Notas iniciais
Ola meninas, como vão? Aqui vai mais um capítulo para vcs, muito obrigada pelos comentários, eles são importantes para mim.

Gina abriu os olhos, estava deitada em um sofá em uma sala que lhe pareceu vagamente familiar. Quando começou a lembrar-se, compreendeu que estavam no apartamento privado de Jake. Ele estava sentado a seu lado, olhando-a fixamente com o rosto muito tenso.

— Como está? — parecia transtornado e tinha a voz rouca, com uma curiosa mescla de ira e ansiedade.

— Estou bem — apressou a dizer.

— Me deu um bom susto — resmungou.

Ela tremeu. Não podia ser nada comparado com a impressão que ela tinha recebido. Mas não podia admiti-lo.

— Sinto muito... — tentou explicar seu desmaio. — Fazia muito calor e não deveria ter tomado brandy. Não tenho cabeça para o álcool... — inspirou profundamente e continuou. — Sinto ter dado um espetáculo diante de... de todo o mundo.

— Não acredito que muitas pessoas viram, além de David.

David Newman... O primo de Brady que foi padrinho de seu casamento... A semelhança familiar era tão grande que por um momento tinha acreditado ver um fantasma.

— Era a pessoa que queria que conhecesse? — -perguntou, com as mãos fortemente apertadas.

— Sim — limitou-se a responder Jake, embora seu rosto tivesse se endurecido. Ela sentiu um calafrio. Teria preparado o encontro de propósito, esperando que se delatasse? Não, era impossível. Isso significaria que conhecia sua identidade. Possivelmente sabia tudo e estava brincando de gato e rato com ela, esperando que ela perdesse a prudência.

Era possível que fosse tão cruel? Com o coração lhe tamborilando contra o peito, soube que sim. Ele odiava Gina, e é fácil ser cruel com quem se odeia.

— David é primo de segundo grau de Suzannah e, além de sua mãe, acredito que é seu parente mais próximo — explicou Jake. — Fazia muito tempo que não o via. Trabalha em Nova Escócia, mas agora ia para o sul; sua noiva vive em Calow, e vai passar o Natal com ela. Quando se inteirou de que eu ia estar em The Little Nell, decidiu fazer uma breve visita.

— Está aqui ainda? — perguntou Gina, sentando-se.

— Não, teve que partir. O tempo está piorando e tinha medo de ter problemas.

— Sinto muito ter estragado sua visita — desculpou-se Gina, tentando ocultar seu alívio por que ele havia ido.

— Cumpriu sua função... — afirmou Jake. Ela sentiu o sangue gelar nas veias. — Queria trazer um presente de Natal para Suzannah... — uma batida na porta o interrompeu. — Deve ser o chá que pedi — levantou-se e dirigiu-se para a porta.

— Obrigado. Sim, já está bem — Gina ouviu-lhe dizer. — Não, não é preciso que venha o médico. Foi o calor que fazia no salão.

Voltou com uma bandeja com chá, colocou em uma mesinha baixa e serviu uma xícara, acrescentando bastante açúcar.

— Não tomo com açúcar — objetou ela.

— O chá doce é bom para recuperar-se de desmaios e tonturas — assegurou ele com firmeza.

Gina aceitou a xícara. Fez-lhe sentir muito melhor do que esperava e quando o acabou se sentia muito melhor.

Jake se sentou junto a ela, levantou sua mão e tomou o pulso.

— Isto está muito melhor — murmurou satisfeito. — O pulso se estabilizou e tem um pouco de cor nas bochechas.

Seu escrutínio fez que ruborizasse. Inquieta por sua proximidade e pelo efeito que lhe causava, apertou a mão.

— Ainda é cedo. Quer voltar para a festa...?

— Já não tenho vontade ir à festa, e você?

— Tinha pensado em ir para a cama.

— Isso me parece uma idéia excelente — ronronou ele.

— Só preciso pôr o casaco... — então se deu conta de que estava descalça. — E os sapatos.

— Decidi que ficaremos aqui. Não quero que tenha que voltar a sair em uma noite tão ruim.

Com movimento suaves e firmes, começou a lhe tirar os grampos do cabelo e quando caiu em cascata sobre seus ombros, inclinou-se para beijá-la.

Ela fechou os olhos, tentando lutar contra seus sentimentos. Mas a suavidade e gentileza de seu beijo foi tal que ter os olhos fechados só serviu para intensificar a sensação que lhe produziam seus lábios. Apertou os dentes para não render-se, para não derreter-se de amor e desejo.

Sabia que ele não a queria, mas a beijava como se fosse o que mais desejava no mundo e ela desejou acreditá-lo. Mas isso era enganar-se a si mesma.

— Por favor Jake — o chamou, apartando o rosto. A súbita e apaixonada súplica o pegou de surpresa e segurando-a suavemente pelos ombros, voltou-se para trás para olhá-la.

Ela, tremente, tentou liberar-se, mas ele não o permitiu. Abraçou-a e a acariciou as costas, tranquilizador.

— Deseja-me tanto como eu a ti. Por que lutar contra isso? Do que tem medo?

«De que não me queira. De me sentir ferida. Humilhada. Desprezada. De mil coisas».

— O que sou para você? — perguntou-lhe.

— Todo homem tem seu ponto fraco — seu rosto se endureceu — Digamos que você é a minha.

— Não sou simplesmente uma mulher que está disponível quando deseja uma.

Durante um instante pareceu zangado, mas depois respondeu quase com ingenuidade.

— Se fosse tão simples como isso, nenhum dos dois teria que preocupar-se. Não há escassez de mulheres disponíveis. Por desgraça, parece que nenhuma outra me serve.

Aproximou a boca, selando as palavras dela com suave, mas sensual, e ela, involuntariamente, ficou rígida.

— Só vou beijá-la, nada mais — disse zombador. — Depois, se ainda se opor... — não acabou a frase.

Dessa vez, quando a beijou ela tinha os lábios entreabertos. Persuasivo e ardente conseguiu que os abrisse mais, aprofundando o beijo. Ela sentiu que o fogo corria por suas veias, derrubando as poucas defesas que restavam. Quando por fim se separaram, ela tinha os olhos fechados.

— Gina? — sussurrou seu nome e lhe pôs a mão na bochecha.

Ela abriu as pálpebras pesadas e o olhou. Sua expressão era tensa, à espera. Compreendeu que realmente ia deixar que ela decidisse. Se rendia agora, estaria perdida para sempre, seria sua escrava. Mas, acaso já não o era? Era dono de seu coração, e nunca poderia amar a outro homem.

Com um suave murmúrio de assentimento, demonstrou sua entrega lhe beijando a palma da mão. Resplandecente de paixão e triunfo, levantou-a nos braços e a levou a dormitório que ela recordava de quase quatro anos atrás. Despiu-a com urgência e a deitou sobre a cama, antes de ele despir-se.

Quando se inclinou para beijá-la, rodeou-lhe o pescoço com os braços e o aproximou de seu corpo, desejando o contato de suas mãos. Nada importava já, nem sua ocasional falta de amabilidade nem sua crueldade deliberada, nem sequer o medo de sentir-se ferida e rechaçada, de perder sua autoestima. Alagou-a uma felicidade selvagem, e só sentia agradecimento porque estivesse ali com ela.

Como se não pudessem cansar-se um do outro, envoltos em uma espiral sem princípio nem fim, fizeram amor, ardentes de paixão.