O Poder do Amor
11 Capítulo 10
Alemanha, Frankfurt, Fevereiro de 1999
Nina estava sentada em sua mesa com a feição irritada enquanto Edward retribuía com um olhar magoado.
- Eu tenho que trabalhar!
Ela arqueou a sobrancelha irônica.
- Ora Edward, por favor, não me venha com drama, olhe a sua idade, esse tipo de coisa não pega bem!
Ele revirou os olhos.
- Não estou com drama, estou sendo honesto, tenho que trabalhar.
- Só se for agora, na minha frente, porque quando viro as costas você fica perdido em pensamentos.
- Nina sou um homem, se não quiser trabalhar não preciso fingir qualquer tipo de atitude para você!
Ela ficou em silencio e o encarou seria, suspirou chateada.
- Você me magoa agindo dessa maneira...
- Me perdoe eu não deveria ter falado assim com você! – disse cortando o que quer que ela fosse dizer.
- Não, não, não... Eu não estou falando disso!
Ele arqueou as sobrancelhas.
- Nina...
- Você é tão importante pra mim! – disse antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa – E eu estou me sentindo tão impotente... Tão insignificante!
- Hei... Não diga isso! – se levantou da cadeira e abraçou-a carinhosamente – Você é maravilhosa... Minha maninha do coração...
Ela se afastou um pouco podendo olhar próximo dentro de seus olhos.
- O que esta acontecendo com você? Diz-me, por favor, me deixe te ajudar! – implorou.
- Não esta...
- Por favor, não minta pra mim... Eu não sou cega, há dias que você não brinca com as crianças, age de forma mecânica, acumula trabalho e nem adianta negar porque as meninas me falaram que tem um monte de coisas pendentes... E o mais doloroso de tudo... Você esta esquecendo da comemoração de 1 ano de instituição!
Ele apoiou sua testa no ombro de Nina e chorou silenciosamente enquanto ela acariciava sua nuca.
- Eu me sinto perdido... Tão perdido... – sussurrou.
- Sabe eu sou uma menina... Uma tchutchuca que não sabe muita coisa da vida, mas eu acho que essa palavra não combina com você.
Ele levantou a cabeça e a encarou.
- Porque diz isso?
- Alguém perdido não trás essa dor no olhar... – suspirou – Eu não tenho idéia do que esta te machucando, mas tenho certeza que a sua maior dor é saber que caminho seguir e tem medo por isso... – sorriu com o olhar distante – Eu tenho um professor que sempre cita frases e pensamentos.... Tem um pensamento que Nicolau Gogol escreveu que serve bem...
- Lá vem você com esses pensamentos... Daqui a pouco vai se torna uma enciclopédia!
- Cale a boca e escute...Hum... Ah lembrei... Ele diz exatamente assim... A única coisa que vale a pena é fixar o olhar com mais atenção no presente; o futuro chegará sozinho, inesperadamente. É tolo quem pensa no futuro antes de pensar no presente!
O telefone começou a tocar, Edward quase que mecânico estava se preparando para atender, mas Nina agiu mais rápido e o encarou.
- A festa.... Ela é o presente agora, pare de sofrer por antecipação por decisões que deve tomar e vamos viver os momentos alegres... Este momento alegre, o momento que você tanto idealizou... Ah... As crianças estão tão animadas e irão ficar muito mais quando verem você arrumando o pátio junto com elas!
Nina não ficou por mais tempo com ele, o deixou sozinho com seus pensamentos e medos.
Por mais que tentasse não conseguia esquecer o beijo, se é que um simples toque de lábios pode se chamar de beijo, um simples toque que falou mais alto em seu coração e sentidos que os mais ardentes beijos que já teve em sua vida.
O que infernos isso queria dizer?
Ele não sabia, mas já tinha uma idéia suspeita, e isso tornava tudo ainda pior.
Olhou para a documentação em cima da mesa e suspirou frustrado, seguiu em direção a janela de seu escritório e viu o pátio, todas as suas lindas crianças estavam lá, elas sorriam lindamente, colavam flores feitas de papel crepom e balões coloridos envolta do espaço com ajuda dos voluntários.
Encontrou Nina no alto de uma escada equilibrando-se para pregar alguns desses balões e sorriu... Continuou vagando e a encontrou, mesmo de longe conseguiu ver que em sua face não havia nenhuma maquiagem, viu seu cabelo solto emoldurando seus traços e se fascinou ela a cada dia ficava mais linda.
Eles mal se falaram depois do beijo, ela simplesmente o procurou dias depois e prometeu que iria ser mais cuidadosa, para que esse tipo de coisa não se repetisse mais, porém o que ele não teve coragem de dizer é que ele desejava intensamente que aquele simples ato se repetisse mais e mais vezes e mais e mais intensamente, embora soubesse que eles não teriam muito tempo para isso...
Fechou os olhos e pensou no que Nina lhe havia dito, mesmo que ele estivesse com confusão sentimental as crianças não mereciam esse tipo de atitude vinda dele, era mais que justo ele se empenhar mais, demonstrar o quanto elas tornaram sua vida melhor.
Decidido desceu e se propôs a ajudar, Isabella sentiu-se envergonhada perto dele, sempre que possível se afastava o que de certa forma tornou as coisas melhores, ele pode se concentrar nas crianças e na preparação da festa.
Ao final do dia as crianças foram para casa se arrumarem, ele e todos os voluntários se arrumaram na instituição e graças a isso pode ver Isabella ensinando regras de maquiagem para as voluntarias que pareciam estar animadas com as dicas.
Ele ficou tão preso na imagem que via que nem ao menos notou o sorriso abobalhado que brotou em seus lábios vendo a cena.
- Hei Edward.... Ta sorrindo assim por quê? – perguntou Jenson um dos voluntários.
Ele levou um susto com o comentário, e assustou-se por perceber que ele estava certo.
- Nada não, só estou lembrando de como tudo isso começou!
- Eh... Você é o cara!
O cara! Será mesmo?
Ele sorriu em resposta e se enturmou com os outros, quando chegou á hora das pessoas da comunidade chegar estava todo mundo em maior expectativa, logo o espaço ficou cheio de crianças correndo e pais conversando animados.
Isabella parecia muito bem brincando com as crianças, ele se lembrou de quando a conheceu, de como era complicado para ela simplesmente sorrir, agora, junto das crianças o seu sorriso saia com mais facilidade.
Mas ele sentia falta de estar perto dela, de fazê-la sorrir de acalentar suas dores...
Querendo mudar de pensamento olhou para o pequeno palco que eles montaram, Nina e mais quatro voluntários tocavam animados, as crianças dançavam e os adultos ensaiavam alguns passos desengonçados.
No meio da festa as crianças sumiram por alguns segundos e voltaram carregando um bolo enorme, cantando parabéns para a instituição animados e com fundo musical, Edward sentiu-se emocionado.
- Antes de comermos o bolo, eu acho que o Edward deveria dizer algumas palavras! – disse uma das mães.
Ele se assustou.
- Não que isso... As crianças estão loucas para comer!
- Discurso – gritou alguém que ele não identificou, para logo em seguida todos gritarem juntos.
Vencido ele sorriu e pediu silencio.
- Muitas pessoas já me perguntaram o porquê de eu ter feito essa instituição... Nunca soube o que responder, porque nem mesmo eu sei ao certo de como esse sonho começou, simplesmente me lembro de olhar em volta e perceber algumas coisas malucas – respirou fundo – É fato... Entramos nesse mundo instável completamente sozinhos... Mesmo os gêmeos univitelinos, afinal, cada um saí de uma vez... E como não poderia ser diferente saímos dele sozinhos... Mas nada disso realmente importa... O que é realmente importante é tudo o que acontece entre isso... Por isso devemos a nós mesmos encontrar companhias, não somos uma ilha para vivermos isolados... Temos medos, incertezas e cometemos erros, por isso, precisamos de ajuda, precisamos de apoio, caso contrário, estamos nessa sozinhos, desligados um dos outros, esquecendo de tudo o que é relevante.... Então, ao invés disso, eu escolhi o amor, a vida. E por um momento, estando junto dessas crianças, compartilhando acontecimentos rotineiros me sinto um pouco menos sozinho.
As crianças não entenderam o que significava cada palavra que ele disse, mas não tinha um adulto presente que não tenha se sensibilizado com o que ele disse. O primeiro pedaço de bolo foi cortado bem grande e repartido em diversos pedacinhos, para cada uma das crianças da instituição.
Quando todos já tinham ido embora e somente os voluntários estavam no local começaram os pedidos de músicas românticas, ou quase isso, porque foi hilário ter Victor cantando Pelados em Santos para Nina como prova de amor.
Foi então que Nina começou a tocar uma música que lhe tocou fundo.
http://www.youtube.com/watch?v=5UJaep3nthw
“Quero beber
O mel de sua boca
Como se fosse
Uma abelha rainha
Quero escrever na areia
A sua história
Junto com a minha...”
O sabor de Isabella.... Ele não tinha provado dele como deveria ou gostaria, mas o pouco que degustou o deixou fascinado... Sem conseguir se segurar a procurou entre as pessoas e quando a encontrou com o olhar sentiu seu coração acelerar.
“E no acorde
Doce da guitarra
Tocar as notas
Do meu pensamento
Em cada verso traduzir
As fibras do meu sentimento...”
Cada traço de sua feição o deixava fascinado, um simples movimento de colocar os fios soltos por detrás da orelha a deixava ainda mais bela e seus batimentos cada vez mais em ritmos mais rápidos.
Fechou os olhos e desejou do fundo de sua alma saber com exatidão o que estava acontecendo.
“Que estou apaixonado
Que este amor é tão grande
Que estou apaixonado
E só penso em você
A todo instante...”
Apaixonado?
Ele já estava inclinado em aceitar esse fato, mas ele não poderia ter certeza, e se não fosse isso? E se fosse outro sentimento? Pensar nela a todo instante não significava estar apaixonado... Ou significava?
“Eu quero ser o ar
Que tu respiras
Eu quero ser o pão
Que te alimenta
Eu quero ser a água
Que refresca
O vinho que te esquenta...”
Sim... Ele adoraria ser o ar que ela respirava, adoraria poder penetrar dentro dela e curar cada pedaço defeituoso que a doença causou...
“E se eu cair
Que caia em teu abraço
Se eu morrer
Que morra de desejo
Adormecer dizendo que te amo
E te acordar com beijo...”
Cair nos braços dela seria maravilho, mas o que ele mais gostaria era poder colocá-la em seus braços como ele fez momentos depois de terem saído do cinema... Poder protegê-la e poder contemplar cada pedaço de seu corpo marcado pela morte.
“Que estou apaixonado
Este amor é tão grande
Que estou apaixonado
E só penso em você
A todo instante...”
Apaixonado?
Olhando para a face de Isabella que se encontrava de perfil ele percebeu que sim... Ele se apaixonou e não sabia dizer o porquê ou quando... Simplesmente se apaixonou...
“Quero sair contigo
Em noite enluarada
Dois adolescentes
Pela madrugada
Prá viver a vida
Sem pensar em nada...”
Seria tudo tão mais fácil... Não pensar em nada... Ele estava apaixonado por uma mulher que simplesmente não teria muito para lhe oferecer, porque o sopro da vida que ela ainda possuía em seus pulmões tinha data marcada para se esgotar, e não havia nada que ele pudesse fazer para evitar....
“Que estou apaixonado
(Estou apaixonado!)
Que este amor é tão grande
Que estou apaixonado
E só penso em você
A todo instante...”
Atordoado ele saiu do pátio e subiu as escadas apressado, entrou em sua sala e começou a andar de um lado para o outro....
“Tome cuidado, pessoas com o vírus HIV tem uma tendência muito forte de despertar a compaixão e o amor de quem os rodeia!”
As palavras de Carlisle rodeavam em sua cabeça... Será que foi a doença? Ele realmente estava apaixonado por ela ou pelo sofrimento que ela carregava?
Ele tinha tanta coisa passando por sua cabeça que nem ao menos notou quando a dona de seus pensamentos adentrou o local com uma fisionomia preocupada, notando sua presença quando esbarrou com ela graças aos seus passos apreensivos.
- Edward... Ta acontecendo alguma coisa seria? – perguntou.
Ele paralisou diante dela, e sentiu uma dor em seu peito por ser o responsável em apagar o lindo sorriso que ela possuía... E então como um sopro teve a resposta que ele tanto queria... Foi por ela, por sua doçura e encanto escondido que ele se apaixonou... Sua dor, seu sofrimento só o deixava péssimo... Foi por ela, ela!
Levou sua mão direita até a nuca de Isabella e olhou em seus olhos obstinado.
- Você sabe me dizer o porquê de a gente ficar adiando as coisas? – sorriu – Engraçado isso não é? A gente sabe o caminho a seguir, mas fica colocando obstáculos e adiando, empurrando com a barriga como dizem... é tudo medo, medo de fracassar, de sentir dor, medo da incerteza...MEDO, MEDO, MEDO... É sempre ele... – ele falava rapidamente enquanto as lágrimas caiam por sua face deixando Isabella cada vez mais envolvida – Até mesmo os mais corajosos serão dominados por ele em alguns momentos.... Mas é ai que está à diferença entre medrosos e corajosos... O medo não se pode ser uma desculpa, porque lá... Lá no maldito futuro que tanto se teme o medo vai dar espaço para dor, a dor de não ter sido corajoso o suficiente para fazer o que tinha que fazer!
- Edward...
- Eu estou morrendo de medo – disse a cortando – Ele ta em cada célula do meu ser neste momento, em cada maldita respiração que dou... – Encostou sua testa e nariz com o de Isabella ofegando, deixando seus lábios quase colados – Mas eu não quero sentir a dor mais tarde...
Sem dizer mais uma só palavra a beijou, dessa vez com loucura, sugando seus lábios com ardor e necessidade, não deixando que ela pudesse sequer pensar, somente sentir a explosão de sentimentos que ela causava nele, deixando bem claro que se ele estava perdido de amor, com ela não era muito diferente.
FIM DO CAPITULO
Notas finais
aiiiii adorei a forma como ele descobriu q estava realmente apaixonado por ela.....
Em relação a Nina.... bem sou suspeita pra falar... adoro essa personagem tanto na vida real como na fic....kkkkkkkk.... adorei o dialogo dela com o Ed.....
o q acharam??????
bem eu estou muito legal hj... por isso vai um sopiler....
se preparem o proximo cap é lindo, lindo, lindo....
bjocas e comentem
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