O Poeta

17 Sensual


Notas iniciais
Boa noite meus lindos e lindas! Felizes com a atualização? hahaha Cherry, sua lindona! Obrigada pela recomendação linda, nossa! Obrigada. Capítulo curtinho porque estou me preparando para o próximo que vai ser ... hehe Recheado de muitas coisas boas/ruins.

Dois dias antes da entrega do resultado

Quando Sakura olhou para o relógio, faltavam quinze minutos para a meia noite, a chuva não cessava por nada e por mais que corresse pelas ruas, o aconchego de seu apartamento parecia cada vez mais distante. Estava mais irritada pelo simples fato de ter esquecido o guarda chuva, tinha saído tão atordoada por ter perdido a hora que não se deu o trabalho de levá-lo.

Ela sempre o levava.

– Mas que merda... – Seus dedos escorregaram ao colocar a chave na fechadura do portão e por mera falta de sorte, ela tinha emperrado. Simplesmente não girava. Não importava o quanto tentasse.

– Quer ajuda? – Aquela voz lhe soava tão familiar, era como se a escutasse há anos.

– Gaara? O ... O que faz aqui? – Ela ficou surpresa ao deparar-se com o antigo amigo. Mas logo voltou-se para a fechadura. – Merda! Eu desisto!

E como uma criança birrenta deixou as chaves penduradas e cruzou os braços. O ruivo não conseguiu conter o riso ao ver aquele rostinho emburrado, ela ficava tão graciosa com aquele biquinho e a testa franzida ao máximo.

Parecia mesmo uma criança fazendo birra e toda aquela água da chuva caindo sobre os dois dificultava a visão. Gaara "secou" as mãos no casaco encharcado e tentou ajuda-la, forçou a chave algumas vezes até que com um empurrão, o portão foi aberto.

– Obrigada... Eu teria ficado a noite inteira tentando e não conseguiria.

Ele acenou e esboçou um leve sorriso.

– Aliás, o que faz aqui? – Perguntou limpando os sapatos no tapete de entrada e novamente focando seu olhar no homem.

Gaara sacudiu os ombros sem ter muito o que dizer porque para ser sincero, não queria especificamente ter uma conversa clara com Sakura, ele apenas sentiu vontade de vê-la e foi.

– Quis te ver. Quer que eu vá embora?

– Não... Nem pensei nisso. – Ela sorriu sem graça, tirando os fios molhados do rosto e logo encaminhando-se para o elevador. – É que faz algum tempo e eu fui grossa com você da ultima vez, juro que não foi minha intenção.

Ele balançou a cabeça em silêncio e a acompanhou, convidando-se em silêncio para subir para o apartamento. Os dois, no passado, eram tão amigos que convite nunca tinha sido necessário. Ele ou ela já entravam, abriam geladeira, jogavam-se no sofá.

Uma amizade bonita de se ver.

– Kakashi me procurou hoje, estava todo animado com o emprego novo. – Aquilo era obviamente uma tentativa de quebra do silêncio torturante. – Ele deixou de dar aula na faculdade, parece que brigou com o reitor. Foi feio.

– É? Eu não falo com ele desde a formatura. Você que sempre foi a queridinha dele e por isso manteve contato. – Disse pouco antes de ver a porta espelhada abrir diante de seus olhos, ele avistou um corredor escuro e com cheiro de cigarro.

Aquilo causava dor de cabeça, Sakura tinha que admitir que no começo aquilo também a incomodava mas nos dias atuais até tinha acostumado-se, também era um sinal de que Sasuke estaria em casa já que era o único fumante do andar.

Ela passou a amar a presença daquele cheiro.

Sakura olhou para Gaara e ele mantinha o olhar fixo no corredor, as mãos no bolso denunciavam frio e porque sua expressão era tão séria? As sobrancelhas franzidas e os lábios levemente crispados mas o olhar... Perdido na escuridão do corredor, até que levou um susto quando as luzes se acenderam de repente.

A médica sorriu sem graça e puxou o ruivo pelo pulso.

– Sensor de presença, eu também me assustava mas quando se acostuma, nem repara mais. – Ele deixava-se levar pelo corpinho que a guiava até o fim do corredor. – Vem, você deve estar com muito frio mas eu acho que...

– Parece que tem vizinhos animados. – E soltou uma risada. – O cara é bom mesmo, a mulher não para de gritar.

Ela respirou fundo e abriu a porta do seu apartamento, quanto menos ouvisse os gemidos do apartamento ao lado, melhor. Mas parecia que estavam mais alto, cada vez mais. Ah! Como queria ir lá e mandar aqueles dois calarem a maldita boca.

– Isso sempre acontece, ele não tem senso do ridículo. – Não, não tem e Sakura fugiu para o quarto, procuraria um moletom para Gaara, talvez assim ele não reparasse que estavam tão incomodada.

Ela correu os olhos pelas gavetas do guarda roupa, seu campo de visão caiu em uma calça comprida e um casacão que lhe serviria muito bem. Gaara perguntou bateu na porta e perguntou se podia fazer um chá, sem ter muito o que dizer, aceitou.

Pegou uma toalha e secou os cabelos que batiam um pouco acima da cintura. De uma hora para outra sentiu as narinas serem invadidas por um cheiro gostoso de erva-mate e não conseguiu não fechar bem os olhos para aspirar aquele cheirinho.

– Quer que eu adoce o seu? – O homem gritou da cozinha.

– Não, não precisa. – Gritou de volta catando algumas roupas antigas de Gaara que tinham vindo por engano. Ele sempre deixava para quando dormisse na casa da amiga mas isso nunca tinha acontecido.

– Aqui, eu não sei se saiu como...

Os gemidos tinham ficado mais escandalosos. Cada vez mais. Mais. Mais. Mais. Mais. E a visão de Sakura só de roupas intimas com todos aqueles gemidos no apartamento ao lado era bem tentador. A calcinha estava seca mas o sutiã estava tão encharcado que era bem visível o enrijecimento dos mamilos.

A medica assustou-se ao vê-lo parado na porta do quarto com duas xícaras nas mãos, ela gritou e cobriu o corpo branquelo com as peças de roupas.

– Que susto! – Disse colocando a blusa e a calça que ficava larga no corpo. Ela passou por ele como um trovão sem tocar na xícara. – Podia ter batido na porta.

Mesmo dali, era possível escutar os gemidos roucos de Sasuke.

– Eu não sabia que você estava trocando de roupa e pensando bem, tudo isso que está tentando esconder. – Gaara sorriu discretamente e tirou a camisa encharcada. – Eu conheço de cabo à rabo.

– Não começa hein.

Sakura virou o rosto, fingindo estar ofendida e sorriu enquanto levava a xícara à boca. Gaara realmente a conhecia muito bem, tanto sua cabeça quanto o seu corpo e enquanto ela bebia o chá, observava o ruivo trocar de roupa.

As costas bem trabalhadas e com algumas marcas de arranhões, os glúteos tensionados pelo frio mas ainda assim atraentes. A cueca azul tinha ficado com o tecido transparente mas logo sua visão foi bloqueada pela calça vestindo o corpo e depois o casaco cobrindo os braços definidos.

O líquido desceu pela garganta de Sakura, aqueles gemidos do outro apartamento estava ficando irritante. Sasuke não precisava de tanto para mostrar que transava todos os dias e também podia ter um pouco mais de respeito por ela, os dois tinham transado a semana inteira – com camisinha – e naquele momento... Estava sendo apenas sendo o Sasuke. Se bem que um dia ele tinha dito que fazia aquilo para ganhar inspiração nos contos.

– O cara aqui do lado está se divertindo mesmo.

– Nem me fale, isso já está me irritando. Será que ele não podia gemer mais baixo?

Gaara conhecia a médica tão bem que no mesmo instante em que a frase foi dita, conseguiu detectar traços de ciúmes e isso o fez ficar curioso, ela não costumava se prender a alguém.

A ninguém.

– Isso seria ciúmes? – Ele riu – Porque na minha época era você quem dava o pé na bunda e não ao contrário.

– Já conversamos sobre isso, Gaara. E... Eu não estou com ciúmes, eu só... – Sim, Sim. Ela estava com ciúmes, se roendo de raiva por não estar no lugar da mulher.

Se roendo de raiva por um resultado de exame que ainda não tinha chegado, odiando a si mesma por estar com ciúmes.

– De qualquer forma, quero conhecer o cara. Ele deve ser melhor na cama do que eu. – Ele sabia o exatamente o que dizia, pois era assim que se conquistava Sakura. Na cama.

Gaara bebeu o chá que já havia esfriado um pouco e olhou para a mulher. Os cabelos molhados colados no rosto a deixavam com faceta de atriz pornô e isso era engraçado. Ele gostava.

Se pegou olhando fixamente para ela, nem adiantou desviar o olhar. Quando deu por si, Sakura o encarava de volta, com o sorriso aberto e novamente os cabelos revoltos fazendo um papel sexy nela.

De fato transar com ela foi uma das melhores coisas que já experimentara. Gostava dos movimentos destrambelhados da garota, contrastavam bastante com o cavalgar dela na cama.

Nunca em sua vida poderia imaginar que Sakura fosse boa na cama, ela não era linda, maravilhosa e tinha uma testa avantajada. Sempre reservada, achava que era do tipo que curtia apenas um papai-mamãe básico mas surpreendeu-se ao ver sua performance, era uma safada entre quatro paredes.

Não era uma vadia que dava para todo mundo, que se oferecia. Ao contrário, sempre se mostrou na dela, não deixando os homens passar dos limites e isso a deixava mais gostosa.

– Aliás, como achou as coisas na cozinha? Você só conhecia a antiga casa.

Ele bebeu mais um gole do chá e colocou a xícara ao lado do sofá, no chão.

– Ai ai. Você é previsível demais. Metódica demais, é fácil adivinhar seus pensamentos e ainda mais os lugares onde guarda as coisas.

***

– Você é muito bom, muito bom mesmo. – A prostituta disse analisando as folhas de rascunhos largadas sobre o criado mudo.

– Uhum. Eu sei. – Sasuke caminhou até o banheiro e segurou o membro em direção ao buraco do vaso sanitário.

Ele odiava ter que urinar depois de cada relação sexual mas acabou virando costume e o motivo era totalmente desconhecido. A vontade chegava, ele fazia.

– Sou bom em muitas coisas. – Já de mãos lavadas, vestiu uma cueca no cesto de roupas limpas.

A mulher estava sentada na cama e ele a observava serenamente, nada naquele rosto fino, cheio de olheiras denunciava a crise que sua cabeça passava. Desceu o olhar para os seios siliconados da loira e automaticamente lamentou não estar conseguindo ter criatividade para escrever.

Ele entendia que isso acontecia com os escritores, às vezes mas não podia se dar ao luxo de ter essa crise de criatividade. Ele tinha prazos, a editora exigia constantemente a conclusão de seu conto para uma coletânea com outros autores mas nada vinha em sua cabeça.

– E eu nem tive que fingir um orgasmo. – Disse fazendo beicinho. – Você poderia fazer bom proveito desse meu lado.

– Eu não sei o que está acontecendo, não consigo mais escrever. – Ele puxou a carteira de cigarro que estava em cima da cômoda e passou a observar o aviso no verso da embalagem:

O uso deste produto diminui, dificulta ou impede a ereção.”

Sasuke fez uma careta e tirou um cigarro de dentro da embalagem, fumava há tantos anos e nunca tinha tido problemas desse tipo. Talvez ele fosse um filho da puta sortudo que fumava a cada dez minutos e tudo que lhe acontecia – ultimamente – era tossir um pouco ou usar sua Hero indiscriminadamente e só ter o nariz sangrando.

É. Talvez fosse isso mesmo.

– Um dia a criatividade volta. – Ela respondeu abrindo a gaveta do criado mudo e enfiando, de maneira organizada, a papelada que Sasuke usava como rascunho. – Porque não tenta fazer outras coisas? Pode se surpreender quando finalmente for sentar para escrever. Sabe... Kurenai contou que você gosta de nadar.

– Me ajuda a esfriar a cabeça. – O cigarro pendia em seus lábios, já com os primeiros resquícios de que estava sendo tragado.

E ficou ali, olhando para o corpo da mulher nua. As curvas do quadril dela eram bem parecidas com as de Sakura, as duas gostavam de empinar a bunda para chamar sua atenção e ele percebia isso a cada soprar da fumaça, cada tragada lenta que fazia com que as cinzas caíssem no pé descalço.

Ela riu.

– Eu vou embora, sabe como Kurenai é. Não nos dá descanso. – Ela levantou e vestiu suas roupas que com toda a certeza deveriam ser, pelo menos, dois número a menos mas que ficavam até bonitos naquele corpo, isso ele não podia negar.

Sasuke esfregou as mãos nas olheiras e prendeu o cigarro entre os dedos. Estava tão distraído com seus problemas que ouviu apenas um “Embora”, logo calculou que a garota estaria se despedindo e por isso tratou de andar calmamente até a carteira jogada no chão. Tirou de lá um valor considerável, bem mais do que as meninas de Kurenai cobravam.

– Bem, boa sorte com os contos. – Ela acelerou o passo e nem contou o dinheiro que recebera, apenas o colocou no sutiã e saiu, deixando a porta aberta.

– A gente se vê depois então. – Quando Sasuke olhou para o lado, fechou a cara. Era Sakura acenando para um homem ruivo que preferiu descer as escadas à ir pelo elevador. Que burro.

Ele soltou novamente a fumaça pelo canto da boca, não podia crer que realmente tinha um homem saindo de madrugada do apartamento ao lado, não podia mesmo. A médica o olhava com carinho, podia perceber isso no leve curvar do lábios e em como seus dedos balançavam de ansiedade, pôde perceber também que os cabelos estavam levemente molhados, quase secos.

O ruivo já tinha desaparecido de sua visão e Sakura ainda olhava para o vazio deixado pelo sujeito.

– Meio tarde, não acha?

– É verdade. – Sakura continuava olhando o vazio, sabia que estava sendo encarada fixamente e podia perceber que era o escritor pélo simples fato do cheiro de tabaco ter invadido o corredor de uma hora para outra. – Devíamos dormir.

A médica gostava de muitas coisas em Sasuke, entretanto, o humor ácido do homem passava bem longe de suas preferências. Tinha até aprendido a apreciar sua compulsão em cigarros e as bebedeiras em que ela o encontrava, apesar de que bêbado era mais sarcástico e maldoso do que quando estava sóbrio.

A verdade é que não conseguia entender o porque de se sentir extremamente atraída por aquele homem amargurado, ainda que tivesse seus dotes, não valia à pena.

Sua opinião logo se desmanchou ao se virar e notar que Sasuke usava o parapeito da janela do corredor de cinzeiro, observando o amanhecer alaranjado. Ele estava apenas de cueca e nem se preocupava em vestir alguma outra coisa.

A fumaça subia e encontrava o vidro da janela.

Ele devia estar podre por dentro mas ainda assim era sensual a maneira como levava o toco de cigarro até a boca e logo depois liberava a fumaça ou pelo nariz ou pelo canto dos lábios. Não era possível que aquela criatura que tinha tudo: Mulheres, dinheiro, fama era tão sozinha a ponto de se drogar.

Bem...

– … O resultado ainda não saiu. – Deixou escapar.

– Eu sei que você está olhando para a minha bunda. – Sasuke não pensou duas vezes antes de jogar o toco de cigarro pela fresta da janela, com um peteleco as cinzas foram junto prédio abaixo.

Sakura gargalhou em deboche ao mesmo em que caminhava até ele, abraçou suas costas e encostou a boca na pele com cheiro de perfume de puta. Os lábios não se mexiam e podia sentir as costas se mexendo com a entrada e saída de ar dos pulmões do Uchiha.

Talvez ela afundasse junto com ele.

– Te convidei para jantar lá em casa mas você não quis, aí resolvi pegar o plantão. – A médica sussurrou contra a pele machucada do sexo com a prostituta. Os lábios tocando e acariciando a textura Uchiha.

– Ando ocupado. – A mão dela subiu pelos ombros, inconsciente do sorriso malicioso que o vizinho esboçava, principalmente da vontade que tinha de jogá-la no chão do corredor e chupá-la até fazê-la gozar em sua boca fumante.

– Como está a recuperação dos ferimentos? – Desceu as mãos dos ombros até a parte que ficava bem próxima das picadas e o viu hesitar, puxar o braço para longe da curiosidades dela.

– É um saco trocar as bandagens. – Ela ofegou quando ele se virou, distraindo sua atenção do braço com furos novos, esquecendo que o resultado de um possível drogado sairia em dois dias.

Como resistir a um Sasuke Uchiha só de cueca?

Notas finais
E não, o Sasuke não está grosso, está apenas evitando que ela cisme com as marcas dos picos hahaha O típico capítulo normalzinho que antecede a bomba, beijinhos!