O Poeta

22 Escondido


Notas iniciais
Parece que o que era para voltar em dezembro acabou se estendendo para janeiro, desculpem por isso. Tive que fazer uma viagem de última hora para a Bolívia para ver aqueles parentes e só voltei de lá antes de ontem, até organizar mala, fazer tudo que tinha para fazer... Levei um certo tempo. Vou ser sincera, não era apenas isso. Estava totalmente desmotivada para escrever somado a faculdade, nossa! Foi um ano bem complicado pra mim.

– Tão rápido? Não acho que foi o suficiente para que ele tenha se recuperado por completo – Ela remexia o doce gelado, quase sem prazer em comê-lo ou talvez nenhum prazer. – O que são seis meses perto de anos de uso da heroína?

O homem a sua frente sorriu de maneira quase imperceptível, ajeitou-se na cadeira macia do restaurante. Em parte concordava com a mulher, seu irmão usava heroína desde quando?

Desde os vinte, talvez.

E ele ainda não tinha ideia de como aquele moleque tinha sobrevivido usando e abusando da droga, nem como o cigarro não adiantou a sua morte.

Sasuke era um garoto forte apesar de tudo.

– O nível de popularidade dele está caindo a cada dia que fica naquele lugar. – Pigarreou – Não dou mais quatro míseros meses e nem uma alma viva saberá quem é Sasuke Uchiha.

– O que? Você é louco?

– Querendo ou não, as pessoas gostavam das confusões que meu irmãozinho causava. – O político aproximou-se mais de Sakura, quase sentindo a tez de sua pele, como se apenas ela pudesse saber do que viria — Sasuke quebra o apartamento e joga o notebook pela janela, manchete. Sasuke tem acesso de fúria durante um meet&greet e o que os fãs lhe dão em troca?

Sakura ainda tentou cortar Itachi mas o olhar intenso a calou. Ao mesmo tempo em que aquelas duas pedras enegrecidas a assustavam, a deixavam hipnotizada. E por um momento, odiou-se por dar tanta margem à aquele sujeito inescrupuloso.

Engoliu em seco e desviou o olhar para a janela de vidro do restaurante com uma paisagem inteiramente cinza do asfalto, dos prédios e as feições pálidas das pessoas transitando. Todas elas sempre com muita pressa.

– Eu não sei, o que eles dão em troca?

Maldito.

Ela o detestava.

– Os fãs lhe agradecem a bofetada com carinho e desejos masoquistas. Colocam a imagem dele na primeira capa das maiores revistas do mundo. "Quem poderia entender uma alma perturbada?” – Disse zombando de algumas das frases mais clichês dirigidas à Sasuke, quase podia tocar o amargor de uma frase tão inútil.

– Você só pode estar brincando comigo.

A mulher visivelmente incomodada com tudo aquilo, largou a colher que remexia a água que o gelo doce havia virado. Ela não queria escutar mais asneiras vindas de um sujeito a quem desprezava com todo o seu âmago.

– A questão é que meu irmão vende muito mais estando fora da clínica e eu só fui perceber isso quando as nosso patrimônio ficou estagnado. O que eu ganho é mais para o meu próprio uso – O político parecia mesmo entusiasmado com a conversa, gesticulava como um populista convicto, quase insuportável. – Enquanto que Sasuke. .. Bem, ele tem a porcentagem da venda dos livros, as notícias sobre ele geram dinheiro para o nosso bolso e você não acredita. .. – Riu – Empresas pagam para que ele apareça duas ou três horas em um evento.

Tudo aquilo estava insuportável para a médica, já estava magoada o bastante para lidar com Sasuke, ainda tinha que aguentar as paranoias do irmão.

Céus! Como queria socar aquele rosto pálido e deixá-lo tão roxo e desfigurado que seria incapaz saber que o dono era Itachi Uchiha.

Ela levantou-se.

– Eu vou embora. Quer saber? Nem sei porque me chamou aqui. – Dizia revirando a carteira e jogando uma nota qualquer que nem sabia se seria o suficiente para pagar aquele gelo doce sem graça. – Não tenho contato com seu irmão desde que foi internado.

Sakura cuspiu as palavras com as mãos apoiadas na mesa, enquanto o homem ainda permanecia sentado. Pode-se dizer que extasiado pela atitude da mulher.

Bem, ela era muito corajosa em tratá-lo como cachorro na frente de um certo número de pessoas.

Ele também se levantou, sorrindo ao vê-la já do lado de fora do restaurante, então a seguiu.

– Escuta, eu não faço nada por fazer – Segurou-a pelo pulso. – Meu irmão confia em você, sei lá o que vocês tiveram e nem me importo, só o que preciso é da sua ajuda para tirá-lo de lá.

Sakura fez uma certa força e conseguiu se soltar, quase cambaleou para trás.

– Ué, porque você não usa a sua influência como "governador"? – Fez questão de enfatizar a última palavra gesticulando as aspas com as mãos – Com certeza o diretor da clínica limparia o que você caga com a língua se pedisse.

Itachi não pôde deixar de rir com o comentário digno de primário.

– Eu não tenho mais nada a ver com Sasuke, ele mentiu pra mim. Pôs-me em risco e mentiu de novo. – Sakura franziu a testa ao lembrar-se de quando vira a heroína estocada no congelador de Sasuke. – Ele nunca gostou de mim, não vê aonde foi parar? Ele não gosta nem de si mesmo.

A médica ajeitou a bolsa em seu ombro dolorido. Não estava crendo que na conversa medíocre que tinha tido com aquele Uchiha.

O arrependimento só piorou quando notou um sujeito magricela, de aparência raquítica tentando disfarçar-se atrás do vidro da janela da lojinha na esquina. Provavelmente era algum daqueles paparazzi.

– Meu irmão confia em você, Sakura. – As mãos no bolso escondiam a inquietação ou um possível acesso de fraqueza.

Sakura deu dois passos para frente, mas logo parou pensativa, virou-se na direção do homem e encarou profundamente seus olhos escuros.

Itachi de fato tinha um rosto bonito e ainda que seu terno escondesse a maior parte do seu corpo, era perceptível que tinha uma boa forma. Um homem muito bonito, com leves traços parecidos com o de seu antigo vizinho.

– Mas eu não confio nele. – Um sorriso triste estampou seu rosto.

– Talvez devesse.

E o viu entrar no carro preto, sendo escoltado por duas motos que logo sumiram de vista ao passarem pelo cruzamento da vi principal.

A fumaça do ar gelado escapou por seus lábios rachados, o frio de Tókio era quase insuportável se não estivesse bem agasalhado. Nem as luvas de lã a protegeram de um possível congelamento na ponta dos dedos finos.

Sakura deu meia volta e decidiu ir para casa caminhando. Quem sabe assim espantaria o frio que penetrava em sua calça jeans, logo mais por uma outra calça mais colada no corpo, talvez se apressasse o passo chegaria a tempo de fazer o aquecedor funcionar até a hora de dormir.

Um passo atrás do outro.

Um passo atrás do outro.

Mais rápido e mais desesperado.

O tilintar de seu salto contra o cimento a deixava ainda mais frustrada, quando percebeu que a visão estava falhando, já estavam passando o trinco de araque na porta do apartamento.

– Você não pode ficar maluca, Sakura... Não pode – Sussurrou somente para as paredes escutarem.

***

Não era comum que a porta fosse largada aberta, pelo não tão escancarada quanto estava naquele momento e isso foi quase tão estranho quanto ver que todas as luzes da casa estavam ligadas.

A garota ruiva acabava de chegar de um fim de semana fora de casa. Sabe, passar um tempo longe de tudo era prazeroso. Ela estava virando a curva para entrar nos portões da propriedade, quando notou que as luzes de cada cômodo estavam ligadas.

Achou estranho que nenhuma alma viva tivesse decência de desligá-las mas ao aproximar o carro da garagem, observou a porta principal totalmente aberta.

– Mas será que o Naruto tomou outro porre e largou tudo assim? – Deduziu inclinando o corpo para mais perto do volante, desligou o carro ali mesmo e desceu. – Não... Algum empregado já teria desligado tudo.

Karin franziu o cenho desconfiada de que fosse algum assalto ou até um atentado. A tranqüilidade daquela cidadezinha estava indo para vala mesmo, não demorou muito para que entrasse cuidadosa na casa.

Olhou para os lados e não conseguiu captar nada de estranho, mas todo caso, pegou um jarro de flor qualquer o empunhando como um taco de beisebol.

– Esse jarro vale mais que o seu carro – Uma voz disse à sua esquerda, um pouco distante mas totalmente audível.

Era Naruto.

Naruto e uma garrafa de qualquer coisa com álcool.

– Mas que merda! Você quer me matar de susto? – A ruiva fechou os olhos bem forte, comprimiu os lábios. Jurava para si que nunca mais se assustaria com facilidade.

Até colocou o jarro no lugar, amaldiçoando seu primo por aquilo. Ela respirou fundo.

– Porque todas as luzes ligadas? Isso é coisa de gente psicótica. Aliás, o segurança não está lá guarita... – Disse em um meio sorriso bem safado, lembrando de que antes de passa o fim de semana fora, deu uns amassos no segurança mas desviou sua atenção para o rosto inchado do primo. – O que... aconteceu?

A pergunta parecera tocar na ferida de Naruto. O homem virou um gole da garrafa quase vazia, o nível desceu mais ainda, o ardor também fez seu papel quando o líquido alcoólico entrou em contato com a pele da garganta inflamada.

Ele fez careta de dor.

– Deixa eu te explicar o que aconteceu: Ela foi embora, me largou pra procurar uma família que sequer liga pra sua existência e com um filho nos braços. Desde que eu perdi as eleições, os investidores só querem saber das empresas Uchiha. Tem como piorar?

Karin molhou os lábios, fingindo estar concentrada em uma mancha minúscula no chão da sala, quando na verdade, estava pensando sobre tudo que Naruto tinha dito. Sua cabeça começava a funcionar aos poucos, talvez estivesse recolhendo lembranças do que Hinata sempre conversava com ela.

– Quando ela se mandou?

***

Ele não parava de olhar para a parede em branco, estava mesmo perdido em seus pensamentos. Bem, era isso que acontecia quando não se tinha nada para fazer o dia todo.

Tudo que lhe sobrara era ficar divagando em lembranças, algumas boas e outras nem tanto. Como a de quando sua mãe morreu.

Sasuke se lembrava daquele sangue grudento sobre o piso e da mulher gritando para que corresse o mais longe que pudesse.

Ele não pôde.

– Merda... – Murmurou logo antes de esmurrar a parede mas não com toda a sua força, até porque ainda estava fraco.

– Algum problema Sr Uchiha? – A enfermeira entrava no quarto com uma bandeja de mais uma daquelas sopas insossas, logo fez cara feia. — Já devia ter se acostumado com o gosto, não pode abusar do sal.

– Não estou com fome. – Tornou a olhar o vazio.

– Mas vai comer, eu estou até vendo esses ossinhos aí saltados. – A velha brincou apertando a bochecha macia do escritor.

Escritor.

Fazia um tempo que não escrevia nada.

Escritor.

Forçou-se a engolir a primeira colherada daquela água com legumes e até fechou os olhos para imaginar estar comendo um daqueles ensopados que sua mãe fazia.

– Assim que eu gosto, mais tarde eu volto pra recolher uma amostra sua de urina.

– Outra? Eu estou limpo e seria impossível contrabandear alguma coisa aqui, não posso cagar direito que já tem gente vigiando. – Outra colherada e mais outra.

Ela levantou a sobrancelha e colocou as mãos na cintura gorda.

– Exame de rotina, Sr Uchiha. Sabemos que está limpo. – E foi embora.

Ele odiava ter que mijar naquele potinho, porque sempre que fazia isso acabava inundando o chão do banheiro. Era como se estivesse gozando, quando vinha, não tinha força que o fizesse segurar.

Mais algumas outras colheradas e a água com legumes já não existia mais, ela quase não enchia o estômago mesmo.

Levantou da cama devagar, sentindo os pés quentes em contato com o piso um pouco mais gelado que o ambiente. Maldito aquecedor que não funcionava direito!

– Finalmente desentocou daquele quarto, não é Sr Uchiha? – A moça da limpeza sorriu cumprimentando o homem que lhe retribuiu em um aceno.

– É...

A clínica tinha dois andares, era bem grande por sinal mas como o quarto de Sasuke ficava bem na direção das escadas, bastou descer quatro lances e já estava no térreo rumando para a recepção.

Encontrou duas atendentes, uma loirinha e outra de cabelos bem negros, foi na que parecia mais fácil. De certo modo, mesmo que na fossa, Sasuke continuava um homem muito sedutor.

Nem as olheiras o atrapalharam quando a garota de cabelo preto sorriu tímida.

– O que deseja, Sr...

– Uchiha. Sr. Uchiha – Completou sem desprender o olhar daquela boquinha sorridente. – Será que eu poderia fazer uma ligação?

A moça continuou sorrindo mas negou com a cabeça.

– Desculpe, Sr mas pacientes não podem fazer ligações da recepção. – Apontou para a placa logo atrás de si.

" É estritamente proibido que pacientes usem o telefone da recepção"

Merda. Teria que enrolar aquela garota, o telefone que disponibilizavam tinha gravador e Sasuke não queria ter sua privacidade invadida.

Não queria que escutassem o que tinha pra falar.

– Eu não conto se você não contar. – Aproximou-se da moça e piscou um dos olhos. – Por favor?

Ela pareceu ficar um pouco vermelha mas logo se recompôs e o afastou.

– Sei qual a sua jogada, é a minha primeira semana aqui e eu não quero quebrar regra nenhuma por causa de homem. – Disse sem titubear entretanto mostrou um pouco de doçura na voz – Peça à coordenadora para usar o da sala dela. Desculpe.

– Que porra! – Virou-se para o outro lado. Estava tão estressado que um cigarro naquela hora cairia bem.

Ah como cairia ...

Mas Sasuke esperou a madrugada chegar para que pudesse usar o telefone sem que ninguém o perturbasse. Já estava observando a rotina das atendentes há cerca de duas semanas, o telefone ficava exatamente no ponto cego da câmera de vigilância.

Precisava usar o telefone.

Precisava.

Precisava muito.

Esperou que as duas recepcionistas do turno da noite dessem uma saída para uns minutos de bebedeira e se esgueirou por baixo do balcão. Não podia deixar que as câmeras o pegassem.

O telefone estava à poucos centímetros de seu alcance, quase teve que engatinhar para agarrá-lo e não ser visto.

O click do gancho foi muito alto.

– Ai caralho! – Sasuke resmungou olhando sorrateiramente para os lados mas nenhum sinal das recepcionistas.

Não demorou muito para que seus dedos deslizassem sobre as teclas numéricas e que o primeiro sinal da ligação acontecesse.

Chamou a primeira. Chamou a segunda. Quando chamou a terceira vez, ouviu uma voz cansada.

Sim?

– Demorou para atender. – Sussurrou de maneira quase inadiável mas firme e tão seguro quanto sempre foi.

Do outro lado da linha a voz pareceu hesitar, entregando totalmente a sua insegurança.

Sasuke percebeu isso. Sorriu.

– Até quando vai fingir que eu não existo, Sakura?

Ehh... Eu... Está tarde Sasuke, desculpe.

A garota do outro lado da linha ficou muda por um tempo, talvez esperasse que Sasuke fosse dizer alguma coisa mas invés disso ele não disse nada, apenas ouvia a respiração.

Desculpe Sasuke, a gente conversa pela manhã

E desligou.

***

Sakura sentou-se esparramada no chão, fazia tanto tempo que não ouvia a voz dele que por um segundo quase esqueceu da raiva que sentia pelo escritor.

Os cabelos formando um rabo de cavalo todo emaranhado, alguns fios até colavam na testa que de uma hora para outra tinha ficado suada.

Besta. A médica sabia que em algum momento ele iria procurá-la mas esperava que isso acontecesse apenas quando saísse da clínica e não quando ainda estivesse no meio do tratamento.

No fundo era o que ela queria

– Sakura? – A loira apareceu no espaço entre a porta do quarto e o corredor curto. Fazia um tempinho que estava dormindo na casa da amiga, pelo menos até conseguir comprar seu próprio espaço. Novamente – Aconteceu alguma coisa?

– Sasuke me ligou. – Disse ainda em estado de choque, nem tinha percebido que já estava deitada no chão. – Ele me ligou de verdade, veio me acusando de fingir que a existência dele não existe. Vê se pode?

Ino cruzou os braços e fez uma careta acusadora, não se divertia nem um pouco com a situação em que a médica se encontrava.

– Não está com raiva de verdade dele, eu lembro que no começo até queria ajudá-lo – Ela aproximou-se procurando o olhar da amiga, procurando algum sinal de que estava certa – O nome disso é culpa.

– Culpa de que, Ino? Ficou maluca? Eu fiz de tudo pelo Sasuke, permaneci ao lado dele o tempo todo. – Sakura aumentou o tom de voz, estava de fato ofendida.

O vento gelado entrou pela janela entreaberta causando uma leve onda de arrepio nos pelos do braço, a mesma sensação que aquela ligação inesperada lhe causou. Engoliu em seco.

Não estava aguentando a loira sustentando aquele olhar de acusação. Poxa! Ela era sua amiga, estava morando na sua casa, deveria pelo mostrar um pouco de gratidão por tudo que Sakura estava lhe oferecendo.

– Culpa por ter xeretado o passado dele. – Ela agachou-se para ficar na mesma altura que sua anfitriã estava sentada. – Minha amiga, apenas finja que você não sabe de nada. Tem sorte daquele irmão assustador que ele tem não ter demonstrado ainda. Você sabe como são essas pessoas e sabe principalmente como é um Uchiha... Só tome cuidado.

Ela olhou para a sua mesa que antes ficava vazia mas não pensou em nada, apenas fixou o olhar nas montanhas de papel que se formavam, que eram separadas de forma “organizada” através de pastas e alguns clips enferrujados. Não se encontrava mais dos grandões para vender e por isso tinha que se virar com alguns que tinha achado no hospital.

Aliás, ninguém iria notar algumas miudezas surrupiadas, não é mesmo?

Quando a médica desviou o olhar da papelada, Ino não estava mais parada encarando-a. Podia ver pela fresta da porta que a loira já se ajeitava na cama, colocava o lençol por cima.

Uchiha

Uchiha

Uchiha

Sas...Sasuke Uchiha.

– No que eu fui me meter? – Sussurrou levantando-se do chão e indo em direção à mesa com os papéis espalhados. Procurou cuidadosamente a pasta transparente, abrindo-a com certo receio, folheando cada informação como se as folhas fossem velhas o bastante para se quebrarem a qualquer toque humano. – Não é esse... Não é esse... Não é esse... Aqui!

Um prontuário com as bordas meio amareladas apareceu, algumas letras apagadas mas nada que prejudicasse o conteúdo em si. Aquele tinha sido um dos papéis que deixou Sakura mais curiosa sobre tudo, tinha pesquisado sobre o incidente na mansão Uchiha. Sobre todos os empregados fornecerem informações diferentes uns dos outros. Tudo muito estranho.

Sobre a morte dos pais de Sasuke e Itachi.

Aquilo tudo a deixava ainda mais empenhada em descobrir o que aqueles irmão escondiam com tanto afinco, desconversando cada vez que tocava no assunto. Podia ver em seus rostos que não era nada agradável falar sobre aquele dia, podia ser até um pouco confuso.

Sakura remexeu a papelada mais um pouco, já tinha decorado cada palavra contida naquelas folhas de papel mas apesar de tentar fazer mil e uma teorias, sempre chegava ao ponto de partida. Já tinha até tentado entrar em contato com alguns médicos que atenderam os meninos naquele dia mas por azar ou pelo destino, boa parte estava à sete palmos do chão e a outra parte se recusava a dar qualquer informação.

– Será que se eu falar com a Tsunade...?