O Poder no Sentir

5 Capítulo II - Parte 2: As Coisas Podem dar Errado


Notas iniciais
Espero que gostem, boa leitura.

Nova York, 17:55h

Fomos para mais perto do palco que se encontrava no final do parque, algumas pessoas já estavam na frente dele. Eu não conseguia reconhecer as pessoas que faziam parte da banda, que se encontrava testando os instrumentos. Normalmente quem tocava nas festas que o orfanato promovia para angariar fundos eram os próprios alunos que cursavam música no orfanato, mas dessa vez tinha uma banda com integrantes de ambos os sexos o que não fazia o menor sentido.

— Vocês sabe quem são eles Raquel? Perguntei pra ela afinal era a única ali que entendia e música.

— É uma banda de ex-alunos, eles foram à motivação pra eu fazer música, como atividade extracurricular. – Respondeu ela com admiração.

— Eles são realmente bons. – Falei um pouco alto por causa da música.

— Bons! Eles são maravilhosos. – Respondeu ela gritando.

— Ok, mas não grita. – Falei eu sinal de rendição.

Ficamos mais uns minutos ali, ouvindo a banda passar o som até que a diretora do orfanato subiu ao palco, e começou a fazer um discurso.

— Primavera! Momento de renovação, período para nós recuperarmos de tudo que nos afetou no inverno, época de renascer, reflorescer. Precisamos ser mais como as flores que hoje enfeitam esta praça. Precisamos ser delicadas e belas, mas ao mesmo tempo resistentes, precisamos deixar tudo que nós afeta para trás e seguir em frente, afinal a única coisa que tem poder de nós abalarmos é a gente mesmo, temos que ser fortes e resistir a todos os importunos que enfrentamos durante nossa efêmera vida.

Assim que a diretora terminou seu discurso clichê, seus puxa sacos começaram a aplaudir e gritar, sua assistente subiu ao palco logo em seguida e começou a dar alguns avisos.

— Boa Noite galera, mais alguns aplausos para o lindo discurso da nossa diretora. – Foi só ela falar isso que os puxa sacos começaram a gritar e fazer ainda mais barulho. — O Sol já se pós então nossa festa começou oficialmente, nossa programação e a seguinte: As 18:00h mini apresentação de teatro dos meninos do orfanato George, seguido da apresentação de dança das meninas do Martha, sendo as duas apresentações com o tema “Primavera. Renasça, floresça, liberte-se. — Alvoroço da plateia — Logo depois lá para às 19:00h Show de música clássica com o coral do orfanato. Encerrando o festival, “My Angels”, que aceitou de muito bom grado tocar pra vocês em uma segunda-feira. — Muita gritaria e alvoroço da plateia animada – Além da nossa tão esperada chuva de pétalas de flores às 20:30h.

Assim que ela terminou os avisos à galera do teatro começou a arrumar o palco.

— Não sei se eu fico feliz ou triste, por só a galera do último ano trabalhar nesse festival. – Falou Raquel.

— Eu fico muito triste, quer dizer que ano que vem eu não vou poder participar da plateia, vou ter que ficar trabalhando. A minha única felicidade é que eu vou conseguir assistir a chuva de pétalas de bem perto esse ano – Falou Laura indignada.

— Para você nem faz música, dança ou teatro pra se preocupar em se apresentar no festival. – Respondi pra ela.

— Você acha que a contabilidade, os orçamentos, as comprar e a divulgação se fazem sozinhas? – Laura perguntou já estressada.

— Mas, isso é serviço que se faz antes não no dia. – Respondi com certo deboche na minha voz.

— Eu vou ali comprar um refrigerante pra gente antes que eu brigue com você. – Laura disse saindo de perto da gente indo em direção as barracas.

— Eu não sei por que ela reclama tanto, e a única de nós que tem autonomia. – Disse com raiva.

— Ela foi obrigada a amadurecer muito cedo, você tem que levar isso em conta. – Raquel respondeu com toda calma que ela tem.

— A Laura é dramática de mais isso sim. – Respondi finalizando o assunto. – Eu vou lá ao camarim falar com as meninas da dança, já volto. – Disse saindo de perto da Raquel, mas ela segurou meu braço.

– Não acho uma boa ideia você me deixar aqui sozinha. – Disse ela com certa preocupação na voz.

— Vai atrás da Laura então. – Falei e sai de perto dela sem dar tempo para que ela reagisse.

Adentrei na multidão sem pensar duas vezes deixando minha amiga pra trás, agora a ficha estava começando a cair, olhei para trás pra ver se conseguia avista-la no meio da multidão, mas ela já não estava mais lá, eu pensei em gritar o nome dela ou da Laura, mas o barulho em volta não ia permitir, eu estava desesperada, me sentindo a pior pessoa do mundo e do nada como se todos naquele lugar pudessem me ouvir, ou fazer o que eu queria um silêncio reinou no lugar. Eu não conseguia entender nada do que estava acontecendo olhei em volta para checar se aquilo era verdade ou só alguma coisa da minha cabeça, mas realmente todos estavam em silêncio. Olhei em volta mais uma vez e avistei a Raquel, a gritei o mais alto que puder e quando ela ia virar pra me olhar eu senti um alivio no meu peito, parece que isso foi o suficiente para o barulho voltar ao mesmo tempo em que a multidão me empurrava.

Eu olhei para o palco e vi que a peça de teatro já estava na metade, resolvi segui o caminho que eu planejei fazer, afinal se ela fosse me procurar eu estaria onde tinha avisado. Segui em direção à parte de trás do palco onde o camarim se encontrava. Cheguei até aonde estava o camarim e do lado de fora dele estava uma menina que eu gostava muito a Letícia, eu não tinha conhecido alguém tão esforçado na vida como ela. A menina tirava as melhores notas da escola, além de participar de todos os projetos que conseguia, acho que assim ela garantia que seus irmãos não precisariam se esforçar como ela.

— Oi Lelê! – Falei para que ela virasse pra mim.

— Oi Sua linda, cadê as outras meninas? – Ela perguntou animada.

— Estão por aí. – Respondi meio sem jeito.

— O mundo vai acabar hoje, agora eu tenho certeza. Algo muito errado aconteceu para vocês não estarem juntas. — Falou ela em tom brincalhão.

— A gente só resolveu curtir o festival separado nada demais. – Respondi tentando disfarçar a situação.

— Vou fingir que eu acredito. Mas o que você ta fazendo aqui atrás ao invés de está aproveitando a festa, não me diga que você veio atrás do cafajeste do meu irmão? – Perguntou ela com certa reprovação.

— Seu irmão é um cara bem legal, mas não é por isso que eu estou aqui. Eu vim falar com as meninas.

— Repetindo o que eu falei antes: Vou fingir que eu acredito. Elas estão lá dentro se aquecendo. – Disse ela me mandando entrar.

Adentrei o camarim e lá dentro estavam todas as meninas do último ano, ou seja, todas aquelas que já estavam indo embora, provavelmente aquele seria o último festival delas como alunas. Uma parte delas se aquecia, ou arrumava os últimos detalhes da roupara para entrarem no palco enquanto outras estavam lá apenas para dar apoio.

Conversei com algumas meninas por um tempo e elas me contavam muito empolgadas à experiência de apresentar uma história através da dança em um festival tão grande e na frente de tanta gente como esse. Ouvi o barulho das palmas e percebi que a peça tinha acabado, falei para as meninas que ia usar o banheiro do camarim, já que provavelmente ele estaria mais limpo que os banheiros químicos do festival.

Entrei no banheiro, fiz o que precisava lavei minhas mãos e quando abri a porta, pedi a Deus que eu não tivesse feito isso, sabe quando você se arrepende muito de fazer algo, que na verdade nem foi sua culpa. Eu devia ter confiado em todos os conselhos que as meninas me deram, devia ter escutado a Letícia. O irmão dela era mesmo um cafajeste. Como assim ele estava ficando com outra menina ali na frente de todo mundo, todo mundo que sabia de nós dois.

— Que bonito Daniel! – Falei com raiva.

— A gente nunca teve nada, não sei por que você está tão raivosa. – Disse ele com deboche.

— Então era por isso que você nunca me assumia, para que você pudesse ficar com outras meninas por aí. Não sei de quem eu tenho mais pena de você por ser tão sujo, ou dela por que como eu caiu no seu jogo. – Falei com o tom de voz já alterado.

— A única pessoa que merece pena aqui é você. Que além de iludida nunca soube o que é ter uma família. Sabe por quê? Ninguém gosta de você de verdade garota as pessoas só te aturam. – Ele falou rindo da minha cara.

Isso foi o suficiente para acabar com todo o psicológico que eu estava tentando manter saudável. Sai correndo de dentro do camarim e ouvi alguém gritar meu nome, não era a voz dele, mas eu também não estava a fim de saber de quem era.

Corri para uma área mais afastada do parque e sentei em um banco que eu encontrei, foi nesse momento que eu parei pra pensar. Ele tinha razão nós nunca tivemos nada de verdade, foi só um lance e eu deixei que terminasse exatamente como ele queria, comigo sendo feita de trouxa na frente de um monte de gente, eu não podia deixar isso assim, mas também não desceria ao nível eu ia tratar toda essa situação com a maior maturidade possível, assim ele não teria o gostinho de me ver por baixo.

— Você tá bem? – Perguntou alguém que eu não sabia quem era.

Estava tão distraía que não vi a pessoa chegando, quando levantei a cabeça para ver quem era me deparei com os olhos mais bonitos que eu já tinha visto em toda minha vida, por um segundo tudo em volta de mim parou, eu podia ouvir meus batimentos cardíacos e não eles não estavam acelerados, muito pelo contrario se encontravam na mais perfeita calmaria, mesmo que isso parecesse impossível.

Continua

Notas finais
Comentem isso me motiva muito.