O Poder De Um Feitiço
5 Acidente.
Notas iniciais
O dia amanheceu em chuva, um dia não muito normal em Phoenix, mas só uns poucos pingos.
Depois da confusão na reunião que aconteceu na casa de papai, eu e Willy, nosso irmão mais novo, resolvemos vir passar uns dias com meu irmão Johnny e com Natalie, sua namorada.
Eu gostava dali, ainda gosto. É quente, é bom.
Não me lembrava de pegar minhas coisas na casa de Rolie, ou de subir as escadas dessa casa, para chegar até esse quarto, que é bem menor do que os outros e claro, que me deixava bem confortável.
Branco, meu irmão não mudou muita coisa do que tinha aqui.
Essa foi nosso primeiro apartamento em Phoenix, e Johnny só mudou o berço por uma cama agora. Comprou um guarda-roupa, e em troca da minha penteadeira deixou um computador. As cortinas eram as mesmas, a lâmpada também, o pequeno ventilador... E concluindo, a casa antiga não foi nem um pouco mudada.
A grande janela no lado esquerdo do quarto me dava uma visão maravilhosa da rua e do andar de baixo... E do céu.
Eu ainda me sentia um pouco arrepiada, pelo fato da “coisa” que atacou gravemente Molly estar a minha procura, mas nada aconteceu mais depois daquilo, o que me tranquilizou. Um pouco. Mas o que estava mesmo me preocupando agora era o fato de eu estar com a mesma roupa que ontem de manhã, e não me lembrar de mais nada depois do “E procurava você!”.
Alguém bateu na porta e logo ela se abriu devagar.
– Ronnie? Querida, está bem? – disse Johnny.
Ele veio até os pés de mina cama e se sentou.
– Está melhor?
– Melhor? ... Melhor do que? O que aconteceu? – estava muito confusa.
– Você não se lembra não é? – ele mexeu em minha coberta.
Johnny me ajudou a lembrar. Depois do que Molly me disse, pedi para ir embora, em estado de choque. Quando chegamos à casa de Rolie, para pegarmos minhas coisas e as do meu irmão, tropecei logo quando desci do carro e em seguida bati a cabeça com força.
Quando acordei do desmaio, já estava deitada na cama, e peguei no sono logo.
– Na verdade, não tropecei. – ele me olhou confuso. Sorri maliciosamente. – Escorreguei no chão molhado.
Johnny riu e me deu um beijo na testa, dizendo que estava me esperando para o café.
***
Arrumei o cabelo em um rabo na nuca. Coloquei meus chinelos e abri a porta.
Saí devagar pelo corredor, e diminui o passo mais ainda quando v um vulto pela porta do quarto do meu irmão.
– Johnny? – eu chamei.
Ninguém respondeu. Meu coração se acelerou e tomei coragem para ir até a porta. Tomei o cuidado de ir com passos pequenos e leves o bastante para que nada atrapalhasse o som que vinha de lá.
Abri a porta devagar.
– Aaaaaaaah!
– Oh, me desculpe Verônica.
– Tudo bem Natalie. Chame-me de Ronnie, ok?
Ela era uma moça baixinha, morena dos olhos castanhos e levemente puxados. Eu era bem mais alta que ela.
Johnny e Natalie estão juntos há um mês, ainda estou conhecendo ela, mas parece-me ser bem legal.
– Vai descer para o café? – perguntei a ela.
– Eu já comi. Só vim ao banheiro. Johnny está te esperando. — ela respondeu.
– Ok, vou descer então. – acenei e me virei devagar.
Dei rápidos passos até o corredor.
Uma brisa enorme e forte tocou meu rosto e recebi uma pontada no meio do peito. Eu fiquei fraca, e não enxergava mais nada.
– Johnny! – eu gritei.
Cai no chão não aguentando minhas pernas. Avistei Natalie, Johnny e Willy do meu lado esquerdo.
Johnny me pegou no colo e desceu comigo.
Meu irmão me colocou no sofá enquanto Natalie preparou um soro caseiro para eu beber.
– Você está bem? – falou-me Natalie, toda preocupada.
Fiz que sim com a cabeça. Não estava entendendo porque me sentia assim, só o que eu sabia é que algo de ruim ia acontecer com alguém de quem eu gostava e muito. Joey.
Levantei-me depressa, corri escada acima, não ligando para meu irmão gritando meu nome. Corri para o meu quarto, tranquei a porta, tirei minha calça jeans e minha blusinha preta de mangas até o cotovelo da mala, e as vesti rapidamente. Arrumei minha mochila e coloquei meu all-star azul escuro.
Enquanto isso Johnny batia na porta pedindo para entrar.
Soltei os cabelos e os arrumei rapidamente. Coloquei um brinco, e saí do quarto.
Johnny me olhou da cabeça aos pés e se confundiu.
– Por favor, Verônica, o que está acontecendo? – ele falava enquanto eu entrava no banheiro ao lado do quarto a procura de minha escova de dente.
– Preciso ir ao colégio! AGORA! – eu disse.
– Tudo bem... Mas podia ter avisado. Vou pegar as chaves. E você vai tomar café da manhã mocinha.
Johnny sal resmungando mais algumas coisas, mas eu nem liguei.
***
Quando estávamos saindo do estacionamento, ele lembrou que esqueceu a carta de motorista.
– Eu pego. – eu disse saindo do carro.
Não tive paciência para esperar o elevador e subi correndo as escadas até o quarto andar.
Abri a porta, corri até a sala, peguei a carteira dele com a habilitação.
– Tchau pessoal! – gritei e não esperei a resposta.
Desci correndo as escadas e sem querer esbarrei em um garoto. Acabei caindo na escada, e tudo que estava em minha mão voou.
Ele me ajudou.
– Podia ter me deixado no chão. – eu disse me abaixando para recolher as coisas, porém já não tinha mais nada ali.
Olhei para cima, e ele estava com tudo em mãos. Dei um sorrisinho forçado e me levantei novamente, devagar.
– Seria uma falta de educação ter de deixado no chão. Aqui estão. – ele disse. Sua voz era doce, muito doce, mas não me amoleceu.
– Não pedi para recolher por mim. – eu respondi, e logo me arrependi.
Eu sempre fui muito dura com as pessoas, e talvez seja por isso que ninguém gostava de mim.
– Não preciso de permissão. – ele respondeu.
Puxei tudo de sua mão, e observei seus olhos por poucos segundos. Ele tinha os olhos lindos, verdes. Era bem mais alto que eu, e tinha os cabelos castanhos escuros, e lisos. Era lindo.
Ele esticou a mão e se apresentou:
– Mitchel, 20 anos, prazer!
– É, um prazer. – eu sorri, e fiquei admirada por isso.
– E seu nome é...
– Não precisa saber... – sorri novamente.
Ele retribuiu o sorriso.
– Te vejo então, já que somos do mesmo andar.
Sorri novamente e continuei meu percurso, sem ao menos responder.
Não ousei olhar para trás, mas sabia de certa forma que ele me olhava.
Não entendia aquilo. Eu sorri. Três vezes. Com uma pessoa só, em um momento só, o que não era, nem é, nem um pouco normal.
***
Não falei nada para Johnny sobre Mitchel, era estranho, eu acho.
Saí do carro ainda com baixos risinhos, antes de olhar a placa de High School e cair na real do porque estava ali. Fui correndo atrás de Joey, tão depressa que me esqueci de agradecer para Johnny a carona.
– Verônica! – gritou Melissa.
Virei-me o mais rápido que pude, e avistei Joey, estava correndo na rua, para encontrar com Rachel.
Respirei fundo pelo menos ele estava seguro.
Barulho. Porque fui falar?
– Joey!!! – saí correndo atrás de meu amigo e acabara de ser atropelado.
Joguei minha mochila no chão da causada e corri até Joey.
– Saia daqui sua intrometida... – Rachel me empurrou no chão.
– Intrometida? Eu? Deixe-o em paz. – gritei com ela.
Rachel me empurrou mais uma vez e choramingou.
Sem paciência, lancei um soco na cara dela e fui em direção a mochila. Peguei o celular e disquei, tremendo, as teclas do telefone ligando para a emergência.
– Você é algum parente? – ele me respondeu.
– Não, mas sou amiga.
– Eu sou a namorada. – Rachel gritou da rua, ainda tentando se recuperar do soco.
– Ok, você entre, – ele disse a ela — e você, – ele me disse – lamento, podemos levar somente um.
Eu estava cada vez mais preocupada, e não podia ir junto.
– Ronnie, vamos, nós vamos até lá. – disse Melissa.
Notas finais
Kisses, Goodbye.
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