A lua já ia alta no céu quando uma sombra saiu de uma árvore próxima a uma janela. Do local de onde estava olhou para dentro do quarto. E lá estava a pessoa que a coisa procurava. Não havia uma única luz no interior do quarto, porém o espião conseguia ver a cama e o ser que lá dormia profundamente.

A sombra deslizou até um galho próximo da janela para tentar entrar no quarto. Testou usando um braço, e viu que ela não estava fechada. Agora era hora de usar os dois braços, pois uma janela antiga poderia ser dificil de abrir com apenas uma das mãos. Habilmente foi até onde o galho conseguia aguentá-lo, rapidamente ele se colocou a abrir a janela. Demorou um pouco, mas ela abriu sem fazer nenhum barulho.

Rapidamente ele pulou para o quarto, mas estava muito escuro e ele não podia ver muita coisa. Tateando se aproximou da cama de seu alvo. De repente o ser dorminhoco levantou e pegou o estranho pelo pulso. E um sibilo pode ser escutado rapidamente.

–Crash, veio fazer o que aqui? Não lembro de ter te pedido para vir aqui me acordar para fazer o trabalho que quer, mas minha curiosidade foi atiçada e eu irei. Mas qual foi o motivo de você invadir o meu quarto no meio da noite?

–Como você sabia que era eu? Já sei, foi o seu olfato apurado.-Mesmo antes dele terminar a pergunta o garoto já estava negando.-Vim apenas para ver se você iria.

–E não te detectei pelo faro, te ouvi praguejar baixinho quando tentou subir a árvore. Estou na minha forma humana. Minha audição e olfato podem ser melhores que a de um humano normal, mas saiba que ainda assim é meio difícil definir alguns cheiros, mas seu eu mudar um pouco posso destinguir facilmente. Vou me vestir rapidamente, ou posso apenas sair na forma de lobo, algo que chamaria muita atenção...- Ponderou.- Melhor mudar de forma na hora certa.

O invasor não tinha percebido que o outro estava sem roupa. Mas claro que seria impossivel saber, o quarto está tão escuro que parece uma sombra. Descidiu que seria melhor esperar do lado de fora e se virou para ir, mas acabou esquecendo de um detalhe seu pulso ainda estava sendo precionado pela mão do outro.

–Valdim, você poderia me soltar?- Pediu fazendo sinal para sua mão. E rapidamente o aperto sumiu e ele se viu livre para sair pelo mesmo lugar que entrou.

Ao chegar no solo viu um lobo grande ali próximo a árvore e este estava se transformando e em um piscar de olhos Valdim estava na sua frente completamente sem roupa. Ia começar a lhe perguntar onde estava o que iria vestir quando viu este começar a se vestir e seu protesto morreu antes de começar.

– Vamos.-Sussurou o inventor. E começou a correr para o castelo. Nem uma única vez olhou para trás, pois sabia que tinha pego a curiosidade daquele lobisomem, mesmo que não escutasse os passos dele.

A noite corria quando alcançaram o castelo e Crash fez sinal para os muros e os guardas. Todos os locais estavam vigiados, mas o tempo da troca de turnos já estava quase acontecendo e os vigias logo estariam menos vigilantes e estariam mais propensos a não prestarem atenção nos arredores.

Crash parecia saber a hora da troca de turnos, ele falou muito baixo que em 10 minutos haveria a troca e que essa era o momento perfeito de se infiltrar no castelo.

– O negócio é simples. Você vai entrar no castelo, acho que a forma de lobo vai ser melhor. Vai ter que encontrar um pedra para mim, ela não vai ser difícil de ver. Ela deve ter o tamanho de uma maçã, a sua cor é azul e vermelho. Mas deve estar cheio de guardas ou não. Não sei dessa parte. Apenas entre e pegue a pedra. Depois saia e me entregue. Muito fácil, não? — Sussurrou Carrien.

– ... Pode ser fácil falar. Agora quero ver fazer... a parte mais fácil é pular o muro a mais difícil vai ser voltar... devo estar sendo perseguido... – Falou Valdim. – Então prepare algo para que eu possa sair. E eu vou pegar aquela pedra. Estou curioso sobre ela. –Dizendo isso o garoto retira as roupas e rapidamente muda de forma. Agora um lobo completamente negro aparece em seu lugar.

–Você precisava tirar as roupas? – A resposta foi um rosnado. – Está bem, vou pensar em algo. Adiante-se e vá para o castelo...- Crash não via mais sinal do lobo, apenas podia sentir seu olhar. –Cara não faz isso, isso dá medo. — Uma risada sinistra ao seu lado o fez vê-lo novamente. – Já tive a ideia para que você pulo por cima do muro.

Rapidamente ele se começou a tirar engrenagens e peças metálicas de seus bolsos. E em poucos segundos um lindo carrinho estava nas mãos de Carrien.

–Aqui está a distração... mas... como fiz isso? Ah que se ferre, vai ser isso mesmo. – Ele coloca no chão e o carrinho começou a se mover. – Vá agora, isso deve te ajudar.

Não muito confiante o lobo sobe o muro e lá em cima observa a paisagem interna do pátio. Árvore por todos os lados, bons esconderijos para a escuridão. Subia nos galhos e deles ia pulando para os outros e rapidamente entrou no castelo evitando os guardas.

Lá dentro tudo era diferente, havia luzes em todos os cantos. As garras do lobo não faziam barulho no tapete, seus movimento eram simples. Cheirar e olhar ao redor a procura da pedra.

Entrava em cada sala que via, mas nada da pedra. Continuei a cheirar e a procurar pelas salas. Já tinham se passado uns 15 minutos e nenhum sinal da pedra, mas um pequeno brilho passou correndo e entrou em uma das grandes portas. O cheiro era facilmente detectável, raposa.

O lobo seguiu o cheiro, pois havia uma coisa diferente, não era apenas o odor de um animal, esse também tinha perfume. E essa combinação chamou a sua atenção, o caminho que percorreu foi simples e pelo rastro, o animal já tinha entrado no castelo algumas vezes.

O sentimento de quando começou a seguir a bola de pelos apenas aumentava. Ou seja, o caminho que ela seguia era o mesmo que ele queria. Ela parecia conhecer tudo, mas o caminho apenas ficava simples e no final dele, o lobo negro viu a raposa prateada parada em frente a uma porta fechada.

Ambos se olharam e o pensamento deles poderiam ser o mesmo. Pegar a pedra que Crash queria. Um pensamento passou pela cabeça de Valdim. – Ele falou alguma coisa sobre raposas... Então ela é a assassina que ele contou. – O lobo se aproximou da porta e sem esforço a abriu. A raposa ficou para olhando para ele e quando o vulto negro entrou, ela o seguiu. Luz e Escuridão andavam lado a lado nessa hora. Ela mostrava o caminho, ele abria as portas.

E a jornada mostrou-se farta. Não havia uma pedra daquela, haviam 3 delas. Cada uma tinha duas cores, mas nenhuma delas eram iguais as outras. Uma era azul e vermelha, outra amarela e cinza e a outra branca e preta, respectivamente da esquerda para a direita.

Elas tinham nomes escritos na parte de baixo Lifer, Safir e Ocrin. Cada uma era mais bela que a outra.

Lifer estava esculpida na forma de uma Maçã, a cor azul e vermelha pareciam estar saindo do centro da jóia.

Safir tinha o formato de um Arco, amarelo e cinza as cores estavam espalhados em formas espirais por toda a estrutura do arco.

Ocrin estava moldada como um espada, o branco e o preto se uniam em certos pontos, porém a maior parte estava em lados opostos, a lâmina e punho estavam divididos ao meio pelas cores, branco para o lado esquerdo e preto no lado direito e a união das duas cores parecia uma guerra entre as duas.

Todas as peças eram pequenas, todas tinham um tamanho único, próximo ao tamanho de um mamão, mas eram bem trabalhadas que podia-se jurar que ela tinha vida própria.

O lobo e a raposa rondaram as 3 pedras preciosas. Os brilhos e cores que liberavam pela sala. A criatura grande e negra se aproximou da espada, seus olhos vermelhos pareciam hipnotizados pela sua briga de cores.

A bola prateada estava olhando fixamente para o arco, suas espirais amarelas e cinzas pareciam não ter fim.

Ambos os animais encostaram os focinhos nas pedras e uma luz e som emanaram das pedras. – Eu o aceito como meu/minha mestre. — E assim quando a luz cessou, Ocrin e Safir tinham desaparecido do lugar.

Provavelmente a luz e o som havia alertado alguns dos guardas, e nesse instante, como só havia uma pedra. Valdim correu e pegou a pedra entre suas mandíbulas e a raposa pulou sobre suas costas e começou a mordê-lo e a arranha-lo. O lobo deu um pulo com cambalhota, o que a fez soltar suas costas e assim que ele colocou as patas no chão começou a correr. Mas a pequenina raposa não desistiu, ela continuou a sua perseguição.

O caminho de volta foi uma confusão. Lobo, raposa, soldados, armas, explosões em lugares incertos... Explosões? Carrien estava soltando algumas invenções em alguns lugares e essas andavam e explodiam, algumas muitas vezes, outras batiam e derrubavam os soldados. E nessa confusão a Escuridão e a Luz estavam em guerra.

O negro tinha a posse da pedra, enquanto a prata era veloz e conseguia interceptar alguns movimentos. Mas a luta não durou muito. Uma invenção desgovernada acabou batendo em um dos soldados e esse acertou levemente a lâmina na raposa. E nesse tempo que a pequena deu um passo para o lado, o animal negro correu e desapareceu nas sombras.

A pequena olhou para todos os lados, mas nada pode ver, nenhum brilho de olhos, nada. Ela se virou e saiu do campo de batalha. Essa luta o lobo venceu, mas a próxima ela sairá vencedora.

– Grrrr... — Um rosnado era tudo o que ele precisava saber, o seu parceiro estava do seu lado e ele já estava pronto para partir.

–Vamos Valdim. Agora é hora de irmos para minha casa. – Crash saiu andando do lugar em que o estava esperando acompanhado de uma grande sombra negra.

Durante todo o caminho Valdim esteve como lobo, andou atrás daquela pessoa que mal conhecia e parecia que seus pensamentos só estavam cada vez mais bagunçados. Lifer ainda estava em sua boca, ele poderia escolher voltar para o quarto com a pedra ou seguir o louco para a casa dele. Ele preferiu a segunda opção, pois mesmo se sele voltasse nada impediria que Crash voltasse ao seu quarto e destruir tudo que havia nele.

– Chegamos Valdim. Essa é a minha casa, ou a parte dela que não destruí. – Carrien disse enquanto mostrava o lugar. Uma casa de dois andares com alguns quartos, nenhuma luz estava acesa, era toda feita de pedras. As portas e janelas eram de madeira escura. – O lugar já é antigo, minha família morou aqui por muito tempo, agora só eu vivo aqui.

Ele abriu a porta da casa, havia apenas alguns móveis em toda residência, umas poucas cadeiras, um sofá, uma mesa. Continuei a segui-lo mas nós não subimos a escada. Passamos pela cozinha, que por sinal também só tinha uma mesa e três cadeiras, e entramos em um alçapão que havia abaixo da mesa.

– Aqui é onde faço grande parte das minhas invenções. – O segui para dentro do túnel escuro, andamos por alguns metros e entramos em um quarto escondido no subsolo. – Aqui posso fazer as coisas explodirem sem que atrapalhe ninguém. Estamos a uns 6 metros abaixo do solo. Portando não tenho que me preocupar com muitas coisas. Exceto se eu usar algo como a pedra em sua boca. Acho que você já pode me devolver Valdim. – Ele pediu para que eu entregasse a pedra para ele. A depositei no chão e mudei para a forma meio humana.

– Crash, me diga para que quer essa pedra? – Enquanto abaixava e pegava Lifer, o lobisomem estava com a pedra, enquanto o cientista louco sabia em que usaria a pedra.

– Certo, se você quer saber. – Ele abanou a cabeça e começou a andar no lugar. – Como você pode ver, esse lugar é uma zona para qualquer pessoa, mas aqui eu encontro tudo que quero. – Não dava para explicar como o lugar se parecia, a única coisa que podia ter certeza, o lugar era completamente lotado de peças, invenções inacabadas, coisas que explodiram, outras que quase explodiram, e ainda objetos que ninguém tinha visto. Era impossível saber o tamanho do lugar. Onde quer que se olhasse só era possível ver peças e objetos, havia mesas, mas essas estavam tão cheias que pareciam que iam se quebrar sobre si mesmas. – Eu quero a pedra parece emitir algum tipo de poder. E eu quero descobri como isso funciona. Quem sabe com isso possa evitar que tudo o que crie exploda, ou quem sabe posso criar uma máquina que pode fazer... – Agora era impossível entender o que ele falava, começou a citar coisas e mais coisas.

–... Pelo que eu entendi... você não faz a mínima ideia do que essa pedra pode fazer... – Valdim estava triste. Por outro lado Carrien só estava cada vez mais feliz.

–Sim! Já que não sei o que ela é, podem existir muitas possibilidades! Com ela posso fazer muitas coisas, mas uma coisa eu tenho certeza, agora que a vi de perto, não posso mais ficar parado. Preciso começar os estudos sobre o que ela é, o que ela pode fazer, o que a compõe e o porquê de eu estar tão alegre é simplesmente a pedra! – Crash parecia uma criança que tinha acabado de receber o melhor presente do mundo!

–Crash, antes de tudo, pode me devolver as minhas roupas? – Ele me olhou de modo interrogativo por um instante, mas rapidamente tirou minha roupas de dentro de seu bolso e me devolveu.

Estando de volta a forma humana o garoto entregou a pedra para o cientista e uma nova dúvida surgiu em sua mente.

–Crash, o nome da pedra é Lifer. Não sei porque a chamaram assim, mas foi assim que li o nome dela. E uma outra pergunta, como você escapou dos guardas do palácio durante a confusão que criamos?

– Usei uma caixa de papelão. – Ele retirou a caixa de papelão de um de seus bolsos. – É um método muito bom, ninguém percebe que você está naquele lugar. Usei para colocar algumas invenções em lugares estratégicos, por assim dizer. E obrigado pelo serviço. Pelo peso e pela aura que Lifer, acho que é isso, libera, posso dizer que ela tem propriedades mágicas. Mas agora... para que isso serve? Tenho uma biblioteca no segundo andar, lá deve ter algo que explique essa pedra e o motivo dela ser tão misteriosa.

–Tenho que ir, cuide dessa pedra. Haviam mais duas delas, mas ambas sumiram...

–Haviam 3 delas? Quais eram seus nome? Aparência? Cores? Auras? Tamanho? – O jovem estava completamente excitado novamente. Seus olhos pareciam pedras preciosas.

–Ambas sumiram quando eu e a raposa tocamos nas pedras. Ocrin e Safir eram os nomes, Ocrin era preta e branca, parecia uma espada, Safir era amarela e cinza, parecia um arco... – O garoto de olhos vermelhos começou a explicar tudo que tinha reparado sobre as pedras e como elas desapareceram para o jovem a sua frente. – E peguei Lifer do pedestal, mas nada ocorreu.

–... Devem ter certas circunstancias especiais para algo desse tipo ocorrer... Será que os livros que possuo falam sobre elas... Ah, Valdim, já pode ir. Acho que seria melhor correr para casa, deve descansar, sua cara ta horrível. Acho que hoje você fez muitas coisas, e olha que ainda são... pera deixa eu ver no meu relógio... Achei! São as 3 da manhã, se correr agora deve ter tempo suficiente para chegar no seu quarto e dormir até as 6 horas. Depois te dou algo para compensar o trabalho que fez para mim.

O garoto lobo se levantou e se despediu de Crash que o acompanhou até a porta e quando a trancou correu para o andar de cima para fazer pesquisas na sua biblioteca pessoal.

Valdim correu para a pensão, usou a mesma árvore que Crash tinha usado para chegar ao seu quarto e desabou sobre a cama.

Ele estava tão cansado que pensou que não sonharia com nada.

Mas como ele estava enganado. Essa noite ele teria um sonho completamente fora do comum.

Notas finais
Esse capítulo ficou menor do que o esperado.