O Príncipe Lobo
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–... Mestre...- A voz vinha de todas as direções e não parecia ser de lugar algum.
Uma luz brilhou em frente aos meus olhos. Duas metades de um mesmo ser, uma branca e outra negra. Uma garota separada ao meio, se bem que essa não seria uma descrição completamente certa, estava mais para uma garota meio branca e meio preta.
O lado direito de seu corpo era totalmente branco, até mesmo seu cabelo, a única coisa negra era seu olho. O seu lado esquerdo era o completo oposto do outro, totalmente preto, e seu olho branco. Sua forma ondulava, não poderia ser tocada, mas poderia tocar.
–Ocrin.- A sua voz era fria e cortante como uma lâmina. Ela apontou para si mesma quando disse aquele nome. — Ou foi assim que me chamavam no tempo que fui encontrada. — Seus olhos estavam fixos no garoto de olhos vermelhos. Ela andou até ficar de frente para onde ele estava. Sua mão direita tocou seu braço e subiu lentamente até tocar sua bochecha esquerda. — Como eu esperei por isso. Não sabe o quanto é tedioso foi ficar naquela sala apenas para ser admirada. — Sua mão estava abaixo do olho do lobo e de repente ela subiu o dedo até próximo sobrancelha.
Algo molhado desceu e escorreu pelo rosto do garoto.
–Um pouco de sangue deve cair sobre mim para que assim possamos fechar o contrato. — Ela aparou algumas gotas com as mãos que absorveram toda a umidade vermelha. — Agora só falta uma coisa. — Seus olhos brilhavam como pérolas.
–Levante e ficar pronto, veremos se agora é realmente o meu portador. Espero que ganhe, pois se perder... melhor nem pensar nisso. — Uma espada apareceu na mão dela, brilhando negra e branca. Ela se postou a uma distância de mim esperando para começar.
–Não podemos lutar nesse quarto... — A voz de Valdim nem chegou a sair enquanto ele olhava ao redor. Uma grande clareira estava na sua frente assim que ele pensou em falar algo. — Como?
–Simples, você está dormindo e aqui é o mundo dos sonhos, mesmo que esse seu olhos ganhará uma cicatriz no lugar que eu o feri, pois essa parte foi verdadeira. — Seu sorriso não chegou aos olhos. A luz deles ainda estavam focados em uma luta que estava por vir.
O garoto se postou na frente da mulher, suas mãos estavam vazias. Ele mudou para a forma lobisomem para lutar contra aquela espada.
Nenhum dos dois se movia, apenas o vento passava pelo lugar. Ambos se analisavam.
Ocrin fez o primeiro movimento, uma investida veloz. O lobo desviou para o lado e usou as garras de sua mão para atacar o pescoço da vítima.
Um passo, foi tudo que ela usou para contra-atacar. Ela andou para trás prevendo a estratégia do adversário, a sua espada não ficou parada, um corte lateral seguiu o movimento. Ela parecia água, escorregadia, mas forte e veloz.
O garoto não perdeu tempo para pular para trás, o alcance e a velocidade de reação dela eram perfeitos. Ele não tinha como atacar de onde estava, mesmo que seu pelo negro o desse cobertura naquela noite, mas a lua brilhava no céu, e ela o revelava.
A garota começou a mover a espada em sequências, subia na diagonal e descia do outro lado. Um passo de cada vez, como se a espada em sua mão fizesse parte de seu corpo. Mais uma investida seguida de um arco lateral, o lobisomem mal teve tempo de esquivar, pois a cada movimento que ela fazia, um segundo já estava sendo preparado. Ela dançava, no sentido literal da palavra, com a espada enquanto o jovem era forçado a aprender a dançar em cima do palco.
Corte, esquiva, corte, esquiva. Essa sequência ocorria apenas em uma ordem. A atacante não parava um segundo.
Quando se caça um animal mais forte do que você, mas você possui uma matilha ao seu lado é fácil, mas quando se está só, deve-se atraí-lo para uma armadilha. Esse pensamento cruzou o pensamento de Valdim muitas vezes, mas onde estava o tempo para sua fuga?
E nesse exato momento ele o viu, um pequeno ataque que ele poderia usar para escapar. A estocada da mulher passou por ele que apenas escorregou e começou a correr em direção a floresta. As árvores o ajudariam a atacar, já que ela não poderia balançar aquela arma em um espaço tão pequeno, mesmo que ela tivesse espaço, lá ele teria a vantagem.
Ambos saíram correndo, ela na perseguição, ele guiando o caminho.
A floresta estava escura. No momento que ele adentrou seu alcance sua forma mudou mais uma vez. Um lobo negro estava a correr pela floresta. Ela sorriu quando percebeu o plano.
A espada brilhou e mudou de forma, adagas se formaram nas mãos da mulher. Ela teria um alcance menor, mas naquele espaço limitado, essa era sua melhor arma. E entrou na mata atrás de sua presa.
O lobo não se virou uma única vez, seu caminho parecia estar traçado. Ele apenas seguia em frente. De repente ele parou e começou a voltar em um caminho paralelo aquele que seguia, mais lentamente e atento dessa vez.
A garota seguia esperando a emboscada do lobisomem. Passos lentos de ambos os lados, silenciosos, cautelosos. Ambos esperavam o outro.
Uma massa negra atravessou a visão da mulher, ela atacou, mas suas armas não acertaram nada. Ela parou vigilante esperando o ataque, mas nada veio. Ela deu um passo.
O lobo pulou e acertou o punho esquerdo da mulher com suas mandíbulas, o pulso se quebrou e soltou do corpo e sumiu. A adaga desceu e errou seu alvo, pois o lobo já havia se afastado.
Ela agora só possuía a mão direita. Um novo sorriso apareceu em seu rosto e mais duas lâminas curtas apareceram em seus pés. Agora ela também poderia chutar com facas. Uma adaga voou na direção de um som, essa acertou um tronco e sumiu voltando para a mão de sua dona.
Um rugido de frustração pode ser ouvido, mas naquela floresta escura ela quase não enxergava e o som parecia ter vindo de muitas direções.
A perna direita foi o próximo alvo, mas assim que ela sentiu o toque das mandíbulas da fera seu braço desceu e acertou aquele feroz animal em suas costas, mesmo que tenha sido de leve, sua perna não quebrara, mas já estava inutilizável.
Se passaram minutos sem que nenhum movimento fosse feito, ambos tensos. Um enxergava, o outro não. Ambos feridos. Mas nenhum desistiria.
Um movimento no mato. Ocrin se preparou para um ataque, mas nada chegou.
A lua se moveu enquanto lutavam e agora iluminava um pouco onde ela estava. Um brilho vermelho foi visto. Olhos brilhavam rapidamente na visão da mulher.
Lâminas começaram a voar na direção dos olhos, mas nenhum parecia chegar no lugar certo. Todos encontravam trocos ou soltavam faíscas ao bater em pedras.
De repente muitos lobos apareceram ao redor dela. Todos negros e com olhos vermelhos. Todos prontos para destroçar aquela invasora.
–Será que você pensa que algo desse nível vai me enganar? — Ela falou para todos os lobos presentes. Um sorriso de escarnio estava estampado no seu rosto. Todos atacaram ao mesmo tempo, ela se concentrou naquele que parecia ser o líder, mas ela teve uma surpresa, todos as feras eram reais, bom, de certo modo.
6 eram partes de um único lobo, outros eram ilusões, mas quem disse que ela esperaria por isso? Os reais atacavam em meio as ilusões, ferindo o corpo dela com as garras afiadas. Os dentes encontravam lugares para morder, mesmo que não quebrassem nada, pois cada um dos reais tinha 1/6 da força do verdadeiro Valdim. A reação dela era lenta a cada golpe, novos corte apareciam em todo seu corpo. O mesmo ocorreu com as feras reais, cortes e mais cortes apareciam.
Ocrin caiu de joelhos e todas as armas sumiram.
Os lobos reais começaram a andar em círculos e do meio deles apareceu o maior enquanto eles sumiam, o grande animal estava ferido e cansado, pois esse último recurso pede grande força.
Ela levantou os olhos para o feroz lobo a sua frente. Ela não estava melhor, todo seu corpo tinha cortes e marcas de mordida. Ela não conseguia mais mover os braços e as pernas, seus tendões já tinham sido cortados pelos ferozes atacantes.
Seus olhos olharam para o grande animal mais uma vez, mas dessa vem havia algo diferente neles. Havia aceitação, ela tinha encontrado seu verdadeiro mestre. Seu corpo em frangalhos esperava o ataque da enorme besta.
Uma mordida ao redor do pescoço. E a “vida” dela se esvaiu.
–Obrigada Jovem Mestre. Eu …. me declaro sua nova serva. A lâmina de luz e sombras. A fera que nada teme. — Sua voz voltou a sair de todos os lugares. Uma luz envolveu o lobo negro e o levou para uma sala completamente branca. Um pedestal com a espada branca e preta encravada era tudo que o lugar possuía. — Ande até a espada. Mude para sua forma humana, pegue o punho dessa lâmina e diga seu nome. Se quiser pode escolher um novo. — A mulher apareceu novamente em frente ao animal. Mas todo seu corpo parecia névoa.
Aproximando-se do pedestal o lobo foi mudando lentamente para a forma humana. Um garoto de cabelos negros e olhos vermelhos se postou diante de uma espada de cristal.
–Eu, Valdim Wolfran, proclamo essa espada de luz e sombras. Pois derrotei seu guardião e ganhei a confiança de ser seu portador. Eu te renomeio. Seu novo nome é Lumir. — As frases pareciam ser ditadas por aquela forma, mas a cada palavra sua forma tremeluzia e desaparecia, quando o nome foi proferido o jovem pegou a espada de cristal e a retirou do seu descanso, todas as feridas se curaram, exceto a ferida em seu olho esquerdo, que já estava se curando, mesmo que demorasse mais.
–Obrigada. Agora quando precisar de mim, me chame pelo meu nome. Eu estarei lá. — E a espada desapareceu enquanto me envolvia em sua luz.
O garoto acordou rapidamente e levou a mão ao seu olho esquerdo, havia sangue, mas sua visão não fora prejudicada.
Ele se levantou e foi limpar a ferida, que foi limpa rapidamente. Enfaixou o olho para que o sangue parasse de sair, e foi voltar a dormir.
Ao deitar na cama, um pequeno brinco de cristal brilhou ao lado de seu travesseiro. A pedra era preta e branca, separadas de um lado ao outro. A decisão surgiu em sua mente sem nenhuma dúvida, ele colocaria o brinco na orelha direita. E com esse pensamento em mente, ele voltou a dormir.
Não muito longe daquele quarto. Uma pessoa tinha um sonho parecido.
A lua prateada estava no céu. Uma garota estava sentada em uma cadeira de balanço. Um jovem alto e forte segurava um arco de caça apontado para ela.
Um disparo, um erro. A garota se tornara uma linda raposa prateada. Ela agora disparava em meio as árvores.
–Mestra... Sobreviva a essa caçada. Tens 1 hora. Se continuar viva... Talvez seja digna de me controlar.- Essas foram as palavras do arqueiro.
Ela tentava se esconder, mas ele sempre parecia saber onde ela se encontrava. Adagas apareciam no solo. Era a arma preferida da garota. Mas ela não ligava. Sua vida era mais importante.
Subiu numa árvore e começou a pular de galho em galho enquanto assumia a forma híbrida. Uma garota-raposa. Seu corpo veloz e esguio, seus sentidos apurados. Um longo e belo cabelo prata descia pela suas costas. Um brilho. Um pulo para outra direção e a flecha zunia no espaço que ela iria pular.
Já haviam decorridos 40 minutos da caçada e nenhum dos dois parecia pronto a desistir.
Ele trazia seu arco. O homem era alto, e seu corpo possuía duas cores que se espiralavam em si. O prata e o dourado giravam em torno do homem. O Arco o mantinha armado. Já a garota... Suas armas eram suas garras, suas presas, sua velocidade e sua inteligência.
Aos 45 minutos de caçada ela já havia parado. Haviam várias armas ao seu redor. O lugar parecia o ponto certo dela. Adagas, espadas, floretes, arcos, tridentes, etc. Tudo estava ali.
Sua forma híbrida podia brilhar quando a luz a atingia, mas na escuridão, quase nada a veria. Ela fez como seu oponente e pegou um arco. Pois não havia regra de não poder ferir o caçador, havia apenas a regra de não ser pega.
Um novo esconderijo ela encontrou, no alto de uma árvore atrás de grandes folhas onde a luz da lua não atingia, o arco já quase pronto.
O homem apareceu próximo ao local que ela estava. Sem o menor ruído ela puxou a corda de seu arco e quando este atingiu o ponto certo, ela o soltou. O som vibrou no ar. A flecha atingiu o pé do homem que havia desviado de um tiro incerto.
O grito dele foi alto. E ela rapidamente voltou a procurar um novo esconderijo. E logo o encontrou. Seu lugar era perfeito para alguns tiros. Mas agora o homem dourado-prateado sabia que ela estava armada, e agora ele ficaria mais precavido, sem contar que agora ele também estava ferido, mesmo não sendo fatal, o ferimento o atrasaria.
A pele dele também brilhava quando a luz caia sobre ela. Em um momento a mulher viu o brilho e quase atirou uma das flechas, mas não o fez. Na escuridão, os olhos de um animal poderiam enganar. O tempo estava se esgotando. Ele parecia estar pronto para acabar com a caçada.
Ele apareceu abaixo dela. O olhar dele examinava a árvore atentamente, mas não tinha certeza do lugar em que ela estava.
“Ele não fez nenhum som, mesmo estando ferido.” Este pensamento atravessou a mente dela. Apenas mais um tiro... mas vendo como ele tinha reagido antes ela estava receosa de mostrar onde estava se escondendo. Ele começou a se afastar. Mas olhava para todos os lados a procura do animal. Ela continuava escondida.
Uma flecha passou ao lado da garota. Ela já tinha sido localizada. De repete o arco mudou de forma e se tornou uma besta automática. Ele já estava pensando em acabar com tudo. Ela voltou a ser uma raposa completa e começou a se esgueirar por buracos pequenos. Mais e mais flechas passavam ao seu lado, mas nenhuma chegou a acertá-la completamente.
Uma flecha passou sua pata e ela parou esperando a morte... mas ela não chegou. A flecha da pata estava parada no ar antes de atingir o alvo.
–Se passaram uma hora. E ainda conseguiu me ferir, mesmo que eu deixasse algumas armas para a senhorita, nunca achei que ia utilizar uma após tanto tempo. A senhorita me surpreendeu e eu a reconheço como minha mestra. Diga o código que vier em sua mente, tudo já está no lugar, apenas o recite.- O Homem, que se chama Safir foi caminhando na direção da raposa e pegou a flecha que estava parada no ar. Ele se sentou no chão enquanto espera as palavras.
A forma humana da raposa se revelou, um longo vestido verde escondia o corpo dela. Sua forma era esbelta. Seu corpo estava bem treinado, mesmo que ele não demonstrasse isso.
–Em meu nome %$#&¨$&*&%¨. Proclamo a posse da pedra Safir. Hoje venci o desafio proposto pelo guardião e ele me reconheceu como sua Mestra. Desse dia em diante, eu te renomeio, Gran'Ord esse será seu nome!- A garota-raposa recitou o que veio em sua mente, e no mesmo momento o homem que estava sentando na sua frente se ajoelhou perante seu corpo.
–Assim como desejar, Mestra.- Gran'Ord desapareceu enquanto estava ajoelhado.
A garota acordou em sua cama. Um belo anel estava ao seu lado quando ela acordou. A cor da pedra lembrava ouro e prata, mas pelo instinto ela sabia que não era ouro e prata, era uma pedra onde ambas as cores espiralavam em um eixo.
Ela colocou o anel no dedo após um banho e voltou a dormir. Seus lindos cabelos ainda estavam úmidos quando ela se deitou. E seu ultimo pensamento foi que ela precisava seca-lo completamente antes de dormir...
Ele esteve acordado a noite toda fazendo novos experimentos com a pedra, mas nada parecia funcionar.
Ela tinha uma leitura de energia alta, então ela poderia ser usada como combustível para suas invenções, mas ele não conseguia descobrir como a transferir.
Ele já havia tentado quebrar pequenas partes de sua estrutura, mas nada parecia funcionar. A pedra era mais dura do que diamante, mas mesmo assim sua cor era belíssima, Lifer continuava do mesmo modo, não importava o que ele fizesse com ela.
O chão fora o primeiro lugar que ela fora parar, mas nada aconteceu, mesmo quando ele jogou com toda a força.
O segundo objeto fora um machado... a sua lâmina não fez nenhum estrago na superfície da pedra. Outros objetos foram usados, mas o mesmo resultado era obtido.
Derreter a pedra também não parecia funcionar, a estourar... muito menos.
A noite corria e ele tentava encontrar a solução de como utilizar a energia produzida pela maçã.
Mas tudo parecia errado, luzes, campos magnéticos, ondas sonoras... tudo parecia errado...
–E se eu usasse um sugador de magia... Não isso provavelmente não vai dar certo... Mas pera ai... ele não disse que as pedras tinham sumido? Como isso aconteceu?- Carrien parecia cada vez mas concentrado em sua pesquisa. Sua cabeça balançava de um lado para outro.
A cadeira se arrastou quando Crash se levantou abruptamente do seu lugar
–É isso! A pedra não gera nenhum tipo de campo ótico, magnético ou sonoro, ela produz um campos mágico. Já que nenhum aparelho que inventei anteriormente funcionou... Se bem que me lembro deles funcionarem certo... Mas para isso precisarei de mais dados.. ainda tenho pouco conhecimento na área e preciso de uma nova cobaia... Será que el... — Nesse ponto seus murmúrios começaram a ficar completamente inaudíveis.
E quando este se sentou novamente... Ele havia dormido enquanto sussurrava o que poderia fazer quando acordasse no dia seguinte.
Mas será que o sol realmente esperaria esta pessoa dormir um pouco?
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