Notas iniciais
Boa noite/bom dia pra ti... Espero que gostem do primeiro capítulo minha gente. Fiquem a vontade pra comentar,amo responder vcs^^ sz Críticas construtivas são muito bem-vindas ;) Vamos lá...

Depois de uma viagem exaustiva voltando da casa de meu pai, chego enfim na casa da minha vó (que agora é meu lar também). Sou recebida por seu abraço suave e longo, que combina com um beijo na minha bochecha.

— Como foi o fim de semana com seu pai? — ela pergunta tentando sorrir. Minha avó sabia melhor do que ninguém que a minha relação com meus pais era péssima, por isso, sua pergunta me faz revirar os olhos.

— Se houvesse um limite para reclamações, meu pai com certeza ultrapssaria ele. — minha resposta faz a rir, deixando-a mais confortável. Ela como eu, não gostava de conversar sobre tudo que aconteceu entre meus pais e eu.

Um pai que reclama demais e uma mãe ausente na infância devido ao trabalho, mas quando cresci me largou para cima da minha avó e fugiu com seu homem.

Todos os ocorridos me leva a crê que talvez o amor não exista. Se até o maior amor — que deveria ser da mãe — não esteve presente, que dirá o tanto de amor que a sociedade diz ter. As minhas desilusões amorosas não ajudaram muito a ter certeza no amor.

A verdade é que, para mim existe a compaixão e até a paixão, mas não mantenho em pensamento que o amor permanece. Em meu pensamento... mas em meu coração e alma, sei que sou uma romântica ridícula. E devo aprisioná-la.

Como minha avó não diz mais nada, pego minhas coisas e ando para meu quarto, carregando em meu braços finos. Ao entrar, jogo tudo no chão e caminho em direção ao banheiro, olhando meu reflexo. Tiro o cachecol cinza de meu pescoço e observo por um tempo minha imagem. Cabelo liso ultrapassando a altura dos ombros, de tonalidade meio ruiva (é o que dizem) com uma franja que achei que me deixaria com cara de garota asiática ( e talvez tenha funcionado). Meu rosto é fino, combinando com meu corpo magro.

Nunca me achei bonita. O padrão de beleza que há na sociedade, eu não me encaixo nele. Os homens preferem garotas curvilíneas, e apesar de me orgulhar de algumas curvas minhas, minha magreza não é admirada, além de mim. Depois de tanto tempo odiando meu corpo, percebi que não havia motivo nenhum para isso.Não é o tipo de corpo que a sociedade queria que eu tivesse, mas é o que eu tenho e fico feliz por tê-lo. Estou saudável, e me sinto bonita, é o que importa.

— Anny, está com fome? — pergunta de Judy me tira dos meus pensamentos.

— Você sabe que sim vovó.

Acompanho ela e caminhamos lado a lado em direção à cozinha; apresso os passos e chego primeiro no âmbito confortável. A casa da minha vó era espaçosa. Ela e meu avô construíram juntos, e após a morte dele, ela fez questão de ficar na casa, morando nela juntamente com o gato, o Titan.

— Preparou meu prato favorito?! Quanta consideração.

— Achei que gostaria. Já imaginava que passar dois dias e meio com seu pai seria conturbado, então quis fazer isso como forma de boas-vindas.

—Só você mesmo hein vovó. — a beijo e inalo seu cheiro doce floral. Não havia companhia melhor para mim.

***

O toque agudo do despertador toca já me irritando. Como toda segunda feira. Levanto com pesar da cama confortável. O clima estava frio e o céu nublado. Parecia que o dia seria perfeito. Apresso-me com meus deveres matinais. Ao terminar toda minha higiene, abro meu armário tirando minha calça preferida, preta e puxo uma camiseta cinza. Termino calçando coturno preto. Pego minha mochila e uma jaqueta jeans. Estava pronta para ir para escola. Pronta, mas não preparada.

— Está linda querida. — ela me elogia e acaba arrancando um sorriso meu.

— Devo informar que você também está muito bela particularmente essa manhã, Judy.

Sento-me na mesa da cozinha para tomar café da manhã com ela. Mastigando lentamente as panquecas fofas que ela preparou, e apreciando o gosto maravilhoso do café dela.

— Quer levar algum dinheiro para a escola, querida? Caso precise.

— Não, obrigada. Estou bem. Meu pai me deu uns trocados. Consigo me virar. — beijo sua testa enrugada pronta para sair. — E não se preocupe, não planejo ficar parada aqui, vou atrás de um emprego na cidade.

A casa que moramos fica perto de um riacho local, o que faz a escola mais perto se tornar ainda longe para mim. Fico feliz por ter o hábito de acordar cedo. Assim não preciso me preocupar em estar atrasada e ainda conseguir apreciar o nascer do sol entre as árvores do quintal florido de minha vó.

— Sei que irá conseguir, querida. Tenha um bom dia.

— Obrigada. — a beijo mais uma vez e fico de prontidão para sair, mas antes digo: — Amanhã eu irei fazer o café da manhã.

***

Depois de dois ônibus, desço um quarteirão e começo a caminhada pouco extensa. Avisto alguns estudantes pela rua. Alguns sozinhos, outros em grupos. Talvez eu devesse me enturmar com alguém, penso. Nunca fui de ser introvertida, porém prefiro me manter na solidão o máximo de tempo que puder aguentar. Minhas "amizades" no outro local que estudava não era a das melhores, não quero correr o risco por aqui. Entretanto, me conheço, sei que gosto de me envolver, então, o melhor a se fazer é avaliar com precisão minhas opções de amizade.

Não demoro muito para encontrar a sala; a primeira aula será matemática. Não é minha matéria favorita, contudo consigo me dar bem com ela. Sempre fui elogiada pela minha inteligência. A escola não é como a maioria das escolas. Na entrada, observo vários carros, no lado esquerdo se vê um corredor com as salas de aula, e em frente ao corredor se ver uma fileira de flores, um pequeno jardim. Provável que elaborado pelos alunos. A escola não era totalmente fechada. Andando mais a frente vejo a cantina, caminhando mais é possível ver várias mesas redondas com bancos, e algumas das mesas ficavam debaixo da sombra de uma árvore enorme que havia. Na direção oposta das mesas, tem uma área coberta que tinha mais mesas para os alunos. Ao ultrapassar aquele local, visualizo a imagem da quadra. O tamanho não era um dos maiores, mas imagino que aqui ninguém se importava, e sim aceitavam. A quadra não era fechada e alguns feixes de raio solar ia de encontro ao chão de concreto. Contudo, era bem arejado. Tinha árvores nas laterais junto com uma horta, projetada por alunos também, imagino. Atrás da quadra há uma pequena área também debaixo da sombra de uma árvore. E no lado direito tem outro corredor de salas. Embora não seja uma escola comum, era tão grande quanto outras da cidade. Depois de explorar o local, em grande parte com os olhos, algo me chama atenção. Sentado no banco da quadra, tem um garoto. De cabeça baixa.

Após uns momentos observando ele, o sinal da primeira aula toca, e o garoto levanta a cabeça e seus olhos vem de encontros ao meus. Nos observamos por poucos segundos, pois eu me viro e sigo em direção a sala da minha turma. Entrando, sento e observo alguns alunos passarem pela porta. Desconhecidos para mim. Até que o rapaz da quadra adentra a sala e nossos olhos se cruzam mais uma vez. Ele senta-se na direção oposto da que estou. Sinto algo parecido com frustação, mas ignoro aquele sentimento. Eu havia dito que escolheria com precisão com quem irei andar. Isso talvez me faça parecer um pouco exigente, mas sei muito bem que a dor de uma traição de amizade é tão dolorosa quanto de um relacionamento a dois.

Perdida em meus pensamentos, alguém me traz de volta a realidade dizendo meu nome. Levanto os olhos e é uma garota. Cabelos cacheados e de loiro tingido. É branca como leite e seus olhos escuros como a noite; ela sorria e noto uma mancha em seu dente da frente.

— Anny Harbor?! — ela diz um tanto eufórica — Não lembra de mim? Kattie Winsley.

Várias lembranças percorrem em minha mente. Kattie Winsley era uma garota da qual já estudei, mas nunca fui amiga.

— Minha nossa, Kattie. — meu espanto não era por ela está aqui, mas como estava diferente. Antes com cabelo liso, que não era natural, e hoje com uma maquiagem mais leve, diferente da de outro tempo. — O que faz aqui?

— Meus pais resolveram se mudar para cá, que é a cidade natal de minha mãe. — ela responde com um sorriso contido. — E você?

— Estou morando com minha avó agora.

— Ah. E o que aconteceu com seus pais?

O professor de matemática chega na sala, chamado a atenção de todos, inclusive de Kattie. Fico aliviada por não ter que explicar algo desconfortante para alguém que nunca tive intimidade. Porém, meu momento de paz é passageiro.

— Olhe só, uma aluna nova. Que tal se apresentar? — o moreno de óculos foca em mim e com seus braços demonstra um gesto que me levante e se apresente.

— Meu nome é Anny Harbor e é tudo que importa. — sento apressadamente na cadeira sentindo meu coração palpitar. Escuto alguma risadas de fundo, e isso não me acalma. Droga.

Apesar de ter vívido muito com meus antigos amigos, e perdido um pouco da timidez, ela nunca realmente foi embora. Além de que eu sempre odiei apresentações.

— Certo. — o professor diz pausadamente — Vamos dar início à aula.

Abro meu caderno da melhor saga de todas: Star Wars. Admiro ele em minhas mãos, mas logo trato de me concentrar na aula. Sinto algo queimar meu corpo. Alguém está me observando. Meus olhos param de encontro aos olhos escuros dele. Dessa vez quem desvia o olhar foi ele. Eu conheço a imensidão do poder de um olhar. E sei o quanto pode ser perigoso.

Notas finais
Então, oq acharam? Comentem e me deixem feliz pq não é fácil escrever pelo celular kkkkkk E desculpa o tamanho do capítulo, mas pretendo não prolongar mt essa fanfic, por isso ha tanto detalhes logo no início Bjs e até a próxima