Notas iniciais
Foto de capa do capítulo: http://tinypic.com/r/2ajqgx2/6
COMENTEM!

Acordei e adivinhem só. Era só mais um dia como outro qualquer e passou tão rápido que quase nem lembro o que me aconteceu. Na verdade a única coisa interessante, talvez, tenha sido minha aula de redação com a professora nova, a Srta. Kate. Ela era bem diferente das outras professoras, quer dizer, sua aula não despertava em mim o desejo de fugir ou simplesmente dormir. Mas mais do que qualquer coisa, ela realmente parecia diferente. Tinha aparência delicada. Pele bem pálida, cabelos ruivos um tom mais claro que o meu e olhos verdes, alta e magra. Seus olhos pareciam conter bondade. Que coisa estranha. Eu nem a conhecia. Mas gostava dela. Lembro que estávamos na aula e eu mais uma vez – acreditem, foi sem by I Want This\">querer, eu realmente gosto dessa aula, mas – eu estava flutuando em meus pensamentos.

– Sofia! – a Srta. Kate me chamou.

– Sim? – respondi assustada, voltando os pensamentos para a aula rapidamente.

– Você está se sentindo bem? – ela perguntou olhando no fundo dos meus olhos e, diferente dos outros professores, Srta. Kate realmente parecia se importar.

– Sim senhora. – respondi dando um pequeno sorriso.

Enfim voltei minha atenção para a aula. E tudo estava indo bem até ela passar um trabalho. Droga! – pensei. Eu odeio fazer by I Want This\">trabalhos de escola.

– O by I Want This\">trabalho é para segunda – feira. Vocês terão três dias para fazer.

– Mas é o final de semana! – alguém na sala reclamou.

– Se acalme. O trabalho será bem leve e até gostoso de fazer. – Srta. Kate deu uma pequena pausa e continuou – Eu quero que vocês escrevam uma carta para Deus. Nela vocês poderão colocar o que desejarem.

– Qualquer coisa? – alguém perguntou.

– Qualquer coisa.

– E se alguém terminar antes? Pode lhe entregar amanhã? – Cindy, a CDF da sala, perguntou.

– Pode, é claro!

O sinal para o recreio bateu. Eu não precisava de tempo para escrever esse trabalho. Arranquei uma folha de meu caderno, escrevi a única coisa que poderia colocar naquele trabalho, dobrei a folha e passei pela mesa da professora colocando a carta em cima sem nem olhar em seus olhos. Fui para o recreio.

Definitivamente esse foi o único acontecimento interessante em todo o meu dia, quer dizer, o único diferente.

É hora de dormir. Hoje jantei em meu quarto já que a casa está uma zona com a mudança de Carla. Ter uma pessoa nova – e praticamente estranha – em casa, definitivamente me deixava pouco a vontade. Deitei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos.

– Trimmm!

O despertador tocou. Mais um dia incrivelmente chato. Pelo menos eu tinha aula de redação. Arrumei-me rapidamente, pois como sempre, eu estava atrasada. O dia passou bem rápido. Muito mesmo. Logo estávamos no último horário. Redação! – pensei e sorri. Desta vez, me esforcei para manter a atenção na aula. Sem pequenos desvios sua idiota! – falei para mim mesma. E, pelo menos aquele dia, eu consegui. A aula terminou e a professora alertou:

– Não esqueçam o trabalho da carta. É para segunda – feira.

O sinal bateu. Hora de ir pra casa. Todos começaram a sair pela porta. E eu como sempre, seria a última – sempre deixava para arrumar a bolsa somente quando o sinal tocava.

– Aqui está o trabalho Srta. Kate. – Cindy entregou o bilhete para a professora.

Você não foi a primeira dessa vez, espertalhona. – pensei e dei um sorriso irônico.

Estava saindo da sala quando a Srta. Kate suspendeu o olhar para mim.

– Sofia?

– Eu? – Virei para ela sem entender.

– Venha aqui. Eu quero falar com você.

– Eu fiz alguma coisa? – perguntei surpresa.

– Na verdade fez. Você entregou seu trabalho mais cedo.

– E? – perguntei me aproximando.

– Não tem nada nele.

– Claro que tem.

– Não. Não tem. Só tem escrito bem no meio: DEUS NÃO EXISTE!

– A senhora falou que poderíamos colocar qualquer coisa.

– Sim. Qualquer coisa que o coração mandasse. E eu mandei escreverem uma carta para Deus. Você não fez isso.

– Mas Deus não existe! – saiu mais alto do que eu desejava.

– Então é isso que você pensa? – ela perguntou com olhar de advertência.

– Não eu não penso. Eu sei. – se já havia começado que fosse para ir até o final – se Deus existisse minha vida não seria essa porcaria toda. Minha mãe não merecia morrer, mas morreu. Eu tenho dezesseis anos e tenho que trabalhar de garçonete. E meu pai levou uma estranha pra casa. Então Deus existe? Eu acho que não. E se existe Ele é altamente injusto. – terminei de falar e precisei recuperar o fôlego, havia dito tudo em um jato de palavras, sem ao menos respirar.

Srta. Kate ficou me olhando por alguns segundos, talvez um minuto. Era como se estivesse me analisando. Por fim ela falou:

– Sabe Sofia, eu venho analisando você desde que cheguei aqui. Por mais que você não acredite. E eu sei que não acredita. Você tem algo especial. Algo único.

– Uma vida chata. – resmunguei.

– Não. Algo maravilhoso que você ainda não descobriu. Eu tenho um presente para você.

Ela se virou, abriu a bolsa e pegou algo dentro. Pegou minhas mãos, colocou dentro e as fechou. Em seguida deu um doce sorriso. Abri as mãos e havia um lindo colar de prata – parecia ser prata de verdade – com um pingente em forma de chave, também do mesmo material. Olhei em seus olhos sem entender.

– É só um presente. – ela sorriu.

– Obrigada! Eu posso ir agora?

– Pode.

Sai da sala e coloquei o colar no bolso da calça. Sai da escola e fui para o trabalho. Ao termino do expediente fui para casa. Cheguei lá, mas para minha surpresa a caminhonete de meu pai não estava estacionada na garagem.

– Pai? – entrei gritando.

– Ele não está. – Carla respondeu sentada no sofá.

– Você sabe onde ele está?

– Posso até saber, mas não acho exatamente necessário que você saiba.

– Eu acho exatamente necessário que eu saiba. – falei em um tom sarcástico – Ele é meu pai.

– Justamente. – ela disse levantando do sofá – e é por isso que você deve fazer o jantar para ele.

– Você não fez? – perguntei cruzando os braços e erguendo as sobrancelhas.

– Acho que esse é seu trabalho mocinha. – Carla também levantou do sofá e cruzou os braços.

– E o seu é? – perguntei ironicamente.

– Tornar as coisas melhores pro seu pai. – ela sorriu – Agora vá fazer o jantar.

Eu poderia ter explodido ou simplesmente ido para meu quarto. Podia. Mas eu estava tão acostumada a fazer o jantar que isso não mudaria nada. Fiz tudo e coloquei na mesa, mas meu apetite havia ido embora. Então subi para o quarto.

Tirei a roupa e fui tomar banho. Sai do banheiro, vesti um vestido preto liso curto e sem mangas e calcei uma sapatilha azul de camurça, então fui dobrar as roupas que estava vestida e que largara em cima da cama. Ao dobrar a calça algo caiu de seu bolso. Era o colar. Larguei a calça e o peguei. Fui para o espelho e o coloquei admirando seu brilho. Era realmente lindo. Então olhei meu reflexo no espelho. Pele pálida, cabelos ruivos e olhos azuis. Virei e fui em direção à cama terminar de dobrar as roupas, mas quando cheguei bem perto e dei mais um passo para me curvar, algo em baixo dos meus pés rangeu. Como uma porta velha. Parei onde estava e com o pé direito pisei mais forte, e o barulho foi mais forte. Olhei para baixo e estava sobre meu tapete cor – de – rosa. Sai de cima dele e me agachei. Levantei – o. Havia um quadrado não muito grande, capaz de passar apenas uma pessoa. Era como um porão. A porta de um porão. Mas não havia um porão naquele quarto. Eu morava ali desde sempre. Será que eu era tão desatenta ao ponto de não perceber um porão em meu próprio quarto?

Abri a porta e desci pela escada que havia lá. Estava um pouco iluminado. Havia uma luz acesa. Como? – pensei. Não havia nada na sala. Quer dizer, havia estantes, mesas e livros empoeirados. E havia uma porta na parede em frente à escada. Aquilo chamou minha atenção. Aproximei – me e girei a maçaneta. Estava trancada. Onde estará a chave? – perguntei a mim mesma.

O colar caiu de meu pescoço. Curvei – me e o peguei. Espera aí? – pensei. Olhei para a chave no colar e para a porta e depois vice – versa.

– Eu devo estar maluca, isso é impossível! Que seja.

Peguei a chave no colar e a coloquei na maçaneta. Ao girar a chave a porta automaticamente se abriu. Estava muito escuro do outro lado. Subi para meu quarto e peguei uma lanterna na gaveta. Desci novamente para o porão, liguei a lanterna e entrei pela porta. Não havia nada, só um corredor vazio. Continuei andando. Havia uma escada colada na parede no final do corredor.

– Aonde isso vai dar?

Iluminei a escada e fui subindo a luz. No topo havia uma porta como a que havia descoberto em meu quarto. Um sótão? – pensei.

Subi a escada e empurrei a porta – que bom que não estava trancada. Ao abri – la vi o céu escuro cheio de estrelas.

– O quê?

Coloquei as mãos para fora, pus a lanterna em cima e me apoiei para subir. Em minhas mãos senti a grama. Então subi.

– Uma floresta? – falei assustada.

Peguei a lanterna no chão e fechei a “porta”. Coloquei uma pedra em cima para marcar o lugar. Iluminei a floresta e fui andando.

Após passar algumas árvores – não muito longe, claro – olhei uma luz na floresta, uma luz amarela. Continuei andando, até que cheguei a uma área aberta cercada de árvores formando um círculo, e dentro havia roseiras de muitas cores. Rosas vermelhas, cor – de – rosa, azuis, amarelas e rochas. E lindos vagalumes voando. Muitos vagalumes voando. A imagem era linda.

Naquele momento suspirei. Havia um nó em minha garganta e a única coisa que consegui falar foi:

– Que lugar é esse?

Notas finais
Tumblr: diario--de--princesa.tumblr.com