O Plano B
24 XXIII - Marry me, bury me.
Notas iniciais
XXIII — Marry me, bury me.
A primeira coisa que Raito sentiu ao acordar foi o perfume de L penetrando por suas vias respiratórias, o que imediatamente curvou as pontas de seus lábios em um pequeno sorriso. Quando seus olhos abriram, esperava encontrá-lo ao seu lado, fitando-o cuidadosamente com aquele ar de sabe-tudo, intensamente revestido de ressentimento por Raito não só tê-lo enganado com o espelho falso como também por ter transformado sua pequena vingança sexual em um sexo apaixonado.
No entanto, para o seu inadmissível desapontamento, estava sozinho.
Não havia o menor sinal de L na loja de doces na qual havia pegado no sono, algumas horas atrás. Depois do sexo, o detetive mantivera um silêncio profundo, o qual Raito respeitou, por saber que nada de bom viria em forçar uma conversa que nem ele mesmo queria ter. A felicidade e o sono pós-orgásmico o consumiam, e ele não queria estragar nada entrando em outra discussão com L. Continuaram abraçados e Raito pegou no sono ali mesmo, no carpete da doceria, sobre o peito dele.
Não imaginava como o mais velho se desvencilhara sem o acordar, ou mesmo como saíra do lugar sem fazer nenhum barulho.
De qualquer forma, não importava. Era até melhor que L não estivesse ali. Por mais que seu estúpido coração de garotinha de 14 anos apaixonada quisesse que o detetive em vez de ir embora ficasse fazendo carinho em seus cabelos, esperando-o para uma mais nova rodada de sexo matinal, Kira tinha muitos outros interesses, muito distintos e bem mais cruciais.
Raito não podia se esquecer que L era um grandíssissimo filho da puta que o traíra, e que não passava de um grande mentiroso que estivera fazendo-o de bobo, como se ele fosse um ser desprovido de neurônios (o que ele realmente sentia que era, quando ficava inebriado de paixão nos inesperados revéses de seu próprio plano b).
Aquele tempo todo em que ficaram juntos, os momentos românticos que compartilharam, as promessas que trocaram, e L continuava mentindo descaradamente, bem no seu nariz, sobre acreditar na Regra dos 13 dias. Agindo com condescendência só para poder capturá-lo outra vez e finalmente mandá-lo para a pena de morte. Não podia se esquecer que se não fosse por estar sempre um passo atrás dele, teria caído em sua armadilha e Kira agora não passaria de cinzas.
Tudo bem que o detetive estava correto em ter suspeitas e armar esse plano, uma vez que, bem, Raito realmente era Kira. Mas se o amasse de verdade, e acreditasse no seu amor, ele não teria dado corda a esse plano perverso. Desistiria de tentar incriminá-lo e fazê-lo de bobo, se seu amor fosse mais forte que seu senso de Justiça. Confiaria nele. Apostaria nele.
Tudo que aquelas evidências que obtivera no computador dele fizeram foi mostrar que o amor de L era fraco, e Raito sempre odiou ganhar um prêmio que fosse meio inteiro. Por mais que o plano B fosse um sucesso, porque se aproximara de L, e o sensibilizara a ponto fazê-lo abrir a guarda e revelar sua armadilha -e agora, também seu nome-, não deixava de ser só um meio sucesso.
O verdadeiro sucesso seria se L desistisse de tentar acusá-lo. Se ao em vez da verdade, preferisse ele.
Tudo bem que, antes de descobrir tudo isso, Kira também não desistiria do Novo Mundo por L. Mas ainda assim sentia que seu amor era mais forte que o dele. Se o detetive parasse de desconfiar de sua identidade, talvez pudesse deixá-lo viver...talvez pudessem ser felizes juntos.
E Raito se odiava por ter esse tipo de sentimento, esse tipo de fraqueza, que não era digna de um Deus. Odiava L mais ainda por suscitar tal tipo de sentimento nele, quando o próprio filha da puta insensível não o tinha, e estava pronto para destruí-lo a qualquer momento com aquela armadilha. Aliás, devia ser por isso que L não estava ali naquele momento. Já que, conforme tinha lido, esse era o décimo terceiro dia, ele provavelmente ficaria de plantão na outra central de investigações aguardando as notícias de vida sobre os condenados.
Raito daria um braço para ver a cara de decepção do detetive quando eles morressem, provando que a Regra era Verdadeira. L provavelmente tinha dado a vida para criar aqueles códigos de proteção que guardavam os documentos sobre a investigação, mas mesmo assim, Kira fora capaz de decifrá-los, enquanto fingia estar trabalhando em outros assuntos. Obviamente que ele não tentaria decifrar código nenhum, se não desconfiasse da existência dessa investigação e soubesse que toda emboscada desse porte precisaria ter documentos. Talvez seu sucesso fosse mais uma questão de sorte do que método…
Mas nah.
Fora por causa do seu plano b que conseguira se aproximar o suficiente para L deixar escapar uma pista. E uma vez dada, não descansaria até descobrir o que o detetive estava escondendo. Não era sorte. Era simplesmente perspicácia.
O resultado que L teria hoje com certeza não seria o esperado, e ele também jamais saberia ou desconfiaria que tivesse sido uma fraude, pois não havia nenhum vestígio de quebra da segurança e Raito faria um teatro magnificente para disfarçar que sabia que estava sendo investigado. Ryuuzaki precisaria se explicar para toda a central, e principalmente para ele… E assim que ele abrisse o jogo, Raito iria xingá-lo e acusá-lo de mentiroso– como já estava com vontade de fazer, por se sentir usado, independente de ele estar certo.
Mais por orgulho, do que por qualquer outra coisa, catalisara o plano de descobrir o nome do detetive para matá-lo. Ver L falhando miseravelmente em detectar o espelho falso conferiu alguns bônus ao seu amor-próprio.
Não o suficiente, no entanto.
Só sentiria o sabor da vitória assim que falasse com Mikami. Pretendia fazer isso o mais rápido possível. Colocou a mão no bolso traseiro de sua calça, que ainda não havia sido vestida, para mandar uma mensagem para o moreno. No entanto, não conseguiu sentir nada ali dentro: o celular não estava mais ali.
Ansioso, Raito vestiu as roupas apressadamente e passou a procurá-lo pelos arredores da loja, mas as únicas coisas que encontrou foram papéis, pratos de plástico sujos e embrulhos de doces espalhados pelo chão – vestígios de que L com certeza havia aproveitado o lugar – e depois de procurar por contínuos 20 minutos chegou a conclusão inevitável: L confiscara seu telefone, provavelmente à procura de provas sobre Kira – as quais ele evidentemente não iria achar- ou informações suspeitas. De qualquer forma, mandar a mensagem para Mikami seria apenas uma cortesia. Ele era seu subordinado. Não seria nada de mais aparecer na casa dele sem consulta prévia. Simplesmente não via a hora de ouvi-lo pronunciar o nome de Ryuuzaki em alto e bom som.
Entretanto, ao cruzar pelo salão e alcançar a porta, escancarando-a na ânsia de sair de rompante pela rua, a cena que encontrou na frente da loja foi no mínimo...uma surpresa desegrádavel.
Com seus óculos, terno e aparência de velhinho, diante de Raito estava Watari, escorado no carro preto insufilmado e luxuoso que deixara estacionado bem na frente da loja. Assim que seus olhos pousaram sobre Raito passaram a sondá-lo numa mistura de curiosidade com ameaça.
O mais novo deteve-se, de imediato.
—Watari?! -Perguntou, como se ainda não tivesse certeza de que era ele mesmo, ali na frente da loja de doces na qual ele e L tinham passado a noite transando (e na qual estava nu há apenas alguns minutos). — O que você está fazendo aqui? — Acrescentou, embora sua mente já tivesse calculado perfeitamente o que estava acontecendo, e não estivesse gostando nem um pouco.
Era bem previsível, na verdade, embora antiquado e frustrante. Mikami teria que esperar...
—Desculpe-me, Yagami-kun. — Watari falou, polidamente. A despeito disso, ele não parecia que lamentava de verdade.-Ryuuzaki solicitou que eu o escoltasse para o QG. Ele também tomou a liberdade de confiscar qualquer aparelho digital que o senhor tivesse dentro do recinto, como já deve ter percebido.
—L solicitou minha presença no QG?-O mais novo tentou soar o mais indignado possível, o que funcionou perfeitamente bem. Juntando as sobrancelhas e cruzando os braços, sua expressão era cética como se Watari tivesse dito que L solicitara a extração de um de seus membros. -Depois de confiscar minhas coisas?!
—Precisamente.
—Oras... E por que diabos ele não se dignou a ofertar a presença dele para me escoltar? Ele estava aqui se divertindo comigo não pode fazer mais que algumas horas...
Raito lançou um olhar sugestivo para o lugar atrás dele e depois deu um sorrisinho metido, dando a entender exatamente o que precisava para dar para deixar Watari levemente desconfortável.
O velhinho desviou o olhar por um momento.
—Hmm, sim. Receio que ele tivesse afazeres mais urgentes…
—Claro.
—Mas entenda que você não tem outra opção a não ser acatar as ordens dele.
—Eu não estava considerando outra opção, Watari.—Raito revirou os olhos.- Faça o que tiver que fazer..
—Nesse caso, Yagami-kun...Há mais uma coisa que Ryuuzaki solicitou.
—O quê?
—Pode se virar de costas, por favor?
Franzindo o cenho e fingindo perfeitamente bem que não sabia do que se tratava, Raito se virou. O mais velho então tomou a liberdade de discretamente juntar seus braços atrás das costas, unindo seus punhos.
Ouviu-se o barulho de metal tilintando.
—Você só pode estar de brincadeira comigo! -Exclamou, com o tom de voz mais irritado que sua garganta foi capaz de produzir. Quase que com dons mágicos, Watari o havia algemado em uma questão de segundos. -Posso saber do que isso se trata, afinal?!
—Logo você descobrirá.
Raito virou-se de frente, o rosto vermelho de ódio.
E que estava com ódio não era algo que tinha que disfarçar. L já estava assumindo que ele era culpado, mesmo sem ter os resultados em mãos (as pessoas tinham um dia todo para morrer ainda). Isso depois de se comportarem como um casal apaixonado na noite anterior.
E o mais importante: estava entrando no caminho de falar com Mikami, o que era simplesmente urgente.
—Mas não existem mais suspeitas contra mim! A Regra dos 13 dias, lembra? Eu estaria morto se tivesse alguma vez escrito naquele caderno amaldiçoado…
—Teoricamente.
—O que quer dizer com isso?!
—Eu sinto muito, porém não posso explicar, Yagami-kun. Em todo caso, isso é apenas um excesso de zelo e é temporário. Eu realmente não gostaria de ter que fazê-lo, porém Ryuuzaki me deu instruções bem claras. Ele as vai explicar para você, o mais breve possível. Agora, se você puder, por favor, entre no carro. -Era incrível como Watari conseguia ser perfeitamente educado, mesmo em circunstâncias tão extenuantes. Abriu a porta da limousine e estendeu o braço, como se estivesse convidando alguém para hospitalidade de seu lar. -Quanto antes chegarmos no QG, melhor será para você
.
16 HORAS DEPOIS
Alguma coisa está errada.
Embora Raito estivesse tentando espantar qualquer tipo de pensamento semelhante a esse nas últimas dezesseis horas, volta e meia não conseguia evitar que aquilo voltasse a assombrar sua mente.
Trancafiado numa cela de prisão, muito parecida com aquela em que passara seus 50 dias após abdicar do caderno, com grades e uma câmera fixa diretamente nele, um tanto quanto suja e extremamente solitária, não tinha como evitar sentir que alguma coisa estava errada.
Segundo seus cálculos temporais, os condenados que escreveram no death note já era para estarem mortos há horas. E assim que a Regra se mostrasse verdadeira, não teria mais nenhum motivo ou lei que permitisse que L o mantivesse naquela situação degradante.
Já era para ter sido liberto há algum tempo e o fato de ainda estar ali, sem recursos tecnológicos ou uma alma viva para conversar, estava começando a embutir paranoias em sua cabeça.
Será que algo havia dado errado, e os condenados não haviam morrido?
Raito sabia que havia esse risco, que não tinha como confiar 100% nas informações do computador de L, porque ele poderia tê-las alterado por segurança, porém havia cópias de contratos em que os condenados assinavam concordando com as implicações de escrever no Death Note. E mais, documentos oficiais da polícia autorizando a abstenção da pena, caso eles não fossem mortos. Raito investigara a fundo essas pessoas e tudo correspondia perfeitamente. Não cometeria um risco cego. E não teria também porque L alterar as informações por segurança, se ao que tudo indicava, ele achava que estava seguro, e que Raito não fazia a menor ideia de seu plano.
Caso a Regra dos 13 dias fosse provada falsa seria a pior coisa do mundo, porque mesmo que não comprovasse sua culpa de imediato e que a segunda parte dos planos de L não fosse funcionar (já que Raito não cairia na ladainha de matar pessoas que na verdade não teriam escrito no caderno, no outro suposto ‘teste da Regra dos 13 dias’, e cuja morte resultaria em sua imediata incriminação). Ele voltaria a ser o suspeito número um.
O resto da equipe ficaria sabendo e concordaria em vigiá-lo e L não o deixaria fazer as coisas livremente, como tinha feito até então. Depois que passassem os 13 dias seria ainda pior. Seria um grande retrocesso para o Novo Mundo de Kira.
Mas, talvez não fosse isso. Talvez nada tivesse dado errado e L estivesse apenas usando o tempo para digerir sua derrota, antes de libertá-lo e confessar abertamente que o estivera investigando. Era com isso que estava contando.
Porém, a cada minuto que passava, a primeira opção parecia mais provável. Cada hora parecia um dia. Sua boca estava amarga. Não conseguia se lembrar da última vez em que estivera tão aflito. Além de que suas mãos doíam, sua testa suava, se sentia sujo e seus olhos estavam pesados como quem precisasse descansar – o que definitivamente não era possível naquele ambiente desumano.
Estava prestes a ter um colapso nervoso quando finalmente ouviu barulhos de chave atrás da porta de metal que tinha do lado exterior da cela. Um suspiro de alívio involuntariamente brotou dos seus lábios e seu peito pareceu pesar alguns quilos a menos, embora ainda não soubesse de nada ainda ao certo.
Rezou para que tivesse um L abatido e arrependido atrás daquela porta.
Mas era apenas Watari, de novo.
—Chegou a hora, Yagami.
—-x---x---x---
Naquele instante, havia três tipos de sons na sala principal QG de Investigações para o Caso Kira.
O primeiro deles, e também o mais óbvio, era o barulho de passos devido ao atrito dos sapatos de Watari e Raito Yagami cortando a pedra fria ao descer a escada que levava à mesa principal do salão, ao redor da qual estavam reunidos cinco homens , dispostos mais ou menos aleatoriamente — com exceção de um, que ficava sempre à ponta, num aspecto de liderança que ficava um tanto quanto controverso por sua forma esquisita de estar sentado. L.
O segundo som, ainda bastante óbvio, era o barulho da mastigação que o referido homem fazia em alguns morangos dentro de sua boca, os quais tinha parado imediatamente de consumir assim que ouvira o primeiro dos sons- mas que precisava ainda deglutir, e fazia bastante ruído nesse processo.
E o terceiro, que era o menos óbvio de todos, era o das respirações recheadas de tensão daqueles que estavam ali presentes e haviam sido retirados de suas camas e convocados para uma extraordinária reunião às 4h da manhã, ponderando por quais motivos estariam ali.
À medida que os dois homens donos do primeiro som foram se aproximando da mesa, os outros dois sons começaram a ficar progressivamente desbotados. Assim que ambos se sentaram, nos dois lugares que restavam ao redor da mesa -Raito no lugar diametralmente oposto ao de L-, não parecia haver restado som algum.
Apenas um silêncio muito espesso, tenso, coletivamente desconfortável e difícil de ser quebrado.
E obviamente quem teria que quebrá-lo teria que ser L, já que ele era o responsável por aquele encontro. Ele não parecia muito disposto a fazer isso, no entanto. Só o fez depois de alguns longos minutos de contemplação, que para os outros pareceram ser infindáveis.
—Bom, já que estamos todos aqui, podemos começar. -Falou finalmente, para o alívio geral, e embora se referisse a todos eles, seus olhos não se fixavam em ninguém em específico – moviam-se de um lado para o outro dentro dos orbes evitando um único lugar do salão. -O motivo dessa reunião extraordinária, em um horário que muitos de vocês chamariam, com a minha discordância, de inapropriado, é de caráter ao mesmo tempo muito simples e muito pessoal.
L interrompeu a fala e esperou, imaginando que algum deles fosse dizer alguma coisa, depois de sua primeira pronunciação. Mas como o silêncio e a expectativa só pareceram crescer, não teve outra opção a não ser continuar falando, não antes de um suspiro de pesar.
—Eu, Ryuuzaki, não tenho sido honesto. Nem um pouco. Com nenhum de vocês. E em especial, com você, Raito-kun.
Finalmente L dirigiu o olhar ao lugar que estivera evitando no salão. Seus olhos mortos e sem vida sempre faziam um contraste e tanto com os daquele para qual olhava, cuja íris flamejava em círculos, embora as expressões continuassem, assim como a postura, impecáveis e impassíveis.
—Você nos acordou às 4 da manhã para uma reunião de emergência porque não tem sido honesto? A que especificamente você está se referindo Ryuuzaki? -Perguntou o Chefe Yagami, sem conseguir disfarçar a ansiedade e preocupação em sua voz pelo conteúdo do que o detetive estava dizendo.
—Ao Caso Kira, obviamente.
—E em que sentido você não está sendo honesto? Há alguma coisa que você sabe e não quis nos contar? Alguma nova pista que leve a identidade de Kira?
—É bem mais complicado do que isso, Aizawa..
—Minha nossa. O que aconteceu, Ryuuzaki? Estou começando a ficar preocupado! -Como sempre, Matsuda sempre era o mais dramático nessas situações, embora parecesse estar realmente apreensivo e devesse mesmo estar.
Aquele era um momento estranho para L. Pessoas boas, que estavam ali presentes, eram quase como que fantoches ou marionetes em suas mãos. E embora normalmente estivesse pouco se lixando para isso, naquela situação em específico lhe causava um certo incômodo, como se estivesse vestindo uma roupa tanto apertada, que já não servia mais tão bem.
—Eu quero me desculpar com todos vocês pelo que fiz. Mas, de qualquer forma, precisava ser desse jeito.
L pedindo desculpas? Parecia ser o que todos pensavam naquele momento.
—O que exatamente precisava ser desse jeito? — Mogi, que até então não havia se manifestado e mantido a paciência, finalmente não conseguiu se conter. Fale de uma vez, Ryuuzaki.
Era sinal de que não havia mais espaço para enrolações. O que era bom, afinal, até porque uma grande parte de L gostaria de ir direto ao ponto. Chupou o polegar, apenas para ganhar um tempo extra, e então encheu de ar os pulmões e retomou.
—O motivo de eu precisar enganar vocês sempre girou, e ainda gira, em torno de um único e simples fato: que eu, L, nunca deixei de ter o nosso companheiro de equipe, Yagami Raito, como meu principal suspeito para o Caso Kira. Nem mesmo depois de Higuchi. Com isso em mente, tudo que correu aqui, com vocês, no último mês não passou de uma investigação secundária e pouco relevante para mim. Outra investigação, de bem maior porte e importância, ocorreu em outro QG, financiado por instituições de segurança secreta internacional ao qual recorri, com o aval da Interpol. E recorri não só por não poder contar com a NPA do Japão , mas também porque não era do interesse da segurança secreta de outros lugares que esse caso permanecesse em aberto, apesar de já terem colocado o trabalho em minhas mãos e do palco de toda ação ser aqui. Enfim, o motivo pelo qual vocês não foram informados disso foi estritamente de ordem pessoal.
—Espera, você está mesmo dizendo isso que eu estou achando que você está dizendo?! -Aizawa exclamou, a voz bastante alterada por algo que parecia ser ódio, raiva e inconformação misturadas. — Que eu larguei a NPA por essa investigação, mas na verdade há outra Central de Operações, no qual está correndo uma investigação mais importante relacionada ao caso Kira? E o único motivo pelo qual nós não estávamos envolvidos era por...”razões de ordem pessoal”? -Ele praticamente cuspiu as palavras, os dedos colocando aspas na última frase.
—Precisamente. — L respondeu, com a indiferença de sempre. — Ou, de maneira mais específica, porque o alvo da investigação continuava sendo, ninguém mais, ninguém menos, que o filho do Chefe de vocês. O qual não podia suspeitar de nada, e que seria impossível com vocês interagindo com ele todos os dias. O qual vocês iriam me criticar veementemente por continuar nutrindo suspeita.
—Não tem como Raito ser Kira! — Soichiro protestou, enquanto levantava da cadeira, aflito e irritado, as mãos molhadas de passar nos fios de cabelo em sua testa que suavam.- Está escrito no death mote que a pessoa que escreveu no caderno, ao deixar de escrever por mais 13 dias, morrerá.
—É verdade, Ryuuzaki. O Raito-kun ficou preso muito mais tempo do que isso!
—Estou ciente, Matsuda. A investigação se tratava justamente em confirmar essa Regra e incriminar Raito.
—Você não podia ter feito isso conosco! Eu realmente estou colocando minha vida nesse trabalho, e de repente ele não era nada além de secundário e não importante? Se você tivesse nos falado que suspeitava do Raito, e explicado suas razões com clareza, nós, incluindo o Chefe, com certeza teríamos cooperado com excelência. Eu me sinto ofendido e subestimado, Ryuuzaki!
—Eu lamento que você se sinta dessa forma, Aizawa.
Aizawa apenas revirou os olhos como se dissesse “Até parece que você sente alguma coisa.”
—Como isso foi feito? Essa investigação dos 13 dias? -Mogi, que até então permanecera calmo e silencioso, questionou, algo que, na agitação da novidade traidora, ninguém quisera saber até então.
—Watari. -L acenou com a cabeça para o tutor. — Por favor.
—Seis pessoas sentenciadas de morte foram selecionadas. Três para morrerem de imediato, três para escreverem no caderno. As pessoas selecionadas escreveram no caderno, apesar de cientes da Regra dos 13 dias, pois não tinham nada a perder. Caso a Regra não funcionasse, elas se veriam livres da pena. As três pessoas selecionadas para morrer, morreram de um ataque cardíaco, e então esperou-se os treze dias para a averiguação.
—Espere. Eu não estou entendendo uma coisa, Ryuuzaki. Mesmo que a Regra fosse falsa, ela não incriminaria Raito. Ela apenas deixaria de inocentá-lo, junto com a Misa-Misa. -Interviu Matsuda.
—Se a Regra fosse dada como falsa, uma nova pseudo-investigação da Regra dos 13 dias, forjada por mim, seria iniciada aqui nesse QG, junto com vocês. Se Raito fosse Kira, tendo essa informação, ele buscaria eliminar as pessoas supostamente selecionadas para escreverem no caderno, para que achássemos que a Regra é verdadeira. Assim, se essas pessoas morressem, como a Regra já teria sido demonstrada Falsa a única explicação seria que Kira as teria matado para se acobertar.
—Caraca. Isso é brilhante… Simplesmente genial.
—Acredito que seja, mesmo.
—Espere, Ryuuzaki, um momento, por favor. -Interrompeu Soichiro, eufórico.- Se você está nos contando essa segunda parte do plano agora, em vez de aplicá-la….Isso significa que…
—Isso mesmo, Yagami-san. A Regra é verdadeira. As pessoas que escreveram no caderno, e logo em seguida ficaram 13 dias sem escrever de novo, de fato morreram, mesmo Yagami Raito-kun não tendo a menor ideia da investigação paralela que acontecia e não podendo fazer nada para matar essas pessoas. Isso só pode significar que, finalmente, não há mais nada que se suspeitar desse homem aqui presente conosco. Seu filho não é nada além de um homem inocente.
Os olhares voltarem-se por um momento para Raito, que até aquele momento estivera quieto, sem dar o menor sinal de que sequer estava ali prestando atenção naquela discussão, as expressões congeladas em algo que poderia ser traduzido por “tédio”, simplesmente. Quando o rapaz percebeu que estava sendo observado, no entanto, deu um sorriso conformista de canto de boca, que fez as pessoas se compadecerem dele.
O Sr. Yagami, por outro lado, não parecia realmente achar que havia qualquer coisa para se ainda suspeitar de Raito mesmo antes disso, porém aparentou estar bem mais aliviado, e voltou a sentar em sua cadeira.
—Entendo. Bom, se é assim, Ryuuzaki, apesar de não concordar com seus métodos e achar completamente contraprodutivo e ineficiente você ter escondido isso de nós, eu compreendo a sua atitude. Nós naturalmente tenderíamos a acreditar na inocência de Raito, por ele fazer parte do grupo. E agora que isso, espero, finalmente acabou, nosso trabalho aqui, que era secundário, voltou a ser primário. Tudo que produzimos até então, em busca de pistas, não foi em vão e continua a ser muito importante. Então não acho que nenhum deveríamos nos sentir usados, ou fazer mais reclamações além de pedir para que você confie em nós e isso não se repita. Você pode dispensar ou chamar o resto das pessoas dessa outra central para trabalhar conosco, se eles desejarem, mas nós ainda somos o melhor que você pode contar.
—Eu nunca duvidei disso, Yagami-san
—Se o chefe compreende, eu posso aceitar também. -Aizawa falou, com a expressão de quem tivesse acabado de chupar um limão bem azedo. -Mas continuo com raiva de você. E odiando seus métodos ilegítimos de fazer as coisas.
—Não seja tão cabeça-dura, Aizawa.. Eu concordo com o chefe. — Acrescentou Mogi. — L fez o que tinha que fazer. E nosso trabalho aqui não foi desperdiçado. Agora ele volta a ser o mais relevante para esse caso.
—Mas o mais importante é que o Raito-kun e a Misa-Misa-chan estão completamente inocentados agora!- Matsuda parecia ser o mais alegre de todos com a notícia.
—Sim. Fico feliz que, finalmente, o meu filho esteja 100% livre de suspeitas. Eu não aguento mais passar por isso. E Raito, com certeza, muito menos. Você está bem, filho? -O Sr. Yagami perguntou, virando a cabeça para o filho com ar de preocupação, como todo pai zeloso olha para sua prole. A multidão de olhares o seguiu.
—Estou bem. — Raito respondeu monotonicamente, e sorriu com uma falsidade exemplar.
—Sobre isso, eu peço licença para vocês todos agora. -L levantou a voz. -Podemos discutir os detalhes amanhã. Eu realmente preciso conversar em particular com o Yagami-kun nesse momento.
Embora não fosse de consenso geral encerrar o assunto tão cedo, e menos ainda deixar de presenciar o que L falaria para Raito -a curiosidade de Matsuda para saber se L admitiria que estava errado, ou se eles sairiam nos socos e pontapés novamente praticamente o fazia delirar- mas ninguém se atreveu a protestar quanto a isso. Sem dúvida, aqueles dois teriam muito o que conversar sozinhos depois daquela revelação.
Assim, pouco a pouco, cada um deles foi deixando o recinto, com dizeres de boa noite e subindo as escadas, num silêncio constrangido.
Watari permaneceu sentado ao lado de Raito, no entanto, sem mover um músculo.
L olhou para ele.
—Você também pode ir, Watari.
—Tem certeza, Ryuuzaki?
—Tenho. Tranque a porta de acesso, por favor, e desligue as câmeras desse ambiente.
Watari pareceu um tanto quanto aflito a respeito do que L falou, mas não protestou. Apenas fez o que ele pediu: desligou as câmeras, e deixou o salão, trancando as portas com uma senha que isolava o ambiente completamente.
A não ser, é claro, pelos dois homens restantes sentados frente a frente e a tensão que preenchia todo o espaço entre eles, embora ainda não se olhassem nos olhos.
Raito, quase que com os modos de um vulto, levantou-se da cadeira e começou a andar em passos extremamente silenciosos na direção de L. Parecia pensativo, irreverente, sem pressa.
L, permanecia sentado em sua cadeira, sugando o próprio polegar, e não revelando em seus modos ou expressões quaisquer conflitos internos pelos quais estivesse passando, exceto pelo momento em que o mais novo postou-se diante dele, há apenas alguns centímetros de distância. Começou a suar frio e sentir-se observado. Sua vontade para retribuir pareceu vencer e então, sem pensar duas vezes, desferiu o olhar para cima com curiosidade.
Imediatamente ele desejou ter pensado mais, no entanto, porque a única coisa que conseguiu visualizar foi um punho direito fechado indo de encontro ao seu olho esquerdo, tão forte que o fez se desiquilibrar de de sua poltrona.
L grunhiu e instantaneamente levou as mãos até a região, comprimindo-a. Levantou-se de pronto, tomando distância de seu agressor e em seguida respirando fundo várias vezes, na tentativa de conter a dor e, aparentemente, sua vontade de protestar sobre ela.
—Tudo bem, eu mereci esse. -Admitiu, depois que o seu desconforto passou a ponto de conseguir falar sem exaltar os ânimos. Mas, ao que tudo indicava, isso não havia provocado nenhum tipo de efeito consolador em Raito, que era simplesmente imagem refletida da cólera. Ele avançou para L outra vez, o punho fechado no ar, mas dessa vez o detetive se posicionou de forma estratégica e deteve o soco com seus dois braços, antes que fosse capaz de atingi-lo. -Opa, eu disse que mereci esse aqui. Mais um eu não vou deixar barato!
Como se nem tivesse escutado, Raito jogou-se em cima de Ryuuzaki para atacá-lo. O moreno desviou perfeitamente dos três primeiros golpes, mas o quarto quase pegou em cheio em seu maxilar e, meio que por instinto, suas pernas se ergueram chutando o mais novo bem no alto do peito, fazendo-o voar para longe pelo menos meio metro e cair deitado no chão.
—Argh… — Raito grunhiu, fechando os olhos com força e colocando a mão em sua costela esquerda, como se sofresse de uma dor terrível e aguda. -Filho da puta.
—Desculpe, Raito-kun. Eu não queria machucá-lo. Meu corpo só reagiu mecanicamente, por impulso.
—Não doeu nada. —Raito fez questão de debochar, e embora sua voz estivesse rouca pela falta de ar da pancada, nela não faltava indignação cortante. — E você não queria me machucar? Caramba, Ryuuzaki. Não sabia que você era comediante.
—Eu estou falando sério. Por mais que você estivesse me agredindo, não foi de propósito. Meu corpo reagiu em defesa por pura memória muscular de combate.
—Você sabe que eu não estou me referindo a isso. — Raito revirou os olhos, enquanto se levantava do chão, sacudindo a poeira das vestes. -Quer dizer, eu preferiria que você me chutasse cem vezes a ter que experimentar o veneno da sua traição. -Cuspiu as palavras como se estivessem queimando em sua boca. -Céus, se você realmente não quisesse me machucar, você não teria me apunhalado pelas costas armando um esquema completamente elaborado só para poder acabar comigo, como se nada do que vivemos significasse alguma coisa. Se você não quisesse me machucar NADA disso teria acontecido. E de qualquer forma, eu não acredito em você, porque você é um mentiroso!
—Não. Eu não menti para você. Eu apenas omiti estrategicamente algumas informações em nome de uma investigação muito importante para mim. Não foi nada pessoal, apenas ossos do ofício.
—VOCÊ DISSE QUE ME AMAVA!!! -Raito gritou, e se o salão não fosse a prova de sons, provavelmente todo mundo no QG que já estivesse dormindo teria acordado. -Seu desgraçado.
—Sou desprovido de graça porque não vejo sentido em perder meu tempo aprendendo os manejos sociais adequados para ser engraçado. Mas mais uma vez, repito que não sou mentiroso.
—Aham. E um filho da puta insensível, será que você acha que é?
—A insensibilidade nasceu comigo, mas eu venho tentando melhorar e já tive alguns progressos significativos. Pode-se dizer que você me ajudou...De certa forma.
Aquilo foi aparentemente demais para Raito.
—Você pode...por um momento, um único momento na sua vida, pelo menos calar a boca? Você tem noção do quanto eu estou irritado e decepcionado com você?
—Sim. -Havia algo diferente no timbre de L quando ele respondeu essa pergunta. Sua voz parecia distante, como se ele fosse um alienígena que estivesse falando de outra planeta através de seu corpo. — Eu entendo perfeitamente o que você está sentindo.
—Você não entende uma migalha sobre sentimentos.
—E essa afirmação é baseada no quê?
—Que tal no seu teatro para fingir que se importava comigo de verdade, e que não queria fazer nada que pudesse me machucar, apenas para me enganar e não me fazer suspeitar caso eu fosse mesmo o Kira?
—Eu não estava fazendo teatro algum. -O detetive esclareceu, com a suavidade de quem diz para uma criança que não há um monstro debaixo da cama, mas com algo em seu tom que deixava transparecer que estava levemente ofendido. — Nada, absolutamente nada do que aconteceu entre nós fazia parte do que eu havia planejado… E eu apenas não desisti do plano porque eu precisava ter certeza… De que você não era, de fato, Kira.
—Não me importa. Não é como se você já não tivesse tido evidências o suficiente. A regra dos 13 dias, minha prisão, o que nós dois tivemos… Por Deus, você acha mesmo que se eu fosse Kira eu estaria dormindo na mesma cama que você? Beijando sua boca e te fazendo carinho? Dizendo que eu te amo olhando nos seus olhos?
—Psicopatas existem, Raito-kun. -Foi a simples resposta que o moreno deu. -Você é inteligente. Ponha-se no meu lugar. Se você fosse eu, teria feito exatamente o mesmo.
Raito deu uma risadinha sem graça.
—É aí que você se engana, L. Eu nunca colocaria Justiça na frente do meu amor por você.
—O que você quer dizer com isso, exatamente?
—Se você me amasse de verdade, você não iria se importar com seja lá o que eu fosse. Até mesmo se eu fosse Kira você não iria querer estragar o que nós dois temos, igual você fez.
Embora toda a conversa até então não tivesse passado de uma representação muito bem-feita do estado de espírito que um Raito machucado e ofendido, que não fosse Kira, teria depois de ouvir o que fora falado naquela reunião da noite, com apenas alguns traços de sentimentos do Raito original roçando a superfície das palavras, naquele momento, ele não estava sendo dissimulado.
Não era ninguém além de si mesmo.
L não pode deixar de reparar em como ele ficou diferente pronunciando aquelas coisas. Quase como se estivesse diante de uma grande plateia, na intenção de comovê-la. Mas sua própria comoção pela cena durou bem pouco.
—Você está equivocado. Se você fosse Kira, não existiria amor entre nós. Não existiria nada para ser estragado.
Aquelas palavras pareceram fazer o ar pesar um milhão de quilos. Os dedos de Raito se comprimiram em seu punho e ele não soube o que falar, por alguns instantes. Estava cabisbaixo. Alguém poderia jurar que suas pálpebras fecharam porque os olhos estavam marejados.
L aproveitou a oportunidade para se aproximar dele, vagarosamente, com medo de que ele pudesse voltar a explodir em socos e palavrões. Porém não parecia ser esse o caso: quando chegou mais perto ele não deu passos para trás ou se esquivou. E quando esticou os dedos para tocá-lo no ombro, sua cabeça voltou a se erguer – os olhos se abriram surpresos, como se nem tivesse notado a aproximação do detetive até aquele momento, em que estava o encarando.
—Você precisa interpretar isso como algo bom para nós dois, Raito-kun. Um novo começo. Nós seremos apenas duas pessoas, agora. Sem mais detetive ou suspeito. Sem mais brigas e desconfiança. Nós finalmente poderemos confiar 100% um no outro e nos entregar para o que sentimos…
A expressão no rosto de L era doce e cheia de esperança.
—Então você realmente não estava fingindo...? -A lágrima que Raito estava guardando finalmente se deixou escapar. — Quando disse que me amava e tudo mais..?
—É claro que não. -O detetive tomou a liberdade de secá-la. -Mas as palavras saiam difíceis da boca. Agora é muito mais fácil dizer: eu te amo.
—Hmm… -Raito recuou alguns passos para trás, quando se deu conta da proximidade, escapando das mãos de L. — E o que mais?
—Eu quero muito que você me perdoe por ter duvidado de você e do seu amor por mim. Eu estava errado.
—Mas e aquela história toda sobre você nunca estar errado?!
—Você é exceção dessa Regra.
Ver L admitindo que estava errado sobre ele, com o ar mais tranquilo do Universo, foi algo tão chocante que demorou pelo menos 5 minutos para Raito processar. Queria se beliscar, só para ter certeza de que não estava sonhando. Era onírico demais para ser real. O moreno voltou a se aproximar dele nesse período, com olhos pidões, e sem querer, se deixou perder dentro de sua íris. Quando viu, já estava suspirando.
—Assim fica difícil não perdoar você. -Admitiu. -Mas eu ainda estou bastante decepcionado.
—Eu prometo que farei de tudo para mudar isso.
—Tudo tipo o quê?
—Bem… — O detetive pareceu pensativo. Coçou a parte de trás da cabeça, desemaranhou os pés. Até que um leve sorriso pareceu crescer no canto de sua boca. — A única coisa que estava me freando era essa maldita investigação, mas agora que não tem mais nada me impedindo…Tem uma coisa que eu quero te perguntar.
—Hm. E o que seria?
—Eu quero que todo mundo saiba que eu te amo e quero passar o resto da minha vida com você. Você quer casar comigo, Yagami Raito?
Fale com o autor