O Portal

14 Capítulo 14


Notas iniciais
^^

Elizia estava tonta e dolorida, ao recobrar a consciência percebeu que estava perdida em alto mar, olhou em volta e ao se agarrar em uma madeira notou que não havia ninguém. O sol estava alto e forte, sua cabeça latejou, ela a apoiou na madeira e por estar fraca voltou a desmaiar enquanto o mar a carregava.

Tudo estaria perdido se não fosse por um batel que vinha contra as ondas leves.

– senhorita — Carlo bateu levemente na face de Elizia tentando acordá-la — senhorita acorde!

Elizia abriu os olhos e imediatamente levou as mãos ao rosto para se proteger do sol, sua visão estava turva e ao voltar a ver claramente disse:

– água…

Carlo assentiu e pediu ao outros que estavam no batel.

– dei-me água!

O mais próximo do pequeno galão, o pegou e deu a Carlo.

– obrigado- agradeceu e continuou- tome senhorita.

Entregou-o a Elizia que o virou de uma vez e bebeu metade do conteúdo, ela passou a mão na boca assim que terminou.

– obrigada, senhor Carlo.

– não há de que senhorita.

Ela olhou em volta vendo quem estava no batel.

– cadê o resto? E Key?

– não sabemos senhorita, encontrei o batel intacto e naveguei atrás de todos por enquanto foi só o que consegui.

– como assim?! Eles sumiram?!

– não sei, depois que fomos engolidos pelo furacão…

– podem estar mortos! Ele pode ter morrido!

– acalme-se senhorita, vamos achá-los.

– eu não…

– Carlo! — um dos piratas chamou — o que vem lá?

Todos olharam para onde o pirata apontava. Algo que não definiram vinha na direção deles, não se moveram apenas ficaram em silencio esperando.

E de repente uma voz cortou o ar e eles relaxaram.

– ei! Como estão todos?!

Key tinha um sorriso aliviado no rosto, aproximou o navio do batel que avistara com o resto de sua tripulação. Parou o navio do lado e soltou a corda para subirem.

Os outros começaram a subir e ficaram impressionados à medida que subiam. Elizia foi a ultima e ao entrar foi ajudada por Key.

– pensei que estivesse morto.

Disse Elizia encarando a mão que Key ainda segurava. Ele sorriu e ergueu o rosto dela para que pudesse ver seus olhos.

– não vai se livrar de mim tão fácil.

Ela sorriu e o abraçou.

– espero — ela olhou para o convés e depois se afastou olhando em volta — esse não é o nosso navio.

– não, é melhor.

– realmente — ela começou a andar olhando enquanto desviava de outros que faziam o mesmo — como conseguiu?

– bom, já que o nosso foi destruído depois que fui resgatado pelos outros, fomos para a ilha mais próxima e o roubamos. Alias você tinha razão nós voltamos, roubamos o navio em Port Swurt. E o nome dele é Condor.

– gostei… e é bom ter voltado.

– tem toda razão- ele se virou para a tripulação- em formação agora!

Todos obedeceram. Elizia apoiou uma mão no ombro de Key e colocou a outra na cintura se divertindo com a cena.

– vejo que os que acabaram de chegar já notaram que esse não é nosso navio. — Key continuou — então vejam o que temos e marquem tudo que faltar. Vamos saquear amanhã.

– sim capitão!

Todos responderam em uníssono e voltaram ao trabalho fazendo também o que Key mandara. Elizia olhou para Key e começou a bater palmas.

– impressionante.

Key estava confuso. Ela parou de bater palmas e sorriu.

– o que?

– já é um capitão.

– apenas estou fazendo o que fui ensinado.

– e aprendeu bem, sério. É um bom capitão.

– obrigado.

– agora diz ai… saquear? Estamos exaustos.

– é por isso que é só amanha, hoje todos vão descansar. Já arrumei o curso.

– pra onde? — o olhar de Key disse tudo — ah! Saquei. A ilha dos pecados, lógico né.

–é e já que é cedo temos tempo pra relaxar um pouco.

Elizia olhou para o céu, já era meio dia.

– tudo bem.

Key passou o braço sobre os ombros de Elizia enquanto ela abraçava sua cintura e foram ao timão guiar e enquanto Key o fazia, eles conversavam amenidades.

Já passou das oito quando o navio atracou na ilha sucumbida, os tripulantes pegaram os bateis e foram á ilha se esbaldar e curtir enquanto o novo capitão e sua amada ficaram a bordo.

– Key? E o capitão?

Elizia brincava distraída com a barra do vestido que encontrara, o vestido ficou leve depois que ela o modificou e por isso voava tranquilamente com a brisa do mar.

– afundou com o navio, ele sempre quis isso.

– menos mal — ela baixou os olhos — vamos voltar pra casa?

Key, que até então olhava o movimento das ondas, a olhou.

– claro que sim, por que a pergunta?

– nada — ela começou a andar para a cabine — preciso pegar uma coisa.

Key começou a segui-la.

– mentira. Esta fugindo.

– lógico que não.

Ela entrou, ele passou pela porta em seguida e a fechou.

– diz de uma vez.

Elizia sentou na cama cruzando as pernas sobre ela e abaixou a cabeça olhando para as mãos no colo.

– nada, talvez um pouco de medo.

– de que?

– de que tudo volte a ser como era — ela juntou toda a coragem que conseguiu — não quero que tudo volte a ser como antes. Antes você era meu amigo e… que nunca reparou em mim.

Essa ultima frase o surpreendeu, ele se sentou na cama ficando de frente para ela sem nada dizer. Ela o olhou esperando uma resposta que não veio como esperava, veio melhor.

Key tocou a face de Elizia e roçou os lábios nos dela. Esse primeiro toque tirou o fôlego de Elizia, mas ela não tinha mais medo apenas prazer.

Retribuiu o beijo se entregando por completo. Key a apertava contra seu peito de tal modo que dificultava a respiração dela, mas ela não ligava estava tão absorta naquela sensação doce, forte e incrível que não se importava com o ar.

O corpo de Elizia estava arrepiado em parte pelo momento e em parte pelo vestido que deixava suas costas nuas. As mãos de Key deslizavam pelas costas de Elizia e a simples sensação dos dedos dele tocarem sua pele a fez sentir-se nas nuvens, sua cabeça caiu para trás enquanto suspirava delicadamente. Key beijou-lhe a boca, a face, o pescoço desencadeando varias sensações.

– Elizia- o murmúrio era suave e rouco na pele dela. Os lábios tocavam o ombro de Elizia no lugar onde deveria estar à alça do vestido que agora pendia por sobre o braço dela- tenho que parar…

– não. Esta tudo bem.

Elizia beijou o cabelo e a testa dele.

Quando seus lábios se encontraram de novo, o beijo foi diferente. Carregado, quase desesperado. Eles arfavam, incapazes de dizer uma só palavra. Key passou o indicador levemente na linha entre a orelha e o ombro descoberto de Elizia, ela voltou a beijá-lo e foi correspondida sem impedimento. Key se inclinou, fazendo-a deitar com ele por cima sem cessar as caricias que passaram a ser mais intimas e incisivas. Enquanto se amavam, o frio do litoral simplesmente desapareceu, pois dentro da cabine eles estavam pegando fogo.

E assim a noite passou, até a madrugada quando dormiram ainda abraçados sob os cobertores.

Elizia acordou devagar ainda mantendo o momento fantástico da noite anterior, sentou-se e espreguiçando-se olhou em volta, estava sozinha e algo chamou sua atenção, puxou o lençol frente ao corpo nu. A mesa, que estava ao lado da cama, estava decorada, uma toalha, comida, uma linda flor e um bilhete. Ela estendeu a mão e pegou o pão e começou a comer enquanto leu o bilhete.

“espero que tenha dormido bem, obrigado pela noite maravilhosa e em agradecimento preparei essa mesa que não é grande coisa, mas tentei compensar com a flor que espero que goste e apenas terminando o que conversávamos ontem, acredite você jamais será apenas uma amiga agora, você é bem mais que isso e pretendo que continue assim se você quiser, lógico, não se esqueça eu sou e sempre serei seu e de mais ninguém. E me desculpe por ter acordado sozinha, mas desde que virei capitão não tenho muito tempo pra curtir, não se preocupe tentarei compensar. Obs: Te amo, Key”

Enquanto Elizia lia um doce sorriso tingiu levemente seu rosto, ela terminou de ler e comer, levantando-se procurou algo para vestir e então pegou um vestido, já adaptado, e o vestiu já que a roupa que normalmente usa estava suja. Antes de sair fez uma trança e pegou a flor cheirando-a e imaginando milhões de coisas diferentes. Deixou seus devaneios de lado e colocou a flor no cabelo, saindo da cabine.

O sol estava forte mesmo que ainda fosse cedo. Elizia saiu e imediatamente protegeu os olhos da claridade, logo ao sair Jack, que estava organizando os barris ao lado, á viu.

– bom dia senhorita.

–Bom dia Jack. Sabe que horas são?

– acho que mais ou menos umas nove horas — ele a olhou de cima a baixo — não quero ser mal educado, mas a senhorita esta muito bonita com esse vestido.

– obrigada, mas só estou com ele porque não tenho mais o que vestir.

– ainda assim lhe caiu bem, essa cor realça bem seus olhos.

– muito obrigada, adoro elogios. Sabe onde esta o Key?

– deve estar lá em cima com o Carlo.

– obrigada.

Elizia se virou e começou a subir a escadaria encontrando-o lá em cima discutindo algo sobre mapas com Carlo que estava sentado na mesa.

– não! — disse Key frustrado — o navio é muito grande!

– eu sei capitão — disse Carlo — mas pense deste modo, o lado leste tem nova marinha vamos ser pegos, o lado norte é fora de cogitação, o lado sul é visível demais. O oeste é nossa única opção.

– estaremos longe, como pensa em manter fora de vista isso?!

Key abriu os braços se referindo ao navio.

– podemos deixá-lo perto da costa, perto das pedras e ir à cidade pela floresta.

– não parece seguro…

– acredite senhor a própria vegetação esconderá o navio.

– não sou bom em estratégias, você sempre fez isso então vai continuar, confio em você, vamos seguir seu plano.

– obrigado capitão.

Elizia, que até então apenas escutava a conversa a distancia, se aproximou, colocando a mão com delicadeza sobre o ombro de Key.

– bom dia!

Carlo fez um pequeno gesto com a cabeça.

– bom dia senhorita, dormiu bem?

– sim, obrigada. Senhor Carlo podia nos dar uma licençinha? Juro que será rápido.

Ele se levantou.

– claro, como quiser senhorita.

Key se dirigiu a ele com o braço em volta da cintura de Elizia.

– senhor Carlo resolvemos o resto mais tarde.

– sim capitão.

Carlo fez uma pequena reverencia e desceu a escadaria, assim que ele sumiu Key pegou Elizia no colo, fazendo-a dar um pequeno grito enquanto sorria, e colocou-a sentada na mesa para que ela ficasse da sua altura. Ele apóia as mãos na mesa uma de cada lado de Elizia impedindo que saísse.

– eu estava trabalhando… — ele suspirou — não podia ter esperado até terminarmos?

– na verdade não e bom dia pra você também.

– me desculpa, estou muito ocupado e confuso — ele sorriu do modo que ela mais gostava — Bom dia Lise.

Ela retribuiu o sorriso.

– bom dia e o que está te confundindo tanto?

– ah! Não sou bom pra esse trabalho, sou péssimo em estratégias.

– vai melhorar.

– acredite não vai, mas mudando de assunto… acordou mesmo bem?

– sim, mas é lógico que se você estivesse lá seria melhor.

– deixei um bilhete, caso não tenha visto, me desculpa, mas não foi culpa minha.

Elizia ainda sorrindo passou a mão carinhosamente no rosto de Key.

– sei que não foi culpa sua, são ossos do oficio. Está tudo bem, afinal você compensou, a flor é maravilhosa!

– que bom que gostou, imaginei que ia preferir uma rosa.

– rosas são bonitas, é verdade, mas essa flor é diferente — ela passou a mão no cabelo — especial. Muito melhor que uma simples rosa, aliás, onde a conseguiu?

– olha, apesar da ilha dos pecados ser uma droga é possível encontrar algo que preste se procurar bem.

– impressionante, sério, é difícil de acreditar que um lugar daqueles pode ter algo tão lindo.

– é bom que pense assim e você sabe que dia é hoje?

– não exatamente.

– hoje é dia vinte e oito de julho.

– ah que droga, as férias estão acabando…

– não é isso que eu quis dizer, temos que voltar lembra? Primeiro de agosto…

– é verdade, alias estava te falando em voltar faz tempo, mas Key o que vamos fazer?

– como assim?

– você é capitão agora, é o líder desses piratas ele ficarão desorientados sem um capitão.

– andei pensando nisso, mas a condição de capitão não é pra mim sou bom em ter autoridade e resolver problemas, mas não me dou bem em decidir como e quando roubar.

– já que pensou no assunto, o que decidiu?

– que vou passar o cargo.

– pra quem? Em quem tem tanta confiança?

– em Carlo, o que acha?

Elizia riu.

– adoro o Carlo, mas acha que ele vai aceitar? E os outros?

– já fiz meio que uma enquete pela tripulação e a maioria acha que Carlo é um ótimo líder.

– isso é bom, mas será que ele aceita?

– acho que sim, de qualquer maneira, vamos saquear hoje e roubar também uma caravela para voltarmos.

– um último roubo… é gostei, mas uma caravela? Não acha que e muito pequena pra viagem que faremos?

– não exatamente, ela entra bem perto da ilha da morte e vamos roubar aqui, mas só passarei o cargo perto de Londres, de lá será mais ou menos um dia até a ilha e isso a caravela suporta.

– vamos para Londres?

– perto.

– ah, Key, vamos desviar um pouco quero ver Caroline antes de ir!

– não acho uma boa idéia…

– por favor…

Ela suplicou como uma garotinha que tentava convencer o pai a comprar um brinquedo, ele suspirou.

– certo, se as condições forem boas.

Elizia abriu um grande sorriso e pulou em Key abraçando-o com toda a força.

– obrigada.

Ele a colocou no chão.

– eu disse “se”.

Elizia passou os braços sobre os ombros de Key e o beijou uma vez, separando-se dele sorrindo.

– só isso basta.

Disse e desceu voltando a fazer seu trabalho.

Key apoiou uma das mãos na mesa com um sorriso bobo no rosto e disse a si mesmo.

– como ela consegue? Ela sempre mexe loucamente comigo e eu não resisto — ele sorriu mais passando a mão nos lábios — porque eu a desejo mais que tudo no mundo e sei que ela é minha por vontade.

Um segundo depois Carlo subiu outra vez e continuaram a discutir sobre o saque.

Notas finais
Tá ai! Gostei desse capítulo, espero ter agradado vocês tanto quanto gostei de escrever :) Deixem reviews! Por favor. Até o próximo!!!