O Poder De Um Feitiço
6 Completa idiota.
Notas iniciais
Passei quase quatro horas esperando noticias, de como ele estava, de algum médico. Andando de um lado para o outro eu não conseguia me acalmar. Melissa, calma tentava passar sua paciência para mim.
Finalmente, um médico chegou ao nosso encontro, pedi informações para ele de Joey, e ele me disse que ele não estava em perfeitas condições, mas que queria falar comigo.
Perto da porta, já era possível ouvir a batida regular do medidor de pulso cardiovascular.
Entrei devagar e ele já dormia.
– Joey? – chamei por seu nome e ele não respondeu. – Acho melhor voltar amanhã né, meu amigo?
Passei as mãos por sua cabeça e beijei sua testa.
– Vai ficar tudo bem...
***
Chegando a minha casa, fiquei pensando em tudo isso. Melissa, Joey, Mitchel, Molly, não sabia nem o que pensar.
– Ronnie! – gritou Johnny.
Saí do quarto e fui até a escada.
– Vai até o supermercado pra mim? – ele me perguntou.
– Claro, só um minuto. – respondi.
Troquei-me rapidamente e desci. Peguei o papel com a lista.
O mercado não era longe, só duas quadras.
Comprei tudo o que tinha que comprar.
Na volta, percebi que algo me seguia. O coração se acelera de novo.
– Mas será possível? Agora toda vez que acontecer algo você acelera coraçãozinho? – falei baixinho para mim mesma.
– Ei, moça. – alguém me tocou.
– Aaaaaaaaah! – deixei tudo cair e me virei.
Ah, eu não acredito.
– O que? Está me seguindo? – perguntei a Mitchel.
– Olá, seu irmão me convidou para o jantar, só achei que talvez, quisesse dizer seu nome. – ele disse.
– Ah claro, como se você não já soubesse. – peguei as compras do chão e dei as costas.
Saí andando, com uma raiva idiota. Nunca senti algo assim.
– Ei, espera, por favor. – Mitchel gritou, agarrando meu braço.
Eu me virei rapidamente.
– O que você quer? – gritei.
– Quero ouvir de você.
– E eu não quero dizer. – respondi furiosa.
Corri até o apartamento.
Subi o mais rápido que pude, e entrei furiosa em casa.
– Ronnie? O que aconteceu? – perguntou Johnny.
– Aqui estão suas compras. – joguei as coisas em cima dele – E da próxima vez, não mande alguém para me vigiar, ok? Vá você mesmo.
Subi as escadas correndo, e não consegui conter o choro. Entrei no quarto e me joguei na cama.
Não me entendia, eu chorava, não conseguia parar, não sabia qual o motivo, a raiva de meu irmão, de Mitchel, ou o medo de perder meu melhor amigo.
Levantei-me e olhei-me no espelho. Parecia uma completa idiota. Desde a separação de meus pais, jurei que nunca mais iria chorar. Chorei tanto naquela época. Também jurei nunca querer conhecer o amor. Mas acho que estou sendo ligada com isso agora, não amor a primeira vista nem nada, mas de amizade. Não o que está acontecendo comigo agora, mas não vou desistir agora, eu vou enfrentar.
– Toc, toc, posso entrar? – perguntou-me Johnny.
– Claro. – eu respondi.
– Minha linda, olhe, eu sei que está sendo difícil para você agora. Sei o quanto sofreu na separação da mamãe e do papai, mas você tem que aceitar que o amor está em toda parte. Seu amigo precisa de você agora, e sua amiga, a Melissa, também precisa. E você está conhecendo pessoas novas. Na verdade não são novas. Você conhece Mitchel.
Fiquei confusa. Eu conheço Mitchel?
– Não lembra? Ele sempre foi um grande amigo meu, e ele é apaixonado por você. Dê uma chance, pelo menos o conheça. Não mandei ele ir atrás de você, ele quis ir.
Isso estava cada vez mais confuso. Sim me lembro, agora me lembro. Ele mudou... Ele está lindo.
Joey estava internado, Melissa em choque. Melissa... Coitada, nem falei com ela hoje, só estava preocupada comigo, e comigo, e comigo.
Olhei-me no espelho novamente.
– Agora sim! VOCÊ É UMA IDIOTA VERÔNICA! – quase gritei.
Ok, só vou falar com Melissa amanhã, então hoje... Uma chance a Mitchel.
Enxuguei as lágrimas secas no rosto.
Desci as escadas e:
– Hoje eu preparo a janta. – dei um sorriso e fui em direção à cozinha. – Natalie, deixe comigo.
Comecei a preparar um dos melhores pratos que eu sabia fazer.
– Quer ajuda? – disse Mitchel.
– Na verdade, quero sim. – respirei fundo – pegue o sal para mim, por favor, na segunda prateleira ali atrás.
Mitchel me entregou o sal, e fiz um esforço para não olhar nos olhos dele. Aqueles olhos verdes me deixavam maluca.
– Mitchel...
– Sim. – ele respondeu.
– Desculpe-me por te tratar daquela maneira na rua. E na escada. – ri de mim mesma e coloquei o cabelo atrás da orelha.
– Não tem que se desculpar, sei de tudo que está passando. Mas... Quando nos encontrarmos de novo, devo chamá-la do que?
– Ronnie. – eu sorri, me apoiando na pia.
E finalmente olhei em seus olhos. O mundo inteiro parou, e meu sorriso aumentou.
– Ronnie a panela. – ele gritou.
Olhei para trás, e bem, estava transbordando um pouquinho. Ok estava transbordando muito.
No fim, o jantar finalmente saiu, e foi muito animado em volta da mesa.
– Bem, eu já vou indo. – disse Mitchel.
– Te acompanho. — eu disse.
Abri a porta para ele, e o observei sair.
– Foi uma bela noite, e eu não sabia que cozinhava tão bem. – ele disse.
Não consegui conter o sorriso novamente, e em seguida abaixei a cabeça.
– Boa noite. – eu disse enfim.
– Boa noite, até amanhã, talvez...
– Talvez... – e sorri novamente.
Entrei e fechei a porta, e suspirei bem baixo.
– Eu ouvi isso. – Johnny brincou.
Eu sorri para ele.
– Boa noite – ele me deu um beijo na testa e eu subi para o quarto, me troquei e me deitei.
Mitchel... Uau. Sorri. Como alguém pode mexer tanto com nossa cabeça?
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