O Poder De Um Feitiço
4 Inicio.
Notas iniciais
Kisses
Eu sabia que reuniões familiares nunca eram somente para matar as saudades, e realmente não fazia a mínima ideia do que podia ter acontecido desta vez...
Sabia que estava atrasada, mas enrolei um pouco. Quando saí do quarto perguntei a Johnny se ele sabia de alguma coisa, mas igualmente a mim, ele não sabia de nada.
– Prontos? – perguntou Rolie.
Todos fizeram que sim com a cabeça, e Rolie se inclinou para beijar Alan.
Abri a porta e saí rapidamente.
***
O tempo estava diferente de Phoenix, não fazia frio, mas também não fazia sol, nem calor algum. Isso me desanimou mais ainda.
– Papai! – gritou Willy correndo ao seu encontro.
Saí do carro devagar e andei em direção a ele.
– Olá Ronnie, que saudades... – meu pai disse. Fiz que sim com a cabeça e lhe dei um beijo na bochecha.
Eu também estava com saudades do homem alto que me cumprimentara tão bem, mas tinha muita dificuldade em expressar isso – esse era um dos meus grandes defeitos.
Convidados a entrar, encontramos uma sala bem arrumada, dois sofás de cor clara, um tapete entre eles, e em volta da mesa de centro, várias almofadas de cores vibrantes.
– Acomodem-se! – ele disse.
O assunto, pouco importante, era sobre os desaparecimentos na cidade, Willy e Johnny pouco se importaram e eu não fiz diferente, porém a cada palavra dita tinha a impressão de que a conversa se tornava mais séria. Foi uma longa conversa, até decidirmos nos preocupar...
Não tivemos tempo o suficiente para conversar, antes que Molly chegasse e atrapalhasse. Aproximando-se, beijou meu pai. Minha vontade era dar um soco naquela idiota.
Levantei-me sem paciência, e meu pai sugeriu o café da tarde, percebendo meu nervosismo.
Sentei a mesa, mas não comi nada. Meu corpo só relaxou quando Molly saiu da cozinha.
Olhei o espaço. Paredes brancas, armários brancos, nada era confortável ali, me sentia como em um hospital. Mexi na toalha de mesa, e poucos segundos depois Molly gritou do andar de cima.
Todos se olharam perplexos. Eu a odiava, mas sabia que a coisa certa fazer era ir ajudá-la. Ninguém se moveu então me levantei e corri para escada tentando ignorar seus gritos agoniados. Subi as escadas as pressas e ao andar de cima, tudo se silenciou, e o escuro corredor, tomou conta do lugar.
– Molly? – eu disse, andando devagar para frente.
Na cozinha todos resolveram se mover ao mesmo tempo, fazendo um barulho absurdo, seguido de gritos de Molly.
Corri em direção ao som e enxerguei um vulto na janela, do quarto onde ela estava pulando para o andar de baixo. Corri até lá e olhei para baixo. Enjoei-me um pouco.
– Quem estava aqui? Aqui é alto! Um ser humano morreria se pulasse daqui! – disse a ela me apoiando na janela.
Ela não parava de chorar, e gritar de dor. Johnny e papai chegaram em seguida e o quarto encheu-se. Os arranhões e mordidas na pele de Molly pioravam e ficavam mais avermelhadas conforme o tempo passava. Gritos de dor acabavam com nossos ouvidos.
Olhei novamente para baixo da janela, e tive a impressão que iria cair quando Jonny tocou em mim.
– Verônica, venha aqui! – ele sussurrou.
O segui até a escada.
– Acho que o que Rolie e Richard falavam está, tipo que me assustando! – ele disse.
O barulho de Molly silenciou-se novamente um pouco antes da porta da sala se abrir.
Eu e Johnny nos olhamos assustados. Comecei a descer a escada devagar, e filmes passaram rapidamente na minha cabeça e comecei a rezar para que aquela escada não fizesse barulho.
Quando já tínhamos descido suficientemente para avistar a porta, um vulto correu para fora e a porta se fechou.
Molly gritava novamente.
Corri desesperadamente escada abaixo, abri a porta e um vento frio tomou conta de mim. Terra começou a voar para todos os lados e eu não conseguia enxergar mais nada, somente ouvia um barulho, um barulho muito estranho, que a cada segundo aumentava o volume.
– Verônica... – eu ouvi. Uma voz tão estranha que me fez tremer. Corri para dentro.
Molly me assustou na ponta da escada, me olhando com dó, como se soubesse que iria acontecer algo de ruim comigo.
– O que foi? – perguntei incrédula.
Ela não respondeu.
– O que era aquilo Molly? – quase gritei.
– Era invisível. – ela respondeu sem demonstrar sentimento algum.
Assustei-me com a frase seguinte dela:
– E procurava você!
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