Notas iniciais
Olá meninas, como vão? Depois de alguns dias, aqui está mais um capítulo para vcs, espero que gostem, obrigada por lerem a fic. Bjs

Tinham fechado as cortinas e abaixado as luzes; o fogo projetava sombras dançantes, criando um ambiente íntimo e acolhedor. Gina estava sentada junto a Jake no sofá, e ouviam as canções de Natal que estavam cantando ao redor da árvore que havia junto a entrada do edifício principal.

Suzannah, depois de um dia agitado e divertido, estava na cama profundamente adormecida. Tal como Jake havia predito, o presente que ela havia mais gostado foi o cachecol e o gorro de riscas vermelhas e verdes para Cocó. Tinha aceitado a notícia de que Gina ia ser sua nova mamãe com alegria, mas como se fosse o mais natural do mundo, e depois voltou a concentrar-se nos presentes que lhe tinha deixado Papai Noel.

Em vez de voltar para chalé, como Gina esperava, Jake tinha dado instruções para que mudassem todos seus pertences, incluído a árvore, para sua suíte no edifício principal.

— Como vamos nos casar, que só haja dois dormitórios já não é problema... — seus olhos verdes brilharam com malícia. — A não ser, claro que prefira não compartilhar minha cama até que sejamos marido e mulher.

Embora a deixasse nervosa que a pressionasse, como já havia se comprometido irrevogavelmente e não se sentia capaz de renunciar ao prazer de passar a noite em seus braços, ela negou com a cabeça.

Durante só um instante, o rosto de Jake mostrou seus sentimentos, e Gina compreendeu que a desejava tanto como ela; mas quando falou o tom de sua voz era prático e objetivo.

— Então eu gostaria, por seguir as convenções, comprar um anel. Sugiro que vamos escolher um agora mesmo... Klein Kimberley é a melhor joalheria do centro, vamos ver o que têm?

— Mas estará fechado — disse, aturdida.

— É só um negócio privado e não demoraremos muito.

— Mas hoje é Natal.

— O dono é um velho meu amigo. Telefonarei e pedirei a Gladys que fique com Suzannah durante meia hora. É bom que ela fique sabendo que nos comprometemos, não demorarão para saber os demais empregados.

Quando chegaram à loja um homem alto e loiro de uns quarenta anos, de aspecto agradável, esperava-os.

— Parabéns! — sorriu abertamente e deu uma palmada nas costas de Jake. — Que segredo bem guardado!

— Foi bastante repentino — admitiu Jake. Continuando, voltou-se para Gina. — Querida, te apresento Robert Klein.

— Encantada — sorriu e lhe deu a mão. — Sinto-me culpada por te incomodar em um dia de festa.

— Nem se preocupe. Entendo perfeitamente que Jake esteja desejando pôr um anel no dedo — voltou-se para Jake. — No que tinha pensado? Temos uma ou duas gemas excepcionais.

— Acredito que uma água-marinha.

— Sim — Klein assentiu. — Entendo por que.

Gina tinha os dedos muito finos, e só havia dois anéis de seu tamanho. Um tinha uma única pedra, o segundo era maior e a pedra estava rodeada de diamantes.

— Qual prefere? — perguntou Jake.

— O solitário — murmurou ela.

— Boa escolha — felicitou Klein. — A pedra tem melhor cor e mais qualidade.

Jake lhe pôs o anel no dedo e, depois, para alegria dela, levou-se sua mão aos lábios.

— Agora que já é oficial, tenho que te dar um presente de compromisso.

— Já me deu mais que suficiente — objetou ela — E eu nem sequer te comprei um presente de Natal.

Ignorando seu protesto, inclinou-se para Klein e lhe murmurou algo ao ouvido.

— Sim, tenho — disse o joalheiro. Desapareceu na parte traseira da loja e voltou pouco depois com um estojo de couro ovalado e plano que Jake guardou no bolso.

— Obrigado. Assinarei um cheque.

— Pode deixar para amanhã — replicou Klein, e apertaram a mão. Jake rodeou a cintura de Gina com um braço e a levou de volta à suíte.

Agradeceram a Gladys e lhe mostraram o anel; partiu ruborizada de excitação e encantada de ter tido um pequeno papel no assunto. Segundos depois bateram na porta; traziam uma garrafa de champanha enfeitada com laços, e uma nota de felicitação dos empregados.

— Viu o que te havia dito? — disse Jake com um sorriso irônico, depois de agradecer ao emissário. Desarrolhou a garrafa, serviu o champanha e ofereceu uma taça a Gina.

— Por nós... por que cheguemos a nos conhecer de verdade — brindou.

Esse adendo deveria havê-la prevenido, mas se sentia incrivelmente feliz. Parecia impossível que estivessem comprometidos e iam casar-se. Estar ali, bebendo champanha, não fazia que a situação fosse mais acreditável, mas bem ao contrário; Gina, como em um sonho, sentia a necessidade de beliscar-se... Inclusive agora, oito horas depois, sentada junto a Jake escutando canções de Natal, persistia essa sensação de irrealidade.

— Foi um dia muito intenso, e ainda não te dei isto — disse Jake, como se lhe lesse a mente. Procurou no bolso da jaqueta e tirou a caixa plana e ovalada que lhe tinha entregue Robert Klein.

— Não tinha curiosidade por saber o que escolhi especialmente para você? — perguntou, com os olhos fixos em seu rosto e voz sussurrante. — Qualquer outra mulher me teria recordado isso ou me teria perguntado o que era... — observou Jake quando ela admitiu que com toda a animação e o prazer de ver Suzannah abrir seus presentes, havia se esquecido por completo.

Abriu a tampa com a unha do polegar e tirou uma gargantilha de ouro cujos elos estavam formados por duas mãos unidas.

— É linda — comentou ela, — e muito original.

— Prove ela. Espero que te sirva.

— Não sei como se abre — admitiu ela, depois de examiná-la.

— Deixe que eu coloque em você — momentos depois rodeava comodamente o esbelto pescoço. — Perfeita — aprovou. A expressão de seu rosto, triunfante e um pouco cruel, alarmou Gina, que se levantou e foi para o espelho.

Ao rodear seu pescoço a gargantilha tinha deixado de ser uma simples jóia, convertendo-se em um objeto primitivo, ritual; era como se tivesse posto uma espécie de grilhão.

— Nunca vi nada igual — estremeceu-se involuntariamente.

— É uma cópia de uma gargantilha matrimonial Inca. Segundo as lendas peruanas, um quéchua, um membro da realeza, desenhou-a para sua esposa, como símbolo de posse...

— Por que não um anel? — perguntou, temerosa.

— Porque poderia tirá-la e trocá-lo por outro... Verá, era uma mulher como Gina, e não se confiava nela... — fez uma pausa e sorriu com tristeza. — Uma vez fechada, só poderia tirar a gargantilha cortando-a.

— Quer dizer que não se pode tirar? — perguntou Gina, com um calafrio.

— Ah, esta sim se tira — disse Jake. — Além disso, você não é como Gina, não é? — continuou com voz sedosa. — Só terá que saber como funciona o fecho.

— Pode tirar isso, por favor?

Jake a agarrou pela mão e a puxou para que se sentasse. Ela levantou o cabelo e inclinou a cabeça.

— É incômoda? — perguntou com tom considerado.

— Não — admitiu ela. O desconforto que lhe causava era mental.

— Então, por que não a deixa posta...? Ao menos até que nos deitemos.

Ela se mordeu o lábio, sabia que esperava seu protesto assim optou por calar. Um momento depois, Jake deu um desses súbitos giros à conversa que sempre a pegavam de surpresa.

— Agora que estamos sozinhos, deveríamos falar sobre o futuro — comentou. Gina o olhou com apreensão. — Eu gostaria que Suzannah tivesse irmãozinhos. Suponho que não tem nenhuma objeção? Na primeira entrevista me disse que você gostava de crianças.

— Sim, eu adoro — corroborou ela, ainda inquieta.

— Acredito, entretanto, que antes deveríamos deixar passar algum tempo para nos tornarmos em uma família e deixar que Suzannah te aceite como mãe — como se preparasse uma emboscada, acrescentou. — Nunca me perguntou o que aconteceu sua verdadeira mãe...

— Bom, eu... eu...

— Deve ser a mulher menos curiosa do mundo — sua voz teria cortado o gelo, e a olhava fixamente aos olhos. — Surpreenderia saber que simplesmente abandonou à menina?

— Não acredito que seja possível.

— Parece muito segura.

— Não posso acreditar que alguma mulher abandone voluntariamente seu próprio filho.

— Então, por que acha que desapareceu?

— Devia ter uma boa razão.

— Fala como se simpatizasse com ela — os lábios de Jake se curvaram em um gesto de desprezo.

— Sempre há dois pontos de vista para tudo.

— Só lhe importava seu próprio ponto de vista. Brady tinha morrido e, em vez de cuidar da menina que ele não chegou a conhecer, partiu e deixou que a avó, uma mulher doente do coração, assumisse toda a responsabilidade.

«Não, não foi assim!», pensou Gina. «Não é certo».

— Como pode sentir simpatia por alguém assim? — Jake voltou para ponto de partida e ela, muito afetada, seguiu silenciosa. Lançou-lhe um olhar hostil — O que? Já não há argumentos para defendê-la?

— Pretende dizer que suas ações são totalmente indesculpáveis? — perguntou simplesmente.

— É isso exatamente o que digo... — um golpe na porta o interrompeu. Jake se levantou e foi abrir.

— Sinto muito incomodá-lo, senhor Arkeman — disse uma voz apressada, — mas um dos geradores de apoio se incendiou...

— Será melhor que vá ver-lo -a porta se fechou atrás dele.

Gina suspirou. A interrupção foi providencial; se tivessem seguido falando, poderia haver-se delatado. Resultava-lhe difícil aceitar que Jake a tivesse condenado, sem mostrar o mínimo indício de compreensão ou compaixão.