Notas iniciais
Olá meninas como vão? Aqui vai mais um capítulo para vcs, espero que gostem. Obrigada pelos comentário e por estarem acompanhando a fic, bjs

— É uma mulher de silêncio eloquente... O que pensa, Gina? — perguntou ele pouco depois, examinando seu rosto.

Recordava que ele tinha prometido dizer seu nome quando lhe fizesse amor. E o tinha feito. Mas o nome que gemeu, com o momento culminante de paixão, foi Gina. Não quis mencioná-lo, e negou brandamente com a cabeça.

— Se não quer me dizer o que pensa, me diga como se sente.

Ele tinha se assegurado de satisfazê-la, e seu corpo estava deliciosamente relaxado.

— Pelo senhor, mulher — estalou ele. — Acaso imaginava que ia comportar-me como um bruto egoísta que só se ocupa de seu próprio prazer?

— Não se tivesse feito amor com alguém... alguém que se importasse. Mas eu..., pensei que só queria me utilizar.

— Pois não tem feito nada para me impedir disso.

— Não podia te parar — protestou ela. — Tentei lutar... sabe bem.

— Mas lutava mais contra si mesma que contra mim. Teria me parado com um só «não», se o houvesse dito sério — objetou ele. Gina, admitiu com seu silêncio que era certo. — Quanto tempo faz que perdeu a seu marido? — perguntou.

— Faz mais ou menos dois anos — respondeu vagamente, alarmada pela pergunta.

— Teve algum amante após?

— Não.

— Por que não? É uma moça com necessidades e instintos naturais.

— Nunca conheci ninguém que me importasse o suficiente — disse, com voz afogada.

— Quer dizer que só iria à cama com alguém que te importasse?

Gina compreendeu, muito tarde, aonde conduzia esse interrogatório.

— Bom, não... não exatamente. O que queria dizer é que nunca me senti suficientemente atraída por ninguém.

— Até agora? — insistiu ele. Considerando o dito, era uma conclusão bastante razoável e Gina não contestou. — Deveria gostar muito de seu marido, não?

— Tinha-lhe muito carinho — Gina, em vez de limitar-se a assentir, disse a verdade.

— Carinho? — Jake arqueou uma sobrancelha com cinismo. — Não me parece que isso seja suficiente. Não me sentiria nada agradecido se uma mulher dissesse que me tem carinho — Jake sorriu amargamente.

— Não acredito que tenha do que se preocupar — cuspiu ela. Imediatamente se arrependeu de suas palavras. Por que não podia dominar sua língua, em vez de deixar que Jake a provocasse. Mas, surpreendendo-a, ele começou a rir.

— Alegra-me saber que ainda resta um pouco de espírito. No começo estava um pouco mais magra, pálida e abatida, como se a vida te houvesse golpeado, mas neste último mês, ganhou um pouco de peso e perdeste esse olhar de desolação. Diga-me, Gina, é feliz trabalhando para mim?

— Eu gosto de cuidar de Suzannah — respondeu com cautela. Algo no tom de sua voz a tinha alarmado.

— Que faria se, por alguma razão, tivesse que partir?

— Procuraria outro trabalho — disse com calma, embora semelhante ideia a aterrorizava.

— O fogo está muito baixo — disse ele abruptamente, notando o ligeiro arrepiou que a tinha percorrido. — Será melhor que se vista.

Incômoda de repente, envergonhada por sua nudez, recolheu a roupa apressadamente e, com a cabeça encurvada, começou a colocá-la. Embora não se arrependia de ter aproveitado esses momentos de felicidade, ao dissipar a euforia e sentia tranquila e temia as consequências de sua imprudente ação. Mas não havia remédio, já estava feito.

Quando por fim levantou a cabeça, viu que ele também estava vestido. Parecia preocupado e sombrio, enquanto jogava troncos no aquecedor. A seguir, acendeu a luz.

— Está com fome? Há um montão de conservas.

— Quer que prepare o jantar? — perguntou Gina. Não tinha fome, mas precisava ocupar-se com algo.

— Ontem você preparou e me saio bastante bem com um abridor de latas — rechaçou Jake. — Sugiro que relaxe junto ao fogo enquanto esquento um guisado.

Suas palavras, embora amáveis, não tinham o menor rastro de calma. Gina mordeu o lábio e voltou a sentar-se. Consciente de que seguia olhando-a, tentou não levantar o rosto, mas ele a atraiu como um ímã.

— Arrependida? — perguntou secamente. Ao perceber o brilho de seus olhos chorosos. Ela ia responder que não, mas hesitou e respondeu com uma pergunta.

— Deveria estar?

— Possivelmente os dois devíamos estar.

O desejo secreto de que o prazer compartilhado tivesse suavizado sua atitude para com ela morreu. Soava aborrecido, como se sentisse desprezo tanto por ela como si mesmo.

Foi uma tolice acreditar que seus sentimentos poderiam mudar. Sabia desde o começo que não lhe agradava e, além disso, ele tinha reconhecido que só a desejava porque recordava a uma mulher que odiava, mas que seguia obcecado.

Estava perdendo partida dupla.

Estava cansada e emocionalmente esgotada. Quando Jake pôs a comida na mesa, era quase incapaz de manter-se erguida na cadeira.

— Na realidade não quero nada — murmurou — Prefiro ir diretamente para cama.

— Deveria comer algo antes. Notei em que quase não comeu ao meio-dia. Com apenas um aquecedor para nos esquentar, e sem calorias, passará frio durante a noite.

Sem forças para discutir, levantou o garfo e se esforçou em tragar um pouco de guisado, surpreendentemente bom.

Comeram em silêncio. Só se ouvia o crepitar dos troncos e o ruído da tormenta, que seguia lançando neve contra as janelas. Apesar de seus esforços, Gina só comeu a metade de sua porção quando começaram a lhe fechar os olhos.

— Será melhor que durma — disse ele secamente. Mostrarei o único dormitório habitável. Pus um par de mantas a mais nas camas, assim espero que faça suficiente calor...

Seguiu-o pelo corredor a uma suíte que tinha duas camas.

— Há um banheiro no dormitório, mas infelizmente não há água quente.

— E você...? — hesitou ela.

— Já irei, quando recolher e encher a estufa de lenha.

Lavou-se rapidamente com água fria, tirou as calças e o suéter e em roupa de baixo, meteu-se na cama e cobriu-se. Estava esgotada, mas, arrepiada depois de sua visita ao banheiro e com os pés gelados, era incapaz de dormir. Uma meia hora depois chegou Jake. Seguia aconchegada sob as mantas completamente acordada, tentando não tremer de frio.

— Não está dormindo — perguntou ele, como se pudesse ouvir seu sofrimento. Ela não podia ver-lhe o rosto, mas sua voz soava preocupada.

— Não.

— Por que não?

— Tenho frio.

— Será melhor que se deite comigo — disse Jake.

Ouviu-se o ranger da cama. Surpreendida, Gina não se moveu.

— Não se preocupe, não tenho más intenções. Mas fará menos frio se compartilharmos a cama. — Bom, vem ou não? — acrescentou com impaciência.

— Sim, por favor — sussurrou ela, sem forças para resistir a seu oferecimento. Cruzou o chão gelado e se meteu na cama junto a ele, tomando cuidado de não tocá-lo.

— Não é de se estranhar que não consiga dormir; está como um bloco de gelo. — disse ele, estendendo uma mão para tocá-la. Aproximou-a até o calor de seu corpo nu e lhe fez apoiar a cabeça contra seu peito. — Agora tenta relaxar.

Envolta entre seus braços, sentindo o forte batimento de seu coração sob a bochecha, dormiu em menos de um minuto.