Notas iniciais
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Eu não sabia onde estava e só queria sair dali, pois por mais lindo que o lugar fosse, eu tinha medo, medo do desconhecido. Sai correndo pelo mesmo caminho que me levara ali. Procurei desesperadoramente a pedra que coloquei em cima da porta para marcar o lugar. A luz da lanterna não ajudava muito, pois a mesma estava trêmula em minha mão. Ali. Consegui avistar a pedra. Tinha certeza de que era ela. Em frente a uma árvore e atrás de duas, uma a cada lado. Era ali. Joguei-me no chão, pegando a pedra. Ao suspende – la não havia nada ali. A porta havia sumido.

- Como? – falei baixo com a voz falhando.

Ouvi um barulho vindo de dentro da floresta. Levantei do chão com a lanterna ainda mais trêmula em minha mão. Sai andando. Voltei ao mesmo lugar onde havia estado antes. As mesmas roseiras e os mesmos vagalumes, mas havia algo a mais. Uma mulher colhia as rosas e as colocava em uma cesta de palha. Seus cabelos eram longos e cacheados de cor castanho, sua pele era branca e os olhos escuros. Sua roupa era de época. Ela me lembrava algo. Parecia uma camponesa. Daquelas que olhamos nos filmes de cenário antigo. Dei um passo para trás e me escondi atrás de uma árvore.

- Sofia. – ela falou sem tirar os olhos das rosas.

Fiquei em silêncio.

- Sofia, venha até aqui. Sei que você está ai.

- Quem é você? – perguntei alto.

- Eu estava a sua espera.

Estava com muito medo, mas respirei fundo, apertei a lanterna em minha mão, e sai de trás da árvore apontando a luz para a mulher.

- Ah Sofia, você não precisará desta lanterna. Não aqui. Apague!

No mesmo momento a lanterna se apagou. Deixei que ela caísse de minha mão. Olhei assustada para a camponesa.

- Como você sabe meu nome? – perguntei com a voz falhando.

- Eu estava a sua espera Sofia. Isso é tudo o que importa. Você esta aqui. – ela deu um sorriso acolhedor.

- Eu não devia estar aqui. Isso é um erro. – argumentei.

- Você está exatamente onde devia estar.

- Que lugar é esse? Como vim parar aqui?

- Esse lugar é onde você irá se encontrar. Você veio parar aqui através de seu coração. Você quis estar aqui.

- Não! Eu nunca quis estar aqui. Que lugar é esse?

- Sim Sofia! Você quis estar aqui a partir do momento em que não quis estar onde estava. A dor, o sofrimento. Isso trouxe você aqui.

Fiquei em silêncio.

- Você quer voltar para casa? – a camponesa perguntou.

Hesitei em responder.

- Seu cérebro e seu medo pedem para ir, mas seu coração quer estar aqui. Longe de tudo, de todo o sofrimento. Se você optar por ir embora agora, tudo bem. Eu lhe mostrarei como. Mas se desejar ficar garanto que será uma experiência maravilhosa e única que mudará sua vida para sempre. O tempo em que passar aqui ficará com você eternamente. Um dia você terá que ir, mas esse lugar com certeza irá em seu coração.

Continuei sem responder, com os olhos fixos na mulher. Ela estava certa. Meus instintos gritavam para que eu saísse dali, mas meu coração não queria voltar. Minha vida não era nada fácil, meu coração apertava cada vez em que pensava em minha mãe, que havia morrido em um acidente de carro quando eu tinha seis anos de idade. A chegada de minha madrasta não ajudava muito. Ela estava me tratando muito mal. Eu não queria voltar para casa.

- Então? – ela me olhou atenta esperando por uma resposta. – O que me diz? Você vai embora ou vai ficar?

Respirei fundo e respondi:

- Ficarei.

- Ótimo. Você não irá se arrepender.

Notas finais
O que acharam? Comentem por favor.
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