O Portal

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Boa Leitura!

Elizia abriu os olhos e sua visão estava embaçada, esfregou as mãos nos olhos e aos poucos sua visão foi voltando ao normal, ela sorriu. Key estava olhando-a e foi à primeira coisa que ela viu.

–oi.

Disse ele sorrindo. Ela respondeu do mesmo modo.

– oi.

– como se sente?

– um pouco dolorida, mas nada demais — Elizia se sentou e olhou em volta, estava no navio — posso estar enganada, mas estamos navegando? Pelo que me lembro... Nós deveríamos estar numa caverna, não?

– sim, mas conseguimos sair.

– não me lembro disso.

– tudo bem, não tem importância.

Elizia tentou levantar e se desequilibrou, mas antes que caísse Key a segurou.

– valeu.

– cuidado, esta fraca, fique deitada.

– não quero, nunca me senti tão disposta, alias por que eu desmaiei? Foi tão estranho.

– o que foi estranho?

– ah, sei lá. Lembro-me de ter corrido até um monstro, Jonathan, ele estava horrível e tinha te machucado, fui ajudar, mas saiu do meu controle e ele quase me matou e aí eu consegui escapar, não lembro como. Depois me senti fraca e falei com você, alias você parecia estar desesperado, ai eu olhei você lutando e começou a escurecer e alguma coisa me puxou para o escuro e não me lembro de mais nada.

– é complicado, não pense nisso agora. Antes temos que sair daqui até o por do sol senão estaremos presos para sempre.

– então vamos.

– não é tão fácil.

Eles saíram para o convés onde todos já estavam trabalhando e subiram para o timão, o tripulante que lá estava conduzindo ao ver Key passou de imediato o timão para ele, que agradeceu, o tripulante desceu.

– uau — ela estava impressionada — o que aconteceu enquanto eu estava dormindo? Quanto respeito.

– muita coisa, mas é melhor você saber quando sairmos.

– mas…

– por favor, Lise.

– tudo bem.

Key continuava a conduzir o navio sem ter certeza aonde ir, Elizia sentou-se à mesa e começou a olhar o mapa e a virá-lo.

– Key. Posso fazer uma pergunta?

– sim, desde que não seja sobre o que aconteceu por enquanto.

– não é. Será que vamos conseguir voltar?

– até o por do sol eu vou encontrar a saída.

– não é isso, quero saber se vamos conseguir voltar para casa, sabe, século XXI.

– nós temos tempo, vamos conseguir.

– que bom.

– tem alguma coisa te preocupando?

– depois falamos sobre isso, é melhor.

– como quiser.

Elizia olhava o mapa e estava desinteressada até que algo chamou sua atenção, faltava uma parte do mapa na parte de cima e por algum motivo ela sentia que já tinha visto aquela parte até se lembrar.

– é isso!

Key a olhou.

– o que?

– esta faltando uma parte do mapa — ela foi até ele levando o mapa — e aposto que é essa a saída.

– de qualquer maneira não temos o resto.

– temos — ela pegou o enigma e o colocou na parte que falta — e encaixa feito uma luva.

– não acredito.

– sou um gênio, brincadeira — ela começou a ler- “quatro dragões guardam a entrada sob as luzes douradas, ao escalarem a lua o caminho de Deus se abrirá. Um tigre mostrará o caminho e em sua toca encontraram seu destino; só os corajosos entraram e lá permaneceram. Quando não existir mais fé no meio da escuridão procure a Deusa do perdão se ela lhes mostrar sua mão encontraram a salvação. Mas cuidado, o caminho é perigoso e abaixo de seus pés um abismo ardiloso os espera e se assim conseguirem sair serão vitoriosos e para abandonar para todo sempre esse lugar maldito deveram deixar o que conseguiram e não se esquecer de que tudo que sobe á de descer, Afinal o que agora é cima logo será baixo.”. Então alguma idéia?

– tudo que sobe á de descer? O que isso quer dizer?

– bom uma parte é certa, não podemos levar a água.

– não se preocupe com isso, não temos água.

– como assim?

– não pegamos a água.

– sério?

– é.

– então só temos que descobrir o que a ultima frase quer dizer.

– deu na mesma, concorda?

– é — surgiu uma idéia — que tal pedirmos ao capitão? Pode ser coisa de pirata e ele talvez saiba o que devemos fazer.

– não é uma boa idéia.

– lógico que é. Key tem algo errado, você esta me escondendo alguma coisa?

– acredite, será melhor você saber depois.

– está tudo muito estranho e tenho quase certeza de que tem haver com o capitão. Quero saber e não quero esperar!

Key deu um suspiro pesado tristemente e acenou para um dos tripulantes para que subisse, o pirata obedeceu e ao chegar ao topo da escada Key deixou que pegasse o timão. Em seguida se virou para encarar Elizia, ele pegou suas mãos e em seu rosto uma dor incalculável se revelou enquanto olhava as mãos de Elizia e as acariciou.

– o que… — Elizia estava confusa — o que esta acontecendo?…

– promete que não vai se sentir culpada?

– por que me sentiria culpada?

– apenas prometa.

– tudo bem.

– então vem.

Ele desceu as escadas ainda segurando uma das mãos de Elizia indo para o porão.

– o que estamos fazendo aqui, Key?

O lugar estava escuro não se enxergava nada. Elizia comprimiu os olhos tentando ver. Key a soltou e acendeu a luz, tudo ficou claro de repente, atordoando levemente Elizia.

Key andou para trás de uns barris e chamou por Elizia, ela o seguiu e assim que seus olhos olharam na direção em que Key olhava, eles se arregalaram e ela tampou a boca para evitar um grito.

O corpo morto do capitão jazia ali, deitado de olhos fechados com uma expressão de alerta como se esperasse um ataque e sua pele estava acinzentada e fria. Elizia estava atônita enquanto seu corpo todo tremia, sem nada a dizer. Key olhou para o corpo friamente evitando qualquer emoção, com os olhos opacos disse:

– era por isso que eu queria esperar, não queria que ficasse assim. Ele esta morto, Elizia e foi por nós.

– o que?

Elizia forçou-se a dizer com um sussurro estagnado.

– Elizia lembra o que aconteceu depois que apagou?

Ela respirou fundo e baixou os olhos, respondendo em baixo tom.

– não, quero dizer, escutei algumas coisas eu acho.

– diga o que.

– você estava comigo e depois ouvi uma mulher. Então você a chamou pelo meu nome até que ela te corrigiu e disse algo sobre almas e você queria que me trouxesse de volta e ela não podia, depois houve uma discussão entre vocês e um homem que veio depois, mas não entendi a conversa estava tudo tão confuso — ela de repente se virou assuntada — eu estava morta, não é?

Key assentiu, ela empalideceu e se apoiou em um caixote, ele foi ajudá-la, ela esticou a mão para que parasse.

– conte. Pediu.

Ele suspirou.

– quando foi me ajudar Jonathan conseguiu depois de um tempo te pegar e você escapou fazendo com que ele explodisse, mas a força da explosão te jogou na parede. O impacto causou-lhe uma hemorragia interna e você morreu. — Ele olhou para alem de Elizia, recordando — Assim que consegui matar Jonathan a deusa do perdão apareceu e a confundi com você. Ela veio para tirar sua alma já que você não tinha saído do corpo, mas tentei impedi-la e discutimos até aparecer o irmão dela, sua alma seria dele e eu não permitiria e ai uma nova discussão começou.

– para que ele queria minha alma?

– Jonathan fez um pacto com o diabo vendendo sua alma e a minha já que queria me matar. Mas o caso é que você interferiu e morreu em meu lugar, jamais ia me perdoar por isso então tentei um trato com o diabo trocando minha alma pela sua, já que a minha era mais valiosa ele aceitou e quando ia tirar minha alma o capitão interferiu fazendo uma proposta melhor, a alma dele em troca da de nós dois.

– por que a alma dele é mais valiosa?

– o diabo prefere almas errantes para se juntar a ele, eu matei mais pessoas que você e o capitão... Bom sua fama já diz. O caso é que o diabo aceitou e levou a alma do capitão — ele olhou para o corpo esticado — aqui só o que temos é um vaso vazio.

Elizia desapoiou de cabeça baixa, lágrimas escorriam de seu rosto, um momento depois ela abraçou Key com força enquanto chorava incontrolavelmente.

– por que fizeram isso? — disse em meio aos soluços — deviam ter deixado às coisas como estavam.

Ele retribuiu o forte abraço apoiando o queixo no cabelo macio dela.

– não suportaria te perder e morreria logo depois, mas Elizia — ele se afastou e ergueu seu rosto para ver seus olhos chorosos — ele morreu orgulhos. E também disse que era o certo a fazer, queria que nós dois pudéssemos viver em paz e disse para não nos lamentarmos e seguirmos em frente.

–mas…

– não existe “mas”, vai mesmo querer desonrar o seu ultimo pedido?

Ela se afastou e sorriu levemente olhando para o corpo.

– não, isso é bem a cara dele — ela passou a mão na testa fria do capitão — obrigada, serei eternamente grata.

Key passou o braço pelos ombros de Elizia.

– vamos embora.

Ela assentiu e eles subiram para ao convés.

Elizia ainda andava abraçada a Key olhando a mão que tocara o corpo, pensativa.

– você esta bem?

Key perguntou olhando-a, ela saiu do transe em que estava e sorriu.

– sim, só estava pensando.

– no que?

– você disse que o capitão falou para não nos lamentarmos por ele e agora entendi o porquê, não adianta chorar por um vaso vazio, o melhor modo de honrar a alma é seguindo em frente.

Ele sorriu.

– é bom que pense assim e, aliás, ele também disse para você controlar os nervos, você se irrita muito fácil.

Elizia ergueu uma sobrancelha.

– tá de zoeira, né?

– não é sério, ele disse.

– só vou perdoar isso por que ele me ajudou senão eu ia bater nele.

– sei que ia.

Eles começaram a rir até que um chamado atraiu a atenção.

– capitão! .chamou o vigia.

– acho que é com você.

Comentou Elizia olhando para cima, Key fez o mesmo.

– o que foi?! – disse — por que está tão eufórico?!

– uma tempestade senhor! — ele apontou adiante — Apareceu de repente!

– não pode ser…

Key retirou o braço dos ombros de Elizia e correu para a proa. Elizia foi atrás e diante dos olhos de ambos viram uma violenta tempestade chegar com nuvens carregadas e ventos fortíssimos.

– de onde veio isso?! — Ele correu de volta para a polpa e subiu as escadas e encarou o pirata que conduzia, com raiva — porque não me avisou?!

– desculpe senhor, mas acabou de aparecer- ele olhou para as nuvens escuras — e esta vindo muito rápido!

– sai! — Key empurrou o homem pegando a direção do navio — desça e vá ajudar os outros! — ele olhou para a tripulação — icem as velas e vão para os remos precisamos sair rápido!

Ninguém questionou e começaram a seguir as ordens. Elizia olhava a tempestade, hipnotizada, até voltar à realidade, os ventos rodopiavam.

– droga! Key!

Ela correu para onde ele estava.

– o que aconteceu?!

– temos que sair mais rápido!

– não posso fazer milagre. Vamos conseguir.

– não, não vamos. Os ventos estão rodando!

– o que?!

– é um tornado!

– droga — ele olhou o convés — vão mais rápido!

O navio começou a virar, mas já era tarde a tempestade estava em cima deles, porem, eles continuaram mesmo debaixo da chuva. Elizia se segurou na borda e olhou atenta para o céu.

– Key!- ela apontou para o olho do furacão que se formava — esta começando!

– rápido! Isso não pode tocar a água!

– por quê?

– porque se isso acontecer vai virar um ciclone e vai puxar a água!

– furacão de água?! (eu sei que isso foi idiota... ignorem --')

– mais ou menos isso.

O mapa que estava na mesa caiu e rolou até bater no pé de Elizia, ela o pegou e olhou lendo outra vez o final do enigma.

– “… e se assim conseguirem sair serão vitoriosos e para abandonar esse lugar maldito deveram deixar o que conseguiram e não se esquecer de que tudo que sobe à de descer, afinal o que agora é cima logo será baixo.”

Elizia olhou adiante e viu o sol se pôr no horizonte além da tempestade, ela inclinou a cabeça e sussurrou para si.

– o que agora é cima logo será baixo…

O ciclone encontrou o mar e começou a tragar a água enquanto o navio se esforçava para ir contra a corrente, ela o observou também.

–a água esta subindo… e quando ele parar ela desce! É lógico! — ela olhou para Key — precisamos deixar o navio ser sugado.

– ficou doida?! Não vou deixar!

– Key escute é a nossa saída, o portal para fora daqui!

– como tem tanta certeza?!

– eu não tenho, mas o sol esta se pondo e isso apareceu de repente!

– isso não muda nada, tudo aqui é estranho! Estávamos arrebentados á meia hora atrás e agora não temos nem um arranhão!

– droga Key confie em mim!

Ele suspirou e gritou para a tripulação.

– parem de remar! Deixem que a correnteza nos leve! Segurem-se!

Todos estavam estáticos e alguns tentaram debater, mas antes de dizer qualquer coisa eles se silenciaram e se seguraram o melhor que puderam. Key olhou para Elizia.

– espero que esteja certa.

– eu também.

Ela o abraçou e em uma fração de segundo o navio é tragado inteiro pelo furacão e logo depois o sol desaparece encerrando o prazo para que saíssem.

Notas finais
Tá ai! Não sei se estão gostando, porque vocês não comentam! ¬¬ Pelo menos eu estou gostando de escrever ^^, senão já estaria no cantinho da depressão... kkkk Até o próximo e deixem Reviews pelo amor de deus!!!!!