O Poeta

18 Shibuya


Notas iniciais
Sentiram minha falta? hahaha Peço desculpas pela demora, não foi de propósito ou porque eu estava com preguiça de escrever... É só que eu estou no fim do período da faculdade e tudo ainda está muito corrido mas a partir de hoje as postagens se normalizam e as atualizações voltam a ser a cada quinze dias.

Itachi já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha olhado para o relógio de pulso. Por isso odiava pegar táxi, principalmente em uma cidade tão movimentada quanto Tokio, apesar que se pegasse seu carro, não adiantaria muita coisa. O trânsito estava parado.

– Mas que merda... – Respirou fundo e fechou os olhos lentamente- Merda.

Não havia maneira de enfrentar aqueles carros todos, por isso, ajeitou a gravata e caminhou pela calçada rumo à ao restaurante em que tinha combinado de se encontrar com Sasuke.

Já que estava naquela cidade, nada como aproveitar os luxos que os restaurantes mais finos tinham a oferecer. Nem tinha para que ter tanta pressa, Sasuke devia estar preso na entrevista para um jornalzinho local.

Ele e sua mente pequena.

– Quando eu for eleito, vou tirar metade desses carros de circulação. – Bufou arregaçando as mangas do paletó e colocando as mãos no bolso da calça. Seriam longas passadas até o local combinado.

***

– Mas me diga Sr Uchiha, existe alguma musa inspiradora? – A repórter ajeitou-se na poltrona e encarou Sasuke que esboçou um sorriso mínimo.

Era a primeira vez que um programa juvenil entrevistava um escritor de contos eróticos, o principal motivo tinha sido a alta demanda de seus contos pela internet entre o público adolescente.

Entre as garotas adolescentes.

– Todas as mulheres me inspiram. Cada uma com sua particularidade, você poderia ser um delas.

A mulher ruborizou na hora, sorriu sem graça e tentou lembrar da próxima pergunta que faria mas tinha ficado tão sem jeito que olhou para o câmera na tentativa de obter alguma ajuda mas o que o homem poderia fazer além de manipular seu equipamento de trabalho?

Enquanto isso Sasuke observava através do vidro da janela do local escolhido.

Um sofá branco com almofadas pretas. Piso extremamente encerado. Candelabros que o faziam lembrar do quanto fugia daquele estilo de vida. Uma flor solitária em um vaso transparente. Uma mulher incrivelmente linda o entrevistando, que iria para sua cama sem pensar duas vezes. Um câmera que deveria estar no fim de carreira, perto de se aposentar.

Sasuke reparou nos ligeiros cabelos brancos na lateral da cabeça do homem e nos óculos para vista cansada.

– Bem, Sr Uchiha poderia nos dizer sobre a sua relação com as suas fãs? Elas sempre demonstraram carinho pelo seu trabalho e até deixam cartazes colados na caixa de correios do prédio em que mora. – Ela parecia ter recuperado o fôlego da pergunta anterior e estavam bem mais calma, já Sasuke começava a ficar inquieto. – As mais... Soltinhas até pedem para que autografem suas calcinhas e partes intimas.

A vista começou a secar e os lábios racharam na hora, o suor escorrendo pela sua testa estava aparente naquela sala com ar condicionado central?

– Elas... – Sua vista embaçou e piscou algumas vezes. – ... Elas são ótimas, é muito gratificante saber que o meu trabalho tem esse reconhecimento.

A vista não estava mais embaçada, no entanto, a inquietação continuava a lhe perturbar.

– Algumas delas são muito boas na cama. – Concluiu com certa dificuldade sem deixar os olhos escaparem da maleta que trouxera consigo. Sua Hero.

– Essa é outra polêmica que o envolve, então não desmente o fato de dormir com suas fãs? – Os olhinhos da repórter brilharam com a preciosidade que aquela revelação seria, mesmo que o escritor nunca tenha escondido isso da mídia, jamais havia confirmado para um emissora de televisão. – Quer dizer que tudo que dizem é verdade?

Seu dedo indicador começou a tremular como um espasmo muscular incontrolável. A boca continuava seca, na hora ninguém deveria estar notando mas quando aquela entrevista fosse transmitida na TV Tokio em HD...

– E se fosse? – Sugestionou em um tom malicioso e ao mesmo tempo mal educado.

– Não, mas o senhor disse que...

Sasuke levantou da poltrona, a vista seca prejudicava sua visão e deixava seus olhos vermelhos mas o que pôde perceber de maneira clara, é que sua atitude surpreendeu os dois que o entrevistavam.

– Eu tenho que ir, com licença. – Sua face estava cor de cera e não parava de olhar para sua maleta.

Com toda a sua educação adquirida, ao menos cumprimentou a repórter ou o câmera man, apenas levantou da poltrona e ajeitou a camisa de botões que deveria estar amarrotada na parte detrás, pegou a maleta e saiu da sala.

Ele passou por um corredor e olhou de um lado para o outro, procurava por algum banheiro ou qualquer lugar para que pudesse injetar, aquilo não podia estar acontecendo naquele momento. Sasuke engoliu seco ao sentir-se caminhar torto, as dores musculares começavam a aparecer de forma intensa e por incrível que possa parecer, até seus ossos começavam a doer.

Quanto tempo fazia desde o último pico? Dez? Doze horas?

O escritor começou a apressar os passos, não se importava em parecer um completo louco cada vez que abria agressivamente cada porta daquele corredor comprido, procurava por um lugar quieto e sem ninguém, no entanto, todas as salas estavam cheia de gente e cada vez que escancarava a porta, todos o olhavam assustados.

– Merda... Merda... Merda...Merda... – Murmurou impaciente, passando a mão pelos cabelos sedosos e correndo para a saída do prédio.

Os carros iam e vinham em uma velocidade absurda. O semáforo tinha acabado de acusar que pedestres tinham que esperar. Uma mulher parou ao seu lado no meio fio, ela tinha nos braços uma criança que não deveria ter mais de um ano mas por algum milagre divino, ela não tinha reparado seus pés batucando impacientemente no chão ou os arrepios constantes.

Verde. Verde. Verde. Fica verde logo, porra!

E o bonequinho que representava o pedestre ainda se mantinha vermelho, nesse tempo, meia dúzia de pessoas se aglomerou ao seu redor. Pessoas de todos os tipos, tamanhos e formas. Desde colegiais voltando para casa, até idosos transitando com sacolas recheadas de verduras.

Ainda estava vermelho. Os carros ainda estavam passando. O suor escorria por sua nuca e traçava caminho pelas costas.

– Foda-se.

Sasuke empurrou para o lado a garota que estava em sua frente e correu por entre os carros que desviavam do louco que corria pela avenida, ouvia-se alguns gritos chamando-o de filho da puta, perguntando aos berros se queria morrer ou coisa parecida mas ele não ligou, continuou desviando dos carros que vinham a toda velocidade.

Um deles freou tão bruscamente que seus pneus cantavam pelo asfalto desde a esquina anterior, aquilo não pegou Sasuke de surpresa, até imaginava que aconteceria mas mesmo com a insanidade consumindo seus pensamentos, não calculou que com a velocidade que o carro vinha, era quase impossível frear sem que provocasse um choque com o corpo do escritor.

– Sai da rua seu maluco! – Gritou um homem pouco antes da batida ocorrer.

Só deu tempo de deixar a maleta escapar de suas mãos e uma dor lacerante atingir seu corpo. Podia jurar que o impacto o fizera subir no ar e voltar para o capô do carro como um boneco de pano.

***

– Eu já disse que eu não estou apaixonada por ele. – Sakura sorriu fazendo-se de birrenta e levou o café até os lábios. – Sasuke só é um cara legal.

Ino gargalhou ao notar que a amiga ficava com as bochechas rubras e podia jurar que não era pela quentura do café.

– Você sabe que está completamente doida por ele e eu não te reprovo, o Uchiha é um gostoso. – A loira mordeu os lábios de maneira sensual, justamente para provocar a médica mas só o que Sakura fez foi limitar-se a beber seu café.

– Já disse que não estou, não insista.

Sakura não gostava de admitir que quando o assunto era o seu querido vizinho, as suas crises de adolescente apaixonada voltavam e que só de lembrar do quanto ele a deixava doida, tinha vontade de largar o que quer que estivesse fazendo para correr e se enroscar no corpo masculino dele.

Apesar de que o estava evitando um pouco e faria isso até que o resultado do exame saísse.

Sakura passou ainda alguns minutos degustando do restinho do café e batendo papo com Ino mas assim que teve oportunidade, escapou de sua língua afiada. Ela voltou para o seu armário e vestiu o jaleco branco, ainda faltavam quatorze minutos para o início de seu expediente, por isso, resolveu dar uma passada pela emergência.

Seus olhos viajavam pelas cadeiras ocupadas por algumas pessoas e seus respectivos soros ao lado. Uma enfermeira robusta procurava a veia de um homem de meia idade mas todas as suas tentativas foram falhas, a saída fora tentar a sorte em alguma veia da mão.

Duas vozes passearam pelo corredor e deram ecos fracos, era algo parecido com "Sim, sim. Ele é famoso", "Quebrou algumas costelas"

Por questão de reflexo, Sakura virou o corpo para trás e procurou pelas duas vozes mas só o que encontrou foi um grande vazio e um relógio de ponteiro na parede lateral de onde estava. De alguma forma aquilo a incomodara, não deveria mas incomodou.

– Que estranho...

Outro burburinho surgiu e mais outro e mais outro e mais outro. Sakura até concordava que naquele hospital as fofocas corriam bem rápido, mas ao olhar a sua volta percebia que as poucas enfermeiras disponíveis discutiam sobre um sujeito de costelas quebradas.

– Coitadinho... Mas quando foi isso? – Uma perguntou para a outra enquanto caçavam seu caminho.

– Não faz muitas horas...

Sakura não conseguiu captar o resto da conversa, até tentou mas sua passada cansada não alcançou as das mulheres, assim as perdeu de vista.

A médica deixou a situação de lado e foi para a ala de oncologia, por onde gostava de aparecer de vez em quando mas com toda a situação enrolada em que tinha se metido com Sasuke, não estava tendo disposição para tal.

Olhou alguns quartos ocupados mas nada que a fizesse entrar.

– Ei Sakura... – Uma voz a fez despertar de um possível cochilo acordada, sim, estava mesmo cochilando de olhos abertos.

Ela esfregou as mãos nos olhos e virou para trás.

– Shizune? – Seus olhos se arregalaram e as maçãs do rosto ficaram vermelhas. – Não é o que está pensando... Eu só estava dando uma esticada nas pernas e acabei parando aqui.

É. Sakura não sabia mesmo esconder um segredo mas isso era de sua natureza, ela se lembrava que na época do colégio era um desastre quando tentava colar, normalmente estragava o esquema que a turma fazia.

Shizune esboçou um leve sorriso e balançou a cabeça.

– Eu não vim falar das suas andanças.

– Então? – A voz saiu esganiçada pela surpresa mas logo limpou a garganta com um pigarro. – Então?

– Eu só queria que ficasse na emergência, não temos mais médicos porque todos os que nos sobraram entraram na mesa de cirurgia por causa de um idiota que atravessou a rua na hora errada. – Shizune respondeu balançando a cabeça em desapontamento, se tinha uma coisa que a médica odiava, era esse tipo de situação.

Sem perder tempo, a jovem sorriu aliviada, nem estava acreditando que na sorte que dera pelo aparente bom humor da colega de trabalho. Não que ela fosse falar para Tsunade que ao invés de estar receitando remédios para crianças no olhômetro, estava passeando pelos corredores do hospital mas evitar que encontros assim acontecessem era sempre bom.

O salto baixo do seu sapato incrivelmente branco batia levemente contra o piso, era um barulho que a acalmava enquanto caminhava rumo à emergência e o que ela não pôde evitar foi de abrir a boca em espanto ao ver macas com pacientes e nenhum médico ou enfermeiro a disposição. Sakura franziu o cenho e deu dois passos para frente.

Nenhum médico. Nenhuma embalagem sendo aberta. Nenhum tilintar de alumínio das bandejas que as enfermeiras costumavam carregar. Apenas alguns gemidos de dor e o cheiro forte de éter.

***

Já era quase a décima vez que a ligação caía na caixa postal e Itachi já estava inquieto, mais pela falta de resposta do irmão do que pelo garçom que vinha de quinze em quinze minutos em sua mesa para perguntar se o deputado gostaria de fazer seu pedido. Por fim o Uchiha olhou em seu relógio e cedeu a sua barriga roncando, fez um pedido qualquer e voltou seu olhar para o relógio banhado a ouro.

– Esse merdinha sempre se atrasa mas dessa vez já foi sacanagem... – Bufou ajeitando novamente o colarinho amarrotado pela caminhada estressante, estava cansado das atitudes infantis do irmão e de todo seu apelo por atenção. No fim, estava cansado de tentar aproximar-se dele.

Sasuke era mulherengo, esnobe, egoísta, prepotente e ainda por cima, viciado em cigarro e heroína. Deveria até ter gastado boa parte do dinheiro que ganha com os contos, em drogas e mulherada.

O prato que Itachi pediu havia chegado e nada do irmão aparecer, antes de levar os hashis à boca, tentou ligar para o celular de Sasuke mas outra vez foi atendido pela caixa postal.

– Estou te ligando há uma hora, cadê você? – Respirou fundo e sem perceber, passou a encarar a televisão que transmitia o noticiário em alta definição. – Olha, estou cansado disso tudo. Você já é a porra de um adulto, tem que agir como tal e não tentar parecer um adolescente no auge da rebeldia.

Era possível ouvir de longe a âncora do jornal da tarde falando sobre os últimos acontecimentos no país, mesmo que não estivesse prestando atenção em uma única palavra da mulher, estava ficando incomodado com o volume.

(…) E agora vamos para as notícias da cidade: Autor de best seller erótico “Fire with Fire” é atropelado na avenida principal de Tókio, testemunhas afirmam ter visto o escritor correndo pelas ruas momentos antes do incidente. Irmão do deputado Itachi Uchiha e dono de uma das fortunas mais cobiçadas pelas solteiras do Japão, Sasuke Uchiha permanece estável no Hospital de Tókio, ainda não tendo sua transferência para uma clínica particular atendida (…)

Itachi permaneceu imóvel com a notícia, ainda podia ver a foto do irmão estampada no telejornal. A mídia adorava Sasuke, principalmente seu humor ácido e as constantes doações que o escritor fazia para instituições de caridade, mesmo que no anonimato, as informações vazavam. Por isso tudo que acontecia com ele, virava notícia.

– Garçom! – Ele gritou e todos os outros cliente viraram em sua direção mas ao contrário do que normalmente faria, não encarou ninguém, deixou o dinheiro em cima da mesa e passou pelo homem de terno branco que o atendera. – Pode ficar com o troco, é um bônus pelo atendimento.

– …

Na avenida, os carros iam e vinham em uma velocidade moderada, não que a rua estivesse lenta mas parecia que os carros estavam tomando cuidado e isso não era bom porque deixava o trânsito com engarrafamentos enormes.

O Uchiha entrou em um táxi qualquer e jogou uma quantia absurda de dinheiro em cima do banco do carona.

– Eu quero chegar no Hospital de Tókio em dez minutos no máximo. – Disse simplesmente ao encostar as costas no banco do carro e sem demonstrar que sua cabeça estava à mil. Primeiro a mulher dizendo que estava grávida dele, depois o Uzumaki o difamando em público e agora mais essa...

– Escuta aqui, se você ainda não percebeu isso é um engarrafa... – O motorista jogou o cigarro pela janela e se virou para encarar seu passageiro atrevido, entretanto, seus olhos arregalaram-se ao se dar conta de que não se tratava de qualquer um. – Deputado Uchiha... Perdão, perdão, perdão! Eu...

Itachi revirou os olhos e continuou olhando para as nuvens que se formavam no céu, sua respiração quente embaçava o vidro. Ele reparou que o motorista falava sem parar enquanto mastigava alguma coisa que tinha cheiro de presunto mas em nenhum momento respondeu as perguntas do motorista obeso mesmo que o homem se mostrasse alegre e até entusiasmado com suas histórias.

– A propósito, meu nome é Chōji e sinto muito pelo seu irmão... Eu ouvi as notícias aqui na rádio.

– Eu vou ficar aqui. – Disse pouco depois de esboçar um leve sorriso em agradecimento e abrir a porta do táxi.

Assim que fechou a porta do veículo, ajeitou o colarinho da camisa e subiu as escadas que davam na entrada do hospital. Não demorou muito para ser reconhecido por algumas pessoas e isso gerou cochichos por parte de duas velhas que estavam sentadas em cadeiras preferenciais.

O político não podia negar que era um tanto desconfortável pisar em um local que jurara para si que jamais pisaria porque era coisa de pobre e de gente da classe operária. Onde já se viu o herdeiro de uma das maiores fortunas do Japão entrar em um hospital público? Pior ainda é ter o irmão socorrido pelas mesmas enfermeiras que curavam feridas de pedreiros.

Itachi era o tipo de pessoa que achava que pobreza era contagiosa, por um momento até esqueceu que não estava em posição de tirar o álcool em gel do bolso interno do paletó e desinfetar as mãos.

Óbvio que seria linchado.

– Senhor Uchiha... – Ele se virou e encarou duas exuberantes íris verdes, forçou um pouco a vista e pôde enxergar que os brancos dos olhos da mulher estavam meio avermelhados. Ela tinha chorado? – Acredito que tenha vindo pelo Sasuke, não é?

– Uhum... – Concordou ainda sem se lembrar daquela jovem que tinha um exótico cabelo cor de rosa, notou também que ela vestia uma calça jeans branca e uma blusa de babados meio azulada mas que por cima daquilo, vestia um jaleco que chegava a doer a vista de tão branco.

A garota engoliu em seco e procurou não se exaltar em descontar toda a sua raiva e angústia naquele maldito que afundava Tókio, precisaria apenas fechar os olhos e vê-lo apenas como irmão do seu querido vizinho.

Respirou fundo.

Uma vez.

Duas vezes.

Três vezes e abriu os olhos para aquele rosto tão parecido com o de Sasuke, menos pelo comprimento dos cabelos e pela linha de expressão que vinha desde o canto interno dos olhos até o meio do rosto.

– Meu nome é Sakura, eu sou clínica geral aqui no hospital... Eu tenho saído com seu irmão há algum tempo, acho que pouco depois de eu ter me mudado para o apartamento ao lado do dele. – Ela desviou o olhar para o chão. – É... Melhor irmos para minha sala porque a situação dele é pior do que imaginávamos.

– Como assim? Ele está muito mal?

Sakura já estava quase dois corpos de distância de Itachi quando se virou e o encarou firme:

– Só me acompanhe Senhor Uchiha.

Assim que entraram na sala, fechou a porta e passou um tempinho com a cabeça encostada no batente, ainda segurando a maçaneta. Estava quase consumida pela raiva mas não pelo ignorante do Itachi mas sim com raiva de Sasuke, com raiva de si, com raiva dos seus pais por terem escolhido aquele maldito apartamento.

Porque diabos ela não podia ter comprado um na periferia? Com certeza estaria muito melhor arranjada do que naquele bairro de gente rica.

Itachi tirou a moeda do bolso e começou a brincar passando-a por entre os dedos, via que a mulher estava confusa e para ser sincero, estava começando a se lembrar do dia em que ela pediu os hashis emprestados para Sasuke e sorriu internamente, seu irmãozinho não perdia tempo mesmo.

– Você vai falar o que está acontecendo ou vai ficar aí se apoiando na porta? – Perguntou secamente.

Sakura poderia retribuir o atrevimento, entretanto, limitou-se a fechar a cara em uma carranca e virar-se para o deputado que a encarava sério e nitidamente tentando esconder a curiosidade.

– Na verdade Sasuke não quebrou mais que duas costelas e … Ele teve apenas algumas escoriações, bem, por enquanto foi isso que a enfermeira de plantão me contou. – Ela parecia viajar em sua própria mente já que não olhava diretamente para o Uchiha mas também não olhava fixamente para outro lugar em específico.

– Você me chamou aqui só para isso? Olha, eu me preocupo muito com o meu irmão mas o que me interessa agora é tirá-lo desse lugar e colocá-lo em outro digno de um Uchiha. – Itachi vomitou as palavras como se Sakura fosse uma de suas serviçais que acatava todas suas ordem.

E a médica teve que se segurar para não voar em cima do deputado e socá-lo com toda a sua força, chegou tão perto que ela teve que fechar os punhos e contar até dez. Sakura podia ser o que for mas desconhecia o poder dos próprios punhos, ela tinha uma força no braço que deixaria qualquer marmanjo no chinelo.

Ahhh E como ela queria descontar sua raiva em Itachi. Socá-lo seria um prazer.

– Se eu fosse você não me gabaria tanto sobre dignidade, esse lugar está uma merda por sua culpa, por culpa do governo de merda que você fez nessa província, roubando, iludindo essa gente. – Com o dedo quase no rosto de Itachi, a médica trincou os dentes. – Mas eu não estou aqui para falar do quanto filho da puta você é, até porque eu ficaria aqui para sempre. Eu estou aqui para te comunicar que Sasuke foi achado em posse de heroína.

Itachi franziu a testa e estreitou os olhos.

– Heroína? Eu não sei de nada a respeito. – Mentiu ainda que desse para notar seu nervosismo aparecendo na face costumeiramente calma.

– Exatamente, heroína suficiente para vinte doses e você sabe de uma coisa? O exame toxicológico dele saiu hoje e deu positivo para a presença de diacetilmorfina. – Sakura passou as mãos pelo rosto, mordeu os lábios de nervoso. – Há quanto tempo ele faz uso disso? Sasuke surtou no meio do cruzamento de Shibuya e ainda foi atropelado, você tem ideia do que isso significa?

Notas finais
No meu perfil já estão as datas das atualizações das minhas duas fanfics. Obrigada pela paciência c: