O Poeta

15 Capítulo Especial


Notas iniciais
Olá, cheguei um pouco antes do que o previsto porque não me aguentava de vontade de postar o capítulo que está curtinho. Queria também agradecer às recomendações das lindas e fofíssimas Irmãs Haruno e Srta Stross. Muito obrigada por me fazerem feliz a cada capítulo. Beijos e boa leitura. Obs: Esse é um capítulo filler, mostra um pouco do passado de Sasuke.

Capítulo Especial

Sasuke balançava as pernas penduradas na cadeira desconfortável que a diretora de sua escola colocava naquele cubículo que ela chamava de sala. Era unha de fome e todos os alunos sabiam disso.

A mulher o encarava sem expressão, apenas batucando com a caneta de tinta azul na mesa, era um barulho irritante que parecia aumentar a medida que a mãe do garoto atrasava-se para a reunião.

Sasuke remexeu-se tentando ignorar o clima desconfortável que era ficar ali esperando sua sentença de morte, mesmo que para si não tenha feito nada de errado, ao contrário, apenas fez o que lhe pediram.

"Escrevam sobre aquilo que mais lhes agradam"

– Com licença, diretora. – Um rosto fino de uma mulher de meia idade apareceu pelo vidro da porta e depois via-se o corpo já dentro da saleta. – Desculpe o atraso, tive um imprevisto pelo caminho.

A diretora balançou a cabeça positivamente e estendeu o braço para que Mikoto se sentasse.

– Senhora Uchiha... Sinto muito incomodá-la à uma hora dessas. – Inclinou-se na mesa e correu os olhos rapidamente para o menino que apreciava à tudo de maneira despreocupada. – Sei que é uma mulher atarefada e bastante rigorosa com seus horários...

– Diretora, eu gostaria que fosse direto ao ponto. Que resolvêssemos logo esse assunto. O que exatamente Sasuke fez de errado?

Não. Não deu para reprimir o riso descontraído. O Uchiha amava a maneira como a mãe cortava o barato da diretora, pois só o que ela fazia era puxar o saco de Mikoto ou então dar em cima de seu pai e fazia isso da maneira mais descarada possível.

Mas a mulher, ainda com a caneta em mãos, lançou-lhe um olhar de repreensão e logo o sorriso desapareceu.

– A professora pediu que os alunos escrevessem uma redação sobre o que eles mais gostavam – Ela vasculhou alguns papéis que estavam esparramados sobre a mesa e pegou um que continha coisas escritas à lápis – E Sasuke teve a audácia de escrever sobre... Sobre relações íntimas.

Mikoto logo papel das mãos da diretora e o examinou minuciosamente, via-se de longe seus olhos correndo linha após linha daquele texto que ocupava surpreendente duas páginas inteiras.

Saiba que Sasuke não devia ter mais que treze anos e aquilo era um marco, mesmo para o próprio Uchiha que costumava ser o melhor aluno da turma.

Foram longos minutos de espera, até que a mulher de cabelos negros levantou a cabeça e encarou a outro profundamente. Parecia ainda estar refletindo sobre o que acabara de ler.

– Então, Senhora Uchiha? O que acha dessa atitude precoce vinda de um dos melhores alunos? – Ela puxou um pouco de ar para dentro dos pulmões e tornou a concentrar-se em sua postura ignorante. – Eu mesma fiquei muito surpresa, é de se admirar que um aluno desse porte use dessa literatura tão xula. Ele tem visto em revistas eróticas?

– Desculpe mas o meu filho é um menino muito bem educado, não acredito que me chamou aqui para reclamar desse texto cheio de criatividade e muito bem escrito. – Mikoto levantou de repente, para a surpresa do próprio filho que assistia tudo de braços cruzados.

De fato ele havia achado que levaria uma bronca colossal ou até que sairia dali com as orelhas sendo puxadas pela mãe. Não achou que ela o defenderia, até porque, era muito conservadora e recatada.

Os negros brilharam ao ver a expressão perdedora daquela diretora nojenta.

– Sinto muito senhora Uchiha mas não aceitamos esse tipo de comportamento vindo de alunos, temos um nome à zelar. – O tom saiu um pouco mais baixo do que o normal. Estava surpresa ou irritada.

– Não pode puni-los por quererem se expressar mas vou conversar com ele para que amenize "as palavras xulas"

Sasuke só viu quando a mãe colocou a bolsa debaixo do braço e veio em sua direção, puxando-lhe pelo pulso. Ele ainda olhou para trás e mostrou a língua atrevidamente, ela merecia.

– Mãe... – Ela não respondeu, nem deve tê-lo escutado. – Mãe...

– O que foi? – Se ela não estivesse tão irritada, riria dos olhos arregalados e a boca crispada em uma linha quase que imperceptível, o nariz que era fino, explodiu com a respiração ofegante.

Mikoto estava muito engraçada.

– Você está indo em direção à quadra, a saída é para lá. – Com uma voz de puro deboche, o menino apontou para o lado oposto ao que eles estavam indo.

A mulher meneou com a cabeça e o puxou na direção certa, não apertava o pulso do menino nem andava depressa. Era como se apenas o estivesse guiando. Sasuke sabia que a redação que havia feito não a abalara mas a havia deixado com uma ponta de dúvida sobre onde ele havia escutado tais detalhes sobre sexo.

Já dentro do carro que o pai tinha comprado semanas antes, o menino ajeitou-se no banco e olhou fixadamente para a mãe. Os dois eram idênticos. Os olhos, o nariz, a boca, tudo.

– Mãe... Você está zangada comigo? A professora disse que eu sou um mau exemplo para a turma. – Um desabafo que pegou a Senhora Uchiha de surpresa. Seu menininho doce e inocente estava de volta.

Não...Não. Ela não poderia ficar zangada com ele. Jamais.

– Aquele texto tinha tanto... Detalhes, onde você viu aquilo?

– Eu só escrevo o que vejo. – Sasuke voltou seus olhos para a janela do carro, decidiu olhar a paisagem. O carro do gelo doce passando. – Ouvi uns barulhos e achei que você e o papai estivessem brigando, mas não... Estavam transando.

A naturalidade com que as palavras saíram da boca do menino a assustou, ele as dizia como se visse cenas de sexo o dia todo. O que era meio que impossível já que Fugaku e ela tomavam as devidas providências para que nenhum dos filhos os vissem e o fato de Sasuke tê-los visto fora apenas um pequeno deslize.

Um deslize e nada mais.

– Meu bem... Existe coisas que os adultos fazem quando se amam demais e o que você viu foi só uma delas. – Ela tirou a chave da ignição e saiu do carro. Haviam chegado na Mansão que os abrigava desde que se entendiam por gente.

A mansão Uchiha sempre imponente desafiava qualquer um que passasse por sua frente e Sasuke a detestava pelo simples fato de ser grande demais, Itachi sempre o amedrontava dizendo haver espíritos sedentos por vingança nos corredores da casa.

Ele a observou por um tempo, as mãos no bolso pelo frio da estação em que as folhas caíam amareladas. Depois voltou-se para a mãe crente de o assunto havia dado-se por encerrado.

– Esfregar o pinto no rosto de uma mulher é uma demonstração de amor?

***

Não era do costume de Sasuke fazer os deveres de casa, na verdade, ele quase não os fazia e por isso sempre levava advertência para casa ou a diretora arrumava uma desculpa para que chamasse seu pai. A realidade é que ele não precisava de nada disso, tirava excelentes sem fazer muito esforço.

– Sasuke, querido. Seu amigo loirinho está aí. – Mikoto gritou lá debaixo, talvez estivesse preparando a janta à julgar pelo barulho de panelas batendo.

– Vou descer! – Gritou de volta e jogou os livros sobre a cama, eles caíram abertos e algumas folhas acabaram sendo amassadas pela queda, não precisou nem chegar às escadas porque o amigo já estava gritando pela casa.

Naruto nem bem abriu a porta e já se jogou na cama, fazia isso sempre. Era tão abusado que quando viu os livros e cadernos atrapalhando o seu esparramar no colchão, os jogou no piso de madeira.

Sasuke já nem ligava mais com o comportamento do amigo, ele sempre fazia isso mesmo.

– Cara, e aquele texto? A professora quase morreu quando você o leu pra turma toda. – Uma gargalhada encheu o quarto e uma bola de futebol girava nos dedos em puberdade do loiro. – Tinha que ter visto.

O Uchiha também riu e até jogou a almofada pesada na cabeça do amigo, não entendia o motivo daquele texto ter sido tão polêmico, ele apenas tinha escrito uma parte do cotidiano de muitos adultos, claro que sensualizando um pouco mais o ato.

O que Sasuke ainda não entendia era o tabu que faziam com sexo. Pelo o que ele havia visto, era apenas dois corpos se chocando, suados e nús mas imagine o quão confuso deve ser para um se humano querer se expressar e não poder porque outros censuram seus pensamentos.

– A diretora chamou a minha mãe na escola, foi ridículo o papel que aquela mulher fez. – Suspirou dando uma risada debochada ao lembrar da face vermelha de vergonha que ela tinha feito, vergonha entre aspas porque era perceptível o interesse no texto. – Até a minha mãe gostou. E olha que ela é tem vergonha de tudo, se o meu pai disser que ela está bonita, fica mais vermelha que tomate.

Naruto olhou para o teto branco. Dois mosquitos os observavam , voavam de vez em quando e tentavam pousar no loiro que sempre errava os tabefes e acabava batendo em si mesmo. Era a quarta vez que isso acontecia, já estava ficando irritado.

Outro tapa e o braço esquerdo ficou vermelho.

– Cara, para com isso!

– A culpa não é minha se a sua casa é cheia dessas coisas! – Outro tapa no vento que não foi o suficiente para agarrar o inseto crescido pelo sangue de alguém. O menino já estava todo marcado pelos tapas que dava em si mesmo, todos sem querer, é claro.

Os dois ouviram quatro batidas seguidas na porta, pelo modo delicado como haviam sido, provavelmente era Mikoto com mais um de seus lanches naquela bandeja prata. Ela sempre trazia babujarias quando Sasuke aparecia com algum colega em casa, na maioria das vezes era só Naruto mas quando vinham outros jogar bola com o filho, quase fazia um banquete.

Ela era uma boa mãe.

– Sasuke, eu trouxe um lanche para você e para o ... – Ela se virou para Naruto, parecia nào lembrar de seu nome, franziu o cenho em um esforço para não fazer feio mas... – Desculpe, eu sempre esqueço o seu nome, é Nabuko, Natuno

O garoto abriu um sorriso contagiante e sentou na cama de maneira infantil, cruzou as pernas com a chamada perna de chines.

– É Naruto.

Mikoto balançou a cabeça concordando, voltando-se para o filho. Ela esticou-se um pouco e beijou sua testa, ignorando totalmente a cara de nojo estampada. Adorava fazer Sasuke passar vergonha na frente dos amigos, era um divertimento vê-lo tentar esquivar-se de suas demonstrações de carinho.

Não era tão ruim. Era apenas a maneira dela de ser carinhosa com os filhos, pois Itachi era o que menos gostava desses aconchegos.

– Vai mostrar o texto pro pai? – Disse com um pouco de receio, nunca sabia o que esperar das reações de Fugaku. Sempre tão rígido.

– Relaxa Sasuke, seu pai vai se amarrar. Estava mesmo desconfiado que você fosse gay, agora vai provar que não é – Naruto gargalhou.

– Vai se ferrar, eu vou te jogar dessa janela se continuar falando que eu sou gay! – O Uchiha não costumava ficar zangado com esse tipo de comentário vindo do babaca do Naruto, no entanto, falar isso na frente da sua mãe provocaria uma grande discórdia.

Ela olhou para os dois e depois para o filho, aliviou a tensão no rosto e aos poucos fez surgir um sorriso materno. Limpou as mãos no avental que trazia junto à saia e respirou fundo, deixando sua face mais leve, livre de preocupações.

Afinal, era só curiosidade de adolescentes.

– Eu não conto se você não contar. – Disse logo antes de sair de fininho.

Ela desceu as escadas ainda pensativa sobre a preocupação de Sasuke em fazer com que o pai não soubesse do motivo. Fugaku era sim um homem rígido ms longe de ser o tipo que mete pânico nos filhos.

Pobre Sasuke, mal sabe o pai maravilhoso que tem.

Os longos cabelos negros eram tão finos que qualquer que fosse o motivo, eles embaraçavam e por isso ela fazia um rabo de cavalo bem alto à contragosto do marido, que amava vê-la de cabelos soltos.

Ele a observou caminhar pela sala de jantar e depois adentrar na cozinha. Sempre linda.

– Que carinha é essa? – Sussurrou em sua pele, acariciando o ventre lentamente enquanto percorria o nariz nos fios cheirosos.

– Estou preocupada com o nosso Sasuke, já é a quarta vez em quinze dias que a diretora manda me chamar. – Não pôde deixar de estremecer com a língua brincando de modo provocante com a sua orelha mas de repente, ele parou as carícias.

Fugaku a encarou cortando tomates, estava de saco cheio de vê-la tratando os filhos como dois bebês, eles estavam grandes e é por esse motivo que Sasuke desenvolvera uma enorme dependência da mãe. Difícil acreditar mas se um dia ela morresse, o filho ficaria maluco.

Aliviou a tensão no rosto.

– Ele é um garoto, é normal que isso aconteça. Esquisito seria se ele, como um Uchiha, nunca fosse chamado na escola. – Para ele, aquela preocupação excessiva era um obstáculo para o desenvolvimento de um Uchiha.

Olhe o caçula, tinha treze anos e a mãe o tratava como se tivesse cinco.

– Não é normal eu estar lá toda a semana!

O homem balançou a cabeça em desaprovação e saiu da cozinha, não iria ter mais uma discussão com a esposa por culpa de seu comportamento ridículo para com os filhos. Ele ajeitou as mãos nos cabelos revoltos e subiu as escadas.

Direto para o quarto do filho. Primeiro hesitou abrir a porta, a última vez que o tinha colocado para treinar, a briga com a mulher tinha resultado em sua permanência no sofá por quase quatro dias.

– Levanta. – Disse ao vê-lo esparramado no chão e o amigo loirinho com um de seus mangás em mãos. – Hoje a gente vai treinar um pouco, quero ver o quanto você aguenta nadar.

Notas finais
Perceberam que tudo que Sasuke escreve é porque ele viu ou vivenciou? Por isso vocês o veem com tantas mulheres, ele não é mulherengo nem nada, elas são como experimentos. Ele transa e depois a descreve. Esse capítulo, à principio, não mostra nada demais mas aposto que se vocês prestaram atenção nos anteriores vão ver algumas sutilezas nesse daqui. Beijinhos