O Poeta

16 Verdades


Notas iniciais
Oi, queria agradecer muito aos meus leitores porque mesmo atualizando a fic a cada quinze dias, vocês ainda estão comigo, ainda mandam comentários lindos e recomendações maravilhosas, que por sinal, eu queria agradecer também à linda da Miku Uchiha pela recomendação maravilhosa e dizer que vou responder a todos os comentários esse fim de semana. Um beijo e boa leitura.

O soprar da brisa trazia consigo cheiros de morte, daquelas que estampavam um "descanse em paz". Até a grama verde emanava aquele estado que ser vivo nenhum quer presenciar.

Sasuke estava parado diante de dois túmulos há horas, fixava seu olhar nos letreiros esculpidos na mármore e por mais forte que demonstrasse, ele desabou. Nunca tinha sido tão sincero quanto estava sendo naquele momento. Não chorava de saudade há anos e culpava-se por ser tão fraco.

Elas desciam frouxas e arrebatadoras. Para algumas pessoas que passavam pelo cemitério, o sentimento de compaixão era visível já que não era muito comum ver um homem feito chorando igual criança.

Ele ajoelhou-se na terra e a "segurou", deixando escapar alguns grãos por entre os dedos. Uma perfeita analogia para a perda de seus pais: Ele os deixou escapar por entre os buracos que separavam um dedo do outro.

Aqui jaz Fugaku e Mikoto Uchiha. Pais carinhosos, amigos fiéis e filhos amorosos.

E de novo a merda do peso daquele maldito sobrenome batendo em suas costas. Daria tudo para que os tivesse de volta. Daria tudo para que eles vissem a fama que seu trabalho lhe proporcionou... Seria maravilhoso se eles conhecessem uma certa mulher de pernas exuberantes que o acolheu na noite passada

– Você não foi o único que os perdeu. – Itachi esboçou um sorriso triste e colocou duas flores únicas nos túmulos.

Era vergonhoso ser visto chorando, mesmo que a testemunha fosse seu irmão, por isso o escritor secou as lágrimas com as costas das mãos e virou-se para o outro Uchiha.

– Quando chegou aqui?

– Meu voo chegou faz umas duas horas, te procurei no apartamento e como não o achei, imaginei que estivesse aqui. – Disse ignorando seu costumeiro orgulho e ajoelhando-se ao lado do irmão.

Fazia algum tempo desde que Itachi vira seu irmão chorar compulsivamente pela ultima vez. Os dois ficaram um tempo em silêncio, talvez curtindo o silêncio ou quem sabe lembrando dos pais. Céus! Ele nem sequer conseguia lembrar com clareza do rosto dos dois, estivera tão enfurnado em seu gabinete que sequer deu-se o trabalho de olhar o álbum de família.

– E esse olho roxo? – Não era difícil perceber os quilos de maquiagem que o debutado havia passado para disfarçar marcas da briga que teve com o inconveniente do Uzumaki.

– Dá para ver? Aquela maldita disse que ninguém ia reparar. – Suspirou sem tirar os olhos da lápide, conseguia perceber a falta de interesse na voz do irmão, provavelmente tinha perguntado só por perguntar. – Seu querido amigo me atacou no meio de um debate.

O outro até esforçou-se para levantar um pouco a curva dos lábios, estava tão depressivo aquele dia que nada o faria sentir-se melhor. Talvez Hero fizesse. Ela faria.

– Você deve ter falado mal da Hinata, eu já te falei... Ele endeusa aquela garota.

Mas não pôde deixar de achar irônico o fato de seu irmão ser inimigo declarado de seu melhor amigo.

– É. É bem provável que eu tenha feito isso. – Itachi riu amargo da própria constatação dos fatos.

Quando olhou para o lado, flagrou Sasuke acendendo um cigarro, lamuriando-se da própria dor e pela primeira vez em anos, o vira tossir assim que a fumaça saiu pela boca. Tossiu nervosamente umas quatro vezes.

As lágrimas tinham secado cerca de alguns minutos antes e a falta de assunto dava lugar à um espaço com cheiro de nicotina. Se Itachi pudesse, enfiaria a ponta daquele cigarro no umbigo do irmão mas como não podia, apenas tinha o desgosto de vê-lo matando-se lentamente, portanto voltou seu olhar para as flores e depois para as lápides.

Ele os amava demais. Os amava tanto e nunca fora humilde o suficiente para dizer.

Tolo demais. E Itachi ouviu mais uma tosse.

– Quando vai largar essa merda? Isso está te matando. – Perguntou ainda com os olhos vidrados nas lápides, o tecido da calça social sujo de terra.

Sasuke fingiu não ouvir e para que não precisasse responder, levantou ainda com o cigarro preso na boca, jamais largaria seu suporte de anos. Pensava que se o largasse, morreria de depressão.

Morreria. Com certeza amanheceria morto

O nó na garganta voltou, não queria chorar outra vez, pelo menos não na frente do irmão e por isso jogou a cabeça para trás, baforando um pouco da fumaça cinzenta.

– Eu... Eu vou beber.

– Quer carona? — O político bateu com as mãos na calça tentando tirar algumas migalhas de terra que ainda grudavam no tecido e aos poucos foi se levantando. – Eu tenho mesmo que passar para negociar um exame de DNA com uma professorinha. Acredita que a mulher espalhou para o mundo inteiro que eu a engravidei?

– Vai oferecer dinheiro para a mulher? Porque simplesmente não faz o exame? – Itachi olhou feio para o caçula e caminhou pouco mais de cinco metros longe das lápides.

– Não quero escândalos. Minha vida já está complicada demais com esse seu amigo no meu caminho.

Os dois caminharam lado a lado até o estacionamento do cemitério. Sasuke com o cigarro entre os dedos, Itachi com a sua valiosa moeda em mãos. Não parecia mas o escritor ainda processava as ideias sobre o que o irmão tinha falado, não entendia o motivo de querer oferecer dinheiro para a grávida se nunca havia se deitado com ela.

– Escândalo maior seria se ela fosse à imprensa dizer que você a subornou, daria a entender que o filho é seu e que não quer assumi-lo. – Dessa vez, ele não deixou que a fumaça saísse, ao invés disso, sugou-a goela abaixo e pisoteou o toco que havia sobrado. Decidiu que quanto menos soubesse da vida suja de Itachi, melhor. – Bem, eu já vou.

– Você tem razão. – Disse pouco antes de ver o escritor colocar o capacete e desaparecer com sua moto.

***

Sakura terminava de prescrever uma receita quando ouviu a criança chorar, isso a assustou mas procurou não demonstrar. Levantou o olhar para a mãe que segurava o menino em seus braços e sorriu.

Logo abriu a gaveta e tirou algumas caixinhas, eram coloridas e tinham letras miúdas em sua embalagem. Assim que a mulher entrou na sala com a criança em seus braços, percebeu que não tinha a menor condição de comprar o remédio mais barato do mercado.

– Aqui, essa é a dose que a senhora tem que dar – Explicou apontando para os rabiscos no papel e empurrando as embalagens junto. – Não se esqueça que é sempre de doze em doze horas, do contrário nada aqui fará efeito, ok? Cuide desse rapaz hein.

A mulher abriu um sorriso e até ajeitou os cabelos que de tão lisos, escorregavam na presilha. Não podia acreditar na generosidade da médica, deixou que algumas lágrimas lhe escapassem. Poderia abraçar a jovem que tinha idade para ser sua filha mas... Mas como o faria? Estava tão sem jeito.

– Será o nosso segredinho, tudo bem? – Sakura sorriu segurando a mão da mulher e a encarando nos olhos. Talvez visse um pouco de sua mãe nela ou um pouco de Sasuke naquela criança enferma.

– Eu juro que nem sei como agradecer...

Sakura levantou-se da cadeira e parecia procurar algo, passou uns minutos perambulando pelo consultório até lembrar que no armário em cima da maca, a pediatra que tinha pedido demissão, guardava sacolas e sacolas de plástico.

Só foi equilibrar-se no banquinho e depois na maca para conseguir vasculhar o armário e pegar uma sacola.

– Mas o que...

– Pronto, coloque as amostras aqui e saia como se tivesse entrado com a sacola – A médica deu uma risadinha e deixou que a mulher fosse embora.

No fundo, estava com o coração apertado de ter que burlar as regras do hospital mas de que adiantaria só receitar medicamentos se os pacientes não terão condições de comprá-los?

Fora que maioria que frequentava o lugar, era a massa que não tinha plano de saúde porque a pequena parte que tinha, automedicava-se e só apareciam lá quando quebravam uma perna ou machucavam-se pelas redondezas.

Ela fechou os olhos por uns instantes e automaticamente lembrou dos pais, fazia algum tempo desde que os vira pela ultima vez, queria vê-los de novo, morar sozinha tinha suas desvantagens.

– Dormindo no expediente, Sakura? – Tsunade sempre a surpreendia nos piores momentos e aquele era um deles.

– Longe disso, só fechei os olhos por alguns segundos. – Respondeu espreguiçando-se na cadeira, não podia negar que estava muito cansada da noite anterior. E que noite!

A loira sorriu e acenou com a cabeça, olhou à sua volta mas não encontrou nada de interessante para cogitar, pensava que Sakura deveria estar de saco cheio dela e de sua exigência.

Quando levantou os olhos, foi surpreendida pela jovem médica de braços cruzados, que respirou fundo.

– Tsunade... eu não sou pediatra, sou clínica geral. Não posso olhar para aquelas mães e prescrever remédios como se eu soubesse tudo de criança. – As palavras saíram tão rápidas e emboladas que até mesmo Sakura teve que parar por alguns segundos para tentar juntar as poucas compreensíveis.

– Estamos em um período difícil, a nosso moeda está completamente desvalorizada e não temos tantos funcionários como antigamente... – A chefe desabafou sem preocupações de alguém ouvi-la, apesar de que tudo dito ali era a mais pura verdade. – Sabe como é para a Yamanaka, que está acostumada a ficar sentada no balcão, ter que exercer funções de serviço geral? Eu não tenho mais médicos! Não tenho!

– É... Só dez médicos para o principal hospital de Tókio...

Sakura até pensou em consolá-la mas talvez fosse pior, as duas discutiriam e o que ela menos queria era perder aquele emprego que ralou tanto para ter.

Olhou para o relógio e constatou que seu horário de almoço começaria em menos de cinco minutos, tirou o jaleco e pegou a bolsa debaixo de sua mesa. Quando voltasse teria que ficar em outra ala, do outro lado daquele hospital enorme!

– Eu já volto, sabe se Ino já saiu para almoçar?

– Saiu tem uns dez minutos, a menina que cobre ela chegou um pouco mais cedo hoje. – A loira ajeitou novamente a sua postura de chefe.

– Hm, obrigada. Vou almoçar, com licença Tsunade. – Dessa vez ela teria que esforçar-se para não comer como um moleque e acabar derrubando tudo naquela calça branca.

Sakura passou pelo espelho do corredor central e ajeitou a blusa amarrotada, seu cabelo preso no alto da cabeça fazia com que aparentasse ser mais nova. Ela gostava disso. Desceu mais um lance de escadas e de longe avistou um homem alto com cabelos platinados, estava de costas mas podia jurar que era seu antigo professor.

– Kakashi?

***

Fazia algum tempo desde que a levara para passear pela última vez, apesar de que sair para comer gelo doce nunca foi um dos passatempos preferidos de Hinata.

Mas ela estava lá, sentada na cadeira em frente a sua com um pote de gelo doce na mesa, deixando que ele derretesse aos poucos em sua boca.

– Está frio por aqui, não acha? – Por um momento ele pensou vê-la sorrir com os cabelos caindo no rosto e achou lindo.

– É...

Naruto aos poucos tirou a gravata e arregaçou as mangas da camisa de botões, queria ficar um pouco menos formal do que de costume. Talvez dessa forma, Hinata se sentisse mais a vontade para lhe dar explicações sobre o motivo de não querer ter o filho.

Ela mordeu os lábios e se viu olhando para a taça vazia, logo teria que dar explicações e como bem sabia, seu noivo era bem afoito. Por vezes emendava os pés pelas mãos por conta do modo afobado e escandaloso.

Ela não queria contar.

– Você não costuma sair comigo para fora da fazenda. – Disse da maneira mais tímida, os brancos jamais encarando diretamente os do companheiro.

Naruto pigarreou, ajeitando-se na cadeira. Por um momento, o corte no supercílio lhe causou um leve ardor.

– Não, mas sei o quanto você reclama disso. – Tentou sorrir mas acredite, saiu tão torto que parecia uma careta. — Hinata... Voce já tomou o seu gelo doce, já andou de carro pelo centrinho, já recuperou o fôlego de ter passado a noite no hospital. Mas eu quero uma explicação: Porque diabos você quer ir embora?

– Mas...

– Por que você quer me tirar a única família que eu tenho? Porque? – O som de sua voz saiu esganiçado, falhou bem no meio da pergunta. Totalmente desapontado com a decisão da garota.

As veias já apareciam em sua testa molhada de suor, suor nervoso. Aquelas gotas escorrendo pelo canto do rosto e a parte das costas da blusa começando a molhar-se.

– Você não entende! Eu sinto falta da minha família, do meu povo. Não achei que fosse me sentir assim mas se eu voltar com um filho... Eles não vão me aceitar. – Hinata não ousava aumentar o tom de voz até por respeito à uma mulher que segurava seu bebê no colo na mesa ao lado. – ... nunca.

O político engoliu as palavras que viriam a seguir, ainda olhava atônico para a menina que comprimia os lábios a espera de uma resposta agressiva ou ate de um escândalo.

– Seu povo... – A rouquidão da voz denunciou uma tensão, alta tensão que percorria a cabeça — Seu povo...

Silêncio. Os dois olhos se cruzaram.

– Eu amei a Hinata justa, extremamente tímida que recolhe para dentro de casa todos os cães abandonados que encontra, a Hinata que se encolhe todinha na coberta quando acaba de sair do banho, que arrebita o nariz cada vez que ganha uma discussão comigo mas essa Hinata egoísta, que põe os seus caprichos na frente da de outro ser vivo – Naruto engoliu seco, sem pensar duas vezes, tirou a carteira do bolso, pegou algumas notas e as jogou na mesa. – Essa não foi a garota maravilhosa por quem eu me apaixonei. O "meu" filho você não vai tirar.

E saiu dali, dispensou o motorista, não ligava se teria que andar quilômetros até chegar em casa, pensando bem, nem queria ter que voltar e ter que encarar todos o encarando como um perdedor.

Enquanto dava passada lentas, ouvia alguns "Naruto! Naruto!" mas ele não se virou nem por um minuto. Todo homem precisa do seu momento de solidão ao menos uma vez, faz parte da vida bater cabeça por culpa de mulher.

Essa raça é o principio de todos os problemas do mundo. Primeiro é Karin que contraria tudo que ele faz, até já perdeu o controle de seu carro novinho, quando deu por si, ele estava dentro da piscina do casarão e agora Hinata ... Aliás, de onde tinha tirado a ideia estúpida de que voltaria para casa?

Eles jamais a aceitariam de volta.

Naruto pegou o celular no bolso da calça e ficou encarando a tela apagada por alguns segundos, estava no meio de alguma viela mas por sorte ainda era dia. Mal passava das três da tarde.

– Ei Sasuke, está podendo falar?

Que voz é essa, cara? – Mas a do próprio escritor parecia mais lenta do que de costume. Talvez estivesse ofegante

***

De repente a ligaçao ficou muda e Sasuke tirou o celular do rosto, ainda franziu a testa para enxergar melhor a tela do celular. Merda! Precisaria mesmo de óculos.

– Estranho... Aah! Merda, Sakura! Você me machucou! – Ele gritou ao sentir os dedos da moça esbarrarem no corte em sua testa.

E gritou ainda mais alto, quando de propósito levou um beliscão no braço. Sakura voltou seu olhar para a bandeja de alumínio e molhou mais um pedaço de algodão, levando-o até o queixo ralado do homem.

– Ao invés de reclamar, poderia me explicar como é que arrumou tudo isso. Shizune me contou que fizeram raspagem nos ferimentos da barriga.

– Eu perdi o equilíbrio na moto, acho que bebi demais.

E ela sabia disso, apenas confirmou o que Ino a havia dito logo depois que voltou do horário de almoço. Tinha que confirmar se o exagero que a loira tinha lhe contado era verdade. Como sempre, exageros. Só alguns cortes, arranhões e algumas partes do corpo raladas. O pior que podia lhe acontecer eram as rapagens, aquilo sim era sofrimento.

– Já disse que bebida e direção sempre dá em problema, ainda mais naquela moto gigante. – Mais um pouco e ela já tinha tudo sob controle – Levanta a camisa, quero ver se está tudo certo.

Sasuke não pôde conter o risinho de escárnio mas fez o que lhe foi dito. Ela ficava muito gostosa concentrada, empinando o traseiro para ver mais de perto, fazendo biquinho enquanto analisava o feito da enfermeira que já tinha sido dispensada pela médica.

Muito, muito tesuda.

– Está gostando? – Pode-se dizer que essa pergunta pegou Sakura desprevenida, mas não tanto.

Ele abaixou a camisa e lambeu os lábios quando a viu dar uma piscadinha e virar para pegar mais algumas gazes na bandeja, não deixou de escorregar os olhos para a parte debaixo do jaleco, na esperança de ver algo a mais.

Não viu mas ficou encantado quando a médica virou novamente e levantou os dois olhos verdes em sua direção. Caíam tão bem com os tons de rosa do cabelo.

– Se não se importa, seu olhar de comedor está me deixando sem graça. – Sakura retrucou sem esconder o vermelhidão pintando sua face. – E eu estou no meu trabalho, mais serie...

– Adoro essa sua expressão de menininha, contrasta bastante com as suas atitudes na cama.

Isso o fez lembrar da vez em que a pegou espiando pela porta de entrada do apartamento. Ele levava o lixo para fora e Sakura olhava pelo olho mágico, podia ver sua sombra no chão mas resolveu provocá-la ajeitando o membro na calça.

Ele adorava isso.

– Sasuke tagarela é quase que uma raridade. – Um meio sorriso apareceu no rostinho fino, até desviou o olhar que caiu em cheio nas veias furadas do braço esquerdo. Ela o tocou – O que são?

Num ato de puro reflexo, o escritor recuou para que não reparasse que os furos, contabilizados, passavam de cinco. Sua Hero.

– Tirei sangue antes de você chegar, minha veia é muito difícil de ser achada e... – Sakura puxou o braço novamente e encarou feio o vizinho, depois voltou o olhar para os furos.

– Tudo bem... – Em parte, um único furo era bem recente, sabia que haviam pedido exame de sangue para ele mas não escondeu que achava estranho os outros furos.

Nenhum deles era tão recente assim. Se tinha uma coisa que Sakura não gostava de ficar, era desconfiada.

– Eu já volto. – Disse pouco antes de olhar novamente para Sasuke e sair pela fenda da cortina que o separava de outros pacientes.

Enquanto caminhava pelos corredores do hospital, ela pensava que já tinha visto marcas iguais aquelas em uma velha amiga da faculdade. O barulho do seu salto baixo contra o piso intensificava ainda mais seus pensamentos porque a mesma garota havia morrido de overdose em um verão que a turma de medicina decidiu viajar para um dos lagos do norte.

Ela mesma já havia experimentado maconha umas duas ou três vezes mas isso fora há muito tempo, muito tempo mesmo.

Talvez estivesse errada, até porque pouco sabia da vida de Sasuke por mais que cozinhasse para ele nos fins de semana ou vez ou outra era encochada. Se bem que a sua tara pelo abdômen do escritor não a deixava encarar outras partes de seu corpo.

De qualquer forma, tinha que prestar mais atenção nas atitudes do homem, estava ficando realmente preocupada com sua saúde e até que sua desconfiança acabasse, ficaria mais observadora.

– Nossa Senhorita Haruno! Estou te chamando há um tempão. – A enfermeira baixinha disse apressando os passos para alcançar Sakura. – Solicitei um exame toxicológico para aquele rapaz que caiu de moto. Ele estava muito bêbado e até vomitou na entrada da sala de espera.

Sakura ficou encarando a moça por um certo tempo, parecia perdida nas próprias ideias.

– Exame toxicológico?

– Sim, ele parecia bem alterado, também percebi algumas marcas bem recentes no braço, na verdade só pedi porque, com todo o respeito, corre um burburinho pelos corredores de que ele é seu namorado e minha irmã … Ela já se envolveu com coisas ilícitas. Mas o exame sai em doze dias úteis.

A médica não disse nada por um tempo e até coçou a testa, essas fofocas sempre tinham a ver com Ino, provavelmente aquela notícia deveria ser até velha na boca do pessoal do hospital.

– Ele é meu vizinho, obrigada. Eu pago o exame dele, coletou o que ?

A mocinha olhou para os dois lados e até colou as mãos em concha perto da boca. Ninguém devia saber dessa sua atitude clandestina, até porque esses exames normalmente eram solicitados pelo próprio usuário;

– Aproveitei que estava fazendo a raspagem da ferida na perna dele e tirei alguns fios de cabelo, estava sentindo tanta dor que nem reparou – Ela soltou uma risadinha e entregou uma prancheta para Sakura – Aqui está o telefone da empresa e desculpe se fiz alguma coisa errada

Notas finais
Espero que tenham gostado, sei que tenho comentários pendentes para responder e farei isso esse fim de semana, beijinhos!