Alemanha, Frankfurt 1995

http://www.youtube.com/watch?v=kmIrB82RWvQ

Olhou em volta e deu um suspiro. Tomou mais uma dose de tequila. Era meio louco ver o grande salão negro sem pessoas circulando, as cadeiras vermelhas encaixadas em cima das mesas redondas. O bar sem os lindos e musculosos homens dançando sexualmente enquanto preparavam os drinks, o palco sem os dançarinos e o ambiente silencioso e calmo, sem uma musica se quer.

- Isso aqui fica tão estranho vazio – comentou Isabella.

Alice suspirou.

- Eu sei. Mas eu não posso abrir o bar todos os dias, poxa tenho que ter uma folga, um descanso, adoro dançar, mas musica alta e cheiro de álcool todos os dias cansa minha beleza!

Assustada com que escutou arqueou as sobrancelhas.

- Onde esta minha amiga e o que fez com ela? – perguntou brincalhona.

- Ora, por favor, continuo a mesma sem grandes mudanças! – disse Alice sorrindo.

Swan inclinou-se para frente apoiando seus braços na mesa e sorriu triunfante.

- Quem é? – perguntou Isabella.

Alice suspirou.

- O novo barman, nada demais, juro não estou apaixonada!

Sua amiga explodiu em gargalhada, era hilário ver Alice Kuhn explicando-se e ainda mais ver que por mais que o tempo passasse conseguia enxergá-la tão bem.

- Talvez devesse dar uma oportunidade para ele, quem sabe não se casa e juntas nós tornamos as esposas mais infiéis de Frankfurt!

Alice contorceu sua face.

- Posso ser louca e inconseqüente, mas não ao ponto de me casar, para tornar o pobre coitado no maior corno de toda Alemanha! – tomou um gole de seu coquetel.

Isabella revirou os olhos.

- Licinha linda do meu coração, meu marido sempre soube que seria assim. Tudo bem, não fico contando como me divirto em sua ausência, mas ele quis assumir o risco se casando comigo.

- Ele te ama, você acha que ele topa dividir você com todos os caras com quem já trepou?

O silencio predominou. Sempre que falavam de Jasper as duas discutiam, de fato nunca chegaram aos tapas ou até mesmo palavras sujas, mas nenhuma das duas adorava esse clima, sempre foram somente elas por muito tempo.

- E porque não, pelo que me lembre eu já dividi ele com minha melhor amiga, ou seja, você!

Alice tentou não sorrir, mas não pode agüentar e explodiu em gargalhadas. De fato Isabella lhe entregou seu delicioso e ardente marido de presente por uma noite, noite esta que jamais saiu da cabeça de sua amiga.

- É incrível como encontras desculpas para tudo!

- Não é desculpa, é fato, e pelo que me lembro ele bem que gostou da nossa brincadeira a três.

- Não vou negar, eu adorei, seu marido é uma coisa de bom! – comentou Alice sorridente.

- Eu sei que você gostou, eu até mesmo pensei que ele fosse abandonar nosso longo relacionamento de 2 meses para correr atrás de você – suspirou – Eu não teria ficado chateada, pelo contrario teria dado maior força. Mas ai ele me aparece com um maldito anel dizendo que sou a mulher de sua vida, infernos, eu não consegui dizer não!

Alice também se lembrava desse fato, assim como do fato de morrer de inveja do vestido branco que sua amiga usou no dia do casamento. Nunca foi invejosa, entretanto naquele maldito dia quis ser Isabella Swan.

- Você me usou para ele te largar, só que não conseguiu, o que ele sente por você é mais forte do que esses seus joguinhos sexuais!

- É, vamos ver até onde! – disse com o olhar distante.

As duas conversaram ainda por um bom tempo, quando Isabella percebeu já passava das 22:00 horas. Despediu-se de sua amiga e foi para casa. Como o bar de Alice e sua residência ficavam no mesmo bairro, o Sachsenhausen, sua viagem não durou nem mesmo 15 minutos.

Estacionou seu novíssimo jaguar preto na garagem, suspirou ao ver o BMW de seu marido e dirigiu-se para o elevador.

De cima a abaixo do elevador tinha um enorme espelho, analisou a sua imagem e sorriu, mesmo tendo um dia corrido no escritório e supervisionando obras, ainda passava uma imagem descente.

Seu cabelo liso escorria muito bem comportado, sua maquiagem ainda permanecia razoável, tirando o fato que seu batom vermelho havia desaparecido, usa blusa azul de seda transpassada pela cintura e sua calça de linho preta pareciam intocadas. Já seu sapato preto estava sujo de terra, comprovando seu cansativo e magnífico trabalho.

Quando chegou ao seu andar saiu do elevador, retirou as chaves da bolsa e adentrou em sua casa. Tudo estava silencioso, em sua sala somente havia dois abajures ligados deixando bem amostra à luz externa da cidade, olhou para a sala de jantar, sua enorme mesa de vidro para 14 lugares estava muito bem arrumada, permitiu que sua vista fosse mais além e percebeu que a luz da cozinha estava acessa.

Calmamente deixou sua bolsa na mesa de jantar juntamente com suas chaves, com passos lentos chegou à cozinha e se deparou com seu lindo, loiro e calado marido sentado na cadeira com os cotovelos apoiados na mesa redonda de mármore enquanto tomava o chá pacientemente.

- Boa noite – disse Isabella aproximando-se para beijá-lo – O que foi? – o questionou depois que ele se esquivou.

Ele suspirou, seus olhos azuis estavam cheios de lágrimas e em sua face a expressão de dor era nítida.

- Jazz, o que aconteceu? – perguntou preocupada, aproximou-se emoldurando sua face com as mãos.

Ele fechou os olhos com agonia.

- Eu não consigo, não tenho mais forças pra lutar! – falou retirando as delicadas mãos de sua esposa.

- Não tem mais forças? Não estou entendendo!

Ele sorriu tristemente.

- Sabe, quando você chegou e veio me beijar? Eu tentei pensar em outra coisa, mas não conseguir, porque já me domina, eu só consigo pensar: Será que hoje estarei beijando a minha esposa ou o gozo de outro homem?

Isabella nada disse, olhou para seu marido e viu as lágrimas descendo por sua face.

- Eu pensei que pudesse ser capaz de mudá-la, eu tentei lutar contra essa sua necessidade feroz por sexo, pensando inutilmente que um dia as coisas iriam mudar e somente eu bastaria. Calei-me e me fazia de surto enquanto ouvia os comentários dos funcionários da nossa empresa, dos meus primos, amigos e vizinhos de como minha esposa é linda, quente e gostosa. – fechou os olhos e se permitiu sofrer por mais alguns segundos – Mas hoje eu explodir. Quando fui visitar meu pai na casa de repouso e me vi agredindo-o só porque me falaram que vocês passaram horas sorrindo, eu percebi que eu não posso mudá-la, que por mais que eu te ame, a falta do seu amor e respeito vai fazer falta em minha vida.

- Você achou que tivesse trepado com seu pai? – questionou Isabella perplexa.

- O que você queria que pensasse? Basta que algum cara lhe lance um elogio você abre as pernas. Porque com meu pai seria diferente?

- Porque é o seu pai!

Jasper gargalhou deixando-a irritada.

- Nunca menti pra você, sempre soube quem eu sou, afinal, nos conhecemos em uma festa regada a sexo e quando nos continuamos a nos encontrar continuei sendo eu mesma, nunca posei de santa virginal e intocada, alias esse rotulo nem cairia bem em mim! Você, que me imaginou sendo um anjo que nunca fui! – disse irritada.

- Como sempre usando as mesmas desculpas. Daqui a alguns minutos paramos na parte do internado e na falta que seus pais fazem em sua vida para em fim terminar na porra da liberdade, como se eu fosse um desgraçado que quisesse te manter prisioneira!

Isabella gargalhou.

- Até parece que não é isso que quer. Vamos Jasper confesse, se eu tivesse permitido você teria me transformado em uma maldita dona de casa cheia de filhos melequentos te esperando o dia todo. Surpresa! Sua idéia de esposa perfeita não colou comigo, simplesmente porque não sou como a maioria das mulheres, nunca esperei por um homem que me ame, me sustente e me exalte. Eu mesma me sustento, me amo e me exalto!

- Nossa não parece, afinal se fosse tão alto-suficiente assim não andaria trepando que nem coelho por ai!

- Você continua sem entender, tudo bem serei mais clara, homens pra mim só nasceram para fuder gostoso, com o resto eu me viro muito bem sozinha, obrigada!

- Bom saber, isso torna as coisas bem mais fácies – se dirigiu para a saída e antes de sair da cozinha – Já mandei todas as minhas coisas embora, amanhã meu advogado procura o seu!

{...}

Edward Cullen sentia-se quebrado, além de trabalhar em seu pobre escritório durante o dia, trabalhava cinco vezes por semana em um boteco de quinta como garçom, agora com Esme fora do hospital ele tinha que se desdobrar para colocar o pouco do dinheiro que ela trazia para casa e que fazia uma falta enorme.

Caminhou pelas ruas escuras, poucos carros passavam, era uma maldita quarta-feira, olhou para seu relógio de plástico no pulso esquerdo, eram 2:40 da manhã, e as 8:00 teria que estar em seu escritório.

Pelo menos seu segundo e irritante emprego era próximo de casa, o que lhe poupava o gasto com transporte.

Olhou uma pequena farmácia e suspirou aliviado, diferente de ontem hoje ele trazia gorjeta no bolso.

Olhou a jovem que deveria ter no máximo 25 anos lhe sorriu simpático, afinal, ele também sabia o que era perder noites de sono para ganhar um pouco de dinheiro, ou talvez por saber que ele não era o único.

Comprou uma lata de Nam com o dinheiro que possuía e um pacote de frauda. Despediu-se cortes e foi para casa. Quando chegou em frente ao seu prédio e suspirou frustrado, pois sabia o que lhe esperaria em casa.

Subiu as escadarias que davam para seu quitinete e prendeu a respiração, o local a cada dia estava mais fedido, quando estava no corredor escutou o choro de sua filha e quis estar em outro mundo.

Abriu a porta de sua casa e avistou Esme chorando, balançando Rosálie enquanto tentava a todo custo fazê-la calar.

Assim que ela o avistou olhou diretamente para suas mãos suspirou de alivio e levantou-se.

- Pegue-a, me deixe preparar o leite! – disse sua esposa lhe entregando o lindo bebê loiro que gritava de fome.

Rapidamente colocou a lata de leite que custou uma fortuna em cima da mesa, cobriu sua blusa com cheiro de álcool com uma fralda de pano e colocou sua filha carinhosamente em seus braços.

Ignorou a feição irritada que Esme lhe lançou quando olhou em seus olhos, assim como, o fato dela nem ter lhe dando boa noite, mesmo sabendo o quanto ele estava cansado.

Olhou para sua linda filha e uma dor cortou seu coração, ela nasceu prematura, Esme teve varias complicações durante a gravidez o que continuou acontecendo depois, ela não conseguiu produzir leite, e a ele só restava se virar pra comprar um alimento especial que custava o triplo de um leite normal.

O dinheiro não dava, e Rosálie com apenas três meses tivera que se alimentar nos últimos dois dias de mingau feito de água e maisena. Ela rejeitou o alimento, chorando compulsivamente, fazendo Esme aumentar seu show histérico toda vez que ele chegava.

- Shiiii papai está aqui! – disse tentando acalmá-la.

Pelo canto dos olhos viu um sorriso debochado de Esme.

Quis chorar. Que merda ele havia feito a Deus para Ele tornar sua vida cada vez pior?

- Se papai pudesse ele mudaria toda a sua realidade! – disse como uma resposta a sua esposa.

Ela nada disse, ficou calada, sabia que se ele pudesse sua pequena Rose não estaria passando fome, esquentou a água e começou a preparar o leite ao som do choro de sua filha.

Sem saber como agir, colou sua filha em seu corpo, fechou os olhos e balançando levemente começou a cantarolar.

“Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar...”

Rosálie calou-se, sua mãe ficou paralisada com a cena, seus olhos se encheram de lágrimas e sabia que jamais seria capaz de esquecer a linda imagem de sua cabeça.

“...Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração

Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Foi porque
Só porque te quero bem.”

A pequena Cullen estava respirando calmamente quando seu pai terminou a canção, quando o forte aperto se afrouxou e ele pode ver a face de anjo de sua filha ela o encarou fixamente, como se o reconhecesse.

Ele sorriu como a muito tempo não sorria, afinal, aquela coisinha perfeita em suas mãos foi feita com partes suas, e apesar de sua ausência, mesmo sendo obrigado a estar longe, ela o reconhecia.

Esme aproximou-se e a retirou dele, entretanto a imagem da pele clara, dos olhos azuis levemente puxados, da bochecha rosada e do loiro de seu pouco cabelo não saia de cabeça de Edward.

- Obrigada! – escutou sua esposa lhe sussurrando.

Como se tivesse acordado olhou para as duas, enfim sua menina estava alimentando-se.

- Não precisa agradecer, ela também é minha jóia preciosa, dói-me vê-la sofrendo. – comentou.

Sem olhar na face de sua esposa retirou sua roupa, colocou no cesto e tomou um banho rápido, a água estava gelada, o frio do lado de fora não ajudava.

Secou e se vestiu rapidamente, quando saiu do banheiro batendo os dentes Esme estava deitada com Rosálie, suspirou e puxou se colchonete debaixo da cama, deitou-se e apagou.

Ele nem ao menos pode se dá ao luxo de sonhar, afinal, quando estava começando a viajar na fantasia seu radio relógio despertou.

Acordou desacreditado, suspirou e antes mesmo de conseguir levantar escutou o choro de sua filha.

- Inferno Edward! Eu nem ao menos passo descansar? Você tinha que deixar esse troço tocando por mais tempo! – gritou Esme pegando Rosálie para tentar acalmá-la.

Irritado por mais uma vez acordar tendo como música os gritos de sua esposa, trancou-se no banheiro e fez sua higiene, ao sair do cubículo vestiu-se, continuou ignorando os resmungos de sua senhora e seguiu para tomar seu café, entretanto encontrou a cozinha limpa sem nada para se alimentar.

Suspirou, paciente abriu o pequeno armário, pegou o pó de café, esquentou a água e começou a preparar a única bebida que ajudava a enfrentar o longo dia de trabalho. Quando o café estava pronto, vasculhou no armário e encontrou um pacote de biscoito pela metade, degustou a deliciosa bebida negra.

- Nem ouse! – sussurrou Esme irritada quando ele estava pra comer o biscoite. – Não tenho nada pra comer, simplesmente nada, por acaso já olhou direito no armário? Já abriu essa geladeira velha e podre?

Ele fechou os olhos e recolocou o biscoito no armário, tomou o café e foi pegar sua pasta. Quando viu sua linda menina dormindo sorriu docemente, levemente lhe deu um beijo na bochecha e saiu de casa sem nem ao menos olhar na face de sua esposa, não sabendo que essa seria a ultima manhã que teria as duas acordando junto dele.

FIM DO CAPITULO

Notas finais
finalmente conseguir postar

*pulando e comemorando

gente já começou a mudar a vida de ambos..... bem no terceiro cap vcs irão ver mais mudanças para enfim chegarmos ao 4 cap, onde eles finalmente se encontrarão.....

o q dizer desse cap:

o Jasper finalmente acordou pra vida

e a Esme.... eu n a culpo, afinal amor não enche barriga....

sabado estou postando o 3 cap....

bjocas e valew pelo carinho.....