Notas iniciais
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No mesmo momento a camponesa estalou os dedos e meus olhos piscaram instantaneamente. Ao abri-los a camponesa não estava mais lá. Meu vestido preto liso e curto havia se transformado em um lindo vestido de época. Acho que 1864. Marrom escuro com as mangas caídas no ombro. Minhas sapatilhas azuis haviam se tornado em lindos sapatos pretos de salto baixo. Não sabia o que fazer, então continuei andando.

De repente parei. Houve um pequeno barulho na floresta. Asas batendo – pensei. Em meio às árvores surgiram várias borboletas que me rodearam aos poucos. Elas pareciam estar observando minhas roupas, meu cabelo. Tudo! As borboletas eram das mais diversas cores.

Então o barulho começou a ficar mais alto. Era como se houvesse uma enorme borboleta batendo as asas atrás de mim. Paralisei. Todas as borboletas ao meu redor se viraram para a mesma direção. Minhas costas. Uma enorme borboleta bem atrás de mim. Virei – me com medo. Não era uma borboleta gigante como imaginara. Era uma fada. Uma linda fada alta, de pele pálida, cabelo curto e de cor negra como a noite. Seus olhos eram da cor do mel, ela vestia um lindo vestido longo de mangas até os punhos de cor verde escuro. Suas asas eram de um verde mais claro e quase transparente.

- Sofia. – a fada tocou em meu rosto – Eu estava a sua espera.

- Quem é você? – perguntei com a voz falha.

- Isso não importa. O que importa é que você está aqui. – ela deu um sorriso – Não é maravilhoso? – Seu olhar ficou mais intenso. Sedutor.

- É sim! É maravilhoso! – afirmei hipnotizada por seus olhos.

- Venha comigo Sofia e tudo irá se resolver. Uma vida sem problemas. Um mundo perfeito. Só pra você.

- Um mundo perfeito. – falei com a voz macia.

- Você só precisa vir comigo. – seus olhos se intensificaram. Seu rosto ficou mais claro e as borboletas seguraram os cachos de meu cabelo.

- Pare com isso! – uma voz gritou – Sai daqui!

Os olhos da fada voltaram ao normal. Voltei a sentir o medo de antes. A calma havia passado. Virei – me para ver quem gritara. Era a camponesa.

- Saia daqui! – ela ordenou novamente.

A fada recuou. As borboletas soltaram meus cachos e se juntaram a ela. Então elas viraram as costas e sumiram na escuridão da floresta.

- Quem era ela? – perguntei atordoada. – Fadas não existem!

- Isso é verdade! – a camponesa exclamou – Fadas não existem!

- E o que era aquilo?

- É só uma ilusão. – ela fez uma pausa – É um demônio.

- Demônio? – perguntei sem acreditar.

- Sim! Demônio. Você pode acreditar em fadas, mas não acredita em demônios?

- Eu não sei de nada. – desconversei – Então. Onde você estava enquanto um demônio me seduzia?

- Eu estava observando você. Não ficarei ao seu lado. Só quando necessário.

- Como assim?

- Eu estou aqui só para lhe indicar por onde deve começar. Não estarei sempre aqui. Só quando necessário.

- Então por onde eu começo?

- Por onde seu coração mandar. – a camponesa fez uma pausa enquanto fitava meus olhos desconfiados – Você passará por sete experiências. E nelas você encontrará chaves. Essas chaves são sua ida para casa. Como eu disse você não ficará aqui para sempre. Ficará o tempo necessário.

- Tempo necessário? – perguntei.

- Sete experiências. Sete chaves. E sua vida nunca mais será a mesma.

- Como eu posso encontrar essas chaves? – perguntei confusa.

- A visão não será a mais necessária. Deverá usar o auxílio de seu coração. As chaves podem ser vistas, mas precisam ser interpretadas e sentidas.

- O que isso quer di...

Antes que pudesse terminar a pergunta, a camponesa sumiu na floresta.

Como assim? Por onde eu começo? Por onde meu coração mandar? Como assim as chaves podem ser vistas, mas a visão não será necessária? O auxílio do meu coração? Precisam ser interpretadas e sentidas? O que tudo isso quer dizer? – inúmeras perguntas inundavam minha mente.

Estava totalmente atordoada e sem saber o que fazer. Sai correndo sem rumo, e entre duas árvores gigantes havia uma casa. Uma linda casa de campo. As paredes brancas, portas e janelas de cor marrom, galhos de árvores e flores cobrindo partes das paredes. Bati a porta, mas ninguém respondeu.

- Tem alguém em casa? – perguntei em tom alto.

Nenhuma resposta.

Não sabia quem morava ali, mas estava cansada. Precisava deitar – me. Aquele parecia um bom lugar. Então entrei.

Notas finais
Comentem por favor. Prometo que o próximo capítulo será maior.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.