O Portal
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Elizia abriu os olhos com dificuldade sua cabeça e corpo doíam, ela se levantou tentando se lembrar de onde estava, olhou em volta todos estavam desacordados e vagamente lembrando-se que caíram, foi até Key e apoiou a mão em suas costas.
– Key. Key — ela o balançou — acorde Key – suspirou — droga Key! levanta de uma vez!
Key levantou assustado e ao fazer isso derrubou Elizia.
– ai!
Ele a focalizou.
– me desculpa Elizia, alias foi você que me assustou?
– acho que sim, eu só te acordei.
– então mereceu.
– engraçadinho.
– onde estamos?
– pensei que você soubesse, nós caímos e não me lembro de nada.
– não faço idéia e os outros?
– também estão desmaiados.
– estão todos bem?
– não sei, vamos ver.
Ela se levantou, eles foram ver e acordar um por um quando todos estavam conscientes foram ver o lugar e se depararam com a coisa mais impressionante de toda viagem.
– finalmente! — o capitão estava eufórico — a fonte! Encontramos a eternidade!
Diante dos olhos de todos os presentes havia uma passarela e no centro a fonte da eternidade suspensa por pilastras ligadas ao teto flutuando sobre uma imensidão negra. Era a visão mais magnífica já vista, a água encantada caia como estrelas que brilham no céu, leve e calma.
– vamos!
Ordenou o capitão e todos os tripulantes correram para a fonte menos Key, Elizia e Jonathan, que estava escondido, mas antes que alguém chegasse à fonte Jonathan gritou e o lugar começou a tremer todos voltaram à atenção para ele e diante de seus olhos viram a visão mais sinistra de todas as suas vidas.
Os músculos de Jonathan dobraram de tamanho, um calor infernal jorrava de seu corpo como uma onda, seu rosto se desfigurou em uma criatura horrenda enquanto seus olhos escureciam e seus dentes afiaram-se e as unhas cresciam absurdamente.
– o que esta acontecendo com ele?!
Perguntou Jack assustado, Carlo respondeu do mesmo modo.
– não sei, tem algo errado.
O capitão foi até Key e Elizia que estavam mais perto de Jonathan, lutando contra o vento quente e forte. Elizia encostou-se a Key enquanto seu cabelo chicoteava para trás violentamente, o capitão parou ao lado dela colocando a mão em seu ombro.
– o que esta acontecendo com ele?!
– não sei capitão foi muito de repente!
De repente o vento parou e Jonathan sorriu olhando fixamente para Key de modo sombrio, ele começou a gargalhar. Ninguém conseguia entender o que estava acontecendo até que ele parou e ainda sorrindo disse com uma voz desconhecida, demoníaca.
– eu avisei garoto! Disse que te mataria e vivi todo esse tempo me alimentando do ódio que sentia por você! Agora é a sua hora! Jamais vai me vencer!
Todos estavam atônitos, Elizia olhou assustada para Key e ele encarou Jonathan de modo frio era impossível saber o que se passava em sua mente.
– você mudou desgraçado! — gritou Key indiferente — diga o que você fez!
– quer mesmo saber? Talvez a verdade mostre o verdadeiro covarde que é você! Vou contar… vendi minha alma!
– ah então foi isso o diabo te trouxe de volta?
– não, me trouxe o que mais quero… minha vingança!
– o que te faz pensar… — deu alguns passos ficando a apenas três metros de Jonathan — que vai me vencer?
– isso.
Em uma fração de segundo Jonathan disparou com uma velocidade inimaginável e investiu com força sobrenatural contra Key jogando-o contra a parede e ele caiu, Jonathan começou a rir histericamente de modo psicótico depois de um grito de pavor curto de Elizia. O capitão se pronunciou enquanto Key se levantou com dificuldade.
– o que deu em você?! Vender a alma para o diabo! Pare já com essa historia ridícula de vingança!
– cale a boca seu velho decrépito!
Jonathan deu um soco no capitão que caiu desacordado os outros foram ajudá-lo enquanto Jonathan se dirigiu a Key que estava de pé tremendo por causa da dor.
– eu disse que te mataria seu moleque — ele pegou Key pelo cabelo e o suspendeu — é isso que vou fazer!
– não agora.
Key ergueu as pernas e com toda a força deu um chute no peito de Jonathan que não estando preparado recuou e o soltou, ele caiu. Jonathan voltou a dar aquela risada psicótica.
– ainda quer me enfrentar moleque?! Então vamos ver o que pode fazer!
Jonathan avançou rápido e Key se defendeu do ataque contra atacando com um soco. A luta era violenta e ambos estavam machucados, porem Jonathan não sentia dor, seu corpo estava seriamente machucado, mas ele não sentia nada ao contrario de Key que custava a se levantar sentindo seu corpo se corroer de dor. Ambos sangravam, mas continuavam a lutar mesmo com a dor e o cansaço. Elizia estava paralisada de medo vendo a luta seguir e sabendo que se não fizesse algo Key morreria pelos golpes ou pelos ferimentos. “se mexa”, pensou ela “ele precisa de ajuda”, seu corpo não se moveu “o que vou fazer?”, “Jonathan esta possuído, eu não sei como parar essa luta”, “pense pelo amor de Deus, pense”, ela olhou para os lados procurando um modo de ajudar seus olhos pararam em uma tocha “é isso! Só preciso de uma distração.”. Elizia foi até os outros, o capitão acabou de recobrar a consciência.
– por favor — pediu eufórica — me dêem todas as pistolas carregadas e três bombas.
– pra que? — o capitão ainda estava meio atordoado — o que pensa em fazer?
– senhor, eu tenho uma idéia, não sei se vai funcionar, mas preciso tentar. Key precisa disso.
– dêem a ela.
Ordenou o capitão, os outros obedeceram.
Elizia pegou dez pistolas e três bombas, era só o que podia carregar, prendeu no cinto e na roupa em geral e antes de correr de volta para a luta agradeceu cordialmente a todos. Ela correu o mais rápido que podia, seu plano foi um improviso, mas teria de servir.
Jonathan tinha acabado de dar um chute na boca do estomago de Key, que foi jogado na parede, e andava lentamente até ele gostando muito de tudo aquilo. Elizia não suportou continuar vendo aquilo.
– ei! Seu dinossauro retardado! — gritou, Jonathan se virou para encará-la enquanto ela correu em sua direção — por que não come isso aqui!
Elizia começou a atirar, perfurando Jonathan em todo o corpo inclusive dilacerando órgãos vitais. Ele apenas tremia, porem continuava de pé, contudo ficou muito desorientado. Era o momento perfeito, Elizia acendeu a primeira bomba e tacou, a explosão afastou Jonathan de todos e ele sumiu nas chamas. Elizia ofegou descontrolada, mas confiante de que tudo acabou, correu até Key e agachou.
– Key, como esta?
Key tremeu sentindo muita dor, sua voz saiu entrecortada.
– não acho que essa seja a pergunta certa.
Elizia sorriu.
– tem razão, você está péssimo, mas vai ficar tudo bem.
– acabou?
– acho que si…
Os olhos de Elizia se arregalaram fazendo-a interromper sua própria fala, das chamas uma coisa desfigurada e monstruosa, toda queimada veio em sua direção. Jonathan.
Ele não morreu ainda, mas estava debilitado, lento. O ódio o controlava, ele estava indo na direção de Elizia e isso era evidente, ele ia matá-la.
Ela se levantou com o olhar fixo naquele monstro, apavorada. Key também mateve o olhar fixo nele, mas sério e calculista. Jonathan começou a rir.
– não funcionou menina, agora vai ter o mesmo fim que seu namoradinho infeliz!
Ele começou a correr na direção dela.
– droga!
Balbuciou Elizia e acendeu a segunda bomba a lançando como a primeira, mas dessa vez Jonathan a desviou. Elizia não estava preparada para isso ao ver a bomba explodir atrás de Jonathan não teve reação, ele se preparou para acertá-la e quando isso ia acontecer Key entrou na frente recebendo o golpe e caindo violentamente.
– Key!
Ela tentou correr até ele, mas antes que conseguisse Jonathan a segurou com aquela mão degenerada.
– não, tenho contas a acertar com você, tentou me explodir duas vezes e isso não é legal.
– me solta!
– não — ele a puxou para si com mais força — já disse que tenho um assunto a tratar com você.
– me solta! — de repente voltou à mente dela a lembrança do homem que tentou abusar de seu corpo e isso a enfureceu, ela libertou o braço — não me toque!
– ah, então a gatinha selvagem decidiu se rebelar. Tudo bem. Vamos brincar. Vou ser legal — ele a imobilizou — sua morte vai ser rápida, afinal não é quem quero atingir de verdade, é ele — ele forçou Elizia a olhar para Key que tentava se levantar — ei garoto! — Key o olhou — o quanto dói?
Neste momento Jonathan levantou Elizia na horizontal acima de sua cabeça, pelo pescoço e a coxa para que ele visse o que viria a seguir.
– não!
Gritou Key, Jonathan sorriu.
– vou tirar de você o que é mais importante assim como fez comigo!
E quando estava prestes a quebrar a coluna de Elizia ela diz:
– não antes do aperitivo!
Ela acendeu a ultima bomba e enfiou na boca de Jonathan, que a soltou deixando que caísse para tirar a bomba da boca, tarde demais. A bomba explodiu e a explosão jogou Elizia contra a parede, ela caiu.
– não!
Key se levantou num surto de adrenalina, em meio a destroços da explosão que voavam, ele correu até Elizia. Ela estava caída, o rosto apoiado no chão, ele se sentou e a levantou, deitando-a em seu colo.
Elizia não conseguia sentir o corpo direito, mas agradeceu por sentir o calor de Key ao abraçá-la, ele afastou o cabelo de seu rosto, ela não conseguia respirar direito, mas ainda assim sorriu. Key pretendia falar algo, mas antes que ele dissesse alguma coisa uma dor aguda atingiu seu ombro e começou a sangrar, ele olhou para o ferimento, uma estaca atravessou-o e ao fixar o lugar de onde veio à estaca, seus olhos não acreditaram no que viram. Jonathan ainda estava vivo e ainda queria lutar mesmo que estivesse sem um braço e sem a maior parte da pele do corpo, ele veio na direção de Key e Elizia.
– merda!-Key tirou a estaca do ombro e colocou a mão no ferimento — ele ainda não morreu — Elizia gemeu, ele a olhou ternamente — vai ficar tudo bem.
Ela fez um gesto para que ele se calasse e sussurrou com dificuldade.
– vá… e acabe… com… aquele desgraçado…
– não vou te deixar.
– isso… é… um pedido. Faça… já que… eu… não… faço… muito… isso.
As últimas palavras foram quase inaudíveis, ele suspirou.
– vai me esperar e lutar por sua vida?
Ela assentiu, ele a colocou cuidadosamente no chão deitada e pegou a estaca. Agora o ódio pelo que Jonathan fez a Elizia possuiu Key, ele estava irreconhecível e avançou para se vingar e matar.
Elizia tombou a cabeça para ver, a luta continuou com vantagem desta vez para Key, ela custava a manter a respiração, sentiu pessoas ao seu redor, todos estavam lá. Ela sorriu e enquanto via a luta, sentiu-se puxada por uma onda que a levava para algum lugar tranqüilo, mas sem Key e isso ela não permitiria, lutaria até o fim para não deixá-lo, não conseguia mais viver sem ele. Aos poucos mesmo lutando a inconsciência tomou conta de sua mente e a escuridão a absorveu, no mesmo momento em que seu coração deu sua ultima batida desesperada.
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