O Poço
3 Capítulo 3 - Perdas
Notas iniciais
Pov Mike
"-Amanhã a gente se vê!
–É, amanhã..."
Eu não acredito que quebrei a promessa que fiz pra Fanny. Eu sei que não era bem uma promessa, pois fui eu que disse: "É, amanhã...". Mais eu a considerava como uma.
Gosto dela desde os meus nove anos. Desde a primeira vez que a vi, no balanço do parquinho da escola. Aqueles lindos e macios cabelos castanhos balançando ao vento, enquanto seus olhos se mantinham fechados, junto a um perfeito sorriso de satisfação.
Me lembro da primeira e da última vez que olhei profundamente para aqueles olhos cor de mel; e prometi pra mim mesmo, nunca esquece-los. E eu nunca esqueci. Porém, dói em mim, pensar na possibilidade de nunca mais vê-los; de tê-la perdido para sempre.
E o pior disso tudo, é eu nunca ter dito, que a amava.
~*~
Pov Angel
Estava me sentindo tão bem junto à Mike. Não sei o porquê. Era algo estranho que me consumia por dentro; e eu não sabia o que era. Somente me fazia bem.
Ele logo se espreguiça, e eu me levanto rapidamente. Fico de pé, me estico, e olho para o alto. É, estávamos bem ao fundo. Definitivamente no fundo do poço; ri com essa ideia, mais sabia que não era nada engraçada.
Ainda estava perdida em pensamentos, quando ouço Mike dizer algo:
–Ai! — ele exclama com cara de dor.
–O que foi? — eu pergunto preocupada, abaixando a cabeça na direção dele.
–Acho que... — ele começa; porém, depois de ter feito tamanho esforço pra levantar, e não ter adiantado; continua. — Não posso me levantar... — diz olhando pra mim com esperança.
–Ah... Talvez só precise de ajuda. — então eu pego em suas mãos, e tento ajuda-lo.
Não acredito. Ele não podia se levantar; acho que não sentia as pernas. Será que ficaria sem andar? Não é possível.
Mike então caiu no chão, sentado; e continuou assim, paralisado; sem acreditar no que estava acontecendo. Eu me sentei ao seu lado, e fiquei olhando para frente, como ele; encarando a escura parede úmida de grandes pedras.
~*~
Pov Mike
Então é isso? Eu nunca mais vou voltar a andar? Nunca mais voltaria a ver Fanny? Nunca mais iria para a casa? E tudo isso, porque talvez, eu nunca mais sairia daqui...
Provavelmente, encarar aquele amontoado de pedras escuras em minha frente, não iria me fazer se sentir melhor.
Olho para o lado, e vejo que Angel, ela ainda está ali. Então eu sinto. Era confortante olhar para ela; para aqueles olhos azuis cristalinos, e aqueles cabelos loiros sujos, e bagunçados. Ela percebendo isso, se vira rapidamente; então eu dou um sorriso, e Angel contribui.
Nisso, um barulho. Um barulho estridente. Como se algo muito pesado estivesse caído. Nós nos olhamos assustados; depois voltamos o olhar para a superfície; que agora, jazia uma maior quantidade de luz.
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