Alemanha, Frankfurt 1998

A muito que Isabella já havia acordado, entretanto nada em sua vida lhe estimulava a sair da maldita cama e ver o dia ensolarado. Estavam em agosto, o verão alemão com força total, e tudo o que ela conseguia pensar sobre esse dia de domingo era: Mais um dia!

Mudou de posição debaixo de sua coberta macia e tentou fazer com que o sono viesse, entretanto o que conseguiu vou irritar-se mais.

Cansada de tentar lutar levantou-se, sentiu uma leve tontura e agarrou-se a cabeceira da cama enquanto se sentava. Fechou os olhos e contou até dez, respirou fundo, abriu os olhos devagar e levantou-se.

Tudo normal novamente!

Lentamente seguiu até a cozinha, suspirou derrotada ao ver Tanya lhe preparando suco natural de cereja, totalmente concentrada.

- Bom dia! – disse Isabella sentando-se na cadeira e sorrindo tristemente.

Ao escutar a voz de sua doce e gentil patroa Tanya virou-se e lhe deu um lindo e radiante sorriso. Tanya Denali era uma senhora de 47 anos que devido aos problemas alcoólicos do marido e sucessíveis agressões aparentava ter mais de 50.

Cabelos brancos, magra, estatura mediana e rugas pela face não conseguiam esconder sua beleza interior, definitivamente Isabella não conseguiria ninguém melhor.

- Bom dia! Dormiu bem essa noite?

Swan sorriu tristemente.

- Digamos que o necessário – murmurou.

Tanya encheu um copo com o suco e junto com pães, ovos e bacon serviu sua Isabella.

- Vamos, nada de reclamação, da ultima vez ficou 10 dias internada, precisa se alimentar bem, se não os remédios não irão fazer efeito! – disse Denali tentando parecer durona.

- Sabe Tanya, anjos por mais que tentem não metem medo! – disse Isabella remexendo na comida.

- Concordo, por isso assumo daqui, afinal estou longe de ser anjo! – disse Alice firme adentrando na cozinha.

Isabella respirou fundo.

- Já estou comendo – disse derrotada.

Alice seguiu em direção de Tanya lhe dando um abraço caloroso, aproximou-se de Isabella e lhe deu um beijo na cabeça, sentou-se ao seu lado e começou a comer com vontade.

- Imagino que seja seu segundo café da manhã! – disse Isabella.

- Sim, mas como estou grávida tenho o direito de comer por dois! – encheu a boca de comida e sem qualquer educação olhou para sua amiga e mastigando concluiu – E você esta debilitada, necessita se alimentar!

Isabella fechou os olhos e engoliu seco.

- Eu sei... – murmurou.

- Hei, por favor, não fique assim! – disse Alice tentando tocar as mãos de sua amiga, porém ela a tirou.

- Não se preocupe, alias nem precisava pedir desculpas, sabemos qual a realidade é melhor não fingir que nada esta acontecendo!

Com uma dor latente em seu coração levantou-se e correu para seu quarto, fechou a porta e caiu sentada no chão, envolvendo suas pernas em um abraço.

A cada batida que sua amiga dava na madeira uma lágrima caia por sua face.

- Isabella abra a porta, me deixe te acalentar! – disse Alice chorando.

- Vá embora, vá cuidar de você e de sua família! – respondeu gritando – Você não vê que já estou no fim da linha? Deixe-me, por favor, me deixe pelo menos por alguns minutos!

Ela nem soube ao certo por quanto tempo ficou sentada no chão deixando sua dor lhe abraçar.

Porque ela? Porque com ela?

Tudo o que fez, foi na inútil tentativa de ser feliz, e se nem assim conseguiu então nunca existiria o sentimento felicidade em sua vida.

Como se tivessem lhe tirado a respiração Isabella levantou-se e vestiu a primeira calça e blusa que viu, pegou sua bolsa e abriu a porta. Saiu do corredor e se deparou com Alice deitada na sala dormindo, escutou movimentação na cozinha e com passos delicados se retirou de seu apartamento sem que nenhuma das duas percebesse.

Até que enfim algo que a madre Eloisa ensinou serviu pra alguma coisa, pensou tristemente.

Recusou o elevador e desceu os 12 andares até a garagem pela escada, entrou em sua Mercedes negra e olhou em seu relógio. Sorriu, ainda tinham bastante tempo, Palmengarten só fechava as 16:00, ela tinha 4 horas para tentar relaxar.

Acelerou seu carro e minutos mais tarde se encontrava no calmo lago, deitada em uma canoa olhando o azul do céu.

As lágrimas caíram calmamente de seus olhos e o som dos pássaros a deixava ainda mais presa em si mesma.

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Ela tinha cinco anos e mesmo assim, ignorando toda a energia que possuía em seu organismo, seguia as instruções de sua mãe.

- Escute o som do vento o canto dos pássaros e respire fundo, sinta a magia de Deus! – sussurrava Renée.

As duas deitadas na grama do jardim da residência dos Swan, sentindo o que a natureza lhes davam.

- Mamãe?

- Sim meu anjo?

- Se pudesse ser um animal, qual seria?

- Uma borboleta! – respondeu sorrindo.

- Uma borboleta? Por quê?

- Porque mesmo tento tão pouco tempo de vida, consegue embelezar a natureza de tal maneira que se torna indispensável!

- Hum....É as borboletas são lindas, mas eu adoraria ser um pássaro, vivem mais, são belos e livres, vivem sem destino!

- Você daria um belo pássaro meu anjo!

As duas permaneceram em silencio por longos minutos.

- Abra os olhos meu bem e olhe bem a beleza da natureza a sua volta!

Isabella fez o que sua mãe lhe pediu e olhou o lindo e bem cuidado jardim de sua casa.

- O que você vê?

- Hum... A mesma coisa?

Com um suspiro divertido sua mãe deitou-se de lado e apoiou a cabeça nas mãos.

http://www.youtube.com/watch?v=RgeCMSBtBf8&feature=related

“Eu vejo as árvores verdes, rosas vermelhas também

Eu as vejo florescer para mim e você

E eu penso comigo... Que mundo maravilhoso”

Isabella olhou para a face de sua mãe e viu o amor em suas feições, como resposta lhe sorriu.

“Eu vejo os céus tão azuis e as nuvens tão brancas

O brilho abençoado do dia, e a escuridão sagrada da noite

E eu penso comigo... Que mundo maravilhoso”

Rolou na grama e apoiou o queixo na barriginha de sua filha, enquanto acariciava a face da jovem com as costas das mãos.

“As cores do arco-íris, tão bonitas no céu

Estão também nos rostos das pessoas que se vão

Vejo amigos apertando as mãos, dizendo: "como você vai?"

Eles realmente dizem: "eu te amo!"

Com o dedo tocando na ponta do pequenino nariz de sua filha, Renée finalizou a canção que regia a sua vida.

“Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer

Eles aprenderão muito mais que eu jamais saberei

E eu penso comigo... que mundo maravilhoso

Sim, eu penso comigo... que mundo maravilhoso”

- Sabe meu anjo, às vezes a vida não segue o caminho que esperamos, mas, isso não quer dizer que a vida não seja bela, só basta sabermos encontrar a pequena luz na imensa escuridão, para então tudo fazer sentindo! – suspirou e limpou uma lágrima de sua face – Você foi a minha luz na imensa escuridão que foi perder seu pai – pegou a pequena mão de Isabella e beijou docemente – Prometa pra mim, você jamais vai esquecer o quão maravilhoso é o mundo? – perguntou.

- Não se preocupe mamãe, eu jamais vou esquecer!

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As lembranças a deixaram ainda mais mergulhada e presa na dor, ela nunca mais poderia cumprir a promessa de sua mãe, o mundo é feio e a realidade espantosamente cruel.

Nunca fora de acreditar em príncipes encantados ou coisas do gênero, sempre viveu sua vida da maneira que achou correta, sem regras apreciando o que de melhor o mundo lhe dava, e mesmo assim a rasteira que a vida lhe deu fora dura demais para suportar.

Limpou o rastro das lágrimas e lentamente com o auxilio do remo voltou à terra firme.

Caminhou pela linda paisagem a sua volta e tentou, esforçou-se como nunca para tentar enxergar o maldito encanto que sua mãe lhe fizera ver uma vez, mas tudo o que viu foi o quanto a sua dor era irrelevante na imensidão da fantasiosa beleza ao seu redor.

- Com licença!

Isabella respirou fundo e se virou, deparando-se com um jovem, definitivamente não poderia ter mais de 20 anos, talvez estivesse perdido de seu grupo de amigos.

- Olá, me chamo Mark, sou um recuperado de câncer de pele há quase dois anos e estou aqui tentando ajudar pessoas – apontou para um grupo de amigos atrás dele – Ou melhor, estamos – sorriu.

Isabella olhou incrédula para o jovem.

O que ele estava fazendo ali ao invés de viver?

- Então? – perguntou.

- O que? – questionou Isabella o fazendo sorrir envergonhado.

- Me desculpe em estragar o seu dia! – disse virando-se.

- Hei espere! – ele voltou a encará-la – Perdão estou um pouco... Confusa – suspirou – Acabei me perdendo em meus próprio problemas.

- Tudo bem! – disse o rapaz analisando-a.

- Como posso ajudá-lo?

- Estamos pedindo contribuição para as pessoas, sabe como é, não tenho dinheiro e produzir uma campanha para que todos tenham conhecimento sobre o câncer de pele é meio complicado!

Sorriu fracamente e abriu sua bolsa, retirou todas as notas que possuía na carteira e entregou para o rapaz.

- É tudo que tenho no momento!

Ele arregalou os olhos assustado, definitivamente ela foi à pessoa que mais deu dinheiro desde que começaram a buscar por apoio.

- Valeu moça.

- Espero que os ajudem!

- Eu também espero!

Isabella não soube dizer ao certo porque essa atitude do rapaz lhe tocou, mas o fato era que ela ficou comovida.

Caminhou pelos arredores até a noite abraçar a cidade, cansada voltou para o carro e retornou para sua casa.

Assim que adentrou a porta encontrou Jasper e Alice no sofá de sua sala, uma cena linda.

- Alice o que faz aqui? Deveria estar em casa descansando!

- Oh graças a Deus! – gritou Alice correndo para dar um abraço em Isabella, entretanto sua amiga se afastou, pegando delicadamente suas pequenas mãos.

- Estou bem, vá pra casa descansar! – disse calmamente.

Alice relutou, entretanto com ajuda de Jasper, Isabella conseguiu com que ela fosse embora depois que tomou um copo de leite quente e prometeu que conversariam amanhã.

A noite de Isabella fora agitada, afinal o sonho que tivera não ajudou no sossego que necessitaria.

Ela estava perdida dentro de uma gruta, podia ouvir gotas caindo e a escuridão a assustava, ela andava e nada fazia com que a maldita escuridão sumisse, até que um pequeno clarão vindo do alto da gruta iluminava duas direções.

Ela começou a chorar, não sabia o que fazer, não sabia que caminho decidir e então Mark lhe aparecia e lhe falava a mesma coisa.

“Olá, me chamo Mark, sou um recuperado de câncer de pele há quase dois anos e estou aqui tentando ajudar pessoas”

Depois seguia em um dos caminhos e chamava por ela.

Isabella não sabia se o seguia, simplesmente sempre acordava nesse momento, completamente suada e tremendo.

No dia seguinte Alice apareceu logo cedo e de certa forma as duas fizeram as pazes novamente.

Os dias foram passando, e ela tinha o mesmo sonho, sempre acordando na mesma hora e do mesmo jeito.

No décimo dia que tinha esse sonho estranho ela por mais que tentasse não conseguiu adormecer novamente, olhou o relógio em sua cabeceira e suspirou 2:00 da manhã, derrotada pegou o controle de sua televisão e a ligou.

Reprise do jornal, ela revirou os olhos e decidiu por procurar outra programação, entretanto por mais que tentasse o controle não respondia. Irritada começou a bater no controle, definitivamente a pilha necessitava ser trocada.

Retirou a pilha e abriu a gaveta de sua cabeceira retirando um pacote de pilhas novas, o abriu e quando estava prestes a colocar no controle uma voz vinda da televisão chamou sua atenção.

“O mundo é belo, e seria bem mais se cada um fizesse a sua parte, eu faço a minha e isso me faz muito feliz!”

Um belo rapaz, um dos mais lindos que ela já viu dizia o mesmo discurso que sua mãe.

“E o que lhe fez ver o mundo dessa forma?” perguntou a jornalista loira, alta e definitivamente atraente que nitidamente jogava charme ao entrevistado.

“O sofrimento vem para nossas vidas para nos ensinar alguma lição preciosa, eu aprendi a minha e passo o ensinamento adiante”

O brilho nos olhos e a verdade em cada palavra dita não poderia ser escondia pelas câmeras, Isabella chorou silenciosamente, era como se ele tivesse falando especialmente para ela.

“Para quem quiser conhecer e ajudar o projeto do nosso querido advogado Edward Cullen é só procurá-lo na Instituição Lar da Minha Vida.”

Ela ficou ali parada vendo as imagens da televisão mudar, a programação acabar e começar sentindo como se algo ou alguém esperasse alguma coisa dela, como se ela mesma esperasse alguma atitude.

Mas tudo o que conseguia fazer era chorar silenciosamente.

O barulho vindo do lado de fora a fez despertar em meio a sua busca por respostas, olhou para a janela e surpreendeu-se, o dia já havia chegado.

Levantou-se, desligou a televisão e foi ao banheiro, tomou uma ducha rápida, escovou os dentes e seguiu ao seu closet, desenrolou a toalha de seu corpo e olhou bem para cada detalhe de sua nudez, não havia mais curvas e seus seios estavam bem menores, suas pernas pareciam dois cabos de vassouras.

Balançou a cabeça com os olhos fechados e tratou de se vestir.

Seguiu para a cozinha e percebeu que Alice já havia chegado.

- Por isso não consegui dormir, ficamos comemorando até altas horas da noite! – comentou Tanya.

- Bom dia! – disse Isabella sentando-se na cadeira reservada para ela.

- Bom dia! – disseram Alice e Tanya juntas.

- Então, comemorou o que ontem à noite? – perguntou Isabella tomando um gole de seu suco.

- Oh! A entrevista do menino Edward na televisão. Passou no começo da noite e reprisou na madrugada! – comentou Tanya eufórica.

- Instituição Lar da Minha Vida... – murmurou Isabella.

- A senhora assistiu? – perguntou Tanya.

- Oi? – disse Isabella arqueando as sobrancelhas.

- A senhora disse: Instituição Lar da Minha Vida, estou perguntando se assistiu o programa.

- Oh! Sim, nesta madrugada estava sem sono e vi alguma coisa.

- Muito nobre a atitude dele, mas como isso começou? – perguntou Alice.

- Ah, o Edward sofreu muito, quando ele recusou trabalhar em uma firma famosa... Hum eu esqueci o nome... Enfim, o pai dele ficou muito revoltado e acabou expulsando ele de casa sem nada – sorriu – Ele é muito ético, e contra tudo e a todos busca trabalhar no meio das leis usando a justiça e a verdade, acho que por isso os clientes dele sempre fomos nós da classe mais baixa.

- Nossa! Isso que é ter um ideal! – comentou Alice.

- Sim. Pois bem, no começo tudo foi muito difícil, ainda mais quando ele casou com Esme e teve a linda Rose, lembro-me que ele emagreceu muito, não tinham nem o que comer, o que acabou levando a separação, mas acho até que eles são amigos, afinal foi devido a ela que ele conheceu o caso Anne.

- Anne seria quem? – perguntou Isabella.

- Anne trabalhava no escritório que ele se recusou logo que terminou a faculdade. Ela era faxineira e possuía um horário complicado, só podia sair do escritório quando o dono ia embora, para poder limpar. Um dia ela saiu muitíssimo tarde e como morava em um bairro perigoso acabou sofrendo um assalto e faleceu deixando uma menina de 6 anos.

Isabella se viu no lugar dessa menina, afinal foi com seis anos que ela também perdera sua mãe.

- Quem atendeu Anne foi o Dr. Carlisle, ele ficou muito impressionado e comentou o caso com sua esposa Esme que por sua vez foi falar com a família da moça e decidiu ajudá-los apresentando o Edward. – Tanya suspirou – Ele arrasou no tribunal, a menininha tem uma quantia enorme no banco e o Edward ganhou bem mais do que os 10% de direito, afinal ele custeou todo o processo até a vitória, diferente do que qualquer advogado faria.

- Realmente, advogados não dão dinheiro para abrir um caso, isso é custo do cliente! – comentou Alice.

- Pois é, mas o Edward fez, na realidade ele sempre faz isso quando pode e recebeu uma enorme quantia, comprou uma casa no mesmo bairro e construiu a Instituição para dar apoio aos pais que não tem com quem deixar seus filhos. Lá além de ter pessoas para cuidar das crianças, as mais velhas têm aulas de artes, pinturas, esculturas e dança, com professores voluntários.

- Não entendo, é um lindo projeto mais o que tem haver com a vida dele? – questionou Isabella se lembrando da frase que ele disse no programa. “O sofrimento vem para nossas vidas para nos ensinar alguma lição preciosa, eu aprendi a minha e passo o ensinamento adiante”

- Rosálie, se ele ou Esme tivesse um lugar assim para deixá-la quando ainda eram casados talvez evitasse muito sofrimento.

- Magnífico! Vou ver qualquer dia desses se posso ir conhecer a instituição, adoraria ajudar de alguma forma! – comentou Alice.

- Seria ótimo! – disse Tanya animada.

Isabella terminou de tomar seu suco comendo uma pequena e fina fatia de bolo, conversou um pouco com Alice e a viu indo embora, afinal ela tinha que trabalhar, seu bar foi desfeito e ela o transformou em um café muito comentando e movimentado. Definitivamente Jasper mudou sua vida, ou seria o amor?

Sorriu ao ter esse pensamento, ela sempre soube que seu ex-marido pertencia à outra pessoa menos a ela, e de certa forma não foi surpreendida ao descobrir que a pessoa era sua melhor amiga, ele era o cara que Alice sempre sonhou para sua vida e ela tinha tudo o que ele desejava em uma mulher, adorava sexo, companheira e seria uma excelente mãe.

Pensativa acabou adormecendo no tapete macio da sala, sonhando com lindas crianças a sua volta sorrindo, agradecendo o seu amor e compreensão, afinal todas ali eram iguais a ela.

Retirando-lhe desse mundo trágico ou mágico, Tanya lhe acordou quase ao anoitecer, para tomar seus coloridos remédios.

- Já vai? – perguntou Isabella vendo-a com a bolsa.

- Sim, quem sabe ainda tenho sorte e conto uma historia ao meu sobrinho antes dele dormir. – disse com a esperança brilhando em seus olhos.

Isabella lhe sorriu e as duas se despediram, mas uma força desconhecia a fez agir por impulso, ou talvez a lembrança de seus sonhos, o da gruta e o da tarde juntamente com a reportagem do honesto Edward.

- Tanya, você mora perto da Instituição?

Surpresa ela se virou e olhou para sua patroa que a olhava com expectativa.

- Sim, a duas ruas da Instituição fica a minha casa!

- Ótimo! Me espere que a levarei até sua casa!

Tanya ficou surpresa mais fez o que sua patroa pediu, a esperou que se arrumasse e as duas seguiram até a subúrbio de Frankfurt.

É claro que todos ficaram olhando para o carro lindo e caríssimo que passava pelo bairro.

- É aqui! Vem que vou te levar até o Edward! – disse Tanya sorrindo.

Isabella saiu e fechou bem o carro, olhou para o muro amarelo com desenhos de crianças brincando e adentrou por uma porta de ferro, viu um lindo e cuidado gramado dividido por uma passagem de cimento, de um lado da grama um pequeno parquinho, do outro duas traves de futebol.

Olhou a fachada do pequeno prédio pintada de amarelo e com grades pretas, que refletiam luzes vindo de dentro.

- Ainda tem gente, aqui fica aberto até as 21:00 horas. – comentou Tanya.

Como resposta sorriu timidamente.

Adentraram o prédio, de cara tinha o balcão de madeira com uma menina loira com os olhos bem azuis que deveria ter uns vinte poucos anos ao telefone, olhou em volta e percebeu que ao redor haviam salas, escutou ao longe o som de uma música.

Tanya a puxou para sentarem em um banco de madeira, parecido com os de igreja, encostados na parede.

- Logo a Ângela nos atendera! – murmurou apontando para o jovem detrás do balcão.

- Tudo bem. Ela é a secretaria daqui? – Tanya afirmou com a cabeça – Hum... Que música é essa? – perguntou curiosa.

- É a Nina – sorriu – Deve estar dando aula de dança com uns amigos dela. As crianças são loucas por ela, talvez porque ela seja doidinha!

Isabella percebeu um certo carinho de Tanya ao falar na jovem e ficou ainda mais curiosa.

- Podemos olhar? – perguntou.

- Hum... Sempre que posso venho aqui vê-la dando aula, ainda mais com os amigos lindos que ela trás pra ajudá-la. Então sim, podemos ir olhar!

Um pouco animada levantou-se, estava curiosa, pela melodia da musica parecia ser salsa, entretanto o destino evitou que as duas se conhecessem naquele momento.

- Tanya! – gritou uma voz que fez o coração de Isabella bater acelerado.

- Edward! – disse docemente.

Lentamente virou-se e olhou sua adorável empregada e o rapaz belíssimo da televisão em um abraço caloroso.

- O que a trás aqui hoje? Pelo que sei durante a semana sai correndo para casa para brincar com Juan – comentou sorrindo.

- Hum... – olhou para Isabella – Minha patroinha quer conhecer a instituição!

Por um segundo que pareceu uma eternidade eles se perderam um no olhar do outro, o verde do oceano de encontro com o marrom do rio, como se fossem uma bela união da natureza.

Ela lhe sorriu timidamente e ele devolveu o sorriso.

Na mente de Isabella ele ainda era mais belo do que pela televisão, não usava nenhum traje de gala ou uma roupa de marca, somente um tênis de uma marca desconhecida, uma calça jeans clara que pela forma da costura era destinada a suburbanos, uma camiseta xadrez com tons de verde, de manga e com os botões apertos mostrando a camisa branca que ele deveria ter comprado em um supermercado famoso quando você paga 3 e leva 5.

Seu cabelo despenteado finalizava a simplicidade de uma criatura tão solidaria em uma humanidade tão injusta.

Na mente de Edward ela não poderia ser menos que alguém importante, a calça bege que vestia a blusa rosa bebê de manga curta e o sapato branco combinando com a bolsa eram dignos de uma donzela afortunada. Pelo menos foi o que ele achou, afinal ele não era um conhecedor de roupas, ele somente conhecia pessoas, e ela com seu rosto emoldurado pelos fios castanhos de seu cabelo, sem qualquer maquiagem aparentava uma doçura atraente em seus traços finos e delicados.

Caminhou lentamente em sua direção e estendeu a mão.

- Edward Cullen.

Ela devolveu o cumprimento, entretanto não passou desapercebido a ele que ela estava usando luvas em pleno verão.

- Isabella Swan.

- Quer conhecer o espaço e o trabalho realizado? Eu mesmo posso lhe mostrar! – disse prestativo.

- Na realidade eu gostaria de falar com você em particular! – disse insegura.

Ele olhou para a jovem por alguns segundos e acenou positivamente.

- Tudo bem, venha comigo em meu escritório! – disse apontando a uma escada em formato caracol que ficava atrás do balcão que ela não havia visto.

- Eu estarei lhe esperando! – disse Tanya.

- Que isso, vá contar historia para seu sobrinho, estava tão feliz com a possibilidade!

- Ainda tenho bastante tempo. Se não tivesse vindo com a senhora talvez ainda estivesse no primeiro ônibus dos três que pego!

Isabella sorriu e seguiu Edward. Adentrou no escritório e não pode deixar de notar uma enorme quantidade de pastas em sua mesa de madeira com os pés estragados.

- Desculpe a bagunça – sorriu envergonhado – Estou com muito trabalho.

- Hum... Isso é bom, não?

- Sim, muito bom, dessa forma ainda posso contribuir com a Instituição com o pouco que sobra. – suspirou – Bem, o que queria falar comigo?

Isabella abaixou a cabeça e fechou os olhos, respirou fundo e olhou diretamente nos olhos de Edward.

- Sabe eu achei muito bonito o que disse no programa de televisão “O sofrimento vem para nossas vidas para nos ensinar alguma lição preciosa, eu aprendi a minha e passo o ensinamento adiante”

- Você assistiu? – ela acenou positivamente – Acho que se todos pudessem captar a lição que a dor nos trás tudo seria completamente diferente.

- Sim... – Limpou uma lágrima que caiu por seus olhos – Ontem eu conheci uma pessoa que assim como você buscam fazer sua parte, e me espelhando em vocês, decidi que quero fazer a minha!

- É bom que pense...

- Por favor, não diga nada – Isabella o cortou – Deixe que eu termine, porque talvez se você me interromper eu não consiga.

As lágrimas desciam com mais intensidade deixando Edward curioso e comovido.

- Eu quero fazer a minha parte com pessoas que passam pelo mesmo que eu passo – ela fechou os olhos – Eu quero ajudá-las a não chegar no mesmo estagio de dor e sofrimento que eu estou – abriu os olhos e o encarou – E quando eu não puder mais fazer a minha, de uma forma estranha, porque eu nem ao menos lhe conheço, eu sinto que você poderia seguir o meu desejo!

Ele arqueou as sobrancelhas, não estava entendendo muito bem as coisas. Afinal o que ela queria dele?

- Sou HIV positivo em estagio terminal e sinto que somente você com o coração mais nobre que tenho conhecimento, poderá me ajudar!

FIM DO CAPITULO

Notas finais
Primeira coisa:

DESCULPEM NÃO TER POSTADO NO FINAL DE SEMANA COMO PROMETIR.... *-*

Segunda coisa:

É A BELLITA TA COM HIV..... SIM O CASO DELA É SERIO... E SIM EU ENTENDO QUEM QUEIRA ME MATAR.....

MAS, COMO EU DISSE NAS INFORMAÇÕES DA HISTORIA, ESSA FIC É REAL, CERCA DE 70 % DELA ACONTECEU COM UMA PESSOA MUITO QUERIDA EM MINHA VIDA, NÃO PRETENDO MUDAR O FINAL DA HISTORIA.....

A BELLA MORRE???

ISSO SOMENTE NO FINAL VOCES VÃO SABER.....

POR ISSO EU DISSE, É UMA FIC EMOCIONAL, COM DRAMA E UMA LINDA LIÇÃO DE VIDA.....

BRIGADINHA PELOS COMENTARIOS.... E RECOMENDAÇOES.....

VALEW MSM MENINAS.....BJOCAS