O Poeta

10 Sombras


Notas iniciais
Ai gente, não me matem. Prevejo leitoras querendo esfregar minha cara no asfalto hahahaha Sério, tudo que eu escrevo aqui é essencial para o enredo. Que linda a recomendação que eu recebi da BrendaUhiha! Obrigada a todos, aos comentários, aos incentivos, às recomendações. Obrigada por tudo!

Lá estava a recém chegada, deitada na cama e admirando as estrelas fluorescentes no teto do quarto. Aquelas que se compra em casa de material de construção.

Já passavam das oito e meia e provavelmente a festa do primo estaria começando. Suas comemorações eram famosas pelo nível da comida e por ser longe de ser aquelas insossas frequentadas pela alta sociedade.

Naruto sabia dar uma festança.

– Vamos lá, Karin. Você tem um aniversário para ir. – Ela segurou o dossel como um apoio e se pôs sentada na cama, vendo os livros, seu bebês espalhados em cima da escrivaninha.

Aqueles que havia comprado em Tokio, todos escritos pelo maravilhoso Sasuke Uchiha. Ah! Só de pensar nesse nome, Karin sentia os joelhos tremerem. Seria um sonho conhecê-lo pessoalmente. Só o que tinha visto era algumas fotos dele com o irmão e outras em sessões de autógrafos.

– Que sonho seria se eu pudesse conhecê-lo. – A ruiva estendeu o primeiro livro, como se conversasse com a foto na contracapa e suspirou esperançosa. – Que sonho seria...

Depois de algum tempo admirando a foto, endireitou a fileira de livros junto com outros mais, de outros autores, e correu para o banheiro, quase tropeçando na pantufa que largara no meio do quarto.

Organização não era um de seus dotes. Não mesmo, as empregadas pensavam para arrumar o quarto e em menos de dois dias, sempre voltava a ser o que era.

Ela pegou o vestido do cabide pendurado na maçaneta do banheiro e entrou.

(...)

Sasuke observava a pista de dança de longe, degustando de má vontade daquele coquetel sem álcool. É claro que desejaria estar entupindo-se de vodca, misturando com cerveja e entornando no whisky mas naquela noite não arriscaria ter outra complicação. Gente demais atraía atenção demais.

Ele, de costas para a mureta e sentindo a brisa lhe acariciar a face, analisava as deferentes pernas femininas que esbaldavam-se da música alta muito bem articulada pelo DJ.

– Não acredito que ainda não está enroscado em um rabo de saia. – Naruto sentou no gramado, arrancando algumas folhas com as mãos, sem tirar os olhos da sua Hinata que dançava tímida com outras duas garotas no canto da pista.

Sasuke sorriu pequeno e levou o copo aos lábios. Não parava de babar pelas pernas. Aquelas pernas. Aquelas maravilhosas perna.

– Não acredito que não me contou que tinha uma prima. – Fez careta, voltando seus olhos para o fundo do copo. Pensativo e poupando expressões. – E que ela é minha fã.

– Então ela já te achou? – Gargalhou sem deixar de imaginar a maneira obsessiva como a prima deve ter pulado no amigo. De certo não queria estar em sua pele. – Como foi? Ela gritou muito?

Sasuke fitou o céu, ficou calado por um tempo até encontrar as palavras certas. Chutou a grama de leve. E quando Naruto estava quase desistindo de obter a resposta, ela veio:

– Eu estava saindo do quarto e ouvi um grito de mulher e quando me dei conta, eu já estava no chão e ela em cima de mim. Autografei a porta do quarto dela e tive que tirar uma porrada de fotos.

– Sabe que vou vender essas fotos na internet, não é? – Brincou, levantando-se e por um descuido quase tropeçou nos próprios pés.

– Não se eu ameaçar vender aquela sua do trote da faculdade. – Seu olhar debochado atravessou a pista de dança e pairou em dois braços estendidos e pernas faceiras movimentando-se sob as luzes coloridas e gelo seco. – Vou caçar.

– Vai lá.

Aquele era um lugar onde tudo podia acontecer;

Mulheres jogando encantos a cada balançar de cabelo e requebrar de quadril, exalando seus feromônios. Logo viriam os encontros sexuais. Logo as camisinhas estariam espalhadas aos montes, como em todas as festas dadas por Naruto.

Sasuke levantou o olhar e viu sombras remexendo-se na pista de dança, camuflando-se umas nas outras enquanto o Dj pingava suor no alto de uma plataforma iluminada mas foi em uma mulher do quadril avantajado que seus olhos se fixaram. Ela dançava com uma garrafa de cerveja nas mãos, as vezes bebia, as vezes não.

Ela usava um short jeans desgrenhado, batom vermelho desenhado nos lábios e remexia o quadril a cada batida alucinante da música.

Mas em meio à tanta gente, seus olhos perderam-na de vista. Ele não conseguia mais vê-la. Era impossível! A mulher estava bem ali, bem na sua frente.

O pior é que ao menos soube dizer como ela era da cintura para cima, se o que havia chamado sua atenção eram as pernas. Somente aquele par de pecado.

Ah que pernas! Que quadril!

– Hm. Então você está aí... – Sorriu minimamente ao ver a silhueta abrindo espaço entre as pessoas e indo até a parte da piscina.

Sasuke largou o copo vazio em qualquer canto e foi em direção à mulher. Não demorou muito para que a música ficasse mais baixo, a medida que se equilibrava para não tropeçar em copos descartáveis no gramado também podia escutar sons típicos de um casal.

Eram sons de beijos; Arfares e afins.

Ele respirou fundo, fitando a cena. Sorriu abaixando o rosto, podia ouvir os ruídos que os corpos faziam ao se tocarem, vacilos cometidos pela bebida em excesso no sangue. Riu consigo mesmo por estar apreciando o casal se beijando, não que ele gostasse da prática de voyer ou a fizesse com frequência, apenas era interessante.

O homem saiu do seu campo de visão assim que os corpos foram separados, parecia irritado com alguma coisa, talvez com algo que a garota o tivesse dito ou feito mas a questão é que assim que saiu bufando, sumindo na escuridão, ela ajeitou a alça da blusa e recolocou o botão do short no lugar.

– Quem está aí? – Ela abriu os olhos lentamente, ainda com a face rubra e bochechas quentes. Piscou algumas vezes para ver se os olhos se acostumavam com o lugar desprovido de qualquer luz. – Isso não tem graça, é melhor aparecer. – Alertou.

Os olhos negros brilhavam perigosamente, não paravam de encarar aquela cena da garota quebrando a garrafa de cerveja na parede para usar como arma. Uma respiração cortada. Uma respiração pesada.

Um punho fechado.

O olhar de Sasuke era fixo na jovem e até surpreendeu-se ao reconhecer a dona da voz. Não deixou escapar a maneira como o peito subia e descia conforme a respiração ficava acelerada, os seios balançavam junto naquele pedaço de pano quase transparente.

E aquelas pernas nuas sendo iluminadas pela luz da lua. Sasuke teve que segurar sua ereção para não perder o controle e agarrar aquela pele macia, provavelmente exalando álcool no suor. Uma fina camada cobria a testa da mulher.

– Se isso fosse um teste de autodefesa, você estaria reprovada. – Sasuke deu um passo para que fosse visto mas sem desgrudar os olhos dos seios que subiam e desciam. Sua pélvis formigava. – O elemento surpresa é a chave...

– O que faz aqui?

– … E você logo entregou sua posição. – Seus olhos negros observavam tudo com refinada atenção, tentando não achar graça da surpresa na feição de Sakura.

Com as mão no bolso, ele deu mais um passo para a frente, vendo-a jogar a garrafa longe e respirar com mais calma. Ela de fato estava pronta para atacar qualquer um que viesse tentar alguma coisa e a escuridão daquele matagal atrás deles não ajudava muito na imaginação de ser arrastada para lá.

– Não faça mais isso, me assustou. Aliás, não deveria estar na festa? – Sakura o repreendeu rumando para o local da comemoração: A pista da dança. – É incrível como sempre nos topamos, não importa o quão grande seja o lugar. Vamos, vamos voltar para lá.

Ela sentiu a pele arrepiar-se quando o olhar dele desceu para o seu corpo, logo mais para a coxa e pairando no tecido jeans.

– Quem era ele? O ruivo … – Ele sussurrou friamente.

Ela ficou calada por um tempo, tentando processar sobre o que ele falava. Sakura ajeitou os longos cabelos de um lado do ombro, e não o olhou nos olhos diretamente. Ah! Ele falava de um tal de Sasori, aquele a quem ela havia trocado o nome e chamado de Sasuke.

Vermelha, ela voltou o rosto para ele. Não acreditava que estava mesmo sendo espionada pelo vizinho, normalmente era ela quem o fazia. Era ela quem vivia com os ouvidos na parede, tentando escutar qualquer ruído proveniente do rapaz.

– Sasori... – Sakura cantarolou. Seus fios róseos caíam em seu rosto esbranquiçado. Sua visão caiu para o rastro de gelo seco que chegava até os pés dos dois, ela até podia encarar o volume na calça do escritor mas sequer o notou. – … Ele é um cara bem atraente.

Ele riu.

– Esse seu short que é atraente... – Cochichou em seu ouvido e seus olhos se fecharam quando quando a fina cintura foi envolvida pelos braços. Olhos verdes, sonolentos, cabelos caíam em seu rosto e ela tentava tirar. A mão de Sasuke espalmou em sua bunda, apertando. – … Muito atraente.

– O que? … É... – Ela ofegou sem deixar de se encantar pelos toques cálidos, ainda que confusa, ele sempre com esses joguinhos para depois sair pela tangente. – Pare...

Estava ocupada demais processando as ideias. Não retribuía a nada, nem aos deliciosos beijos na carne do ombro nem pelo fato de estar sendo pressionada com uma ereção tocando o fino pano de sua blusa, bem perto do seu ventre.

– Ei, porque está com uma camisa de manga? Aqui nem venta tanto. — Sakura perguntou ponderadamente, nem tinha ideia do porque aquela pergunta veio à sua cabeça, ela apenas apareceu.

Sasuke parou com as carícias. Durante pouco tempo ele não se mexeu nem falou nada e depois passou a mão no cabelos desgrenhado. Ela segurou a camisa que lhe cobria até os pulsos, ver um homem coberto da cabeça aos pés naquela festa em que todos estavam a vontade, era com certeza estranho.

– Sasuke... – A voz fina da garota quebrou o silêncio entre os dois, não conseguia ver o seu rosto.

– Costume. – Disse por fim. Aéreo porque ela era a primeira pessoa que lhe perguntava algo do tipo.

O escritor molhou os lábios rapidamente, franziu a testa e pela segunda vez naquele dia a largou sozinha. Em passos ligeiros voltou para a pista de dança, trompou com alguns corpos que se remexiam na batida rápida em ajuda ao jogo de luzes, o que tornava tudo mais difícil de enxergar.

Mas entenda, quem é que liga para isso?

A cabeça de Sasuke passou a trabalhar à mil, tanto que quando conseguiu chegar à ala do barman, a inquietação nas têmporas pararam.

Ele tirou do bolso um cigarro e o acendeu. Pouco ligava para a recomendação da médica, tudo que precisava naquele momento era de um trago. Um momento de alivio ao sentir-se expelir a fumaça para cima.

Sasuke já havia tentado parar de fumar, lá pelos seus vinte e quatro anos, tentou de tudo mesmo. Inclusive fez a loucura de fumar aquele cigarro eletrônico mas aquela merda só o fazia sentir mais falta do original. E o que falar daqueles adesivos inúteis?

Completamente sem efeito.

– Um whisky sem gelo. – Perguntou, com o cigarro entre os dedos, à um barman que terminava de preparar mais um dos prováveis milhares que havia feito naquela noite.

O empregado, atrás do balcão, colocou uma garrafa à sua frente e despejou o liquido em um copo mas fez pouco caso do homem de cabelos negros com intensas olheiras.

– Mais alguma coisa? – Sasuke balançou a cabeça negativamente e virou-se de costas para o balcão, colocando a bebida garganta abaixo.

Duas goladas, apenas duas goladas e o cigarro já pendia em seus lábios, exalando a fumaça pelo nariz. Ora brincava com o toco por entre os dedos, ora sugava a nicotina até não haver mais filtros.

Vida de viciado não é fácil.

O escritor novamente se voltou para o balcão e dessa vez não era mais preciso pedir, o barman pareceu adivinhar sua necessidade de álcool.

A garrafa o encarava sem pudores, implorando para que fosse consumida rapidamente. Era até pecado deixá-la esperando tanto, por isso despejou outra dose no copo. Quem o visse naquele canto, não diria que se tratava de Sasuke Uchiha, o escritor mais assediado de que se tem noticia... Apesar de que as profundas olheiras também contribuíam para que passasse desapercebido.

– Que cara de perdedor é essa? – Uma voz feminina chamou sua atenção. Enfim mulheres! — Não me diga que não está gostando dessa festa?

Sasuke olhou para o lado e viu a lunática que o atacara mais cedo, só que dessa vez ela não pulara em seu pescoço mas exibia um sorriso sedutor e não pôde deixar de reparar na ausência dos óculos.

– Ah! É por causa dos óculos, em festas assim uso lentes. – Ela ajeitou-se em uma parte do balcão e pegou a garrafa das mãos de Sasuke, servindo-se. – Posso?

A garota era uma garota mesmo. Não devia ter mais que vinte anos e já usava daquele vestido que exibia boa parte de sua coxa em uma fenda bem generosa. E Sasuke teve que analisar.

– Karin, certo? – Perguntou de cenho franzido, analisando-a apenas com a visão periférica.

Ela confirmou, talvez controlando-se para não surtar e pular em seu pescoço, tinha que seguir os passos que lera numa revista online: Seja recatada e misteriosa.

Seja recatada e misteriosa.

Seja recatada e misteriosa.

Seja agressiva e misteriosa... Não, não. É recatada. Homens gostam de mulheres que ajam no momento certo.

Isso.

– Eu li todos os seus livros em pdf. – A ruiva sorriu tilintando os dedos no copo de vidro. Ela o segurava com as duas mãos e suava tanto que amaldiçoava o pai por tê-la passado esses genes ruins. – Mas só agora tive a oportunidade de comprá-los já que aqui não tem uma livraria decente.

Sasuke ergueu o copo em agradecimento e tirou outro cigarro do bolso.

– Não é por nada mas eu não sou um perdedor assim sempre. – E uma tragada no cigarro recém aceso.

– Eu disse que estava com uma cara de perdedor, no entanto, eu não disse que era um... – Ela não fora sutil e Sasuke percebeu porque a ruivinha não parava de olhá-lo. Não como uma psicopata doida mas com a euforia de uma fã e até com um certo desejo.

Ele ainda era desejável.

O escritor virou-se para ela e logo de ímpeto, caiu os olhos no par de seios quase o chamando pelo decote. Estava num impasse se a deixava falando sozinha e provavelmente perder uma fã ou convidá-la para um dos quartos, fodê-la e no dia seguinte nem lembrar que dormiu com um fã.

– Leu mesmo todos os meus livros? – A voz rouca dele lhe questionou fazendo-a abrir um inesquecível sorriso.

– Cada palavra.

Karin meneou a cabeça levando o copo ao lábios. O liquido desceu ardendo mas não podia dar-se ao luxo de parecer fraca na frente daquele mestre da literatura erótica. Nem podia acreditar que ele estava ali, centímetros de distância dela, os dois provando do mesmo whisky.

Suspirou colocando o copo novamente no balcão, ambos parados em suas posições sem emitir um único som. A barulheira da música tocada já era o suficiente para deixá-los calados mas Sasuke continuava encarando a garrafa cheia pela metade, levando várias vezes o líquido à boca.

Ele brincava com o cigarro entre os dedos, vendo as cinzas caírem na madeira e assim o levou aos lábios, também levantou os olhos para ela.

Aquele decote chamativo.

– Quer que eu os interprete para você? – Sasuke disse analisando a feição de dúvida da prima de Naruto. Ele ergueu-se da cadeira, apagando o toco do cigarro na própria madeira do balcão. – Os livros.

***

– Eu já volto. – Naruto a acordou do transe que a recém música lenta a fizera ficar, deixando que seu rosto se encostasse no pescoço da noiva, lambendo-o carinhosamente.

Hinata assentiu vendo-o desaparecer pela multidão, até conseguir enxergar um ponto loiro na plataforma em que o Dj se encontrava.

– Queria me desculpar por interromper a música, acreditem, eu também estava me divertindo mas queria agradecer a presença de todos, isso é muito importante para mim. – A multidão gritou. Ele sorriu sem graça, coçando a parte detrás da cabeça. – Esse é um novo começo para mim, tanto como pessoa quanto como político e eu devo isso a cada um de vocês.

As palavras ecoaram em sua cabeça , cada pedaço de sanidade de Naruto ia para o espaço. Ele ia mesmo tentar se eleger? Hinata continuou com a face vidrada naquele homem que de novo iria pôr o relacionamento dos dois em segundo plano, de novo os dois teriam que frequentar vários e vários terapeutas. Sabe o quão desesperador é isso?

Aos dezoito anos ter que sucumbir à opiniões de terapeutas de casais, tudo porque Naruto tentava inutilmente salvar o mundo como se realmente tivesse poderes ou algo parecido mas... Ninguém poderia fazer isso.

NINGUÉM!

Notas finais
Gente, essa é uma fanfic onde tudo pode acontecer, não quero que tirem conclusões de que tudo será um mar de rosas porque não será, principalmente daqui pra frente. Eu ainda não sei quantos capítulos ela terá, as ideias simplesmente vem e tudo, eu digo, tudo é entrelaçado. O enfoque não é só em Sasuke, claro que ele é o principal mas por trás dele existe um nome: Uchiha. Eu sei que vocês querem um hentai e terão, podem ficar tranquilos porque por falta de hentai vocês não morrem haha Ah! já já vocês saberão o conteúdo dos livros. Nos próximos capítulos, não me odeiem.