O Poeta
9 Controle
Notas iniciais
– Sem sono? – Ao invés de se virar para ele, virou o rosto para a janela, encostando a cabeça no vidro.
Era noite, madrugada e só o que podia-se ver era um intenso escuro. Talvez as partes mais claras fossem a nuvens ou talvez fossem apenas coisas da imaginação dela.
É. Tinha um grande chance de ser fruto de sua imaginação.
– Uhum e quanto a você? – Não desprendia os olhos da televisão sem som que ficava logo a frente, parecia realmente focado naquele programa de culinária.
Sakura acompanhou o olhar do vizinho mas não conseguia decifrar nada do que era dito naquele programa. Ou ela era burra demais ou Sasuke superdotado demais.
– Tomo remédio para dormir mas eu o esqueci na mala. – Desabafou em um suspiro, voltando seu olhar para a janela, para a imagem do céu enegrecido. A verdade é que ela tentava esconder a face vermelha. – Sabe, queria pedir desculpas pela calcinha... E pelo beijo também. É só que...
– Tudo bem. – Ele sorriu maliciosamente sem desviar a atenção da televisão muda.
O rosto da mulher ficou ainda mais vermelho e odiava quando isso acontecia. Odiava ainda mais por saber que o homem ao seu lado, mesmo sem olhá-la, conseguia ler cada pensamento através de suas expressões.
Tinha que trabalhar mais a sua desenvoltura facial. Aquilo já estava ficando pessoal.
– Não adianta, não vou devolver a calcinha... Foi um presente. – Sasuke sussurrou, levando seus lábios até o ouvido de Sakura, roçava o hálito quente, resfolegando a respiração fraca. Ele era sexy por natureza, isso ninguém teria o sacrilégio de contestar. – Não se brinca com um Uchiha. Nunca.
Ele a observou engolir seco. Prender a respiração.
Os olhos dela se fecharam, sem querer, deixou escapar um suspiro quase imperceptível e então, a respiração estremeceu.
Sasuke logo afastou-se, voltando à sua posição desleixada na poltrona, com uma perna flexionada rente ao assento e a outra esticada, largada. Estava com o quadril longe do encosto.
Droga! A voz dele era rouca... Tão sexy quanto a maneira como ela sempre o observava empunhar o cigarro na boca. Tão sexy quanto os comerciais de tabaco ou os de moda íntima masculina.
Não tinha o que questionar: Sasuke era sensual por inteiro.
– Boa noite. – Calmamente, ele foi fechando os olhos. Não iria dormir. Era de olhos fechados que conseguia fazer sua criatividade fluir.
– Boa Noite.
(...)
– Eu sabia que vocês viriam! – Naruto abriu os braços para receber, pronto para receber os dois vindos de Tokio. Não se cabia no próprio sorriso de felicidade. – Hinata, por favor! Mande as empregadas arrumarem a mesa, eles vão tomar café da manhã com a gente!
Sakura olhava ao redor, encantada com o tamanho daquela sala. Aquilo era enorme.
Quatro sofás de couro preto. Uma lareira ainda apagada. Uma mesinha de centro com apenas um cinzeiro em cima e a decoração... Ela parecia ter voltado à era colonial. Tudo impecavelmente limpo.
– Nossa...
– Não acredito que mobiliou tudo de novo. – Sasuke largou a mochila no meio da sala e se jogou no sofá lateral, o que ficava exatamente em frente a um quadro de Hinata. – Mas você tem bom gosto na decoração.
Ele tirou os sapatos que lhe apertavam os pés espaçosos e tirou do bolso um cigarro, acendendo-o e preenchendo o pulmão.
– Não tenho saco para isso. – Naruto fez careta. – Hinata quem chamou o designer e mandou mudar tudo.
Sakura não podia negar que o tamanho daquela casa a intimidava, ainda mais ao ver tantas empregadas correndo de um lado para o outro. Aquele ouro todo enfeitando as pinturas, os móveis que talvez custariam mais que seu apartamento.
Tudo aquilo era rico demais.
– Herdei essa casa dos meus pais... Não quis mexer na pintura original nem na arquitetura de fora. – Seu olhar perdeu-se no carpete avermelhado e Sakura surpreendeu-se ao notar que analisava cada detalhe desde que chegara. Corou por isso, era feio. – Não quero que as lembranças deles se percam com o tempo.
– Entendo. Ela é muito bonita... E grande. – Sorriu envergonhada
O rapaz de cabelos escuros soltou a fumaça lentamente, de rosto endurecido, boca seca. A palavra "pais" lhe caía tão mal, tão rude. Era como tentar agarrar o vazio. Ele baixou os olhos para o cigarro, ignorando a conversa que se formava entre Naruto e Sakura.
Sendo hipnotizado pela fumaça que saía de suas narinas. Um arrepio cruzou sua espinha e de repente as vozes da conversa na sala começaram a misturar-se.
Pais.
Pais.
Pais.
" Sasuke, corre!"
"Sasuke, haja o que houver... Não olhe para trás"
O escritor estremeceu, suando frio.
" Sasuke!"
A imagem de uma mulher de cabelos negros, tão escuros quanto o de Sasuke veio à sua cabeça. Gritando. Gritando. Gritando. Gritando. Gritando.
Sangue jorrando de seu peito perfurado, viscoso. Um filete escorrendo de seus lábios, uma grande quantidade sendo jogada para fora.
Sangue de uma Uchiha manchando o assoalho de madeira.
– Sasuke! Vá embora! – Não adiantava, suas mão também estavam sujas daquilo que deveria estar pulsante nas veias.
– Vá embora! – E o som ficava mais alto. Os murmúrios latejavam nos ouvidos.
Mais alto.
Cada vez mais.
Sasuke! Cada vez mais. Cada vez mais.
"Sasuke! Não olhe para trás!"
Os olhos negros mantinham-se arregalados para a mulher que espalhava sangue no cômodo. Face pálida. Cor de morte. Cor da morte.
Ele ainda a encarava, sufocado com aquelas súplicas, com aquela voz mórbida. O avental, antes amarelo, tornou-se uma grande tela pintada de carmim.
Carmim de Uchiha ou Uchiha de carmim?
O rosto branco. A pele seca. A voz suplicava. Implorava. Agonizava.
Gritava.
"Sasuke, corra o mais depressa que puder!"
Ela caía e agonizava, implorando por uma merda de morte longe daquele menino que não parava de chorar lágrimas inúteis, aquilo jamais os ajudaria.
" Se esconda..."
Morria a cada segundo.
"Não me espere!"
A cabeça começou a latejar. Doer. Doer. Doer. Tudo girava. Latejava. Girava. Latejava. Explodia.
A poça de sangue grudava na planta de seus pés, escorrendo pelo piso e quem sabe se entranhando na madeira, largando seu cheiro, largando a dor de uma morte lenta; repulsiva.
Sasuke!
Sasuke!
Uchiha. Você é um Uchiha.
Outro estrondo se fez e a voz da mulher não era mais audível, ela continuava gritando mas Sasuke não conseguia sair do lugar, estava com medo, tremendo e a cabeça latejando em colapso.
– Sasuke! Abra os olhos e corra... Corra a mais depressa que puder. – Podia ler nos lábios da mulher.
Abra os olhos.
Corra.
Abra os olhos.
Abr...
– Sakura, faz alguma coisa! – Naruto gritava vendo o amigo se contorcer no chão, convulsionar como um epilético. Não aguentava ver aquela baba caindo de sua boca e a única médica num raio de cem quilômetros cronometrando num relógio de pulso.
– Não tem muito o que se fazer. – Disse sem tirar os olhos do relógio e de Sasuke. Estava mais nervosa do que aparentava. Muito mais. Fervilhava de nervosismo. – Só o mantenha de lado pra não engasgar com a saliva nem morder a língua.
– O que? Ele está roxo! – Soltou um grito ainda mais alto. Seus punhos tremiam e os olhos arregalados viam o escritor debater-se no chão da sala.
– Confia em mim. – Respondeu firme. – Só o mantenha de lado.
– Mas que merda! Cadê as empregadas dessa casa quando se precisa? – Havia angústia em sua voz, um desespero que nem o próprio conseguiria explicar. Tentava manter Sasuke em posição fetal mas a força descomunal dele não o deixava. Olhou para uma loirinha que assistia a tudo de boca aberta, segurando a barra do vestido. – Você! Prepara a banheira do quarto azul.
Ela o obedeceu sem questionar, correndo em direção à cozinha para pegar os sais, balançando sua trança loira com o movimento, tropeçando nos próprios pés.
Aquela imagem jamais sairia de sua cabeça. Jamais.
– Olha... Já está parando. — Sakura apontou e logo em seguida parou o cronômetro. Um pouco aliviada mas preocupada com aquela estranha convulsão. E os urros desconexos? Não. Não. Aquilo não estava certo. – Já está parando.
Um minuto e meio e o corpo enrijecido tremulava mais devagar, com menos intensidade e a médica pôde ajoelhar-se bem próximo do rosto do rapaz, tocando a mão em sua testa molhada de suor. Observou que o maxilar ainda estava sendo pressionado e a respiração completamente descompassada.
Porque daquela convulsão? Porque?
Sakura não tirou os olhos daquele rosto, molhou os lábios e tirou alguma fios de cabelo da testa dele.
Ele parecia confuso, sem coordenação nos movimentos. Olhar vazio, transtornado.
– Calma aí garotão, você ainda está fraco, não pode sair correndo por aí. – Ela disse vendo as tentativas de Sasuke de levantar-se. Subiu o olhar para Naruto ainda petrificado e inclinou a cabeça em solidariedade. – Pode me ajudar a levá-lo para cima? Ele precisa de um banho.
– Claro. Claro. Vamos... – Assentiu com a cabeça, procurando palavras para descrever o que vira mas seus intensos azuis continuaram atônicos no amigo. Vendo-o apodrecer aos poucos.
– Naruto...
Demorou um pouco até o loiro mexer-se e passar o braço de Sasuke sobre o seu ombro, com ajuda de Sakura. Os dois subiram as escadas com um pouco de dificuldade. Um degrau de cada vez, cambaleantes e com o pequeno auxílio da mocinha loira, empregada de Naruto.
Aquela ali devia pensar que estava num antro de loucos, fora contratada há menos de duas semanas e já presenciou uns três eventos assim.
Primeiro uma pequena discussão entre Karin e Naruto. É, ela não era uma pessoa muito madura. Ligou o carro do primo e o empurrou até a piscina, o coitado quase teve um troço.
Depois um café da manhã em que o patrão voou com a mesa de madeira maciça para cima da parede.
E agora isso...
A vida dos Uzumaki era um tanto agitada.
– Obrigado, pode ir. – Naruto sorriu com um semblante mais calmo para a moça. Ela devolveu o sorriso e desceu as escadas.
Ele era uma pessoa boa, só um pouco incompreendido.
Os dois o colocaram silenciosamente no piso frio do banheiro daquele quarto azul.
– Como se sente? – Sakura sussurrou receosa, apenas para Sasuke ouvir, jurava que podia ver medo em seu orbe escuro. Era quase palpável.
Ele não respondeu. Nem a olhou. Não levantou a cabeça. Apenas encarava o vazio de suas lembranças, deixando-se despir por aqueles dois.
Uma ironia vê-lo tão entregue já que repugnava toques mas ao contrário do que normalmente faria, apenas a deixou desabotoar a camisa vermelha.
Ele contou: Um botão, dois botões, três botões, quatro botões, até desviar o campo de visão para os fios rosa que se intrometiam nas mãos desabotoadoras.
– Pode deixar, Naruto. Eu faço isso. – Ela suspirou delicada e desengonçada, ajoelhada ao lado do escritor imóvel. – Você ainda tem os preparativos para sua festa... Sinto muito por isso...
– Não fale de mim como se eu fosse responsabilidade sua. – Sasuke praguejou com a fala arrastada, afastando a pequena mão sobre a sua cabeça. Ele virou o belo rosto para encará-la, fitando seus lábios pintados de rosa, sensualmente abertos. – Eu sei me cuidar sozinho.
Ela encarava aqueles olhos negros com os seus verdes. Verdes nos negros. Curiosa e um pouco ofendida com o descaso em sua voz, na sua atitude em revirar sua mão bruscamente de sua testa.
– Um obrigado seria muito bem vindo. – Falou em tom de reprovação, com as sobrancelhas arqueadas e um leve crispar de lábios. Ele sabia mesmo como tirá-la do serio. – Eu devia deixá-lo morrer engasgado com a própria saliva.
Ele estreitou os olhos, segurando-a pelos pulsos. Não ligava para o insulto, nem para a maneira ríspida com que a frase foi dita mas a palavra morte lhe soava tão mal e aquela mulher bancando a responsável...
Aquilo era tão irritante.
– Seria presa por omissão de socorro. – Rosnou entre dentes cerrados. Sakura ficou calada sentindo as mãos lhe apertando os pulsos mais que o desejado, com certa brutalidade e quando tentou soltar-se, Sasuke encostou sua testa na da garota, fixando os olhos negros naqueles esverdeados reprimidos que ele adorava provocar. – É você que vai me dar banho?
– Se ele já está reclamando é porque está melhor. – Ironizou voltando suas mãos para os bolsos da calça, em silêncio e apreciando o que parecia ser um clima de atração entre os dois no chão.
Sakura ajoelhada perto do escritor, com a testa colada na dele, sem ligar para o suor da recente convulsão, ignorando o tórax desnudo do rapaz e concentrando-se nos olhos dele. Naruto sorriu com aquilo, aquela seria a oportunidade perfeita para sair sem ser notado.
Ele fechou a porta do banheiro e sinalizou para as empregadas, que estavam paradas na porta do quarto, para que saíssem dali. Desceu as escadas sem tirar da cabeça o fato de que o amigo perdia-se naquele mundo, matava-se aos poucos.
Mantendo a cabeça baixa, entrou na cozinha, onde Hinata ajudava cortando alguns legumes, sempre sorrindo e com a bela franja dividida ao meio. Depois disso, ele a encarou com uma expressão vazia, não queria que ela reparasse mas foi inevitável, tocou-a no rosto com o polegar, escorregando até a base do queixo.
– Como foi... Lá em cima?
– Sasuke já está melhor, só precisa descansar. – Ele sorriu preguiçoso com a respiração quente e úmida nos cabelos. Tocou seus longos fios negros, lisos que escorriam pelas costas magras, finas de menina em desenvolvimento.
Hinata fechou os olhos com o suspiro, sentindo o quente da respiração chegar à pele nua da testa. Pensou nas mil maneiras de confortá-lo naquele momento em que o melhor amigo do noivo tinha tido um tremelique sabe-se lá por qual motivo mas nenhuma palavra vinha à sua cabeça, nenhuma mesmo.
O barulho de uma porta se abrindo acordou os dois daquela cúpula que haviam construído um para o outro.
– Porque do ar fúnebre? – Karin largou a mala de carrinho no canto da cozinha e catou uma maçã no cesto de frutas frescas, bem no alto da geladeira branca. O cabelo desgrenhado em seu rosto chamativo pelo óculos de grau.
Naruto virou-se para ela ajeitando as mangas da camisa, sem deixar de notar que a prima ainda não lhe dirigia diretamente a palavra, provavelmente ainda estaria magoada pela última discussão que tiveram mas veja bem, não foi o carro dela que fora jogado na piscina na frente de políticos importantes.
Uma vergonha.
– Aquele amigo do seu primo está aqui e bem, ele acabou passando mal. Só isso – Hinata respondeu em seu lugar, poupando uma possível briguinha daqueles dois. Tudo por culpa daquele bendito carro. – Acho que vai gostar de conhecê-lo.
Karin deu de ombros, arrancando outra mordida da maçã.
– Hm, uma pena. Espero verdadeiramente que ele melhore, até porque não tem graça vir à mansão dos Uzumaki e não curtir a maravilhosa festa que o anfitrião irá proporcionar. – Respondeu entre uma mastigada e outra, sem alterar o tom de voz. Algo,talvez, inédito em toda a sua existência.
– Vá se arrumar, eu comprei um vestido para você. – Ele respondeu beijando-lhe a testa, tanto Hinata quanto Karin o tiravam do sério mas ele jamais saberia viver sem as duas. Jamais. – Acho que vai gostar. Ah! E também contratei aquele barman que esteve nos seus dezoito anos. Ele é muito bom.
Na real, ela não queria mais brigas, gostava de Naruto e muito mas o pavio curto já era de família, quando um dos dois estourava, parecia que haveria uma Terceira Guerra Mundial, contudo, era grata pelos cuidados que recebera dos tios e depois do irresponsável do primo que sempre passava vergonha por culpa da ruiva.
– É... Ele é bom. – Karin ajeitou os cabelos sobre os ombros e deixou a maçã inacabada sobre a mesa, meio envergonhada pela grosseria que fizera com ele no telefone, pouco antes de voltar de Tókio.
Mandar tomar no cú não era bem um de seus hábitos mas o fizera.
– Eu vou subindo... Mandem o meu café lá pra cima.
***
Sakura parecia uma mãe enquanto esfregava o shampoo no cabelo curto, molhado de Sasuke. Parecia mesmo. Sempre cuidadosa com os olhos daquele marmanjo que se deixava prestar aos cuidados, pelo menos um dia.
Ela descia os olhos por cada costela do rapaz, acompanhados da esponja encharcada de espuma, livrando-lhe do cansaço da viagem misturada com a convulsão. Em silêncio.
– Nada de bebidas ou cigarros hoje. – Mas Sasuke permaneceu seus olhos deitados sobre os ladrilho s azuis do banheiro, louco por um cigarro. Uma tragada. Um pico. Uma alucinação que o tirasse daquela merda de mundo. Voltou seu olhar para as mãos da mulher e o cuidado com o qual ensaboava sua pele pálida.
– Faço o que eu quiser. – Ele praguejou baixinho, atraindo o olhar reprovador da médica. O brilho dos olhos dela, o brilho preocupado, o brilho curioso.
E os negros caíram em direção, novamente, aos lábios comprimidos dela, que chamavam sua atenção tanto quanto as pernas carnudas que ele erotizava em alguns de seus contos novos. Pensar que aquela mulher irritante agora era uma das personagens de sua mais nova obra.
Sim, sim. Um conto tão digno que ele leria em público.
– Ah! Por Kami! Eu sou a médica aqui! – Ela esbravejou e socou a água, espirrando espuma para todos os lados do banheiro. Como ele ousava desafiá-la daquela maneira? Não havia passado sete anos na faculdade para escutar aquele tipo de comentário.
Riu, debochado
A garota levantou o queixo e mirou no movimento feito pela risada. Como alguém como ele poderia se dizer solitário? Ele era lindo!
– Eu não vou fumar, não vou entrar em coma alcoólico nem vou transar sem camisinha se você entrar na banheira. – Ah ela estava fazendo aquele beicinho de novo. Fazia ótimas caretas enquanto pensava. Maravilhosas, para ser sincero.
– Que tipo de médica acha que eu sou?
– Ótimo, acho que vou engravidar umas vinte mulheres nessa festa antes de entrar em coma alcoólico, quem sabe eu não pegue uma DST numa dessas trepadas?! – Declarou quase cantarolando no ouvido de Sakura. Ele se inclinou sobre o corpo, mostrando confiante sua nudez. – Está com medo, S-a-k-u-r-a?
Sakura fechou os olhos ao senti-lo suspirar em seu ouvido, molhar a sua roupa com as mãos recém-tiradas da água. Admirava a curva dos seios da mulher, revelando-se conforme a blusa vermelha absorvia a água.
Sutiã. O maldito sutiã não o deixava apreciá-lo como deveria.
Um sorriso maroto surgiu em seu rosto quando a viu vermelha nas bochechas. As reações dela eram interessantes o bastante para seu livro, para a experiência de uma obra prima.
– Você é ridículo, acabou de sair de uma convulsão e quer me subornar... – Ele a viu cruzar os braços, mais para esconder o que se revelava nos seios do que por irritação. – Você não vai fumar nem beber e ponto! Sobre transar sem camisinha, não ligo. Vai ter que dar conta de sustentar todos os Sasukes em miniatura.
Ele sibilou sadicamente, agarrando seus ombros e a puxando para dentro da banheira, fazendo Sakura soltar um grito agudo de surpresa, ainda mais quando começou a tatear sua coxa, subindo com a saia brega de veludo até a cintura. Beijando o pescoço, calmamente, mordiscando a pele cheia de vida da garota.
Tantas opções a fazer com aquela mulher tão entregue e mesmo assim não o faria. Não, claro que não! Não transaria com a vizinha intrometida, isso só a faria intrometer-se ainda mais em sua vida, especular o que não deveria e se acharia no direito de mandar e desmandar em suas ações.
– Me aguarde. – Levantou da banheira, amarrando a toalha cinza em volta da cintura. — Deveria secar-se, vai acabar pegando um resfriado.
Que tipo e médica ela era?
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