O Poeta

5 Vislumbre


Notas iniciais
Nem sei como agradecer o carinho de vocês, nossa. Estou muito feliz mesmo, cada comentário maravilhoso que leio... Muito obrigada. Sobre a Sakura de pijama, gente, não foi falha minha hahaha Ela realmente vai de pijama, eu também saio assim, ás vezes.

– O que vão querer? – A garçonete até tentava ser simpática, era esforçada mas Sasuke encarava o cardápio tão frígido que Sakura sentiu-se incomodada.

– Acho que uma cerveja preta... – Concluiu esperançosa vendo a mulher rabiscar em seu pequeno caderno amarelo. Desviou seu olhar para mesa.

Sasuke respirou fundo, dobrou o cardápio e entregou para a mulher. Sua falta de interesse era exorbitante, em nada se parecia com o carismático e não menos atraente, Itachi Uchiha.

– O mesmo que ela e uma porção grande de batatas com queijo por cima. Muito queijo mas não coloca sal. – Por isso ele amava a sua droga, quando estava preso ao seu efeito não tinha a mínima fome mas quando não, comi o tempo inteiro. Virou-se para a garota de cabelos róseos sem muda a expressão de tédio – Fiquei impressionado quando aceitou vir até aqui de pijama, se é que eu posso chamá-lo assim. É tão pequeno que...

Ela sorriu tímida, um pouco rubra pela coragem de sair de casa com aquela miniatura de roupa. Revirou os olhos ao lembrar dos ursos estampados na parte de cima. Sasuke devia pensar que ela era uma idiota, uma maníaca talvez. O que estava pensando quando resolveu espionar o corredor? É lógico que uma hora ou outra alguém iria descobrir.

Que burra! Entregando tudo bandeja para um estranho. Nada podia estar melhor, até porque teve que subir na garupa de uma moto com roupas de dormir, qualquer uma daria a vida para estar em seu lugar. Não.

– Você faz caretas enquanto pensa, achei que isso fosse coisa de anime. – Sasuke reprimiu um sorriso de canto. De certa forma, ele achava hilária as atitudes desengonçadas da garota.

Suas palavras foram rudes, no entanto, não soaram assim, nem seu tom de voz ameno se alterou. Apenas uma observação.

– Desculpe, eu não costumo ser assim. – Sakura novamente via-se contra a parede, com atitudes impensadas a deixando em situações constrangedoras. – Eu juro.

– Eu não ligo – Pegou o cesto com batatas da mão da garçonete e as ofereceu para Sakura que recusou – E você também não devia. Só achei inusitado.

Não era novidade ela sentir-se intimidade na presença dele, fazia poucos dias que o conhecia e nem em um milhão de anos subiria na garupa de uma moto de um vizinho estranho mas ele parecia tão... Solitário.

– Definitivamente não era você na televisão, era outro... – Sakura num ímpeto de coragem, tocou a face do escritor, um pouco abaixo do olhos, escorrendo a ponta dos delicados dedos até a maçã do rosto. Ao invés de afastar-se, ele não saiu do lugar – Não, não era você... Era alguém muito parecido, tinha linhas de expressões partindo dos olhos até o meio da bochecha. Itachi Uchiha

A garota assustou-se quando Sasuke agarrou os finos pulsos e tirou a mão de perto do rosto, inexpressivo. Algo que muitas pessoas não sabem sobre o escritor, é que fora da cama, ele não gosta de ser tocado. Evitava ao máximo qualquer tipo de contato, apenas ele sabia o quão sacrificante era ter que aguentar a agarração das leitoras eufóricas, não era por mal, apenas sentia-se desconfortável.

– Itachi é o meu irmão. — Disse sem tirar os olhos dos lábios semi abertos de Sakura, um pouco carnudos. Logo voltou sua atenção para as batatas cheias de queijo. – Ele é alguma coisa lá no congresso, não me meto.

– Você é um... Uchiha? — De repente aquele sobrenome soou tão pesado, tão sujo, até para os ouvidos de Sasuke que já havia acostumado-se com o som de cada letra sendo pronunciada.

U — C — H — I — H — A

– Não me orgulho disso... — Era mais um explicação para si do que para a própria garota. Não, não, não... Não tinha porque ter orgulho daquele sangue em suas veias.

Observou Sakura descer os olhos para a cerveja, parecia decepcionada e demonstrou isso levando o copo aos lábios, bebendo o líquido escuro de uma só vez. De repente Sasuke se arrependeu por tê-la chamado para beber alguma coisa. Ela se metia demais no que era não de sua conta.

Eles quase não trocaram palavras. Ela bebeu dois ou três copos de cerveja mas recusou as batatas que lhe foram oferecidas, por vezes abria a boca para puxar assunto com o misterioso escritor mas em seguida desistia, voltando a olhar para o copo se esvaziando.

Qualquer um que visse o casal, pensaria que voltavam de algum velório ou alguma coisa do tipo. Vergonha.

– Eu gostaria de ler o que escreve, sabe... Curiosidade. – Sakura concentrou-se no isqueiro amarelo na mão de Sasuke. Não iria levantar o olhar, pois sabia que estava sendo analisada.

Cada pedaço de sua branca carne sendo rotulada por um criador de ficção erótica. Tremulou os dedos. Começou a balançar as pernas. Estava nervosa, claro que estava! Aquele homem não tirava os olhos de seu colo exposto.

– Você não parece o tipo de mulher que se perde em literatura erótica — Ele arqueou as sobrancelhas e reclinou-se para a frente. Apenas centímetros de distância de Sakura. Ela engoliu seco. — Fica vermelha cada vez que desço os olhos em seu decote.

Fez menção em aproximar-se mais daquele pequeno rosto que assistia tudo com a boca semi aberta, respiração descompassada, olhar vacilante. Ele era muito atraente.

Franziu a testa quando o viu se afastando, recostando as costas na poltrona, brincando novamente com o isqueiro. Finalmente acordou para o mundo.

– Não leio mesmo, gosto de sexo à moda antiga. Carne na carne. – Sakura cruzou os braços e virou a cara – Aliás, eu tenho que ir, a louça me espera. – Completou.

Sasuke assentiu com a cabeça e levantou logo em seguida, não esqueceu-se de largar uma gorda gorjeta para a garçonete.

É. Uma situação vergonhosa para garota que cruzava a lanchonete com um pijama mínimo, pisando duro. Ele tirou do bolso um cigarro e o acendeu.

Nicotina, seu eterno amor.

Para Sasuke, ela continuava não sendo bonita mas não podia descartar a ideia de que era interessante, ainda mais depois da expressão usada pela garota "carne na carne". Ah e tinha belas pernas, como pôde esquecer-se de um detalhe primordial? As pernas.

Soprou a fumaça para cima, fechando os olhos para degustar ainda mais da situação. Tão letárgico.

Não demorou muito para acabar com o cigarro e o apagar com a ponta dos pés. Eram sete horas da noite, precisava levar a vizinha tagarela de volta e ainda não se atrasar para a noite de autógrafos.

Assim que chegaram, Sakura tirou o capacete e o entregou para Sasuke. Não estava mais tão ofendida com o rapaz, até pensava em agradecer pelas cervejas ou pela humilhação pública em ter saído de pijama mas veja bem, ele não a obrigou a nada. Ela foi porque quis.

Estava desconcertada demais para agradecer, apenas sorriu e subiu as escadas até seu andar. Não queria encarar aquele elevador sozinha, até fez careta quando lembrou do episódio em quase foi comida viva ali naquele cubículo.

– A culpa é sua por eu estar nessa situação — Reclamou assim que avistou a porta do apartamento. Ela normalmente não agia assim. Céus! Ela nunca agia assim – Não, quer saber? A culpa é do antigo inquilino que não colocou uma porta decente.

Falar sozinha estava virando um hábito. Ela entrou no apartamento se arrastando, jogando o corpo sobre a cama já instalada e encarando o teto. Mil informações transitavam pela sua cabeça.

"Você não parece o tipo de mulher que se perde em literatura erótica."

Sakura, aos poucos fechou os olhos, lembrando da afirmação que a deixara ofendida. Estava mesmo ofendida?

– Não – Sussurrou escorregando a mão até a barra do short, temida se ia ou não até o final.

Soltou um gemido fraco quando sentiu os finos dedos tocarem a intimidade por cima da calcinha, logo movimentos lentos e circulares se faziam por cima do tecido de seda. Estava desejosa.

Imagens de um corpo atlético lhe invadiam a cabeça, um homem consumido pela nicotina soltando lentamente uma fumaça em seu rosto. A necessidade fez com que os dedos inquietos corressem para dentro do tecido, massageando lascivamente o clitóris, aumentando o ritmo dos dedos enquanto a garota mordia fortemente o lábio inferior. Desejava que um homem estivesse ali para satisfazê-la, desejava mais que tudo.

– Ah ... — Foi como se seus dedos possuíssem uma eletricidade inconstante pois descargas múltiplas a faziam entrar em delírio e o dedilhar continuar incessante.

"Fica vermelha cada vez que desço o olho em seu decote"

E foi com apenas essa frase que ela sentiu sua intimidade ficar ainda mais úmida. Não aguentaria por muito mais tempo, provavelmente os vizinhos estariam se perguntando de onde vinham aqueles gemidos guturais. Sinto-lhes informar, mas todos eles pertenciam á Sakura.

Quando conseguiu controlar-se um pouco, sentiu o líquido translúcido escorrer por seus dois dedos ainda dentro do sexo. Deixou seu braço cair exausto.

Sua boca estava seca. O rosto pingava de suor e mais uma vez desejou ter um homem ali.

***

– Pode colocar aí: Para o meu querido amigo das silhuetas mais sensuais do congresso, um bom proveito em noites calorosas com sua noiva. – Quando Sasuke levantou o rosto, não pôde conter o sorriso de canto. Naruto realmente tinha vindo.

Ele escreveu exatamente o que fora ditado.

– Espero que assim você melhore sua escassa vida sexual. – O escritor levantou da cadeira e abriu os braços para o amigo. Não era de muita demonstração de afeto mas não o via há um ano. — Você é um filho da puta mesmo, nunca mais apareceu.

Naruto gargalhou pegando o livro e entrando no bloqueio atrás da mesa de onde Sasuke estava. Alguns repórteres ainda centraram as lentes naqueles dois amigos que sempre causavam polêmica, ainda mais pelo fato de Naruto ser inimigo declarado do outro Uchiha.

– Olha quem fala, você ainda paga por sexo? – Alfinetou discretamente enquanto o observava atuar com o público. Em que mundo Sasuke Uchiha sorria, abraçava e interagia com as pessoas, aquilo era definitivamente uma utopia, diga-se de passagem.

Achou até divertido quando uma mulher de finas medidas e trajes de grife pulou em seu pescoço, chorando. Parecia mesmo desesperada pelo atenção do amigo, uma fã lunática exacerbando seus gritos até ser afastada por seguranças. Naruto arqueou a sobrancelha e abriu o livro que tanto causava alvoroço na livraria.

– Você sempre foi o melhor da turma em literatura. – Dizia folheando as páginas do exemplar em suas mãos.

– Eu sempre fui o melhor em tudo. – Sorriu minimamente já cansado daquelas câmeras todas, daquelas pessoas em cima e de toda a gritaria do lugar que mesmo maior do que a antiga mansão em que morava, parecia pequeno demais. Apertado demais.

– O que? Você só pode estar de brincadeira, não é? – Naruto gargalhou socando levemente o ombro do escritor.

Ainda não estava acostumado com aquele assédio todo com que Itachi sempre soube lidar muito bem, não estava mesmo. Sua cabeça começava a sentir-se rodar, não era crise de estrelismo até porque Sasuke repudiava esse tipo de comportamento, era mal humorado por natureza e não porque flashes quase o cegavam.

Não foram duas. Não foram três. Foram quatro horas sentando e levantando para pessoas que haviam lido seu último por uma propaganda, por indicação de amigos e parentes ou porque simplesmente o viram em uma prateleira. A questão é que em menos de duas semanas já estava no top 10 dos mais vendidos.

Sasuke saiu da livraria já acendendo o cigarro. Tinha que comprar mais três maços. Fechou os olhos fortemente sentindo que a cabeça iria estourar a qualquer momento se possível, apertou as têmporas, por pouco não deixou o cigarro cair de sua boca. Atordoado, cutucou os bolsos até achar o pequeno frasco branco de não mais que dezesseis mL.

– Sasuke, você está bem? – Naruto perguntou aproximando-se do amigo que forçosamente fechava os olhos e começava a respirar como louco. Tocou seu braço, porém nada.

– Um minuto – Abriu o frasco e despejou Trisorb nos olhos secos e num tom avermelhados. Efeito colateral da heroína somado às horas em frente ao notebook. Suas pupilas pareciam duas bombas relógio.

Ele levantou os olhos marejados do produto, piscando algumas muitas vezes até acostumar-se com as imagens novamente tomando forma. Percebendo que o escritor não tinha parado com o antigo vício, Naruto sacudiu os ombros do rapaz fazendo com que ele o olhasse. Não tinha como não olhar.

– Isso é heroína... Desgraçado! Você continua destruindo a sua vida com essa merda! – O político loiro gritava para qualquer um que passasse ali, sempre fora boca grande. Gritava como se estivesse falando com um filho ou algo parecido – Achei que tinha parado com essa porcaria!

– Do que você está falando? Eu não uso mais... Estou limpo há quase dois anos – Sasuke mentiu descaradamente dando as costas ao sujeito de fios dourados que gritava e chamava atenção das pessoas com seu tom de voz exagerado. Ele não tinha jeito mesmo.

– Além de drogado virou mentiroso? Você não tem jeito mesmo, não tem um pingo de respeito. – Riu estérico. Era tanta hipocrisia que tudo que ele poderia fazer era rir.

– Hm. Que seja – Olhou para o relógio de bolso e deixou o amigo sozinho com sua gritaria. Ele sabia exatamente para onde ir, um lugar onde ninguém o ficaria aportunando com ladainhas de morte ou de como deveria viver.

As meninas de Kurenai. Tudo que ele tinha que fazer era dar o dinheiro e elas fariam tudo que lhe pedissem, não tinha que se dar ao trabalho de seduzir nem galantear.

Apenas dinheiro seguido de sexo. Não demorou muito para que subisse na moto e seguisse seu caminho, como sempre fazia quando precisava de agrados femininos, aliás, ninguém é de ferro. E também, em sua opinião, não havia nada que o dinheiro não pudesse comprar.

Sua visão oscilava algumas poucas vezes enquanto manobrava pelas ruas secundárias de Tókio e aquilo tendia a piorar, principalmente quando passava longas horas sem a sua dose diária daquela fuga; da sua pequena Hero

Sorriu pequeno quando avistou a boate que costumava frequentar. Não era qualquer espelunca que se vê pelos arredores de uma cidade grande, fala-se de um lugar onde as melhores mulheres se ofertam como joias e satisfazem como uma refeição completa.

– Estamos quase fechando, porque você sempre vem a essa hora e põe a minha boate de pernas para o ar? – Uma mulher de cabelos negros e repicados até o meio das costas, achatou as mãos no peito do escritor, empurrando-o para fora do recinto. – Não é porque é famoso que pode fazer o que bem entende.

– Uma dança, Kurenai, uma dança. – Sasuke parou de andar e pegou os finos pulsos da prostituta matriarca; Matriarca só pelo respeito porque mal devia ter seus quarenta anos.

Kurenai sentiu o rosto avermelhar com a impaciência que lhe consumia. Detestava quando clientes tentavam mudar a rotina daquele estabelecimento. Deviam saber que antes de tudo, aquele era um estabelecimento comercial, tinham seus horários, sua regras. E ele sabia que isso a tirava do sério mais do que qualquer coisa.

– Quantas vezes eu tenho que explicar que não posso abrir exceções? – Esbravejou sem se importar com escândalos. Seus olhos escorregaram para o bolo de dinheiro que saía dos bolsos do rapaz, engoliu seco vislumbrando tudo que aquela pequena fortuna poderia lhe oferecer. Era uma mulher ambiciosa, não podia negar. Assim voltou seus olhos para o escritor que a observava sem expressão – Uma dança, sem programa, sem ousadia e eu faço.

Ele concordou em um aceno, seguindo-a até o palco onde toda a mágica acontecia. Não deixou de reparar as mudanças feitas desde sua última visita. O candelabro azul no centro do teto. As cadeiras com um acolchoado de camurça. O ambiente mais fresco. Mais propício para a luxúria.

Seus olhos logo se focaram em uma imagem feminina que se posicionava no meio do palco. Pernas. Pernas. Como ele as amava! Ele fechou os olhos por poucos segundos. Pernas.

Como sempre, Sasuke abriu a blusa deixando seu peitoral à mostra mas sem antes pegar no bolso interno seu pequeno vício; seu extrato da morte. Ele não importava-se com o olhar assustado da dançarina, adorava aplaudir aquele tipo de espetáculo com as suas veias repletas de heroína. Aos poucos fez seu tão monótono procedimento: Na falta do elástico, usava qualquer coisa que pudesse prender o o sangue, bateu na pequena seringa de diabéticos que ele fazia para disfarçar e a penetrou em seu braço.

– Ah – Foi tudo que conseguiu pronunciar sentindo a extensão do braço ficar quente. As órbitas do escritor caíram exatamente nas duas pernas que praticamente flutuavam em cima daquele palco escuro. Suas pálpebras vacilavam, fechavam e abriam. Não queriam perder aquele espetáculo.

O que falar do seu coração? Se for sugestionado de qualquer outro drogado, era simples dizer que batia forte com a dose de endorfina possuindo seu corpo. Mas não, isso nunca acontece com um Uchiha. Mesmo que as imagens comecem a embaralhar, os sentidos fiquem confusos.

– Sasuke! Sasuke! Sasuke! – Ouvia-se gritos mas ele não se importava, ria da situação. Ria das imagens múltiplas em seu campo de visão, como a de uma aranha.

Shh Apenas dance. – Suas pálpebras vacilaram novamente e fecharam.

***

Sasuke abriu os olhos. Não mexeu um músculo sequer, apenas continuou a encarar o cômodo que tanto o acolhera ao longo dos anos. Aquelas paredes. Aquele teto. Aquela cama. Tudo aquilo era testemunha de atos libidinosos que até Sasuke duvidava que tinha feito.

Sentada em cima de uma pequena cômoda, Kurenai desfrutava da nicotina antes pertencente ao jovem deitado em sua cama. Não podia crer que um homem daqueles, com um futuro brilhante se acusaria solitário.

Soltou a fumaça ainda sem tirar os olhos do antigo cliente. Antigo porque há muitos meses ele só a procurava para que dançasse enquanto injetava a morte nas veias.

– Seu pai odiaria te ver nesse estado. – Ela sabia que ele estava acordado. Conhecia cada detalhe daquele homem que ela ajudou a moldar.

– O que sabe sobre o meu pai? – Riu da propria pergunta. É claro que Kurenai sabia muito sobre o falecido, era a puta dele. Quando tinha doze anos o seguiu ao invés de ir para escola.

Foi quando pegou o pai aos beijos com a mulher que não época não deveria ter mais que vinte anos. Sasuke suspirou levando a mãos ao chão, tateou até encontrar o isqueiro e o maço quase vazio.

– Muito... E também sei que seria o desgosto da vida dele ver o filho cavando a própria cova. — A mulher de cabelos escuros desceu da cômoda e caminhou até o escritor.

Ele sentou-se na cama e expeliu a fumaça lentamente. Depois de algum tempo em silêncio, olhou para a prostituta ajoelhada entre suas pernas. Ela parecia preocupada, sua testa estava franzida.

– Não preciso de babá, Kurenai.

– Devia arrumar uma mulher e sossegar. A heroína só vai te matar,pouco a pouco não sobrará nada. – Ela disse levantando-se do chão. Falava sério quando o aconselhava a procurar uma companheira, quem sabe assim deixaria de se destruir.

– Hero é meu único amor. – Sasuke riu e colocou o cigarro na boca novamente.

– Você é doente. – A prostituta o repreendeu autoritária. Catou a blusa branca do viciado e lhe entregou, bruta. Não estava ali para ouvir os delírios de um insatisfeito com a vidinha perfeita. – Saia daqui, vai pra sua casa escrever seus pornôs lá. Anda, anda. Diferente de você, eu tenho que dar pra receber.

Notas finais
Gente, antes que vocês me matem, tenho que lembrar que o Sasuke é do tipo que vive perambulando por bares e esse em específico é o preferido dele e sobre a Sakura... Bem.. haha É melhor esperarem. Espero que tenham gostado e que não tenham ficado confusas com os delírios do Sasuke drogado :3 Beijão