O Poeta
26 Atrevida
Notas iniciais
― Isso é sério? ― Naruto não devia, mas riu do amigo, era algo tão inusitado uma mulher dizer não à Sasuke que parecia surreal.
― É... Ela disse bem na minha cara que não queria que eu falasse mais com ela. ― Dizia enquanto digitava de maneira frenética algumas palavras no notebook.
― Impressionante, nunca pensei que viveria para te ver levar um toco. ― Brincou
Sasuke revirou os olhos e continuou com seu texto, de certo modo, o fora que havia levado da médica tinha feito com que a sua cabeça trabalhasse a mil e por isso seu conto tão bem executado já estava quase finalizado. Não, pensem que tudo que saía de sua cabeça tinha como destino trechos em jornal ou até publicados dentro de uma coletânea, na verdade, alguns de seus contos apenas eram escritos por diversão, alguns deles se mantinham ainda intactos em folhas de caderno, em guardanapos que encontrava nos bares enquanto bebia seu saquê e até em papéis higiênicos.
A inspiração não tinha hora para chegar.
― Hm. ― E bebeu mais um gole de uma cerveja estrangeira oferecida como novidade no bar.
Naquele momento em que Naruto tagarelava sem parar sobre algo que Sasuke não entendia direito por estar concentrado nas teclas do notebook, ele cometeu o equívoco de comportar-se como um fumante e quando deu por si, estava segurando um rolinho de papel por entre os dedos, assim como fazia com o cigarro.
A parte esquisita? Nem ao menos se lembrava de tê-lo feito.
― Sasuke... Você está fumando um rolo de papel. ― O amigo o alertou ao mesmo tempo em que cruzava os braços para analisá-lo melhor.
Era bastante óbvio que o escritor estava passando por certa dificuldade desde que saiu da clínica de reabilitação, não estava sendo fácil largar o vício que o acompanhava todos os dias por mais de dez anos, era um trabalho árduo.
Pela primeira vez desde que se tornaram amigos, o ex-candidato a governador testemunhou um momento de confusão e um pouco de constrangimento por parte de Sasuke.
― Força do hábito. ― Ele largou o rolinho de papel para logo em seguida dar um peteleco. ― O que dizia? Era sobre a Hinata, certo?
Naruto balançou a cabeça negativamente e alargou a gravata o colarinho branco, nem ao menos tocara naquele nome que o assombrava toda vez que voltava para casa. Hinata estava em todos os cômodos daquela casa de campo, cada detalhe da decoração tinha o toque delicado da jovem que o abandonara para voltar para a família.
Não moravam mais no mesmo local e muito menos na mesma cidadezinha em que Naruto a conheceu. Nenhum rastro. Nenhuma pista. Nada.
Nada.
Nada.
Era como se ela nunca tivesse existido.
― Já faz alguns meses que não tenho notícias dela... Procurei em todos os lugares, registros e nem a antiga casa deles venderam, ela só está cheia de madeira nas janelas e portas. ― Respirou fundo ajeitando-se na cadeira desconfortável do bar. ― Sabe Sasuke... Eu amo a Hinata e tenho cuidado dela desde que decidiu morar comigo, gastei muito com tratamentos para remédios que ficavam cada vez mais fracos enquanto que ela só piorava, ficava cada vez mais difícil a convivência porque em uma hora estava um doce e na outra parecia que me odiava profundamente.
― Eu lembro. ― E quando voltou a concentrar seus olhos na tela do computador sentiu um ardor de ressecamento na vista, talvez fosse um pouco das horas ininterruptas que passou digitando ou talvez pudesse ser o clima seco do inverno.
A garçonete de média estatura e longos cabelos cor de mel logo avistou os copos vazios e os pratos somente com rastros de migalhas e assim veio buscá-los, sempre tomando cuidado para que o rapaz que digitava no notebook pudesse reparar nela, até esperou que o amigo loiro dele saísse da mesa e atravessasse a rua para que pudesse se aproximar.
― Gostaria de mais alguma coisa? Uma xícara de café para finalizar? ― Perguntou esboçando o seu melhor sorriso. Isso mesmo, a garota treinara por cerca de dez minutos na frente do espelho antes de sorrir diretamente para o dono do olhar mais lindo que já tinha visto em toda a sua vida.
Coitada.
― Está me expulsando por acaso? ― Nem ao menos tirou a concentração das teclas que continuavam a produzir palavras em um ritmo recorde, mas não era muito difícil de notar a ironia transmitida.
― Desculpe-me, eu só fiz uma pergunta com a intenção de agradar o paladar do senhor. ― A menina questionou em um tom que misturava dois elementos: respeito e medo ― Q-Queria ser cordial apenas.
Sasuke fechou os olhos, pensativo e permaneceu na mesma posição até abrir novamente os olhos e respirar fundo, dando ainda mais a si próprio um aspecto cansado. Naquele momento, ele retirou do bolso traseiro da calça uma carteira de couro e deixou sobre a mesa o dinheiro exato que tinha gastado.
― Sem café.
Ele tinha plena consciência de que estava sendo grosso com a garota, sabia que em tempos antigos a teria convidado para sentar-se à mesa com ele, mas tinha dias em que simplesmente não estava com o modo galanteador ligado. A garçonete era bonitinha, tinha peitões, no entanto parecia ser muito nova e garotas jovens encantam-se por qualquer demonstração de interesse.
De forma curta e grossa: Elas eram tão grudentas quanto ciumentas, a ponto de inspirar animes e mangás com garotas loucas matando qualquer outro ser do sexo feminino que chegasse perto do seu senpai, sabia disso porque em tempos de escola as calouras praticamente exterminavam umas as outras para conseguirem atenção de Sasuke. Aquilo não o agradava.
Sasuke já estava do outro lado da avenida ajeitando a mochila nas costas, odiando-se por estar a pé e isso implicava em ter que andar mais ou menos quatro quadras até chegar em casa. Um longo caminho a pé em meio à neve que caía em pequenos flocos pousando na ponta de seu nariz.
Um longo caminho.
***
― E o que exatamente está procurando? ― Gaara perguntou desconfiado das ações estranhas que a médica demonstrava. Era apenas para ser uma simples visita e não uma invasão a domicilio.
Sakura continuava quieta procurando por algo que a fizesse conhecer um pouco de seu vizinho, estava obcecada com isso, no entanto não podia evitar fazer o que estava fazendo. E sim, ela poderia ser presa por invadir a residência de outra pessoa.
A jovem ficou mais alguns minutos em meio aquela papelada em cima da mesa de jantar enquanto Gaara ficava de guarda atrás da porta na sala. Na verdade a sua intenção não era invadir a casa de outras pessoas e muito menos ficar bancando o segurança atrás de uma porta, era apenas fazer uma visita à Sakura e saber como ela está.
Gaara continuou de braços cruzados observando a médica vasculhando a estante lotada de livros, os abrindo e chacoalhando para que pudesse cair alguma coisa de dentro, o que mais o surpreendia é o fato de esse tipo de atitude parecer completamente normal na cabeça de Sakura.
Aquilo parecia ridículo.
― Se você não me disser o que está procurando eu vou sair por essa porta e chamar a polícia. ― Ameaçou.
― Eu sei que você não faria isso comigo. ― Sakura esboçou um sorriso discreto ao mesmo tempo em que passava os olhos em alguns dos livros localizados na parte superior da estante. Alguns deles tinham páginas e mais páginas com marcadores, post-its. ― Além disso, nós estamos só olhando e não vamos levar nada daqui.
De certa forma a mulher não estava mentindo já que ainda mantinha guardada a chave do apartamento do vizinho, bastou esperá-lo sair para que pudesse procurar por alguma coisa que a ajudasse a desvendar um pouco daquele ar de mistério que o escritor exalava.
Não demorou muito para que perdesse a paciência e a segurasse pelos pulsos, estava claramente fora de si ao fazer coisas que jamais faria há alguns anos. Tinha conversado com Ino e o que foi-lhe dito era quase que como um tapa no estômago: Sakura estava tornando-se cada vez mais obcecada pelo passado de Sasuke, passava horas sobre arquivos antigos e jornais velhos aos quais estava muito claro que o incêndio não passara de um acidente.
― Gaara, me solta. ― Pediu ríspida, já sentindo o estômago embrulhar e o nó na garganta. ― Eu tenho que fazer isso.
Ele murmurou algo parecido com um palavrão, não tinha idéia do que dizer a ela. Na verdade, sabia exatamente o que queria dizer, mas não parecia certo jogar na cara logo de uma vez.
Com o máximo de cuidado que pôde, Gaara a virou para que pudesse encará-la e ao ver o pequeno rosto vermelho e as narinas dilatadas ficou assustado porque jamais vira Sakura tão obcecada por um objetivo como estava com esse. Aliás, na faculdade e em épocas de provas costumava ficar assim.
― Você está nitidamente fora de si, olha para você, Sakura! ― O rapaz tentou lutar contra a força com que a jovem fazia para se desvencilhar de suas mãos. ― Para com essa porra e olha para mim! Olha para mim!
―Você não está entendendo... Eu preciso descobrir o que aconteceu, não foi um acidente e Sasuke sabe também que não foi, por isso... P-por isso é tão perturbado. ― Disse em meio à voz chorosa que saía de sua boca.
Ele a olhou perplexo e de repente soltou seus pulsos, tinha a testa franzida, o que ressaltava ainda mais a tatuagem na testa.
― Porque está tão obcecada com isso? Houve perícia na época, óbvio que não tinham a mesma tecnologia que temos hoje em dia, mas mesmo assim. ― Disse tentando passar o mínimo de senso de normalidade para a garota e para isso segurou com as duas mãos seus ombros procurando abaixar-se até a altura dela. ― Vários anos já se passaram e não há nada a se fazer, Sakura. Eu sinto muito.
― Você não acredita em mim, não é? Acha que é coisa da minha cabeça. ― Gaara apenas ficou quieto.
Apesar da aparência um pouco mais calma da médica, ele podia perceber que a inquietação sobre aquele caso não tinha apenas se esvaído por algumas simples palavras. Não era como se ela estivesse maluca ou algo parecido apesar de estar agindo como uma.
De certa forma, ele a entendia. A convivência com uma pessoa completamente perturbada por seus fantasmas a estava atingindo diretamente, não devia mesmo ser fácil lidar sozinha com todo o trabalho que tinha no hospital e ainda cuidar da sanidade de um dependente químico.
Era ainda mais notória a expressão cansada que Sakura demonstrava toda vez que puxava um pouco de ar para os pulmões, a pele estava um pouco desidratada; a boca com rachaduras, mas parte disso se devia a pouca umidade no ar já que o inverno era o clima mais seco do ano.
Sakura caminhou em passos lentos até o sofá e jogou-se, cansada da rotina que estava levando. Não estava totalmente convencida de desistir da sua busca, até Gaara sentar-se ao seu lado, colocar os pés na mesa de centro e jogar a cabeça para trás. Observava as sombras se mexerem no teto.
Pois é, os dois estavam sentados no sofá de um apartamento que sequer pertencia a algum deles. Quer dizer, o dono poderia chegar a qualquer momento, mas ainda assim não se mexeram, passaram juntos a acompanhar as sombras refletidas no teto da sala de estar.
Naquele momento as mãos de Gaara formaram a sombra de um cachorro;
No outro momento tentaram reproduzir a silhueta de uma borboleta, porém um dos dedos do rapaz era um pouco torto demais para isso.
Eles riram da situação até novamente ficarem sérios.
― Os homens não gostam quando a mulher fica vasculhando seu passado... Digo, ninguém gosta. ― Suspirou ainda sem tirar os olhos do teto. ― Você gostaria que ele fizesse a mesma coisa?
Sakura balançou a cabeça negativamente.
― Imagina se ele é aquele tipo de cara com a mentalidade escrota de que existem as mulheres para casar e as que só servem para dar a boceta? Já parou para pensar? ― Gaara pronunciou cada palavra com calma e voz baixa, isso mostrava um pouco de cumplicidade para com Sakura. ― E ele decide vasculhar o seu passado... Nossa, primeiro que ele já não iria aceitar o fato de você gostar de sexo casual, ter transado comigo, com o Kiba... Enfim, e já ter tido experiência com outra mulher na faculdade. Você tem as suas vontades assim como todo mundo. Não é? Se ele fosse um merdinha qualquer e se deixasse levar por todas as suas escolhas, iria perder uma pessoa que só dá amor a ele por coisas que realmente não importam.
Sakura assentiu em silêncio e encolheu as pernas no sofá, analisava com cuidado cada palavra que acabara de escutar. O barulho e a falação de bêbados na rua não a impediam de desviar seu pensamento das coisas que Gaara tinha dito forçava-se a imaginar como seria se Sasuke vasculhasse todas as suas aventuras nos tempos de colegial até a faculdade.
Bem, pode-se dizer que ela gostava de curtir a vida.
Tinha que confessar, depois que se formou não ligou tanto para travessuras, estava tão focada no trabalho no hospital que a única distração que tinha era a parte da manhã ou seus dias de folga que passava o dia todo com Ino ou Sasuke.
― Deixa que ele mesmo vai acabar te contando uma hora o que realmente aconteceu. ― Disse levantando-se do sofá, andando até a porta e assim colocando a mão na maçaneta. Não queria estar lá quando o dono do apartamento chegasse. ― E vê se não faz merda.
Sakura passou ainda um tempo sentada encolhida no sofá, até levantar-se para ligar o aquecedor que era muito provável não ter sido ligado durante a madrugada porque o lugar estava cada vez mais gelado. E então, a porta do apartamento foi aberta tão rapidamente que a médica sentiu o vento frio do corredor entrar e quase congelar sua face.
Seu nariz ficou avermelhado na mesma hora.
Sakura ficou sem ação à frente de Sasuke com algumas sacolas de papel nos braços, o que antes apenas o nariz permanecia vermelho, tornou-se um rosto inteiramente rubro.
― O que está fazendo?
Apesar da pergunta remeter a um questionamento, as ações de Sasuke demonstravam exatamente o oposto. Ele apenas largou as sacolas em cima da bancada da cozinha e seguiu para o banheiro, voltando de lá apenas com um calção moletom e uma camisa preta, seus pés completamente descalços naquele piso que mal teve tempo de ser aquecido pelo aquecedor.
Ignorou totalmente a presença de Sakura até voltar novamente para a cozinha e retirar as coisas de dentro das sacolas:
― Eu te fiz uma pergunta.
A médica levantou os olhos e o viu parado com os cotovelos apoiados no balcão, encarando-a com a mesma expressão de tédio como quando a havia conhecido.
― P-Perdi meus hashis. ― Mentiu descaradamente quase pedindo aos céus para que ele acreditasse e ela pudesse sair sem nem sequer ser notada.
É complicado. Sakura nunca foi de ter uma natureza muito sutil, era sempre a que derrubava os livros na biblioteca ou a que reclamava das bolinhas de papel quando era a diretora quem estava dando aula. Naquele momento não estava sendo diferente, em tantos momentos para voltar para casa ele resolvera voltar justo a hora em que a garota estava confrontando seus próprios pensamentos.
Se bem que aquele nem era seu apartamento, então... A intrusa era ela.
― Terceira gaveta. ― E voltou a remexer as sacolas.
Algumas garrafas de uma cerveja que parecia estrangeira. Macarrão instantâneo. Cogumelos. Vinho branco. Ervilhas congeladas. Salsicha desidratada. Frango ainda cru.
Sakura abriu a gaveta e fingiu procurar hashis enquanto Sasuke de maneira monótona pegou uma faca e começou a desmembrar o frango em pedaços para só depois lembrar que ainda tinha que retirar os miúdos de dentro dele. Totalmente compreensível para alguém com uma alimentação baseada em congelados e cigarro.
― Quer ajuda? ― A garota aproximou-se dele que parou de cortar o frango por uma fração mínima de tempo.
― Não faz nem um dia e meio que disse para eu não falar com você. ― Apesar do sentido da frase ter sido um pouco doloroso, Sasuke não deixou claro o que a sua fala representava naquele momento; Poderia ter mágoa, tristeza, confusão e até tender para o deboche.
― Eu só perguntei se você quer ajuda, não precisamos conversar. ― Sakura sentiu seu coração relaxar quando o escritor virou-se para a pia, que ficava a centímetros de distância da bancada, dando pouco espaço para a pessoa transitar pela cozinha apertada. Ele lavou as mãos sem pressa, estava focado em retirar o cheiro de frango das dobras de seus dedos e qualquer resquício de qualquer coisa debaixo de suas unhas. ― O que me diz? Hein?
― Não é necessário.
Ela revirou os olhos um pouco desconfortável com a situação. Estava a ponto de ir embora no entanto, um flash rápido de sua conversa com Gaara fez com que mudasse de ideia, não tinha porque se esquivar, não mesmo. Sasuke não a expulsaria do apartamento, o máximo que poderia fazer era sugerir que saísse de lá ou simplesmente iria ignorá-la exatamente como estava fazendo naquele momento.
Sasuke Uchiha descongelava as ervilhas com a água corrente da pia quando Sakura o surpreendeu fechando a torneira e o encarando descaradamente com os olhos ainda mais esverdeados, poderia ser pela luminosidade do dia que entrava pela janela da cozinha. Sim, a mesma janela na qual serviu de palco para as insanidades sexuais do escritor.
― Qual o seu problema? Já pegou a merda dos hashis, pode dar o fora. ― Vociferou batendo os punhos na beirada da pia, o estrondo foi absurdamente alto. Não era comum vê-lo perder a paciência por qualquer motivo, normalmente ele apenas ignorava quando alguma coisa o irritava.
Ela observou seu respirar afobado e a expressão louca em seus olhos incrivelmente negros, os cabelos escuros estavam bagunçados e por isso alguns fios de cabelo caíam em seu rosto.
Era linda a maneira como o tom escuro do cabelo contrastava com a pele clara, a franja caía pelo espaço entre os olhos. O mais bonito ali, na opinião da médica era o fato dele estar se virando preparando alguma coisa para comer, tinha até limpado um frango.
Sakura contornou a situação puxando o homem para mais perto de si e sentiu-se estranha porque nunca tinha tomado a frente de nenhuma atitude com relação à ele, era prazeroso de certo modo, ainda mais depois que uma de suas pernas já estava praticamente enroscada nele e a sua boca pressionada junto da dele.
Ela correu as mãos pelo peito de Sasuke, rumando-as até o pescoço.
Um suspiro vindo da garota foi quase inaudível quando os dois se separaram. Os olhares se encontraram novamente e dessa vez, foi Sasuke quem avançou em Sakura. Seus lábios quentes se entrelaçavam em um ritmo único para os dois, desejavam ter milhares de mãos para que pudessem percorrer o corpo do outro em todos os lugares ao mesmo tempo.
Ele acariciava seu cabelo, enterrando os dedos no emaranhado rosa. Estava completamente ensandecido com aquela mulher que estreitava ainda mais o contato entre os dois, forçava levemente a língua para dentro como se nunca o tivesse beijado antes. As respirações se misturavam à medida que tomavam ar recuperando-se dos beijos antecessores.
Estava surpreso e fodido mentalmente com aquela atitude inesperada, mas nem por isso deixara de pressioná-la contra a porta da geladeira, aprofundando ainda mais o beijo. Sentia falta daquele gemido gostoso que ela soltava toda vez apertava a parte interna de sua coxa que era sempre seguido de um puxão de cabelo vindo da moça.
Instintivamente Sasuke redirecionou os beijos e leves mordidas para o pescoço pálido de Sakura, sua parte preferida pois era o espaço mais visível para registrar as suas marcas. Sabia também que era um dos mais sensíveis porque assim que aliviou a mordida dada com uma carícia feita com a ponta de sua língua, um gemido rouco escapou da garganta feminina.
Aquilo foi o suficiente para que o fizesse louco, maluco.
Ele a ajudou a retirar a blusa de manga, deixando a amostra os seios medianos sendo sustentados por um sutiã que um dia já fora preto.
O contato estava cada vez mais íntimo, logo mais teriam o corpo de um esquentando o corpo do outro, mas Sasuke não estava querendo considerar possibilidades, novamente tomou os lábios da médica, sugando a língua ferozmente, passeando os longos dedos pela cintura fina. Pressionando. Apertando.
― Você nunca me chamou de cachorra. ― Tomou novamente o controle da situação quando seus dedos desamarraram o laço da calça moletom, puxando o membro para fora, apertando-o com a mão.
―Vo-Ahh... Você gosta? ― Sorriu malicioso e delirante com a carícia erótica.
Ela assentiu enquanto movimentava a mão na rigidez que Sasuke trazia consigo por entre as pernas.
― Ca-chor-ra. ― Sasuke sussurrou aquecendo os ouvidos da mulher com seu hálito de cerveja, sentindo-a estremecer.
Um beijo faminto surgiu depois das palavras ditas, fazendo com que ela parasse de masturbá-lo e que a sua língua fosse capturada pela dele, os lábios sendo mordidos vez ou outra, sugados, chupados. Ofertando todo o seu desejo em forma de beijo.
Não demorou muito para que ela tivesse o sutiã arrancado em uma única puxada.
O estalo ecoou pelo ambiente e aquilo a deixara ardida no ombro onde as alças normalmente ficam posicionadas, mas não ligou. Só queria que seu amado abocanhasse seus seios e Sakura fechou os olhos com força inclinando a cabeça para os lados lentamente quando seu desejo foi realizado.
Sasuke acariciou seu mamilo com a língua, excitado demais com os arfares e gemidos que escapavam de boca da mulher. As mãos delicadas tornaram-se exigentes ao afundarem as unhas no ombro másculo.
Ca-chor-ra
Ca-chor-ra
― Sas...Ahh ― Pressionou os dentes nos lábio inferior.
As calças de ambos foram largadas ali mesmo enquanto caminhavam até o quarto.
A bunda empinada de Sakura foi estapeada por Sasuke. Ele não resistia ao vê-la desfilando só de calcinha, rebolando o rabo gostoso e avermelhado pelos tapas e apertos levados ao longo do caminho.
― Vem cá ― Ele a puxou pela cintura sentindo a respiração acelerada um pouco abaixo do seu rosto. ― Vai se arrepender por ter me dado o fora ontem.
E passou o dedo pela intimidade molhada por cima da calcinha, esfregando-o devagarzinho enquanto observava os gritos contidos misturados a gemidos afobados. O polegar estava sendo pressionado sobre o clitóris; de um lado para o outro os movimentos circulares se faziam e se desfaziam.
Ora rápido, ora devagar.
― Sasuke, eu ahh... ― Foi interrompida quando apenas o anelar foi enfiado e golpeado para dentro, sentia escorrer na mão do escritor, mas sequer havia percebido o momento em que ele puxou sua calcinha para o lado.
Quando deu por si estava rebolando sobre o dedo de Sasuke ao mesmo tempo em que o dedo movimentava-se para dentro e para fora.
Fora e dentro.
Sendo fodida por um dedo que logo se tornou dois, deixando-a ainda mais molhada em questão de segundos.
Sakura revelou um gemido alto antes de ajoelhar-se e faze-lo ficar sentado na cama. Tão atrevida, ela apertou o membro novamente friccionando sua mão fechada para cima e para baixo, simulando a sua boceta, punhetando o pênis pulsante. A mulher o encarava sorrindo e fingindo aproximar a boca para depois afastar rapidamente, como em um jogo em que a intenção era ouvir quantos grunhidos Sasuke seria capaz de soltar antes de tocar a boca na cabeça; sua parte preferida.
― Anda logo, porra. ― Resmungou encarando a face travessa dela. Céus! Como ela estava linda com o suor formando gotículas em seu rosto.
Era linda a maneira como ela o olhava, o desejo com que capturava cada vacilo prazeroso dado por Sasuke.
A língua dela umedecia os lábios que novamente estavam secando e também umedecia a cabeça do membro que pulsava quente aos cuidados de sua boca.
Sakura mantinha-se impetuosa ao chupar cada centímetro da ereção de Sasuke, sugava a cabeça até sua boca estalar enquanto mergulhava toda a extensão para dentro de sua boca.
Estava decidida a dar o seu melhor ali.
― Ai caralho! ― Urrava ao senti-la escorregar a língua áspera da base até a cabeça do membro, percorrendo toda a extensão ao som de gemidos.
Ele a impulsionava com as mãos enterradas em seu cabelo cor de rosa, fazendo-a muitas vezes engasgar. Os movimentos eram intensificados com a mão de Sakura que o masturbava ao mesmo tempo em que sua boca era preenchida.
Ouviu-se novamente outro gemido seguido de mais outro gemido quando a boca da jovem brincou com a sanidade de Sasuke ao sugar bem fraquinho o saco. Era uma área extremamente sensível.
Ele quase gozou ao sentir novamente seu membro ocupando todo o espaço dentro daquela boca inchada pelos beijos e mordidas e o quadril se empurrava ajudando nas estocadas.
A lubrificação estava maravilhosa porque ela sempre deixava escorrer muita saliva.
Estava determinada a fazê-lo gozar.
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