O Portal

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Boa Leitura!

Elizia demorou a abrir os olhos estava se sentindo zonza e não queria levantar ou se mover, mas se forçou depois de um tempo, a abrir os olhos. Quando sua visão ficou nítida, ficou confusa, estava em um quarto que conhecia, no entanto, não se lembrava de onde. Algo chamou sua atenção, ela se apoiou nos cotovelos e ficou observando a parede de vidro mexendo a cabeça de um lado para outro tentando lembrar, “uma parede de vidro… com vista para a floresta…”, pensou e finalmente lembrou.

– a casa de Kaylan!

Sentou-se abruptamente e olhou furtivamente para os lados e para si.

– eu não devia estar com um vestido? — dizia a si mesma enquanto se olhava no reflexo da janela — porque estou de regata e jeans?

De repente a porta começou a abrir, ela instintivamente olhou na direção da porta.

Uma senhora de aparentemente uns sessenta e poucos anos entrou sorrindo.

– oh! Finalmente a senhorita acordou — a voz da senhora era doce, ela virou olhando para o corredor — senhor! A menina esta acordada!

A mulher gritou e voltou a olhar Elizia que a observava confusa enquanto a mulher apenas sorria. Elizia escutou passos e enquanto ninguém aparecia, ela analisou a mulher, ela estava vestida com roupas escuras, era baixa, com um cabelo preso num coque bem feito e seu sorriso e as rugas deixavam- a mais dócil e simpática.

– achei que tinha entrado em coma…

Uma voz conhecida tirou Elizia de seus devaneios e ao ver de quem se tratava, sorriu.

– coma? – zombou — acredite não sou pega por coisa tão fácil. Olá pra você também.

O sorriso de Kaylan aumentou de modo sarcástico.

– olá e eu posso saber o que faz aqui?

– como assim?

O sorriso desapareceu da face de Elizia.

– chego à minha casa e te encontro desmaiada na cozinha e não sei porque. Já te disseram que invasão é crime? — Elizia nada respondeu apenas ficou pensando, o sorriso dele sumiu — está tudo bem? — Ela assentiu sem nada dizer — bom, então se quiser pode tomar um banho pra se refrescar, Lusiana — ele apontou para a mulher — ela é minha… empregada e já preparou uma roupa para você que já está lá no banheiro, se quiser pode ir e fique a vontade para usar o quarto, vou descer.

Kaylan saiu do quarto e desceu ás escadas, Elizia o viu partir e nada disse e a mulher que ainda sorria finalmente se pronunciou.

– senhorita suas roupas estão no banheiro e irei sair para que fique mais a vontade. Lá, no armário, tem toalhas e sabonetes. Use o que for de seu agrado.

E assim saiu. Elizia ficou um tempo, parada, na mesma posição, vendo a porta se fechar depois se virou e foi ao banheiro, trancou a porta quando entrou.

O banheiro era esplendido e grande, branco com detalhes riquíssimos em dourado e uma banheira enorme. Elizia despiu-se e entrou na banheira já preparada com sais de banho e lá ficou pensando.

– não pode ser… — sussurrou — então aquela historia de piratas e tudo, não passou de um sonho? — ela se afundou mais na banheira olhando para o teto entalhado — Key… Kaylan… ambos são iguais e diferentes quanto a mim — uma lágrima prateada escorreu — tudo voltou a ser como era… eu fui uma tonta… acreditei que podia ser verdade…

E ela finalmente começou a chorar.

Elizia ficou mais de uma hora no banheiro tentando se controlar, quando saiu já estava vestida com uma roupa que não era sua, mas que lhe caiu muito bem, um suéter vermelho e um jeans escuro, quando chegou ao quarto, secando o cabelo, encontrou um par de tênis ao lado da cama e os vestiu, eram do seu tamanho. Ela andou sem interesse pelo quarto tocando tudo tristemente, pois sua mente ainda relembrava aquele sonho. Parou frente à cômoda e se sentou e começou a pentear o cabelo vendo o seu reflexo no espelho, o reflexo de uma desconhecida enquanto sua mente vagava. Um navio pirata, uma amiga inesquecível, um capitão divertido, uma fonte, uma ilha, flores e… beijos ardentes, esse ultimo pensamento fez com que corasse violentamente e desviasse o olhar do seu próprio reflexo.

– tenho que esquecer — ela colocou a escova que passava nos fios de seu cabelo na cômoda — isso nunca aconteceu, não passa de uma droga de uma fantasia.

Ela baixou a cabeça e suspirou pesarosamente ao erguê-la, no entanto, viu algo que lhe trouxe lembranças pela fresta da porta do closet. Abriu a porta e seus olhos brilharam, ali estava o vestido e a mascara do baile e também sua espada e a de Key encostadas em um canto. Ela chegou perto e passou a mão pelo vestido, era o mesmo, o mesmo que ela fizera justamente para o baile que estava até com um pouco de areia, foi até as espadas e pegou a sua e mais uma vez reconheceu marcas que só o dono podia ver. Pegou a mascara e saiu do closet levando tanto a espada quanto a mascara e os colocou sob o travesseiro e foi à porta.

Ao abri-la, a mulher a olhou e sorriu, ela estivera esperando o tempo todo.

– senhora — pediu Elizia envergonhada — pode chamar Kaylan, por favor.

A mulher assentiu e desceu, Elizia voltou a entrar no quarto e fechar a porta sentando-se na cama e esperando. Kaylan entrou minutos depois.

– o que aconteceu? — ele fechou a porta e ao encará-la percebeu que estava brava — tá tudo bem?

Elizia estava séria, sentada ereta e de braços cruzados.

– você gosta disso não?

– o que?

– gosta de me fazer sofrer! — seus olhos encheram de água — droga Kaylan! Você prometeu! Ou devo dizer Key? Quem é você?

– Elizia eu não… — agora sua voz soava cautelosa e vazia — não sei o que quer dizer, você esta confusa…

– confusa?! É só isso que consegue dizer? Não minta, eu te conheço e sei que está mentindo — ela mostrou a espada e a mascara — não foi um sonho, foi?

Kaylan suspirou e sorriu de alivio.

– muito obrigado.

Elizia ficou confusa e estática ao ver Kaylan vir até ela e se ajoelhar.

– heim?

Foi só o que conseguiu pronunciar, o sorriso de Kaylan aumentou e ele pegou as mãos dela depois de ter jogado a mascara e a espada no chão.

– muito, muito obrigado.

– pelo que?

– por ter descoberto e lembrado.

– não entendo…

Ele se levantou e se sentou ao lado dela ainda segurando suas mãos. Elizia depois do torpor soltou as mãos e as recolheu o olhando com tristeza.

– você mentiu pra mim — disse por fim — quase me fez acreditar que tudo não passava de um sonho, me tratou como antes…

– eu sei e me desculpe por isso, mas eu precisava.

– não precisava, não tinha por que.

– posso me explicar?

Pediu delicadamente, ela ficou séria e desviou o rosto.

– não tenho outra opção, então diga.

Ele deu um pequeno risinho.

– tudo bem, a causa é séria. É assim… eu não sabia o quanto você sabia, quando voltamos às vezes tudo o que aconteceu no passado fica no passado e quando se volta a ultima coisa de que se lembra é de quando começou.

Elizia parou pensativa.

– mas… — ela fechou os olhos — tá confuso demais…

– é assim… quando você veio aqui em casa e entrou no portal, nós éramos amigos e nada mais. Se você tivesse deixado tudo no passado como acontece de vez em quando à única coisa da qual se lembraria era de que éramos amigos e que você veio a minha casa me procurar.

– o que isso tem a ver?

– pense por esse lado, se eu tivesse te tratado como te tratei no ultimo mês, te abraçasse ou te beijasse e você não se lembrar de que isso já teria acontecido. Você se assustaria, fugiria e desapareceria e eu nunca mais te veria de novo — ele baixou os olhos, observando as mãos — não aguentaria isso, então decidi fingir que nada aconteceu, o que foi muito difícil. Enquanto torcia para que se lembrasse.

– pode me dar um tempo pra assimilar?

Ele assentiu, ela se levantou e foi até a janela olhando as arvores que sacolejavam com vento.

Elizia viu seu próprio reflexo no vidro e logo atrás o reflexo de Kaylan que estava triste ainda de cabeça baixa, ela se virou e sentou no chão, encostada na parede de vidro abraçando os joelhos e olhando para o chão.

– eu não teria desaparecido.

Disse por fim, Kaylan a encarou.

– o que?

Ela o olhou.

– eu não teria desaparecido. No máximo fugido.

– é quase a mesma coisa.

– não é não. Saberia onde me encontrar se eu tivesse fugido.

– e porque não desapareceria?

Ele foi até ela e ajoelhou, ficando de frente para Elizia.

– por que… — ela voltou a baixar a cabeça, mas desta vez lágrimas contidas há muito tempo começaram a cair em forma de pequenos diamantes — porque eu ainda te amaria.

Kaylan estava surpreso.

– mas… mas você não se lembraria de nada do que aconteceu dentro do portal, conseqüentemente não poderia se lembrar de que me amava.

Elizia o encarou desta vez o brilho de seus olhos estava tão intenso quanto uma verdadeira esmeralda lapidada.

– você é estúpido ou o que? Acha mesmo que só comecei a gostar de você quando te vi no passado de séculos atrás? Eu sempre gostei de você — a tristeza tomou conta de seu rosto — mas nunca tive coragem de te dizer a verdade.

Ele sorriu e se aproximou passando o polegar sobre a face de Elizia, enxugando as lágrimas que ainda caiam.

– talvez eu seja estúpido ou até retardado por nunca perceber que o amor da minha vida estava do meu lado, mas antes tarde do que nunca. Elizia você é inesquecível e você sabe disso, eu ainda te amo e isso não vai mudar. Me desculpe por ter sido tão idiota.

Ela sorriu.

– não há o que desculpa r- sussurrou enquanto tocava delicadamente o rosto de Kaylan — você tem que aprender que as pessoas que amo jamais somem da minha memória e isso inclui você.

Kaylan sorriu mais e deslizou a mão para a nuca de Elizia a puxando para si e novamente cobriu os lábios dela com os seus. Elizia deixou-se levar e o empurrou delicadamente, sem que se separassem, e deitaram no chão.

– eu ia sentir falta disso.

Disse Elizia enquanto as mãos de Kaylan brincavam com seu cabelo e ele sorriu.

– você se tornou uma droga pra mim Elizia. Mesmo que você não se lembrasse eu ia tentar te conquistar novamente.

– é... não ia ser muito difícil — ela o beijou — não há uma garota no mundo que resista ao seu charme.

– a diferença é que pra mim só existe uma garota que realmente importa.

Eles voltaram a se envolverem em um beijo caloroso e ardente. A porta se abriu e Lusiana entrou e se surpreendeu com os dois se beijando no chão do quarto.

– é… — eles se separam bruscamente e se sentam, Elizia ficou vermelha de vergonha — sei que estou atrapalhando, mas o almoço está servido.

Lusiana sorriu sem jeito. Kaylan fechou a cara e sussurrou:

– é realmente está atrapalhando.

– Kaylan!

Elizia deu um soco em seu braço.

– ai! O que foi?

– sem comentários inúteis, vamos sair logo.

Ela se levantou e saiu rápido pedindo desculpas ao passar por Lusiana sem encará-la. Kaylan se levantou confuso e encarou Lusiana que o olhava do mesmo jeito. Ele saiu do quarto seguido por Lusiana, ao chegarem à sala de jantar encontraram Elizia sentada de cabeça baixa como uma criança medrosa.

– está tudo bem? — Kaylan se sentou ao lado dela á mesa — o que aconteceu?

– nada. Sério, to bem.

– porque saiu daquele jeito — um sorriso brincou em sua face — e porque está vermelha?

– na… não é… na… da… nada.

Gaguejou. Kaylan sacudiu a cabeça se divertindo com tudo o que estava acontecendo e se dirigiu a Lusiana ao falar.

– obrigada por colocar a mesa, mas pode nos deixar a sós?

Ela assentiu sorrindo e saiu. Ele voltou a olhar Elizia.

– você ficou com vergonha de Lusiana ter nos encontrado nos beijando?

– e não era pra estar?- ela o encarou, ele sorriu — o problema não foi nós estarmos nos beijando, o problema foi como. Estávamos jogados no chão e… — ela ficou ainda mais corada ao pensar no assunto — e podíamos ter passado dos limites.

– ah… relaxa, não tem com o que se preocupar, ela já sabe de tudo.

Elizia engasgou.

– o que?! Como assim já sabe de tudo?! Tudo o que?! Nossos beijos e… Ela engoliu em seco e empalideceu.

– é e até mais.

– mais o que? — ela o fuzilou com o olhar — Kaylan o que disse a ela?

– ah você sabe… que, para dizer de modo mais ameno, que tivemos uma ótima noite um pouco antes de voltarmos…

– bebeu?! Você mentiu! Nada aconteceu — uma lembrança a fez parar um instante- Bom… Talvez... mas isso... quer dizer aquilo não devia... outros... ah! Você sabe.

Kaylan começou a rir enquanto Elizia estava furiosa.

– do que tá rindo?! Não tem nada pra rir!

– tem sim, desse seu jeito e da sua irritação- ele a encarou ainda sorrindo — você acha mesmo que eu ia falar uma coisa dessas?

Agora Elizia estava confusa.

– então… então você não disse nada?

– disse, mas não menti sobre nós termos…

– tá valeu! Não precisa dizer eu já entendi. Você me enganou e eu caí feito um patinho.

– é. Queria ver como reagiria e acredite foi demais.

– ah, então me deixar nervosa é legal?

– também. Mas a culpa foi sua, é sempre tão observadora e caiu no truque mais antigo da historia.

– muito obrigada por me chamar de idiota.

– eu não disse isso e acredite você fica muito bem irritada.

– ha! Isso não foi nada legal.

– desculpa, sério, é que achei interessante ver até onde você iria. Mas sério porque ficou tão irritada?

– não gosto que fiquem dizendo esse tipo de coisa pra todo mundo.

Kaylan ficou sério.

– então tem vergonha de ter qualquer relação comigo?

Ela o encarou, confusa.

– não é claro que não. É só que eu acho que é uma coisa muito intima pra ficar espalhando.

– beijar não é coisa intima e você sabe.

– beijar não, mas outras coisas sim e eu pensei que tinha dito isso.

– foi essa a minha intenção e você está certa quanto a essa parte, mas isso não explica porque saiu tão constrangida do quarto quando fomos pegos em fragrante.

– e você ainda pergunta? Não foi a questão dos beijos, mas o fragrante. Eu me senti uma criminosa e por isso fiquei envergonhada. Sei que vai achar idiota, mas Kaylan acredite não é sempre que eu sou pega por estar jogada no chão aos beijos com alguém.

Ele riu.

–então foi isso? Se sentiu envergonhada por estar namorando?

– mais ou menos e eu disse que era idiota, mas de vez em quando vêm umas coisas assim na minha cabeça.

Kaylan a puxou pra mais perto.

– então vamos ver até onde sua mente pode ir.

Ela colocou a mão em seu peito impedindo-o.

– por favor, não. Viemos aqui para comer e se você começar a me tocar não vou me controlar — ela sorriu — é sério, não posso fazer isso, alem do mais eu estou com fome e se eu começar a te beijar, vou me esquecer disso.

Ele se afastou.

– é tem toda razão, mas você não vai escapar por muito tempo, não quero ter que ficar em abstinência.

Elizia sorriu.

– nem eu.

Eles riram e começaram a comer, conversando de coisas sem sentido para passar o tempo.

Notas finais
Desculpem a demora! [foge de pedras] É sério gente, a semana foi bem conturbada! Mas não pretendo fazer isso de novo. Tenham paciência ^^ Espero que tenham gostado. Até o próximo!