O Poeta
12 Carmim
Notas iniciais
– Viu o meu terno cinza de riscas? — Itachi parou bem na porta do corredor, onde a empregada recém contratada limpava o piso de azulejo branco. Limpeza inútil, mais branco do que aquilo era impossível.
– Estava em seu closet, senhor. – A jovem levantou com um pouco de dificuldade e limpou as mãos molhadas na barra da saia.
Ia continuar falando mas sua voz perdeu-se completamente ao ver o Uchiha com os fios negros, e longos soltos e apenas uma toalha lhe cobrindo as vergonhas. Tinha acabado de sair de um banho renovador.
– T.. Tem certeza de que não o achou? – A empregada por pouco não conseguiu proferir a pergunta, desviou o olhar do peito nú do patrão e voltou a se ajoelhar para terminar a limpeza.
– Se eu o tivesse achado, não viria aqui te perguntar.
E saiu em direção ao seu quarto, insatisfeito porque as coisas naquela casa sumiam como se tivessem sido engolidas por um buraco negro. Não era a primeira vez que procurava um terno e não o encontrava.
Itachi passou as mãos pelo cabelo enquanto observava o cômodo e vasculhava com os olhos as várias roupas jogadas no chão e nenhuma delas assemelhava-se com seu terno preferido mas não queria perder mais tempo ali.
Colocou um qualquer, amarrou o cabelo em um rabo de cavalo e pegou sua moeda da sorte, enfiando-a no bolso.
– Ache o terno. – Disse logo antes de sair em direção à prefeitura, onde teria que assinar alguns papéis.
Assim que saiu, encontrou os flashes ardendo em seus olhos. Uma dezena de câmeras indo ao seu encontro e vozes que se misturavam, não dava-se para distinguir nada do que falavam.
É
A princípio Itachi colocou suas mãos como um escudo. Aqueles flashes eram fortes demais, incessantes demais mas logo acostumou-se com eles, no entanto, isso não faria com que ficasse com menos raiva daquela invasão à sua propriedade.
– Deputado Uchiha, deputado Uchiha! Uma palavrinha por favor – Alguém, a quem ele não pôde enxergar em meio à tantas pessoas, implorava por uma declaração.
Não era só ele, Itachi também podia ouvir vozes femininas gritando algo referente ao seu envolvimento com a tal professora.
Mas que envolvimento?
– ... Sobre a suposta gravidez... – E soou um barulho alto de cachorros latindo, quando deu por si, viu os animais em cima dos repórteres, mordendo e rasgando suas vestimentas enquanto que os pobres corriam de um lado para o outro fugindo das criaturas.
Aqueles eram seus seguranças, todas fêmeas e bem treinadas.
Assim, ele achou uma brecha, nem olhou para trás e correu para o carro, jogando sua maleta no banco detrás e mandando o motorista pisar fundo.
– O senhor está bem? – O motorista perguntou sem tirar os olhos do trânsito leve, as mãos no volante corriam nas curvas sinuosas da cidade e a marcha adaptava-se sozinha naquelas ladeiras.
– Quem os deixou entrar? – Itachi não demonstrou emoção alguma mas de longe via-se o suor escorrendo pelo rosto fino, inclusive, a raiva em seus olhos pareceu ainda mais evidente quando abriu a internet em seu celular — Não faz nem meia hora que isso aconteceu e a minha cara já está estampada!
Deputado Itachi Uchiha demonstra hostilidade ao fugir da imprensa soltando cães treinados para cima de repórteres de plantão.
"Estávamos ali por quase quatro horas esperando qualquer aparição do deputado e quando dei por mim, já me via sendo mordido por cerca de dois cães enormes " Diz um dos repórteres vítima do atentado.
Ele revirou os olhos e jogou o celular pela janela, sem importar-se com o aparelho. Tinha dinheiro o suficiente para comprar quantos quisesse.
– Quem os deixou entrar? – Repetiu.
– Foi o senhor Madara, ele deu permissão para que todos entrassem em sua propriedade. Disse que o senhor lhes concederia uma entrevista.
Itachi franziu a testa, incrédulo do que acabara de ouvir, não disse mais nada nem ao menos cogitou falar. Apenas pegou a moeda do bolso e se pôs a brincar com ela pelos dedos. De um lado para o outro. De um lado para o outro.
Uma espécie de terapia.
– Esse velho quer mesmo foder com a minha carreira... Ele está louco para isso. – Mas eu não vou assumir os negócios da família.
***
Sakura empunhou a bandeja nos braços e piscou para Naruto que assistia à tudo um pouco hesitante da coragem repentina da mulher. Claro que já havia percebido o clima entre os dois mas para ele, não passava de flertes simples que só resultariam em uma transa.
Bem, pelo menos era o que aparentava, até porque Sasuke só comentara dela uma vez e mesmo assim foi para falar de como vestidos rendados ficavam sexy nela.
Como era mesmo a palavra que ele a descrevera? Ah sim! Tesuda.
Sim, sim. Foi dessa maneira que Sasuke a descreveu para Naruto.
– Está esquecendo do suco. – Ele a alertou apontando para a pequena jarra na bancada.
Ela agradeceu com um sorriso e voltou no pé detrás. Estava tão nervosa que esqueceria a própria cabeça se pudesse, aquele sensação era esquisita já que Sasuke era a única pessoa que conseguia esnobá-la e ainda assim fazer com que sua presença seja quase que obrigatória.
A questão é que o escritor a encantara, tudo nele a deixava embevecida, tudo mesmo.
Ela subiu as escadas equilibrando a bandeja enquanto que os pés tateavam cada degrau com imenso cuidado, um a um até alcançar o último.
Sakura tocou a porta do quarto com a pontinha dos dedos, provavelmente ele já estaria acordado porque a fresta de luz batia contra seu rosto mas quando entrou, viu apenas as costas nuas de Sasuke, estava largado na cama com metade do lençol azul marinho cobrindo seu corpo.
Cuidado Sakura.
Cuidado com que possa acontecer.
Cuidado. Não se meta com um Uchiha.
Ela, sorrateiramente, aproximou-se do homem ainda adormecido e deixou a bandeja ao lado do criado mudo, não queria acordá-lo naquele momento tão particular mas ao ajoelhar-se para ajeitar o pratinho com o pedaço do sanduíche, sentiu uma mão agarrar seu pulso de maneira firme.
Não resta dúvida de que Sakura assustou-se com o contato, a última coisa que queria era perturbar o sono de alguém já que detestava ser acordada.
– O que faz aqui?
Ela não respondeu. Concentrou seu olhar no de Sasuke que apenas a encarava duro, de lábios crispados.
Ela continuou calada.
– O que quer? – Ele pressionou ainda mais o pulso frágil da garota que por mero descuido da vertigem, acabou desequilibrando-se e caiu sentada.
– Eu...Eu...Bem, eu vi que estava debilitado ontem e — Pigarreou como forma de ganhar tempo na elaboração de um discurso plausível. – E... Decidi trazer alguma coisa balanceada para você comer.
– É nutricionista por acaso? – Sasuke debochou sentando na cama, não demorou muito para que desse um pequeno espreguiço e pegasse a carteira de cigarro ao lado da bandeja.
Sua maravilhosa tragada viria em breve e Sakura estaria lá para apreciá-la.
– Clínica geral mas eu entendo um pouco disso.
Sasuke sorriu e observou o cigarro entre os dedos. Ah tao lindo...
– Foi uma pergunta retórica.
A mulher engoliu seco ao vê-lo soprar a fumaça bem perto de seu rosto, não tão perto mas o suficiente para tossir. Sasuke não se mexeu, analisou a reação das tosses fracas.
Ela ficava tão frágil vista de cima. O corpo em sua frente subitamente estremeceu.
O sorriso zombeteiro não saiu de seus lábios, nem ao menos quando levava o cigarro à boca e a nicotina impregnava na garganta,descendo para os pulmões.
– Uma ótima maneira de começar o dia. – Ele tomou o queixo dela e forçou sua boca contra aqueles pequenos lábios pintados de carmim, causando arrepios sobre a pele quente de Sakura.
Um único selinho e os dois já estavam separados.
– Uma ótima maneira ... – Repetiu fumando sensualmente o cigarro.
Toda vergonhosa, Sakura virou o rosto para a bandeja e com um pouco de dificuldade, pôs-se de pé. Sentia o olhar do Uchiha estudando seu roupão de cetim muito bem fechado e que não exibia nenhuma parte de carne de Sakura.
Nenhuma pele exposta para degustação do escritor complexado.
– Eu trouxe esse sanduíche de tomate seco que aprendi a gostar quando comecei a fazer estágio. – A maneira como ela explicava entretida era tão graciosa, tão delicada e ...feliz – Também trouxe alguns biscoitos leves mas que contém muita proteína, o que não ruim para um homem que só vive de comida instantânea, o suco... Fiz questão de fazer da própria fr
Tão Sakura.
– Tem um corpo maravilhoso, devia expô-lo mais. – Sasuke disse como se fosse a coisa mais normal do mundo, não tirou os olhos de cima dela, deleitou-se da expressão surpresa que a menina exibia.
– Err...
Mas as palavras não saíram, na realidade faiscaram em sua garganta, entretanto nenhum som ecoou. As bochechas coradas ficaram ainda mais rubras.
Aquilo tudo era um encanto e pelo o que parecia, ela agia como uma mocinha envergonhada, essas reações não foram ignoradas pelo escritor.
Ele deixou um sorriso nascer novamente em sua boca.
– Já que a minha saúde lhe afligiu tanto... Acho que vou comer. – E ergueu o olhar cínico.
– Não seja presunçoso, sou uma médica e fiz um juramento.
Reparando bem, Sakura não era a mulher mais bonita, nem a mais interessante. Era até um pouco sem sal mas sempre que estava em sua companhia, sentia-se à vontade, ainda mais quando ela resolvia infiltrar-se em sua cozinha ou quando insistia em dar uma "pequena geral" no apartamento.
– Que seja. Eu não preciso de babá.
Sabe, ele já havia reparado que a vizinha gostava de espioná-lo pelo olho mágico, que sempre ficava nervosa quando seus dedos tocavam nos longos cabelos cor de rosa. Ele gostava disso. Gostava de como os olhos verdes fechavam-se a cada risada ou de como ela mordia os lábios quando ficava com vergonha.
Uma criatura que aos poucos tornava-se mais bonita aos olhos de Sasuke. Talvez fosse a curiosidade. É, talvez.
– Sasuke, eu estou te chamando há dez min... – Karin sabia que já tinha visto aquela garota antes, sabia sim! Não é muito comum ver uma pessoa de cabelo rosa andando por aí mas como era mesmo o nome dela? Saki... Ah! – Sakura?
Sakura acordou do transe ao ouvir seu nome saindo de uma boca feminina, levantou apressada e avistou uma mulher saída do banho, à julgar pelos cabelos ruivos molhados e uma toalha verde bem felpuda enrolada no corpo.
A toalha. O banho. O mesmo quarto. Os dois tinham passado a noite juntos.
Ela a conhecia... Seu rosto não lhe era estranho, não mesmo.
– Desculpe, eu só trouxe o café da manhã do Sasuke – Voltou os olhos para o nada. – Ele anda muito debilitado.
Karin olhou de maneira rápida para Sasuke e depois para Sakura que ainda permanecia de olhos abaixados, não sabia o porque da posição submissa da conhecida mas resolveu dar um passo para frente e tocar no ombro da mulher.
Ela mordia os lábios furiosamente.
– Sakura, não lembra de mim? Sou eu, Karin da livraria. Você quem me mostrou os livros de Sasuke na prateleira. – A voz mansa deixou a mulher ainda mais desconfortável e Sasuke, sentado, apagou o cigarro no cinzeiro. Olhou as duas dos pés à cabeça. – O que faz aqui? Não sabia que conhecia o Naruto.
Karin? A ruiva escandalosa na porta da livraria. Claro! Mas o que ela fazia ali na casa de Naruto, no mesmo quarto que Sasuke?
Sakura colocou alguns fios de cabelo atrás da orelha, confusa sobre o fato da ruiva estar de toalha no mesmo quarto que seu vizinho.
O mesmo por quem ela se interessou.
– Karin... Claro. Sou amiga do Naruto e vizinha do Sasuke. – Nem de longe a médica conseguiu esconder a insatisfação na voz. Era totalmente desconfortável sobrar de uma maneira tão descarada, tão inútil que poderia sumir. – Eu já vou, ainda tenho que arrumar a minha mala, o nosso voo é em quatro horas, não é?
Da mesma maneira que ela entrou, saiu, deixando Karin confusa e olhando para o lugar onde a garota de cabelos róseos estava há poucos segundos.
Ela deu de ombros e voltou-se para Sasuke, perdido em pensamentos. Na porta do quarto. Na mulher que tinha acabado de sair dos limites do comodo.
– Sabe o que deu nela?
– Hm. Quem sabe. – Respondeu retirando seus olhos da porta de madeira e acendendo outro cigarro. Cada tragada, uma ideia nova vinha.
A ruiva ia deitar-se sobre o peito do escritor, entretanto foi interrompida quando o homem esticou os braços para pegar o sanduíche. Ele o cheirou e fechou bem os olhos, em seguida a mordida.
Tudo que Sakura fazia era sempre tão gostoso, aquele café da manhã não era exceção.
Nem ligou para o que Karin dizia, mordia o pão com vontade e mastigava como se provasse uma refeição pela ultima vez, ele procurava captar cada gosto, cada textura, todos escondidos no estranho e maravilhoso molho.
Era algo levemente adocicado que ao misturar-se com o tomate ficava agridoce.
– Não sabia que se conheciam. – Sasuke disse assim que terminou de mastigar. Em nenhum momento olhou diretamente para a mulher que em uma posição muito cômoda, tirava lascas de esmalte das unhas. – Como aconteceu?
– É. Nos vimos na livraria perto do parque triangular pouco antes de vir pra cá. Ela estava comprando seus livros de uma vez, a princípio pensei que fosse sua fã mas agora que vi vocês juntos, tenho minhas desconfianças. – Ela respondeu sem muito interesse mas sabe como fã é quando seus ídolos arrumam um affair, não é? – Porque tanto interesse? Ela é alguma coisa sua?
– Hm. Não é nada.
(…)
"Você tem um corpo maravilhoso"
" Eu costumo sair antes de encontros com a imprensa, quer vir? Eu pago"
"Acha que pode me beijar e ficar por isso mesmo?"
Pense, Sakura, pense.
Pense
Olhe por onde anda. Olhe onde pisa.
(...)
Sakura passou a semana inteira metida no hospital, só saía para almoçar ou então para dormir, pegava plantões até quase estafar mas essa correria em nada tinha ver com Sasuke, era mais porque o vizinho havia arcado com os custos de sua viagem na primeira classe.
E ele fez questão de comprar-lhe o melhor champanhe à bordo, logo, o mais caro.
Por isso, Sakura queria devolver cada moeda gasta por sua estada, inclusive o táxi que ele não a deixou nem rachar a conta.
– Sakura, você está ficando estressada, quer me contar algo? – Tsunade vociferou ao ver a jovem beber o terceiro copinho de café nos últimos vinte minutos.
A medica sorriu sem graça e novamente colocou as mãos no bolso do jaleco, procurou desviar o olhar da chefe que, com uma posição desafiadora, a encarava. Queria respostas para aquelas olheiras e as covas de magreza.
– Digamos que eu me endividei nos últimos dias... – Uma pequena olhada para o corredor e nenhum movimento, nenhuma correria.
– Bebedeira? – Um questionamento um tanto intimidador, teve que admitir – Porque se for é melhor não me aparecer aqui virada. Ética médica é tudo.
– Não, não! Foram com outras coisas mas não tem nada a ver com bebedeira, eu juro, Tsunade! Eu juro! – Sakura jurou mesmo, até beijou os dedos juntos como as bandeirantes fazem.
A loira balançou a cabeça positivamente assim que a analisou por algum tempo, talvez ela quisesse ver até que ponto a jovem mulher usaria da sinceridade ou da mentira.
Tsunade era sempre rígida com os funcionários, em especial com Sakura, não rígida do tipo que dá bronca o tempo inteiro mas daquele tipo que sabe que a pessoa pode fazer melhor e o amor e paciência com que a garota exercia funções que nem eram delas, a faziam acreditar ainda mais em seu potencial.
Ela sabia que durante os plantões, a jovem médica visitava a ala de oncologia e que ficava um bom tempo mas sempre fingiu não saber.
– Sakura, não me interessa o quão afundada em dívidas você esteja, precisa descansar. – As duas caminhavam lado a lado pelo corredor vazio do hospital. Aquele cheiro de éter nas narinas. – Eu necessito de médicos bem descansados e você... está um bagaço.
– Eu sei, mas é que eu preciso muito desse dinheiro. – Insistiu.
– Sakura! Sakura! – Os gritos de Ino chamaram a atenção das duas que ainda caminhavam.
Ino correu até as duas e com a perda de fôlego, repousou os mãos nos joelho enquanto buscava por ar naquele ambiente de éter. Lembre-se, correr de salto em um piso tão escorregadio não é uma boa escolha, ainda mais quando se tem que driblar macas e pacientes caminhando com hastes e um soro pendurado.
Ela ainda não tinha recuperado a respiração normal, abanava o rosto avermelhado.
– Yamanaka! Que historia é essa de correr e gritar como uma criancinha? Isso é um hospital, não um parque de loucos!
A respiração ainda descompassada. Os pés doloridos.
– Desculpe... Mil desculpas mas estão precisando da Sakura na... Na ala pediátrica e Shizune ainda está no horário de almoço.
Sakura tapou a boca disfarçadamente, tinha que conter o riso com aquela mentira descarada que a amiga tentava contar à chefe. Ela até achou que Tsunade não fosse acreditar na loirinha, achou mesmo.
Olhava para a amiga e depois para a patroa, Ino ainda tentava recompor-se da pequena corrida da recepção até o local onde as duas médicas caminhavam.
Tsunade arqueou a sobrancelha e abanou as mãos, como se concordasse.
– Vá lá resolver esse caso logo e depois – Apontou para o espaço vazio que representava a porta de saída. – Casa! Não quero funcionária minha desmaiando estafada aqui, já tenho problemas demais com falta de médicos... Problemas demais.
E afastou-se caminhando até perder de vista. Sakura sorriu ao sentir a preocupação, de fato estava mesmo afundando-se no trabalho, até suas olheiras a assustavam.
– Pode falar Ino.
– Deixaram esse bilhete para você, lá na recepção. Considere-se sortuda pela fofoqueira que dormiu com o segurança não ter aberto. – A recepcionista balançou o pedaço de papel como um abanador, o sorriso irônico estampado.
– Bilhete? Quem será meu admirador secreto hein? – As duas riram e Sakura pegou o papel das mãos da outra.
"Como é que você se muda e não avisa ao seu querido, sexy e maravilhoso mentor? Bati na casa dos seus pais e eles me disseram seu novo endereço da casa e trabalho. Noticias: Eu vou ser pai. Espero poder falar com você em breve. Precisamos nos ver.
Abraços, Kakashi."
Os olhos dela levantaram para os da amiga, o cabelo cor de rosa soltando da presilha e escorregando nas bochechas, caindo sobre o ombro. Ela mordeu o lábio inferior feliz pelo antigo orientador da faculdade e atual amigo estar com um filho à caminho.
– Kakashi vai ser pai... A voz dela soou macia, relaxada de todo aquele estresse ao qual estava submetida.
Os olhos azuis arregalaram-se e Ino teve que espalmar a mão na parede porque aquela notícia era realmente um marco. Kakashi jamais desejou ser pai, rejeitava toda e qualquer ofertas de suas antigas namoradas. Com essa, ele parece ter se estabelecido.
– Olha... Meu queixo está caído, de verdade. – Ela cambaleou – Nunca imaginei que um dia ele seria domado assim.
– É, mas foi...
– Pretende laçar aquele bonitão do seu vizinho da mesma maneira? Aposto que ele está precisando de uns tratos. – O deboche em sua voz era evidente, marcado pela contração de seus lábios em um sorriso e um leve acariciar nos fios louros que formavam um rabo de cavalo. Bem alto.
Sakura levou na esportiva o comentário mas ao terminar a conversa com a amiga e dirigir-se ao vestiário para trocar de roupa, não deixou de pensar em suas palavras que de alguma forma tornaram-se sinceras.
Laçar o seu vizinho.
Laçar o escritor.
Laçar Sasuke Uchiha.
Não, não. Impossível.
Sentada no banco de cimento frio, esperava o metrô chegar, ela deixou seus olhos fecharem-se e as lembranças voltarem ... "Sasuke Uchiha"
E aquele nome ecoava pela sua mente a cada instante em que seu coração batia. A cada entrada e saída de ar das narinas.
Como um ser tão antipático poderia ser tão impressionante? Tão...tão... Ele simplesmente era.
Seus verdes correram para o casal em frente. Beijos. Carícias. Brincadeiras. Ah aqueles abraços calorosos! Estavam tão bonitos juntos que a medica não desviava os olhos deles e quando a olharam, ela sorriu. Foi sincera.
Assim que chegou em seu apartamento, jogou as chaves na mesa e um sorriso brotou nos lábios da mulher, sua atenção estava presa naqueles livros, naquelas obras primas.
Do poeta.
– Você esta me deixando maluca, cada dia mais insana. – Ela sussurrou para os livros como se Sasuke estivesse ali, como se ele pudesse escutar suas palavras.
Sakura esfregou as mãos no rosto numa desesperada tentativa de manter sua lucidez intacta.
Ao invés de dormir, foi jogando suas roupas pelo corredor. Primeiro a blusa, depois a calça branca, as meias foram logo em seguida, a calcinha foi a ultima a ser descartada pelo chão do apartamento. As olheiras profundas revelavam uma Sakura obcecada pelo trabalho.
– Você está péssima. – Murmurou ao olhar seu reflexo no espelho do banheiro.
***
A mão dele apalpou a bunda em apertos que deixariam marca. Pernas abertas, flexionadas. Seios balançando. Joelhos e palmas das mãos no colchão. Ele estapeou a polpa dela enquanto que o ritmo forte das suas estocadas aumentava, depois diminuía e rápido, devagar, mais rápido ainda.
Sasuke fazia-se ao espremer-se nela, deliciava-se ao ou ouvir o barulho dos dois corpo chocando-se. Ele até agarrou a cintura da mulher enquanto o quadril feminino se impulsionava para trás.
O Uchiha estava no auge do efeito da droga. Tudo nele era intenso demais. Sua Hero melhorava cada toque malicioso, seus reflexos estavam tão bons que a segurou assim que sentiu as pernas e braços da prostituta vacilarem, tremerem.
– Porra! Porra! Porra...-- Vociferou ao sentir a cavidade espremer deliciosamente seu membro. Ele puxou forte os cabelos negros, alguns fios foram arrancados.
E a penetrou mais, perdendo completamente o controle de suas ações, e com um balanço forte de impulso, ele se empurrou por completo, golpeando-a furiosamente.
O quarto cheirando a sexo e suor. Ele entregava tudo que nunca havia entregado, preenchendo-a com todo seu poder. Grunhido como um animal enquanto a estocava violentamente mesmo sabendo da porcentagem da dor que ela poderia estar tendo mas
– Eu não ligo. – Ele lambeu as costas molhadas e se enfiou até sentir as pernas encostando nas dela.
Bem, ela era uma puta. Tinha que aguentar aquele lado violento do Uchiha.
(...)
Sasuke ainda olhava concentrado para o teto de espelho, seu reflexo nú estirado na cama. Ao seu lado, uma mulher voluptuosa que também encarava o próprio reflexo. Com os olhos fixados em um ponto que não dava exatamente para ser distinguido, era apenas um ponto e dois corpos.
– Como é apaixonar-se? – Uma voz rouca perguntou, tão baixo que Kurenai teve parar por um tempo e juntar as poucas letras compreensíveis.
Ela riu.
– É estar exatamente como você nesse momento. – E a prostituta sentou-se na cama, flexionando a perna esquerda para mais perto do corpo, não foi requerido muito esforço para que ficasse o bolso da calça de Sasuke, aquela jogada em cima do abajur. — Sem nenhuma sombra de dúvida, meu querido.
Uma tragada revigorante e Kurenai inclinou-se para acender o cigarro que Sasuke colocava na boca, ele estava pensativo, fazendo as coisas no automático.
Achou graça porque ultimamente ele andava com a cabeça fora de órbita, transando como um animal, fazendo coisas na cama das quais nunca fizera, talvez pensando nela... Na garota cujo o nome nunca fora citado ali.
Já pensou? Sasuke Uchiha beijando durante o sexo? Ele nunca o fazia, nunca até hoje.
– Como se eu estivesse de porre? – Dessa vez, ele quem riu do próprio comentário besta. O cigarro entre os dedos.
– Alguma coisa do tipo...
A mulher levantou da cama desarrumada e vestiu o robe de seda, amarrou artisticamente o laço em sua cintura bem trabalhada. Não faria como da ultima da vez que o nó mal feito se desfez no meio das meninas de sua boate.
– Porque não vai atrás dela? Sei lá... A convida para jantar ou mostra um pouco dos seus outros talentos, hein? E falo do poema que fez para ela.
Porque não vai atrás dela?
E
Porque não vai atras dela?
P O R Q U E ?
Atrás daquela...
Não de qualquer uma. Dela.
– Hm. – Sasuke levantou da cama e foi colocando as calças, depois a camisa com o símbolo de sua família mas antes de sair do quarto, olhou para trás. – Devia sair dessa vida, você é bem mais que sexo.
Ela levantou levemente os cantos dos lábios em um sorriso. Aquilo foi um obrigado, não pelo programa mas por todos os anos de apoio. Desde que os paia de Sasuke se foram, Kurenai fazia um papel que não condizia com a relação profissional dos dois.
Ela ajudava nos deveres da escola. Dava conselhos dos mais simples aos mais complexos. Inclusive, fora ela quem acabou com o fardo da virgindade que Sasuke levara até os dezesseis anos.
No meio do caminho para onde o escritor havia estacionado a moto, pegou o celular esquecido no bolso e ligou.
– Alô... – A voz feminina do outro lado parecia sonolenta e até preguiçosa. Até a imaginara com aquele pijama provocante mas infantil ao mesmo tempo, tão curto e tão larguinho.
Devia estar maravilhosa... E com aquela boquinha bem vermelhinha, não precisava de batom porque tudo era natural.
Pintadinha de carmim.
– Porque não se arruma? vou te levar à uma exposição. Te pego em quarenta minutos.
Silêncio. Achou até que o celular tinha ficado mudo.
– Hein? Quem é que está falando? Se for trote, vou denun...
– É o Sasuke, esteja pronta quando eu chegar. – E desligou o telefone.
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