Insinua que gosta de mim?

— Só é atração sexual — refutou ela, negando-se a morder o anzol.

— Seja o que for, é bastante explosivo. E mútuo. Quais são suas consequências? — antes que ela pudesse falar, respondeu ele mesmo a pergunta. — Que eu fico sem babá e você sem trabalho... a não ser que...

— A não ser que...? — repetiu Gina. Não sabia o que podia esperar, e era consciente de que possivelmente ele só estava prolongando sua agonia, mas não pôde dissimular o tom esperançoso de sua voz.

— A não ser que resolvêssemos nossos problemas nos casando.

Ela o olhou com a boca aberta. Embora tivesse falado em casar-se, o que menos se esperava era que sugerisse casar-se com ela.

— Seria a solução ideal — prosseguiu Jake. — Facilitaria a adoção e proporcionaria a Suzannah a estabilidade que desejo para ela. Eu ganharia uma esposa e uma babá de confiança. Você ganharia uma casa e uma menina com a qual já está afeiçoada — lançou-a um estranho olhar. — E um marido que poderia te fazer feliz... ao menos na cama...

— Então, não se refere só a um casamento de conveniência?

— Refiro-me a um casamento de verdade.

— Oh...

— O que responde? — perguntou. Como ela seguiu olhando-o em silêncio, impaciente insistiu: — O que?

Seria maravilhoso ser sua esposa, mas, a que preço? E ele só queria casar-se com ela para fazê-la sofrer? Enquanto Jake escrutinava seu rosto indeciso, os sentimentos de Gina oscilavam como um pêndulo entre o desejo e o medo.

Durante um segundo, a única coisa importante era que já não seria uma babá, que podiam despedir a qualquer momento, mas a mãe de Suzannah e a esposa de Jake; um segundo depois a invadiam as dúvidas, sabia que casar-se com Jake seria tão perigoso como viver no meio de um campo minado...

Havia alternativa?

Podia admitir sua identidade e tentar reclamar a sua filha... Mas não tinha onde viver, nem meios para manter a filha. Seria uma loucura privar Suzannah de um bom lar e de um pai que a queria e que cuidaria bem dela. Também era impensável partir e não ver sua filha, nem ao homem que amava, nunca mais.

Tinha que aceitar a oportunidade que lhe oferecia... Quando levantou os claros olhos, inconscientemente, já tinha decidido e Jake soube que tinha ganho.

— Sim? — perguntou, com um matiz triunfal em sua expressão.

— Sim, casarei com você — aceitou ela, embora soubesse que pagaria um preço muito alto por sua decisão.

— Bem — Jake assentiu com satisfação. — Agora vou até o chalé para te trazer um pouco de roupa. Depois, iremos pegar Suzannah e lhe daremos a boa notícia.

Notas finais
O que vcs fariam?