O Preço De Uma Mentira
21 Capítulo 21
Notas iniciais
— Não se importa de voltar a pé das baias? — a voz de Jake irrompeu em seus pensamentos tristes.
— Não, não me importa — replicou Gina, voltando para presente de repente.
Nesse momento, entravam no centro termal. Chegaram às baias, recolheram os pacotes e, depois de agradecer ao encarregado, foram para o chalé.
Quando Jake abriu a porta da sala, Gina viu que tinham levado uma árvore de dois metros de altura e uma caixa de enfeites natalinos na sua ausência.
— Me ocorreu que, quando Suzannah voltar, poderíamos decorar a árvore e pôr os presentes embaixo — explicou Jake.
— Sim, ela adorará nos ajudar — Gina tinha desejado aproveitar a festa de Natal, mas agora sua alegria era forçada.
— Antes tenho que ir até a recepção. Está noite espero uma visita, e tenho que me inteirar de que hora chegará — a voz de Jake tinha um tom estranho. Gina, inquieta, lançou-lhe um olhar. — É alguém que acredito que você gostaria de conhecer — continuou ele com um sorriso suave, mas ameaçador, nos lábios.
Subitamente, sem saber por que, Gina observando o dirigir-se para a porta, estremeceu-se.
****
Quando Jake partiu, Gina, com uma enxaqueca terrível, tomou um analgésico e foi tomar um banho quente, com a esperança de que a relaxasse. Acabava de colocar uma saia de lã fina e um suéter quando ouviu a voz de Jake e, um instante depois, a de Suzannah chamando-a com insistência.
— Gina, veem.
Suzannah correu para ela e lhe pôs nas mãos uma grande caixa envolta com papel de presente vermelho e dourada.
— É de Cocó e eu... tem um cartão — disse, dando-se importância.
— Ah, obrigado, querida — Gina, em cócoras, abraçou à menina. — São as duas muito boas.
— Abre-o — pediu Suzannah dando saltos de alegria. — É presente de Natal. Papai falo que abra agora.
Jake assentiu com a cabeça e Gina abriu o envelope que havia sob o laço. Havia vários garranchos retorcidos no cartão e, com a firme caligrafia de Jake uma nota «Com carinho de Suzannah e Cocó P. Galinha».
— Cocó P.Galinha? — perguntou a Jake, divertida.
— Deveria saber que todas as galinhas têm nome composto.
— E que significa o P?
— Penas — assegurou ele com seriedade.
Ela sorriu e, com a ajuda de Suzannah, tirou o laço e o papel da caixa. Em seu interior, envolta em papel de seda, havia uma peça de seda branco com detalhas em dourado. Gina, com mãos tremendo, tirou um vestido de noite longo tipo sereia maravilhoso.
— Você gosta? — exigiu Suzannah.
— É lindo — replicou Gina.
— Compramos mais, né, papai? — Suzannah dançando.
— Pensamos que possivelmente necessitava de algum acessório — disse Jake, como se conhecesse a sobriedade de seus pertences, e lhe entregou uma pequena caixa alargada, envolta do mesmo modo. Continha um sapato com pedras douradas e uma pequena bolsa combinando.
— Cocó e eu os «elegemos» — informou Suzannah com orgulho.
— Obrigado, querida — Gina beijou o rostinho da pequena.
— Beija a Cocó...
Cocó recebeu um sonoro beijo em seu bico amarelo.
— E papai — pediu Suzannah.
— Seu papai é muito grande para que o beijem — objetou Gina rapidamente.
— Não é muito grande... Não é, papai?
— Certamente que não — disse Jake, o brilho de seus olhos indicava que era consciente do desconforto de Gina.
Sem ter outra opção, ficou nas pontas dos pés e acariciou brandamente sua bochecha com os lábios.
— Bom, onde vamos pôr a árvore de Natal? No canto ou junto à janela? — perguntou Jake. Depois de recompensá-la com um sorriso zombador.
— Eu acredito que junto à janela árvore.
Gina esqueceu a dor de cabeça e, determinada a desfrutar desse momento, ajudou Suzannah a tirar os enfeites natalinos da caixa, enquanto Jake colocava a árvore.
http://www.ortiga.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/11/arvores-de-natal-decoradas-9.jpg
— É hora de deitar-se, boneca — disse Jake a Suzannah. — Vou levar Gina para jantar e depois à festa, para que possa estrear seu vestido. Gladys virá para te cuidar até que voltemos.
— Posso dormir com Jane, papai?
— Na creche?
— É.
— Não vejo por que não... prefere-o?
Suzannah assentiu com decisão.
— Mas Papai Noel saberá onde procurá-la? — objetou Gina rapidamente.
— Claro que sim — Jake dissipou a dúvida. — Para facilitar o trabalho dos empregados, e também porque os meninos o preferem, está noite dormirão na creche mais de meia dúzia de crianças. Todas vão pendurar suas meias para Papai Noel. Na realidade é mais lógico, e assim Gladys não terá que estar aqui só toda a noite.
Gina compreendeu que já estava decidido.
— Pela manhã, assim que tomemos o café da manhã, iremos te pegar e viremos para abrir todos os presentes que há debaixo da árvore, certo? — disse Jake a Suzannah.
A menina assentiu entusiasmada, e ele se voltou para Gina.
— Poderia ir pegar o pijama de Suzannah e qualquer outra coisa que possa necessitar...? — embora seu tom fosse de pedido indubitavelmente era uma ordem. — A levarei para a creche enquanto você se prepara.
Gina não tinha outra alternativa que obedecer; depois, abrigou bem a Suzannah, beijou a menina e a galinha e se despediu da porta. Demorou meia hora em preparar-se e, quando saiu do dormitório, encontrou-se com Jake que, já de banho tomado e vestido com um impecável terno de marca, esperava-a.
O olhar de Jake a percorreu de cima a baixo, e uma chama se acendeu em seus olhos felinos.
Vestido da Gina: http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=118988900&p=3
O vestido era perfeito e acariciava com sutileza cada uma de suas curvas. A cor branca do tecido ressaltava a cor da sua pele e parecia que ela resplandecia. Tinha feito pouco caso a Jake e, em vez de deixar o cabelo solto, o tinha recolhido em um coque alto, que ressaltava seu pescoço longo e a estrutura de seu rosto. Apesar de todo o ocorrido, desejava estar bela para ele. E lhe teria gostado de ouvir um elogio, ou umas palavras de admiração.
Mas ele, além do tórrido olhar inicial, não deu nenhuma amostra de que gostasse do que via. Com o rosto tenso, ofereceu-lhe o casaco que a tinha presenteado nessa tarde. Sem dizer uma palavra, ela o pôs e permitiu que a escoltasse até a porta.
Embora os caminhos principais sempre estivessem limpos, nevava brandamente, e não era fácil andar com sapatos de salto alto. Jake lhe ofereceu seu braço e ela o aceitou agradecida.
O restaurante principal estava cheio de homens bem vestidos e mulheres adornadas com joias, mas o maître os recebeu à porta, murmurou que havia uma mesa reservada para eles e, depois de fazer que se encarregassem de seus casacos, conduziu-os para uma área separada do restante das pessoas.
Embora a decoração fosse singela, Gina notou que essa aparente simplicidade só podia conseguir-se com muito dinheiro. Quando o garçom anotou seu pedido e partiu, Jake, que parecia mais relaxado, pegou-a pela mão.
— Ainda não te disse que está encantadora.
— Obrigado — um suave rubor tingiu suas bochechas e, com voz entrecortada, acrescentou. — Devo-se ao vestido.
— Não, com isso não posso estar de acordo — disse o com voz rouca. Poderia não gostar dela, mas não havia dúvida de que sentia uma forte atração física por ela.
Enquanto degustavam truta do lago com amêndoas, regada por um vinho branco de Napa Valley, Jake voltou a ser o acompanhante encantador que tinha sido durante a refeição. Relaxado e de bom humor, entretinha-a com vividas descrições do Oriente, que conhecia bem.
Gina, embora não tinha recuperado o equilíbrio, depois desse dia cheio de desigualdades, esforçou-se em apartar o abatido rosto de Brady de sua mente, e logo começou a sentir-se melhor. Quando terminaram de jantar, estava quase contente e disposta a desfrutar do resto da noite. Seguiram conversando tranquilamente enquanto tomavam o café, até que Jake olhou seu relógio de pulso e pôs ponto final a sobremesa.
— Será melhor irmos à festa. Como te mencionei antes, virá uma pessoa que eu gostaria de te apresentar.
Gina notou certa tensão em sua voz e o olhou inquieta, mas seu rosto não mostrava nenhuma emoção.
O salão de baile estava profusamente decorado e, quando chegaram, a festa estava muito animada. Havia um balcão de bar bem provido e mesas dispersadas ao redor da pista. Uma pequena orquestra interpretava música de Gershwin sobre um estrado situado ao fundo do salão. A meia luz, vários casais dançavam.
Jake se voltou para Gina e, sem trocar uma palavra, ela aceitou seus braços. Nunca tinha dançado com ele antes, mas, como se fossem feitos um para o outro, seus corpos se uniram em um só ser harmônico e compassado.
Gina se deixou levar pela felicidade do momento, desejando que durasse para sempre, e dançaram como se fossem o único casal da pista. Quando a música parou, foi como se despertasse de um doce sonho. Piscou e lhe sorriu. Durante um instante, ele a olhou como na primeira noite em que estiveram juntos.
Jake, com um braço rodeando sua cintura, guiava-a para a mesa que tinham reservada, quando alguém os chamou.
— Começava a acreditar que teria que partir sem te ver.
Gina se voltou para a voz e se encontrou frente a frente com um fantasma. Tinha aproximadamente a mesma estatura que ela, e um rosto magro e sensível, cabelo preto e encaracolado e olhos castanhos.
A impressão foi fulminante. Notou um intenso assobio nos ouvidos e tudo se tornou escuro. Unicamente a força do braço de Jake impediu que caísse ao chão.
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