O Poder do Amor
16 Capítulo 14
14 CAPITULO
Alemanha, Frankfurt, Junho de 1999
Isabella há dias estava se sentindo cansada. Desde o sexo na cozinha com Edward ela usava o auxílio do oxigênio para respirar em algum momento do dia. Pelo menos conseguiu tirar da cabeça de Edward a loucura dele se sentir culpado, ou pelo menos ela pensava que sim.
Entretanto os cuidados dele com ela dobraram, e às vezes quando ele se desligava, um traço de dor brincava em seus olhos deixando-a completamente perdida.
Ela sempre temeu que isso pudesse acontecer, ela sempre temeu que esse relacionamento o fizesse sofrer, mas nunca fora forte o suficiente para impedir que acontecesse, até porque, o sentimento que Edward despertou nela era mais grandioso e mais forte do que ela pensou ser capaz.
Talvez por isso ela agisse com certo egoísmo e se permitiu continuar com ele, permitiu que ele cuidasse dela e se fez de inocente diante da dor do homem que amava.
Irônico não?
Ela o amava, o amava tanto... Mas simplesmente era impossível deixá-lo... Talvez seja porque o amor de verdade não seja tão altruísta como dizem...
Suspirou e respirou o cheiro inebriante das rosas.
Definitivamente aquele parque era tudo o que ela precisava.... Ela soube disso no momento em que se levantou naquela manhã, pena que teve que esperar até à tarde para conseguir fugir.
A natureza sempre foi à paixão de sua mãe, por isso sentia como se fosse acalentada cada vez que estava rodeada pelo verde e o colorido das folhas e pétalas.
Contorceu a face, as suas pernas doíam pelo longo tempo que estava de pé, com o auxilio da bengala encontrou um banco rapidamente e se sentou, olhou em volta e deixou que as lágrimas caíssem e molhassem seu sorriso.
Ela sentia como se fosse sua ultima vez diante de tamanha beleza terrena, e apesar de ter essa certeza pulsando dentro dela em cada batida comprometida de seu coração, as lagrimas que derramava eram de completa alegria, pois jamais imaginou ser feliz como foi nos últimos meses, e apesar de ter tido pouco tempo, e apesar de querer ter mais tempo, ela era agradecida pelo que o destino ou uma força maior lhe deu.
Estranhamente ela sentia-se pronta, pronta para seguir a diante, para encontrar com seu destino, totalmente sem medo ou desespero.
Ela não sabia com o que se depararia, não sabia em que acreditar... Eram tantas as crenças.... Mas isso não a fazia temer, nesse estagio da sua vida o desconhecido não era apavorante como já fora antes.
Fechou os olhos e deixou que o vento singelo lhe tocasse, sentindo e apreciando o contato em sua pele. Ficou assim por minutos... Horas....
Quando se deu conta o sol estava enfraquecido e o crepúsculo ameaçava aparecer a qualquer momento. Sorriu encantada com a visão que o mundo lhe dava e guardou essa imagem em sua mente.
Levantou-se e caminhou lentamente, caminhou do modo mais rápido que conseguia.
Durante o percurso viu crianças felizes com suas famílias, viu casais de namorados e pessoas sós como ela. Também guardou essa imagem na mente, como se fosse um lembrete, enquanto algumas vidas acabam, outras continuam, outras vidas devem continuar.
Dirigiu-se a um taxi, pediu que a levasse até a instituição e ignorou o olhar penalizado do taxista. De verdade, ela se sentia como se fosse a ultima pessoa do mundo que precisasse de um sentimento desse.
Através do vidro do carro viu o resto da tarde se tornar noite e se sentiu em casa quando chegou à instituição, pagou o taxi e adentrou o local devagar, olhando cada detalhe, desde o gramado vivido de tão lindo verde até os detalhes da pintura dos muros.
Chegou à recepção e se deparou com Ângela e Nina conversando.
- Bella! Finalmente, o Edward a deixou sair? – perguntou Nina sorrindo.
- Quem me dera... Eu meio que fugi... – Disse com certa dificuldade, pois o ar lhe faltava.
- Ih... Provavelmente ele vai da um chilique quando vêr a senhorita por aqui!
- É prova...velmente...
Nina mesmo com um sorriso nos lábios analisou-a rapidamente e sentiu um arrepio de medo passando pelo seu corpo.
Tudo bem que quando conheceu Isabella, ela já aparentava esta doente, entretanto a sua aparência no ultimo mês piorou de forma acentuada, em uma semana ela ia ao hospital três ou até quatro vezes, era nítido que seus remédios não estavam funcionando.
Calmamente Nina se aproximou e a segurou delicadamente no braço.
- Vamos até o pátio, Edward esta em reunião... – Olhou para Ângela – Peça para Edward nos encontrar quando terminar.
Não tinha como Nina não pensar em seu amigo, ela temia por ele, definitivamente ele não estava preparado para enfrentar tamanha perda.
Pacientemente acomodou sua amiga na cadeira e se sentou em outra.
- Quer comer alguma coisa? – perguntou.
- Não... Tudo que ando comendo.... mais cedo ou mais tarde.... acaba saindo por minha boca. – falou Isabella com certo divertimento na voz.
Nina sorriu forçadamente e segurou as mãos de Isabella firme.
- Eu.... Eu to bem... Juro – disse com tanta doçura que Nina não pode duvidar.
- Vai ser difícil pra ele... Vai ser difícil pra todos nos!
Isabella permitiu que uma lágrima escorresse por sua face.
- Sabe... Quando eu recebi... Minha sentença... Eu me desesperei... Como assim?... Porque eu?... Ainda não... Não vivi nada... Eu não levaria nada de especial... Nenhuma memória feliz.... Eu também não deixaria... Nada de mim... Que fosse bom o sufi.. Suficiente... Isso me doía tanto... E apesar de ter medo... Eu pedia para ir... Para ir de uma vez.... Porque talvez eu não... Sofreria a dor de.... Ter desperdiçado tanto... Tempo...
- Bella...
- Mas então ele... – continuou Isabella a cortando – O Edward... Ele entrou em... Minha vida... E junto... Junto dele veio.... Coisas e pessoas... Tão boas... Pessoas como você... E daí eu... Eu me encontrei... Eu despertei o amor... Esse sentimento... Esse sentimento adormecido... Dentro de mim... E sorri.... Amei... dei valor a minha vida... Dei mais valor as.... As pessoas em minha volta.... Me diz Nina... Me diz como.... Eu não posso morrer feliz?
Nina não soube o que dizer, na realidade ela estava segurando as lágrimas, tentando tirar uma força que não tinha dentro de si.
- Eu sei... Eu to sendo.... Egoísta... Mas eu jamais...Deveria dizer isso..... Sabendo que... A minha partida vai... Causar dor... Mas talvez ajude.... Se essas pessoas.... Se elas... Souberem o quanto... Me fizeram bem.... Me fizeram feliz...
- Bella! – um grito conhecido rompeu o clima de cumplicidade entre as duas.
Nina se adiantou e com passos apressados se aproximou de seu amigo, dando tempo para que Isabella limpasse os rastros de lágrimas em sua face.
- Vá com calma, nada de muita auto-proteção em suas palavras, agora ela precisa de carinho e amor! – disse sussurrando.
Edward respirou fundo.
- A Bella precisa de cuidados, ela vai passar por essa fase! – respondeu teimoso. Com passos largos se aproximou de sua amada e se abaixou para olhar em sua face – Meu anjo, você esta em fase de recuperação, nem deveria estar aqui.
Bella sorriu e acariciou a face de seu amado.
- Eu.... Só precisava... Ver gente!
- Tudo bem, agora não tem como mudar as coisas. Mas podemos evitar mais danos, vou pegar minhas coisas no escritório e já vamos para casa.
Edward se afastou e quando passou por Nina nem sequer olhou-a o que a fez revirar os olhos.
Com o coração apertado ela se aproximou de Bella, se abaixou e segurou as mãos de sua amiga olhando em seus olhos.
- Releva, ele te ama demais... Só esta com medo.
- Tudo bem... Estou acostumada com isso.... Lembra da Alice? – disse sorrindo.
- Sim.... Eu lembro!
As duas se olharam por alguns segundos até passos apressados começaram a se aproximar fazendo com que as duas despertassem.
- Cuida dele! – pediu Bella antes de Edward alcançá-las.
- Vamos? — disse ele segurando o braço de Isabella.
- Pode deixar – disse Nina olhando nos olhos de Isabella.
Edward tão focado em Isabella nem sequer percebeu a cumplicidade entre as duas, super-protedor guiou sua namorada até o carro que pegou emprestado com um amigo e a levou para casa, acomodou-a na cama, colocou o oxigênio para ajudá-la respirar e colocou os fios do monitor cardíaco em seu peito.
Voltou para o carro, levou-o de volta para a instituição e meio que correndo voltou para casa.
Isabella ainda estava deitada debaixo da coberta do mesmo modo como ele a deixou. Aproximou-se e percebeu que sua respiração estava bastante cansada, suspirou pesadamente e acariciou sua face.
Vagarosamente ela abriu os olhos e sorriu ao vê-lo.
- Você voltou! – sussurrou.
- E que lugar melhor que ao seu lado eu poderia estar?
- Eu amo... Você – respondeu com a voz carregada de emoção.
- Eu também amo você! – aproximou-se dela e beijou sua testa demoradamente.
Ela deu um suspiro dificultoso mais demonstrando a sensação agradável que sentia quando o tinha tão próximo dela.
- Eu... eu estou... com saudades... da Alice – disse depois de uns minutos.
- Vou ligar amanhã pra ela e combinar alguma coisa. – disse Edward.
- NÃO... Eu quero falar... com ela... agora! – disse tentando aparentar altivez, mas desistindo logo em seguida, afinal essa não era a solução para conseguir as coisas com Edward – Por favor!
- Tudo bem. – deu mais um beijo em sua testa, para em seguida levantar-se e ligar para Alice.
Logo no segundo toque Jasper atendeu, eles dois ensaiaram uma conversa rápida e então Alice tomou o telefone para si, estava nervosa, com medo, algo dentro dela avisava que o temido dia estava mais próximo do que ela poderia imaginar e principalmente desejar.
- Hei... Estou... Estou com saudades! – disse Bella assim que pegou o telefone.
- Eu sinto muitíssimo, queria tanto ter mais tempo para poder passar cada segundo dele com você... Mas eu mal posso sair de casa sem parecer uma vaca leiteira!
Bella bem que tentou não sorrir mais foi impossível para ela se segurar.
- Você é mãe agora.... É natural... Que lembre uma... Vaca leiteira!
- Oh obrigada, você me deixou bem contente com isso!
- Que bom! – retrucou Bella ironicamente.
- Mas chega de falar de mim, quero saber de você, esse cansaço em sua voz não esta melhor... o Edward me contou que você fugiu hoje.... Bella você tem que se cuidar, não é mais criança.
Isabella olhou para os lados e percebendo que seu amado tinha lhe dado privacidade foi sincera com sua amiga.
- Me diz... Se eu ficar... Deitada... Os meus pulmões vão... trabalhar direito? – ela esperou por uma resposta, porém tudo o que recebeu foi o silencio – Esta chegando Alice... Eu sinto que esta... E eu não... Não tenho.... Mais forças.... Para lutar... É maior que eu...
- Oh Bella, não fale assim... Você tem que lutar, tem que tentar, por mim, pelo Edward... Vamos ficar perdidos sem você!
- Não... Lice você tem um... Lindo bebê agora... tenho certeza que... você vai encon.... encontrar o caminho... e mesmo não.... e mesmo não estando aqui.... fisicamente... Eu vou.... vou dar um jeito... De estar sempre.... Sempre com você!
Ela podia escutar o choro de sua amiga.
- Bella...
- Não... não tente... Você me ama... E creio que... que não... é egoísta como eu... Por isso vai... querer o meu melhor.... Eu não agüento mais.... É difícil acordar... É difícil passar... por mais um dia... É difícil ver... quem amo... sofrendo por minha... Culpa... Eu só preciso... saber.... Se você é minha... Amiga o suficiente... Para me prometer... Que vai viver... Vai curtir cada momento... Que a vida irá te dar.... Que vai sorrir sempre... Mesmo quando estiver... Triste... Você vai sorrir... Porque é ai... É assim... Que vou.... estar com você.... Sorria sempre.... Me promete?
Alice sentia uma dor tão latejante sem seu peito que ela pensou que seu coração fosse explodir, entretanto ela não poderia negar nada a sua amiga, não com ela lhe pedindo desse jeito.
- Eu prometo! – disse por fim deixando Isabella relaxada.
- Lice... Boa noite... Eu te amo!
- Eu também te amo.... Amanhã estou passando ai... Você vai esquecer de toda essa loucura e você vai sorrir comigo, vamos sorrir juntas!
Isabella nada disse a respeito, simplesmente sorriu do plano traçado de sua amiga para o futuro próximo e lhe mandou um beijo, desligou o telefone, respirou fundo e fechou os olhos tentando aliviar a dor em seu corpo.
Sem saber por quanto tempo ficou sozinha com sua dor e por incrível que pareça felicidade, abriu os olhos quando braços fortes, acolhedores e amáveis lhe envolveram.
- Me entregou para Alice...? – perguntou com mais facilidade que nas ultimas horas, fazendo com que Edward desse um pequeno e singelo suspiro de alivio.
- Me desculpe tê-la acordado. – disse sem nem sequer se importar com a pergunta que ela lhe fez.
- Eu estava... Acordada – disse devagar.
- Jura? Eu tirei o telefone de suas mãos, lhe ajeitei na cama e a cobri melhor com a coberta, e durante tudo isso a senhorita me pareceu estar dormindo.
Os dois sorriram.
- Eu devo estar... Louca, nem percebi nada!
- Não... Você só esta cansada.
- É... Estou cansada! – confirmou, apesar de saber que ambos estavam se referindo a algo distinto.
- Então... Como foi a conversa com Alice? – disse distribuindo beijos pela lateral da face de sua eterna amada.
- Legal... Ela disse que vem aqui... Amanhã.
- Que bom, acho que isso vai animá-la um pouco mais.
- É... Quem sabe!
- Hei – delicadamente colocou seus dedos no queixo de Isabella e a fez olhá-lo – O que você tem? Fala pra mim o que esta acontecendo.
Ela sorriu, retirou o aparelho que a ajudava a respirar e sorrindo o puxou para um beijo, um selinho demorado e cheio de sentimentos.
- Durante esses dias... Eu tenho assistido muitos... Filmes... E em um deles, os anjos... Da morte...
- Bella! – disse Edward a repreendendo.
- Você perguntou, por favor... Me deixe responder! – pediu com os olhos suplicantes.
- Eu não gosto de ouvi-la falando em morte... Essas coisas de tanto se falar acabam sendo atraídas.
- Nós nunca falamos disso... A verdade é que... Sempre evitamos... Talvez tenha chegado o momento!
Eles se olharam nos olhos e ali varias palavras e promessas foram ditas sem nem ao menos pronunciarem uma única palavra.
E mesmo que seu coração gritasse mais forte que a razão ele atendeu o pedido de sua Isabella.
- Estou ouvido.
Ela lhe sorriu, e esse sorriso ficou gravado em sua memória, definitivamente era o sorriso mais lindo que ele já vira na vida, o que era estranho para ele, pois com um assunto tão fúnebre desse a última coisa que ele poderia esperar era ganhar um sorriso que quisesse guardar para a posteridade.
- Os anjos... Eles sempre perguntavam o que mais... O humano gostava na terra... Se isso for verdade, eu vou dizer... Edward Cullen!
Ele não soube ao certo o que lhe responder, a única coisa que pode, foi deixar que o sentimento falasse mais alto e as lágrimas caíssem por sua face.
- Por mais que você queira... Por mais forte que o nosso amor... Pode ser, nos sabemos... Bem lá no fundo... Sabemos que o triste momento esta chegando... Eu só queria que soubesse que sempre estarei com você... Em todos os momentos.... Porque eu sei que você vai ficar triste... Você chorar e passar pelo luto... Mas depois você vai continuar sendo a pessoa maravilhosa... que conheci e amo... Você vai continuar ajudando as pessoas... E vai continuar sendo um pai incrível... Vai ver sua filha se tornando uma mulher... Vai ser o melhor avô do mundo... Vai continuar sendo a pessoa mais linda... Que eu já conheci.
Ele fechou os olhos e calmamente deixou que cada palavra que ela lhe disse penetrasse fundo em seu âmago.
Quando abriu os olhos, olhou para a face da jovem enferma que fazia seu coração bater acelerado com um simples e fraco respirar e beijou-a nos lábios, era pra ser um simples selinho de boa noite, mas por algum motivo desconhecido seus lábios se abriram e suas línguas dançaram juntas, como um bolero, sedutor e paciente, degustando cada contado.
Ao fim do beijo Isabella estava com falta de ar, o que lhe restou usar o aparelho.
- Chega de declarações lindas e fúnebres, esta na hora de você dormir, descansar que o dia foi cheio!
Ela não lhe respondeu nada, afinal concordava com ele, estava na hora de descansar.
Manhosamente, se acomodou em seus braços e permitiu que a escuridão a envolvesse, tendo como ultimo pensamento a sua ultima descoberta. A morte é um fato, todos um dia iremos enfrentá-la, e no final, quando o momento chegar o que vai valer realmente é: Se poderá dizer adeus ao ontem quando o seu momento chegar!
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FIM DO CAPITULO
Notas finais
e ai....
me contem
o q vcs acham..... a Bella morreu ou n morreu???????
bem.... isso vcs só terão certeza no ultimo cap..... no proximo sabado.... espero vcs até lá....
obs: essa musica é uma lição de vida....
ahhhh
no domingo dia 19/06 tem nova fic no pedaço....
quem quer conhecer um pouco dela é só passar na comu....http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=99279239&tid=5616973614897592429&start=1
bjocas e até sabado
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