O Plano B

15 XIV- Irony.


Notas iniciais
Yo minna-san! Tudo bem com vocês, seus perfeitos? :3
Aposto que não esperavam que iam me ver tão cedo, não? Poouutz...Nem eu consigo acreditar nisso kk
Eu DEFINITIVAMENTE não deveria estar postando esse capítulo, e ele definitivamente não deveria ter mais de quatro mil palavras, mas bem... Sintam a minha generosidade depois de um fim de semana de paz e depois dos lindos reviews do último capítulo kkk ><
Gostaria de dedicar o capítulo ao KingLawliet, que é um fofo, e que me faz ficar muito feliz com seu review õ//
~E agradecer à D, porque ela é uma princesa kk ~
Vocês são uns lindos, e juro que se se comportarem bem, vão ganhar mais surpresas como a de hoje, viu? *------* Aishiteru ♥
L.B.
P.S: Fantasmas, hora de aparecer também, queridinhos, rs.

Se olhasse para trás, no décimo terceiro dia, à procura de algo que o fizesse recuar, Lawliet muito provavelmente se lembraria de como era ter o ruído da respiração de Raito, ressonando calmamente em seus ouvidos.



Ou de como era ter suas pernas entrelaçadas, enquanto podia contemplá-lo com os olhos fechados, e um semi-sorriso disfarçado tilintando nos lábios.


Mas era óbvio –mais do que óbvio- que ele não olharia para trás, em hipótese alguma, e mesmo que olhasse, não iria recuar.

O controle fugira entre seus dedos há muito tempo, sim, e não tinha nem porque negar que não havia nada que sua alma desejasse mais do que poder ficar eternamente preso naquele quarto com Ele.

Mas havia algumas coisas, como seu senso de Justiça, que nenhuma emoção interna tinha a capacidade de expurgar.

Nem mesmo aquilo.

Obviamente, não estava no roteiro de L que aquela madrugada fosse acabar assim. Mas era um final bem melhor do que qualquer outro que viera tendo naqueles quatro dias- maldita fosse a verdade destruidora do orgulho.

Declarar-se para Raito era a última de suas intenções, e tinha pensado que se resolvesse dizer qualquer coisa relacionada ao que sentia, seriam apenas mentiras vazias, planos que o permitissem manipular o mais novo de modo a ser bem-sucedido em seus objetivos. Só que, além de acabar dizendo, sim, tudo aquilo que Raito desejava ouvir, dissera por um impulso que fora movido muito menos por planos ou quaisquer outras ideias, do que por sua verdadeira necessidade.

E isso era inconcebível.

L nunca se deixava conduzir pelas emoções, — sequer demonstrava emoções diante de fatos agravantes — e não sabia porque com Raito isso tinha de ser diferente.

E não havia nada que detestasse mais do que ‘não saber’.

Quando Raito dissera que o deixaria sozinho, até que admitisse o que sentia, por mais que L tivesse ficado irritado e frustrado (principalmente porque havia um lado seu que só queria agarrá-lo e mostrar que a indiferença realmente não existia), deveria ter sentido exatamente o oposto de revolta e irritação.

Naquele momento, estivera apenas a um passo de conseguir a estabilidade que tanto almejava, pois era não admitir nada e torturar Raito com sua falsa indiferença, que os dias passariam, e não se lembraria de nada do que havia sentido.

Mas espere... L pensara que erafazer tudo isso?

Não.

O próprio fato de estar nos braços dele, agora, mostrava que não havia nada de naquilo.

A indiferença, sua melhor amiga, havia lhe virado as costas tão rápido quanto os sentimentos lhe cruzaram de frente. E fora impossível resistir a eles — impossível apenas passar a mensagem a Raito, dizendo que não queria que ele continuasse abusando de sua liberdade de ir e vir do QG.

Ao invés disso, fora totalmente aceitável se ver rendido. Ao contrário do que imaginara, os quatro dias de distância não o fizeram se esquecer de nada, e sim desejar que voltasse à tona o mais rápido possível.

E aí vinha a incógnita: Por que tinha que estar apaixonado, logo agora, no momento mais decisivo de sua carreira como detetive?

Quer dizer, estar apaixonado nem era de todo o problema, porque uma vez que qualquer ser humano normalmente sentia isso pelo menos uma única vez na vida, não era tão surpreendente assim que Lawliet também sentisse.

Mas por que tinha que estar apaixonado justamente por Kira?

...

Este era o momento em que uma voz, um pouco otimista demais da conta, vinha lhe sussurrar no ouvido que Raito não era, necessariamente, Kira.

Ele definitivamente não parecia um serial-killer, dormindo tão pacificamente sob si, e tampouco parecia que dizia todas aquelas coisas relacionadas aos próprios sentimentos apenas para obter maneiras de afetar-lhe.

Ele realmente soava como um garoto egocêntrico, mas apaixonado, que se preocupava apenas em ser correspondido, e que queria que sentissem cada um desses momentos juntos.

Apenas – mas isso só poderia confirmar dali a nove dias.

E o otimismo não era uma das principais qualidades de L. Não quando a lógica estava lá para rebater, dizendo que as possibilidades de Raito ser inocente eram tão ínfimas que nem valiam a pena serem consideradas.

Então aí vinha outra hipótese: e se Raito fosse Kira, mas mesmo assim estivesse verdadeiramente apaixonado por si?

Isso, sem dúvida, seria um problema.

L não podia começar a distorcer a personalidade de Raito -achar que nele havia um lado bom e um lado ruim- e considerar que havia se apaixonado apenas pelo lado bom.

Ou será que podia?

Se parasse para refletir, fazia todo sentido que fosse assim, pois Kira não era de todo alguém com ideais ruins. Era um sórdido e inescrupuloso assassino em série, com certeza, mas apegado a uma noção de Justiça, que embora fosse doentia e distorcida, visava um mundo utópico, sem criminalidade, e preenchido pela paz.

E pensando assim, já que era tão óbvio Raito ser culpado, pareciam ser bem grandes as chances do amor dele não ser só um Plano maligno de Kira.

E essas chances faziam L se sentir extremamente desconfortável por estar armando uma emboscada fatal para ele, sabendo de tudo, enquanto, em outras vias, dizia que o amava.

Era uma omissão nojenta.

Porque seu amor não era falso.

Sentira o quanto se importava com Raito em cada instante daquela noite. Como cada toque dele em sua pele parecia ser magia. Como cada palavra ou provocação que ele fazia orquestravam seus sorrisos. E duvidava de que desse para sentir a felicidade atravessando cada partícula de seu ser, até experimentá-la quando ambos eram um todo, navegando entre si mesmos. E se isso não era amor, o que mais poderia ser?

Uma coisa era fato: o que havia agora se consolidado entre eles seria derrotado quando o décimo terceiro dia chegasse.

Se Raito fosse tido como Kira, L sabia que, por mais que doesse em sua alma, e por mais que os sentimentos dele pudessem ter sido sinceros, não poderia perdoá-lo como assassino – ele seria condenado, pois era isso que a Justiça pedia, e L sempre seria o escravo da Justiça.

Por outro lado, caso um milagre acontecesse, e Raito fosse inocentado por definitivo, quando L tivesse de contar o que fizera para o pessoal da Central, ele com certeza se sentiria traído e o repugnaria.

E de qualquer jeito, não iriam ficar juntos como estavam agora.

Era agonizante.

Por isso era melhor nem pensar.

Decidido a afastar tais aforismos de sua mente, L – que havia dormitado por uns bons momentos, até então – percebeu que já estava mais do que na hora de se levantar.

Pequenos lumes de sol adentravam pela veneziana do quarto de Raito, e indicavam que já se passava das oito, muito mais do que que o horário que considerava necessário para a inatividade matinal. Por isso resolveu erguer-se, na intenção primária de ir se lavar, já que acordar com cheiro de sexo, muito provavelmente, não era a melhor forma de começar um dia útil de investigações.

Mas antes que pudesse fazer qualquer movimento mais brusco, algo reteve seu pulso e impediu suas pernas de se moverem para o escape, como se tivessem antecipado cada um de seus atos previamente.

–Raito-kun...?

Não havia considerado a possibilidade do mais novo ter acordado em algum momento de suas reflexões soturnas, mas ele parecia estar bastante desperto para impossibilitar sua fuga, girando a cabeça e o corpo em sua direção, até poder lhe lançar um olhar incisivamente fatal.

–Aonde é que você pensa que vai, Ryuuzaki? -Perguntou, num tom de voz que era como se tivessem invertido os papéis, e ele fosse o detetive, que havia acabado de pegar seu suspeito no flagra, tentando apagar as evidências de um horroroso crime.

–Er...Bom dia para você também, preguiçoso. –L replicou, um tanto quanto surpreendido pelas reações de Raito, e fazendo força para esquivar o pulso, embora ele nitidamente não quisesse libertá-lo. — Estava prestes a me levantar. E... tomar um banho, preferencialmente. Nós precisamos ir logo até a Central de Investigações e-

Não.

Ao contrário do que L esperava, o Yagami não desafroxou o aperto em seu pulso com a explicação — sequer deixou-o terminar de dá-la- e havia algo de sádico na maneira que ele estava sorrindo, que só não era mais sobressalente do que o algo de possessivo.

–Como assim ‘não’...? –O detetive arqueou as duas sobrancelhas, quase bestificado com o tamanho daquela audácia, mas curioso para compreender aonde ele queria chegar, afinal: Quem Raito estava achando que era para querer ditar as regras por ali? Por que estava lhe negando algo tão espontâneo, que eles fariam de qualquer maneira, e que sequer era importante para o desenvolvimento de suas-

–Você está condenado judicialmente a passar o resto do dia comigo nessa cama, L. –Yagami usou o pulso para puxar o detetive para si, interrompendo suas reflexões decisivas, e fazendo-o virar-se de costas no processo, de modo que se encaixassem de uma maneira muito mais...favorável, para ele, digamos assim. — Eu o proíbo de sair daqui. –Decretou, e antes que L se desse conta, seu pescoço estava sendo vítima de mordidas lascivas — seus ouvidos só parcialmente cientes do conteúdo daquele sussurro indigno.

–Ahn... Está falando sério, Raito-kun...? –Quis saber o detetive, já com sua voz toda embargada, o que era inevitável diante de começar uma manhã assim.

O garoto riu pelo nariz.

–E você já me viu brincando com algo desse tipo...? –Ele contornara seu corpo ainda nu com os braços, envolvendo-o na tentativa de deixá-lo imerso neles, e não demorou para que L sentisse aquela agitação recentemente familiar em seu baixo-ventre, como sabia que era exatamente o que ele queria –sensação esta que só se intensificou quando sentiu o próprio Raito despertar atrás de si, e as mordidas dele se transformaram em chupões, potencialmente perigosos em sua nuca. -Deixe-me dar o bom dia que você merece, detetive...

Mal teve tempo de pensar que um ‘bom dia’ seguido de um dos sorrisos irresistíveis dele, já estaria de bom tamanho, porque nesse momento deixou-se elevar para dimensão que o soar daquele timbre audacioso lhe provocava.

Mais que isso:

Deixou-se arrepiar pelo deslize dos dedos dele através de toda a extensão de suas costas e nádegas, assim como permitiu-se inebriar por cada arrepio que o encontro de peles provocava, até que ele chegasse em sua área sensível -rápido como só o desejo mútuo de corpos induzia- e começasse a se divertir por ali.

–Mnn...Raito-kun. N-não podemos. O Caso já está-

–Que se dane o maldito caso... –O Yagami simplesmente relevou-o, e embora –infelizmente- não estivesse visualizando o rosto dele, sabia que o veria revirar os olhos, daquela sua maneira típica e despojada. Às vezes, L se esquecia do número de hormônios que um rapaz de 18 anos conseguia produzir –não que ele fosse completamente diferente, com seus meros 25. Agora, Raito estava entretido em migrar a outra mão para seu membro, apalpando-o tortuosamente na glande, e fazendo círculos lentos, que quase o levavam à loucura, ainda que quisesse impedir-se. -Que caso faz isso com você, hein, Ryuuzaki...? –Ele indagou, e o segurou firme, iniciando uma masturbação deliciosa, arrematadora, que o fez morder os lábios, só para não implorar por mais. — E isto...?

Tateou com o indicador sua entrada, e penetrou-a, sem rodeios, provavelmente adorando a forma que seu corpo produziu espasmos ao toque, como se lhe fosse algo totalmente bem-vindo.

–Hmmm...-O detetive gemeu de maneira sensual, sem que pudesse evitar, e à medida que os estímulos aumentavam, tais sons foram evoluindo para grunhidos – que logo induziram Raito a progredir para dois dedos- e dar um dos sorrisos maiores que conseguia, maravilhado com a sensação de poder ter um L tão submisso só para si. Tirava-os e punha-os repetitivamente, sem cansar, e poderia ter sido até um processo desagradável para o mais velho, a princípio, mas foi só Raito atingir seu ponto fraco, para que ele mudasse de opinião, e sentisse contorções dominando-o, semelhantes as que teria se estivesse sob efeitos de uma furtiva corrente elétrica.

–Ahhhnnn...

Sinceramente, não viu os minutos passarem, enquanto Yagami o preparava, acelerando o ritmo de cada vai e vem — e tendo como resultado gemidos que certamente levavam seu ego às alturas.

L só queria saborear cada instante, inerte em seu próprio prazer, e enquanto a visão lhe turvava, era guiado a mundos que nunca sequer sonhara ser capaz de experimentar.

Que se dane o maldito caso... – Embora não soubesse como, simplesmente viu-se dando eco às palavras, mesmo que seu fôlego estivesse muito comprometido -visto Raito colocara mais um dedo- e as palavras estivessem clamando por engasgá-lo. -...M-mesmo.

O mais novo adorou a forma como conseguira fazer L mudar de opinião sobre como iam proceder naqueles primeiros minutos matinais, quase tanto quanto amou sua voz tremida e embriagada. Só de pensar que era capaz de L voltar ao formato ‘cubo de gelo’ na primeira escapada, quase sentia com vontade de ver sangue escorrendo. Nunca, nunca mais, Raito deixaria que isso voltasse a acontecer.

Quando L se inclinou na direção dos movimentos, seus ruídos variavam entre grunhidos e ofegos, e esta pareceu ser a deixa para que Raito abandonasse o engenhoso trabalho que fazia com os dedos, e se permitisse enterrar dentro dele, de uma forma maneira mais amena que a da noite anterior, mas ainda assim desesperada...

–Mhaann....

O detetive o ouviu descarregar, provavelmente perdendo o controle diante do próprio arrebatamento — e a sensação de orgulho que tinha por fazer Raito delirar era algo simplesmente incrível, mesmo que, nas primeiras investidas, o procedimento fosse um pouco doloroso para si.

Esses gemidos, e o êxtase que vinha em seguida, definitivamente compensavam tudo. E L estava gostando, particularmente, daquela nova posição. De lado, a penetração não era tão profunda — era mais suave e tenra — e por mais que a frequência das estocadas pudessem eventualmente feri-lo, Raito sabia exatamente onde deveria estar, e tinha o dom de alcançar esse lugar, tirando-o do sério, como se fosse uma pequena glória sua.

Tanto que o detetive se desfez um pouco mais cedo, dessa vez, na mão dele que continuava masturbando-o incansavelmente nos últimos minutos, e tão logo Raito sentiu o líquido entre os dedos, limpou-os no lençol, desferindo um pequeno risinho maligno.

–Eu ainda não terminei... –Anunciou prepotentemente, e logo aproveitou para imobilizar os braços de L, e colocá-lo de bruços, de modo a invadir seu canal de maneira mais eficiente, e ir se derretendo conforme o detetive correspondia empinando o quadril, na mesma direção, quase como se estivesse ansioso por satisfazê-lo.

Isso era simplesmente maravilhoso demais para ser real.

–Nem eu... Quero... Que termin...AAhhh, R-Raito-kun... –L deixou-se gritar, em meio a uma penetração particularmente intensa, e mordeu o travesseiro, em seguida, enquanto ele acelerava a velocidade das estocadas, visando chegar ao ápice — que não demorou a preenchê-lo- e que também era de uma satisfação inverossímil.

Sem dúvidas, L não se importaria de ter sua próstata atingida por quantas vezes Raito desejasse — ainda que isso o fizesse perder total noção do que era sanidade ou de quem era ele próprio.

Só não esperava acabar constatando, que quando o Yagami dissera que “ainda não havia terminado”, estava se referindo que iriam repetir todo o processo por mais duas longas vezes, de modo que, quando finalmente terminassem, fosse possível afirmar que tinham passado o dia todo na cama mesmo.

Mas não era como se L se arrependesse disso.

Não mesmo.

–x-

Eram dezessete horas da tarde quando L desceu até a sala principal do QG.

Dezessete horas e vinte e cinco minutos quando Raito fez exatamente a mesma coisa.

Obviamente, não descerem juntos tinha sido uma maneira –muito ridícula, por sinal- de encobrir ligeiramente o fato de que haviam tido horas de sexo nas mais diversas posições, antes de resolverem que já estava na hora de mostrar as caras para os demais seres humanos daquele prédio.

Mas por incrível que parecesse, o único que pareceu ter reparado a proximidade dos horários de chegada de ambos- e o fato de estarem tão atrasados — e se dignou a fazer um comentário, foi Matsuda, que numa sexta-feira não muito distante havia tido qualquer coisa como um vislumbre de uma cena não muito favorável para os dois.

Assim que Raito deu o primeiro passo fora da escada, a voz do agente ressoou num apressado “O que vocês dois estavam fazendo juntos?!” ,e L não teve opção senão balançar os ombros, fingindo não ter ouvido, enquanto rezava para cultivar a palidez em suas bochechas — à medida que ia amaldiçoando Raito pela forma despojada que ele colocava um pé na frente do outro, como se estivesse extremamente satisfeito com alguma coisa -que qualquer leigo poderia ser capaz de saber o que era.

Mesmo assim, L fez questão de cumprimentá-lo, como se fosse a primeira vez que colocava os olhos sob a figura engravatada e alinhada dele, naquele dia.

E o bastardo, só para variar, lhe lançou um sorriso metidinho, irresistível, que fez Matsuda parecer um tanto constrangido, indo buscar logo o café que sabia que L viria a pedir.

Para castigar Raito por esse infortúnio, Ryuuzaki deu-lhe as costas e se apossou da cadeira principal, sentando-se de sua maneira favorita, e apreciando a sensação de pousar o polegar nos lábios, para voltar a se sentir o maior detetive do mundo — aquele que conseguia movimentar toda a ICPO e que estava prestes a desvendar o caso mais insolúvel que já existira.

Curioso como estar com Raito diminuía esse sentimento de orgulho, na maior parte das vezes.

Talvez porque ele não conseguisse se encaixar junto com o amor e as outras fraquezas de Lawliet –ao menos não de uma maneira tão simples.

Quando Soichiro se aproximou para lhe informar que mais de cinco câmeras sofreram falhas de hardware naquela terça-feira, L fingiu estar surpreso, mas não era como se já não soubesse disso, pois fora ele mesmo o responsável por tais deslizes.

Para mudar o foco do ex-diretor, decidiu lhe perguntar sobre Aizawa, o qual cumprimentara logo que chegou ao recinto, sem saber se ele voltara a se integrar oficialmente às investigações, depois da Polícia Japonesa ter participado ativamente na captura de Higuchi. O pai de Raito respondeu-lhe que ‘sim’, e que inclusive estava ajudando na tarefa que L os havia atribuído na semana passada, a qual estava quase totalmente concluída.

–Mas isso é ótimo, Yagami-san. Bem antes do esperado, por sinal. Já podemos discutir sob os dados... Convoque os demais até aqui, por favor.

–Certo, Ryuuzaki. –O Sr.Yagami pareceu empolgado com a perspectiva de fazerem algo mais útil do que apenas reunir dados, mas Raito, em contrapartida, não parecia pensar qualquer coisa a respeito, como apontava sua expressão indiferente refletida nos monitores e TV’s.

Não demorou para que L pressionasse seu botão emergencial.

–Watari, preciso dos meus doces, o mais rápido possível. –Quase esqueceu de pedir ‘por favor’, tamanho o seu desespero por sentir os baixos níveis de glicose no sangue podendo eventualmente afetar seu raciocínio.

Mas quando Matsuda voltou com a bandeja de café, e pousou-a no console, a primeira reação que teve foi a de agarrar o açucareiro e preencher o líquido fumegante com colheres e colheres de sua sagrada substância, só para depois solvê-la e ficar com uma imensa vontade de repetir.

–Você deveria maneirar nisso, Ryuuzaki. –Ouviu a voz de Raito censurar, como nunca se atrevera a fazer tão abertamente, e limitou-se a girar a cadeira e lançar um olhar vazio, quase intimidador, que queria basicamente dizer “ainda que eu esteja apaixonado por você, isso não significa que possa dar opiniões sobre como meu comportamento deve funcionar, Raito-kun”, e quase quis verbalizar a frase, mas bem no momento Soichiro lhe impediu, retornando com os demais investigadores e fazendo um círculo ao redor de si.

–Pronto. Todos estão reunidos agora, Ryuuzaki. Aqui está o relatório com todas as informações reunidas no decorrer dessa semana... –Ele já ia estendendo o arquivo com os registros a L, mas este apenas recusou com um de seus acenos fugazes.

–Queira ditá-los para mim, Yagami-san. Assim poderemos discuti-los entre nós.

O mais velho assentiu.

Em seguida ajeitou o óculos, e começou a falar tudo que a equipe de investigações havia anexado, até aquele preciso instante.

–Desde o dia 29 de Outubro, houve mais de cem casos de parada cardíaca. 65% no Japão, cerca de 20% nos Estados Unidos, mais 10% desse número distribuídos pela Europa, e outros 5% em países subdesenvolvidos.

–Certo. Isso é um tanto quanto ilógico de se relacionar com o primeiro Kira que confrontei, pois depois de afirmar que sabia que ele estava em Kantou suas ações se focaram exclusivamente no Japão. Porém...

–Essa pode ser a intenção dele, Ryuuzaki. –Raito subitamente interrompeu as conclusões que estava fazendo, por convenção, e L não podia negar como cada palavra sua agora parecia ser maravilhosamente interessante de ouvir. -Fazermos acreditar que não ele é O primeiro Kira. Mas pela qualificação dos criminosos que morreram, está nítido que é o próprio em ação, ou alguém que siga estritamente as ordens dele, diferente de Higuchi, que agia a seu próprio benefício e...

Era engraçado. Definitivamente divertido. Ver Raito apontando verdades, que embora distorcidas, tendiam a parecer que ele estava realmente empolgado na captura de Kira.

Quer dizer: que ele próprio não era o Kira.

Mas toda aquela investigação atual, embora pudesse ser útil com algum milagre, era apenas o disfarce das omissões de L.

–Também estou confiante de que é sim o primeiro Kira, Raito-kun, independente do lugar onde esteja preferindo matar. –Quis sorrir para ele, mas antes que pudesse fazê-lo um instinto interior lhe impediu.

–Mas não é só isso. –O Sr. Yagami continuou. -Coletamos dados de criminosos de alta periculosidade que tiveram suas mortes por motivos diferentes de parada cardíaca. Cerca de 23 casos no Japão, e outros 20 distribuídos pelos Estados Unidos.

–Isso significa que esse Novo Kira já sabe que nós sabemos que os poderes de morte desse caderno não se limitam a meras paradas cardíacas, e que usa isso a seu bel-prazer. –Aizawa considerou interessante pontuar.

–O que pode indicar que ele continua obtendo informações confidenciais do QG, algo que o primeiro Kira fazia sem deixar vestígios! –Matsuda complementou, e ao que L observou, era uma óbvia tentativa do agente de ser útil, que realmente havia sido interessante, mas se tornava inútil, uma vez que L tinha de dissimular qualquer teoria que incriminasse Raito, fingindo acreditar piamente em sua inocência.

–Sim, Matsuda...Mas não. Não haveria como Kira obter qualquer informação daqui, a não ser que ele fosse um de nós. Além do mais, é fácil concluir que sabemos dos poderes do caderno, depois do programa de TV e dos acontecimentos com Higuchi.

–Você acha que Kira monitorava os movimentos dele, Ryuuzaki? –A voz de Raito surpreendeu-o mais uma vez, e quando procurou encará-lo deparou-se com sua figura de braços cruzados, parecendo estar genuinamente interessado.

Céus, como ele conseguia ser tão...bonito?

L sabia que esse deveria ser o último de seus pensamentos, mas não podia evitar inquirir-se o óbvio, principalmente quando sua mente era capaz de processar diversas coisas ao mesmo tempo — e a imagem de tê-lo tão próximo nas horas anteriores não era algo de se esquecer tão cedo.

–De Higuchi...? Bem mais que isso, Raito-kun...-L confirmou, balançando a cabeça e mordendo o polegar para espantar certas questões fúteis, decidindo, de repente, que valia a pena dar um norte, embora discreto, a Raito e à toda a equipe de investigação, só para conferir as reações dele. — Hm. Acho que convém dizer uma conclusão minha que, até agora, não tive a oportunidade de relatar. Nem mesmo a você, Raito-kun, embora o ache suficientemente capaz de ter chegado ao mesmo fim. Isso vai mudar os ramos da investigação... Positivamente, espero eu. Há uma grande possibilidade do primeiro Kira que estudamos ter sido o responsável por Higuchi conseguir obter o caderno para si. Basicamente, concluí que foi ele quem possibilitou que Higuchi tivesse acesso ao Death Note.

Por um momento, o silêncio foi tamanho na central, que L quase achou que não haviam entendido que sua sentença terminava ali. Mas foi questão de segundos – Raito logo pareceu se lembrar de como recuperar o fôlego – para que dissesse alguma coisa.

–Está me falando que Higuchi foi...Manipulado, pelo primeiro Kira, Ryuuzaki?

–Sim. Não concorda comigo, Yagami-kun? –Desafiou-o, erguendo a sobrancelha, pois Raito e ele quase sempre convergiam nos mesmos palpites – e era raro pegá-lo desprevenido com uma de suas conclusões.

Que tipo de pista o fato de isso estar acontecendo agora lhe podia fornecer? Tornaria as chances de ele ser Kira mais ínfimas ou mais gigantescas?

–Quero entender a lógica. O primeiro Kira é alguém que segue “sua própria Justiça”, digamos assim. Ele não deixaria Higuchi matar as demais pessoas em benefício da Yotsuba, se o estivesse manipulando.

–Ele não teria opção. Pense comigo no quanto não faz sentido Kira ter feito um trato com Higuchi para atenuar as suspeitas sobre si. Ele dá o Death Note para Higuchi usar, como quiser, e em troca ele tem de continuar matando os criminosos, e assumir o próprio papel de Kira. Logicamente, faria mais sentido se Kira fizesse isso porque estava sendo vigiado, como você foi, Yagami-kun. Mas como não é esse o caso, só posso concluir que foi uma medida preventiva que ele precisou tomar, por alguma razão...

Perfeito.

Tudo nas reações de Raito era simplesmente perfeito.

L tinha conhecimento suficiente para ler milhares e milhares de expressões, e tirar suas conclusões a partir delas, mas com Raito isso nunca funcionava, pois ele era simplesmente brilhante em sua competência cênica.

Sabia dosar de perplexidade, entendimento, absorção, desfeita, e um bocado de emoções corretas, enquanto L ditava, como faria apenas se fosse um inocente.

E isso era algo que, paradoxalmente, enchia o peito do detetive.

Havia se apaixonado por um gênio.

–Hm...Entendo. E nesse caso, nos assassinatos que estão acontecendo agora, faria bem mais sentido presumir que se não é o Kira próprio em ação, é alguém que ele manipula, correto?

–Sim. O que quero induzir vocês a pensar é que o Kira que venho confrontando é um só... O Uno. Todas as suas variações estão direta ou indiretamente vinculadas a ele ou aos seus próprios interesses.

–Mas se é mesmo assim, Ryuuzaki, por que Kira faria assassinatos de agora terem causa mortis diferente de parada cardíaca? –Aizawa resolveu perguntar, quebrando a monotonia de uma discussão que até então era apenas entre Raito e L.

–Para nos confundir. Ou para ocultar mortes que está usando em seu interesse próprio.

–Mas Kira não mata por interesse.- Argumentou o Sr.Yagami.

–Depende. Se é para nos despistar, ele nem sequer hesita, como fez com os 12 agentes do FBI.

–Eu, particularmente, estou confuso com essa teoria de Higuchi, o Kira atual, e as demais variações serem vinculadas a um Uno, o primeiro Kira. Os padrões de assassinato deste com o de agora só convergem no tipo de criminosos escolhidos, porém divergem em todos os outros setores, como localização e causa mortis.- Mogi parecia estar realmente desnorteado.

–E como o primeiro Kira teria outro caderno, partindo do pressuposto de ter entregado o que usava para Higuchi? –Quis saber Matsuda, e L quase suspirou, tentando se lembrar de que nem sempre as pessoas conseguiam enxergar o óbvio, como era para ser — e era isso que diferenciava a si próprio delas.

–O primeiro Kira é alguém extremamente preparado, Matsuda. Se entregou um caderno para Higuchi, como suponho, só o fez porque possuía outro, para o caso de acontecer o que aconteceu: nós colocarmos as mãos nele.

–E por que Kira voltou a cometer assassinatos, e não nos deixou pensando que Higuchi era ele mesmo? –Questionou o Sr. Yagami, aflito.

–Porque esse não é o objetivo dele, Yagami-san. Foi só sua medida preventiva. Kira quer acabar com a criminalidade, e ficar parado não lhe seria nem um pouco útil...

L, como sempre, tinha razão.

O pai de Raito encolheu os ombros, e todos tiveram que concluir que era como estarem de volta ao princípio de tudo, novamente.

–Estamos dando voltas. Como poderemos chegar a uma pista definitiva, a partir disso...? –Inquiriu Aizawa. Parecia desolado por, de um patamar de chances tão grande de terem vencido o Mal quando venceram Higuchi, tivessem decaído para o vazio.

–Sugiro começarmos investigando o que pode haver de suspeito nos atos dos criminosos que não morreram de parada cardíaca. Mas dando ênfase ao Japão. Continuo acreditando que a presença de mortes nos outros países foi uma armadilha para nos levar a pensar que Kira não é um só... –A bem da verdade, L não conseguia entender porque Raito estaria instruindo Amane a cometer assassinatos daquela maneira. Mas se o fazia, com certeza era só para deixá-lo insano. – Ou isso serve para acharmos que ele não se encontra mais no Japão. Só que eu o conheço suficientemente bem para saber que ele gosta de assistir às consequências de seus atos de camarote. Ele quer estar o mais próximo possível de onde eu estou...- Sem que pudesse evitar, mediante tal reflexão, L viu-se inclinando minimamente a cabeça na direção de Raito. Mas foi estranho, porque dessa vez, se sentiu definitivamente desolado por fazer isso. — Ainda que ele nunca vá conseguir me destruir...

Nunca. –De repente, foi a voz dele que ecoou aonde parecia ter restado apenas um mar de agonias. Foi a voz dele que o fez erguer o olhar, e encontrar suas avelãs brilhantes e determinadas, que não lembravam nem um pouco as de um assassino –só remetiam perfeitamente àquela pessoa a quem L tanto amava sucumbir. — Só por cima do meu cadáver, L.

Todos nitidamente notaram o grau de intensidade no tom dessas palavras de Raito. L arregalou seus olhos de panda, e se alguém viesse medir seus batimentos cardíacos agora, não sabia dizer se eles teriam cessado ou se estariam sob todo vapor que existia no mundo.

Raito o havia chamado pela inicial, e embora isso pudesse parecer potencialmente insignificante, ele nunca o fazia quando estavam diante de mais pessoas. Tanto que fora o bastante para parecer que tudo ao redor deles havia derretido, e só restara os dois e as vibrações sonoras, mais que desesperadoras, reverberando no fundo da sala.

–Então você morreria para me proteger de Kira, Raito-kun? –L quis saber, e tudo que pôde enxergar foi os lábios dele se entreabrindo, como se estivessem prestes a gritar que “sim”, até ele sacudir os ombros, ser chamado à realidade, e aparentemente se lembrar que eles não estavam sozinhos coisa alguma.

–Er... Claro. Como qualquer um de nós, não é? É crucial que você viva, se quisermos ter alguma chance de capturá-lo, Ryuuzaki.

–Hm.

Com a periférica, L até pôde visualizar os demais assentindo, como se dessem razão às palavras de Raito, mas nada que não fosse Ele em si importava, agora, e a primeira impressão que suas palavras causaram não era algo que se deixava morrer com qualquer desculpa esfarrapada.

Não era preciso ser sensitivo para compreender qualquer coisa de profundo que estava sendo firmada ali, como se algemas metafóricas voltassem a atar Raito e L –só que de uma forma bem diferente da que havia sido um dia.

É claro que não podiam imaginar do que se tratava, mas era algo que fazia os demais policiais irem se afastando, quase que instintivamente, abrindo espaço para que falassem o quer que precisassem falar, e para que falassem sozinhos.

–A verdade é que eu sinto ímpetos de matar qualquer um que ouse mexer com o que me pertence, L.

–Não estamos falando de matar, Raito-kun. Estamos falando de morrer.

–E qual é a diferença, afinal...? Eu acabaria morto se tentasse matar Kira. Mas faria isso, se fosse por você...

Ironia.

O detetive quase perdeu a conta do número de horas em que a frase ficou ecoando em sua mente, com o mais puro sabor de ironia. Os olhos de Raito resplandeciam com tal intensidade ao murmurar aquelas palavras, que L não pôde se impedir de tentar achar o significado oculto entre elas, mesmo que as chances de não haver nenhum fossem quase palpáveis, e mesmo que pudesse ser um idiota se realmente se dignasse a acreditar nelas.

Se Raito era mesmo Kira, qual era o sentido que tal sentença poderia ter?

Poderia ser um aviso...?

Poderia ter algum resquício de esperança nele...?

Poderia existir um futuro para ambos...?

Não.

Era melhor não se iludir.

Yagami Raito sempre seria sua mais dócil e tortuosa incógnita.

Sempre – até o décimo terceiro dia.



Notas finais
Eu não ia colocar lemon nesse cap, mas... SHUSHIUSAHSUA deu no que deu. '-'
Espero que tenha ficado boom *-*
Comentem! ^^