O Portal
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Elizia acordou assustada ao sentir Key se mexer.
– temos que continuar, temos pouco tempo.
Disse o capitão assim que Elizia conseguiu focá-lo. Eles se levantaram e começaram a andar pelo escuro como da ultima vez, Key ainda liderava e por algum motivo ninguém fazia o menor ruído. Key parou seguido pelo restante.
– aqui tem uma câmara- disse pensativo- o espaço é maior.
Ele andou um pouco mais e parou. Os outros fizeram o mesmo e quando iam ultrapassá-lo, ele estendeu a mão.
– parem — ele estava sério — isso é um precipício — ele olhou o buraco pouco visível enquanto os outros ficavam de seu lado, Elizia a sua direita e o capitão à esquerda — ele é bem fundo, não sei se passaremos.
– como assim? — o capitão falou indignado — viemos até aqui pra nada?
– desculpe capitão, não posso fazer nada. É um buraco sem fundo, ou no mínimo muito fundo.
– como tem tanta certeza.
Key suspirou e abaixou pegando uma pedra e jogando na vala, todos fizeram silencio absoluto enquanto pararam para ouvir a pedra bater nas paredes do abismo até o som sumir sem um baque forte de quando se bate no chão.
– viu? – disse ele — não tem fundo.
– o que vamos fazer?
– capitão! — chamou Frederico, um tripulante louco por aventuras — veja senhor, é uma ponte.
Todos, à medida do possível, foram ver. O capitão passou por entre a tripulação e foi até Frederico e olhou, ele dizia a verdade um tipo de ponte de pedra conectava o lado em que estavam com o outro lado.
– ótimo! — o capitão se animou — essa é nossa passagem! Garoto o que acha?
Key estava quieto e foi até o capitão e observou minuciosamente a ponte de pedra.
– talvez de para passar, mas isso deve estar ai há anos é difícil saber se sustentaria o nosso peso.
– se não fizermos movimentos bruscos, passamos.
– é, mas se pelo menos tivéssemos idéia da espessura…
Key saiu de seus devaneios ao escutar o barulho de pedras rolando, ao se virar viu Elizia descendo pela parede do precipício.
– o que esta fazendo?! — ele foi até ela, nervoso — enlouqueceu?!
– relaxa, vou ver a espessura.
– tem noção da altura?
– não vou cair…
Ela pisou em falso e escorregou, ele a segurou pelo pulso.
– to vendo — ele a puxou, ela se segurou estabilizando-se — vou te tirar daí.
– não — ela livrou o pulso — posso ajudar e vou.
– não vai mudar de idéia, né?
Ela o encarou, séria. Ele suspirou.
– tragam uma corda — gritou para a tripulação, segundos depois colocaram uma corda nas mãos de Key — tudo bem, mas vai amarrada.
– certo.
Elizia voltou a subir e ao ficar de pé Key passou a corda por sua cintura e dá um nó apertado.
– ai — ela puxou a corda — não quer que eu respire?
– vai sobreviver, principalmente com isso.
Elizia revirou os olhos e voltou a descer enquanto os outros seguravam a corda, ela escalou a parede até perto da ponte e parou olhando-a então voltou e subiu enquanto se levantava disse:
– dá pra passar — alguém a apoiou pra ajudá-la a levantar, já de pé continuou — obrigada. Como eu ia dizendo… dá pra passar se fomos cautelosos, deve ter mais ou menos uns quarenta centímetros de espessura.
– certeza? Perguntou Key.
– não cem por cento, mas dá pra passar disso tenho certeza.
– ótimo — interrompeu o capitão — vamos. Garoto pode guiar?
Key assentiu e foi ate a o inicio da ponte.
– pisem onde eu pisar. Recomendou.
Elizia desamarrou a corda de si a enrolou e pôs no ombro enquanto os outros passavam lentamente pela ponte, pequenas lascas se desprendiam e caiam fazendo a ponte produzir um estranho som, mas sem danos grandes para causar acidentes. Ela foi até a ponte e quando ia passar Jonathan a empurrou e passou na frente sorrindo maldosamente enquanto ela recuperava o equilíbrio e o encarava sombria.
Todos já haviam chegado do outro lado e Elizia era ultima, ela foi outra vez a ponte e ao colocar o pé sobre ela Elizia paralisou. Um barulho como um rangido soou alto, ela engoliu em seco, mas começou a andar, a ponte rangeu mais alto e cedeu. Elizia olhou para trás e viu a ponte caindo e começou a correr. Todos olharam em direção a ponte que caia e ficaram aterrorizados com a imagem.
– menina! — o capitão estava nervoso — Vem logo!
Elizia correu o mais rápido que pode e quando faltava apenas um metro pra chegar ao outro lado, não existia mais ponte sob seus pés. Ela começou a cair gritando desesperada depois de lançar o corpo para frente.
Contudo Elizia sentiu algo segurar seu pulso, ela abriu os olhos e viu o capitão.
– te peguei. Vamos idiotas me ajudem a puxá-la!
Os outros ajudaram a puxar Elizia para cima e quando ela estava em segurança. O capitão perguntou:
– tudo bem?
Ela assentiu. Eles recomeçam a andar pelo túnel escuro.
Key andou para o lado de Elizia.
– como você esta? Sussurrou.
– vou ficar bem.
– você me assustou sabia? Quase pulei naquele buraco.
– não precisa de tanto — ela sorriu — mas é bom saber que se preocupa assim comigo.
– sempre.
Ele pegou a mão dela. Ela retirou a mão e acariciou-lhe o rosto. Eles ficaram acompanhando o grupo no final enquanto o capitão guiava, não disseram mais nada.
– x -
E depois de um tempo começaram a ver uma luz fraca. Era outra câmara e os outros estavam lá à espera deles.
– menina — disse o capitão ao vê-la entrar — espero que não esteja machucada.
–não se preocupe, vou ficar bem.
– não estava preocupado, só queria saber.
– sei…
Key entrou e o capitão continuou.
– garoto você errou, não há nada aqui nem parece que estamos no lugar certo.
–hum, voltar não dá mesmo — interrompeu Elizia — não estamos no lugar certo?
Neste momento tochas acenderam magicamente ao redor dos piratas, todos olharam abismados.
Key comentou.
– acho que estamos, mas é só um palpite.
Ela riu e o capitão a olhou espantado.
– como fez isso menina?
– o que?
– as tochas.
– eu não fiz nada. Mas acredito que isso é um bom sinal.
– então estamos no caminho certo?
– pelo visto sim.
– e agora…
– lemos outra vez o papelzinho estragado — Elizia pegou o papel que agora estava mais amassado -
Bom… onde… ah! Aqui. “quando não existir mais fé no meio da escuridão procure a Deusa do Perdão, se ela lhes mostrar sua mão encontraram a salvação”.
– é só isso Elizia? Perguntou Key.
– não tem outra parte, mas vamos dividir fica mais fácil.
– tanto faz. O que é mesmo?… deusa do perdão?
– é.
– então temos que encontrar uma deusa? — interveio o capitão — mais que raios é isso?
– ah sei lá capitão algo parecido com uma deusa misericordiosa.
– certo. Vocês procurem já!
Foi o que fizeram todos começaram a olhar a caverna procurando por uma deusa até que Jack gritou:
– ei! Encontrei algo!
Os outros foram até ele.
– o que foi?- Elizia estava alegre- diz o que achou.
Ele apontou para uma pedra em um formato diferenciado.
– não me parece uma deusa Jack.
– não sei se encontrei a deusa, mas tem algo entre essas pedras.
– hum… dá pra alguém puxar?
Dois piratas fortes ficaram um de cada lado da placa de pedra e começaram a virar, os olhos de Elizia brilharam.
– encontramos! E é linda.
Todos estavam surpresos. A deusa estava entalhada na pedra, uma mulher de expressão suave parecia dormir tranquilamente com um vestido longo e leve pelo formato, seu cabelo liso cobria uma parte de suas mãos depositadas sobre o peito.
– nossa — disse Jack maravilhado — é maravilhosa.
– com toda razão — disse o capitão pensativo — mas já vi esse rosto em algum lugar…
Todos olharam para Elizia.
–que foi?
– eu sabia! Menina a deusa parece com você.
– sério?- ela observou a escultura — não acho.
– parece.
Todos concordaram.
– tá bom. Se estão dizendo… mas e as mãos?
– estão sobre o peito — disse Key — mas não parecem nos mostrar uma direção.
– é e a pedra não tem entradas ou coisas do tipo.
– “se ela mostra lhes a mão encontraram a salvação”, será que temos que procurar outra mão?
– talvez…
Elizia começou a olhar em volta e os outros fizeram o mesmo. Até que ela achou o que procurava. Ela sorriu.
– nem tudo é o que parece.
– o que? Perguntou o capitão.
– achei a mão — ela apontou para uma tocha — ali.
Todos olharam.
–menina é uma tocha.
– eu sei, mas observe com atenção as pedras e as tochas.
O capitão analisou o que ela disse e prestando atenção ele pode ver uma mão, a tocha era o indicador enquanto as pedras atrás formavam a mão e a sombra das tochas isso ficava mais visível.
– incrível, mas ainda não vejo saída.
Carlo foi até a tocha para observar de perto e a tocou, quando sua mão encostou-se à tocha ela caiu.
– desculpa — disse surpreso — não foi minha intenção.
– idiota! — bradou o capitão — e agora o que fazemos?!
– desculpe senhor- ele se ajoelhou — peço mil perdões.
– eu deveria te matar agora, isso foi um erro fatal!
Elizia abriu a boca para interferir, mas Key a deteve sussurrando.
– olhe.
De repente tudo começou a tremer. E diante dos olhos de todos, uma rachadura enorme abriu na parede onde estava a tocha mostrando a saída.
O capitão abriu um largo sorriso e abraçou Carlo.
– bom homem! Achou a saída!
Carlo respondeu encabulado.
– obrigado senhor…
O capitão o soltou.
– vamos deve ser do outro lado que encontramos a fonte!
– é… senhor…
Elizia chamou-o, receosa.
– o que foi menina?
–Tem outra parte do enigma.
– que parte?
– “mas cuidado o caminho é perigoso e abaixo de seus pés há um abismo ardiloso”
Ele começou a gargalhar.
– não se preocupe menina já passamos pelo abismo, lá atrás onde você quase caiu.
– eu sei, mas ainda acho que não acabou.
– o que quer dizer?
– que…
E antes que ela se explicasse a câmara começou a tremer novamente desta vez mais violentamente e sob seus pés um buraco gigante se abriu e eles não tiveram escapatória. Todos caíram temendo de imediato a morte.
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