O Plano B

16 XV. -Halfway to make a...mistake?


Notas iniciais
Minna-san *-*
Aqui estou eu, doze dias depois, com o capítulo XV... ^w^ Ia demorar mais, mas aí eu fiquei doente, e faltei à escola õ///
Céus, eu queria ter posto muito mais coisas nesse capítulo, mas quando vi o número de caracteres me assustei... Tenho a mania de me empolgar demais '-' Sinal de que vai render muito kkk
Hm. Eu provavelmente não devia contar isso, mas já escrevi o último capítulo da fanfic >< Claro que ainda vai demorar ÉONS para chegar, mas já tá aqui guardadinho pros hackers tentarem invadir -qq ehehe... Enquanto isso, tentem adivinhar quem vai vencer (se é que vai haver uma vitória, enfim kk)
Espero que esteja satisfatório e perdoem eventuais erros de digitação/distração ((:
Dedico à Camila Souza, que recomendou a fic lindamente :3
Beijiinhos e boa leitura ;DD

Quarta-Feira, 10 de Novembro de 2004.

-Devo perguntar o que significa isto?

Raito estava esperando ouvir aquelas palavras já fazia um bom tempo.

Na verdade, desde que o dia havia iniciado.

Projetara um roteiro mental de suas ações diante dele, mas segui-lo parecia ser uma tarefa especialmente complicada — principalmente quando seus lábios queriam se unir em escárnio.

-Espere um momento. -Fingiu estar ocupado lendo as duas últimas frases de um arquivo em seu notebook, e só depois de nove segundos e vinte e três centésimos é que se preocupou em virar o rosto e sondar a figura impactante de Ryuuzaki, com ares de que não fazia a mínima ideia sobre o que diabos ele estava falando. -O que significa o qu-

-Não se faça de imbecil, Yagami-kun. –O detetive retrucou, sem perder a ausência de emoções, embora estivesse meticulosamente segurando com as pontas de seus dedos finos um papel de tinta fresca e preta. – Você é, mas não quando se trata de potencial de dedução.

-Hm... –Se havia uma coisa realmente imbecil da parte de Raito, esta havia sido nutrir esperanças de que L, depois de todas aquelas declarações, comoções – e posições, vale acrescentar- do dia anterior, fosse ficar praticamente rastejando aos seus pés. Se ele estava, conseguia disfarçar muito bem — quando não estava gemendo ou ofegando por entre quatro paredes. –Continuo sem entender aonde você quer chegar.

-Leia o que está escrito aqui, então. –O mais velho reteve um grunhido, somente para não dar a satisfação de demonstrar qualquer coisa para o Yagami, e estendeu a folha na direção dele, para que este conseguisse visualizar as letras miúdas que a compunham. –Isso soa um pouco familiar, para você, Raito-kun?

L inquiriu, depois de alguns segundos, quando obteve a exata certeza de que ele já não poderia mais fingir descaradamente que não sabia do que estava falando.

-Ahhh... Por que não disse antes? –O garoto soubera desde o princípio, é claro, mas acreditava que seu disfarce de ingenuidade havia soado realmente convincente, até o momento em questão.. –Isto é o e-mail que eu enviei para Misa, ontem à noite, um pouco depois daquela conversa específica entre nós... -L limitou-se a piscar, metodicamente, tentando impedir –e falhando, vale ressaltar- que seu inconsciente remontasse à cena do dia anterior, e tivesse que se perguntar pela enésima vez porque Raito parecera tão obstinado ao dizer que o protegeria de Kira, já que isso era tão maldosamente irônico que quase lhe dava náuseas. –A propósito, como é que você conseguiu burlar minha senha de vinte e nove caracteres, Ryuuzaki?

Raito ergueu as sobrancelhas, como se a invasão da privacidade virtual fosse um tremendo insulto, agora que ele supostamente estava livre de suspeitas – mas se com isso pretendia inverter o jogo ao seu favor, não podia ter apostado mais baixo.

O detetive nem se deu ao trabalho de responder.

-Por favor, releia o conteúdo do e-mail para mim, Raito-kun.

-Ahn...-Raito coçou vagarosamente o queixo com o indicador, inclinando a folha para que ficasse alinhada verticalmente com os olhos, embora as palavras já lhe estivessem plenamente decoradas, sem que qualquer leitura fosse necessária. — Tudo bem. –Tossindo, tentou reduzir os indícios do –óbvio- sarcasmo que decorava seu rosto, mas o que estava escrito naquele papel era ridículo demais para ser interpretado com qualquer seriedade — muito menos a frieza que estivera almejando. — “Misa... Eu amo muito você*.” –Enunciou a frase, e embora tivesse tentado parecer o mais natural possível, quando ergueu os olhos para L, e o viu de braços cruzados, não conseguiu deixar de sorrir gigantescamente. — O que é que tem de mais, Ryuuzaki?

Naquele momento, Raito teve certeza de que se eles não estivessem em uma Central de Investigações, com um punhado ex-policiais que investigavam o caso de maior repercussão mundial os cercando, as reações de L teriam sido bem menos compreensíveis do que um inclinar de dez graus para direita, uma pequena mordida na ponta do dedo, e um vidrar analítico de seus olhos de panda.

-Ah, Raito-kun. Você é tão...Divertido. –L até mudou a entonação de sua voz, desviando do tom entediado de sempre para aderir uma nova empolgação, que Raito nunca imaginara ser capaz de escutar. -Mas sabe o que eu acho mais divertido ainda...? –Questionou, e mal deu tempo para que o mais novo respondesse, pois aquele era o seu tipo de retórica favorito. -A textura das suas lágrimas depois que eu chutar o seu lindo rostinho até que ele fique deformado e caindo em pedaços... –Era simplesmente um enorme prazer ameaçá-lo. -Quer experimentar ou prefere contar uma piada diferente de “O que é que tem de mais, Ryuuzaki?”?

Não lhe era natural, mas L contou vitória antes da hora — simplesmente por ver Raito abrindo e fechando a boca, como se caçasse a palavra ideal, e acabasse fracassando em todas as tentativas.

Mal sabia o detetive que ele só estava preparando o terreno para quebrar suas pernas:

-Tsc. É difícil de acreditar, mas... Hm. Sabia que um dos principais efeitos do ciúme é a agressividade, Ryuuzaki?

-Agressividade...? –O detetive repetiu a palavra, surpreso por Raito tê-la relacionado àquele contexto, e com um ar tão arrogante, que quase beirava à desfeita. — Não vejo ninguém agindo com agressividade por aqui, Raito-kun. Eu apenas fiz uma oferta. –O detetive necessariamente voltou ao seu timbre rouco e entediado, mas dessa vez ele ficou bem mais ríspido e seco, e não era como se não estivesse ciente de que suas maçãs do rosto suplicavam para ficar um pouco mais tonalizadas. Ciúmes? Não, não podia ser algo tão desprezível como isso. L definitivamente não estava sentindo ciúmes. — Eu não sentiria ciúmes de você só porque... Só por causa...

-De uma frasezinha tola que eu enviei para Misa para que ela se tranquilizasse e parasse de querer vir me perturbar a cada cinco minutos...? –Arriscou o garoto, e se humilhação fosse uma causa mortis válida, o detetive tinha certeza de que, naquele momento, não passaria de um pedaço de carne sendo devorado por vermes rastejantes. – Tsc, claro que não... — Afinal, o que o levara a fazer uma nada delicada ameaça diante das palavras mais ridículas que já havia lido? Tudo bem que não era tão ridículo assim o fato de ser uma declaração amorosa, com um advérbio de intensidade bem explícito ali no meio, pois Amane Misa supostamente não deveria ser digna de receber frases assim, mas ...- Uma pena. Tenho um fetiche especial por detetives doentiamente ciumentos e possessivos. Sabia disso, L?

-Er... –O detetive tossiu desenfreadamente, fingindo que o barulho podia impedir que interpretasse as intenções perversas, nitidamente explícitas, por detrás de cada palavra que ele ousava dizer. –Bem... -Sorte o Sr.Yagami e os demais ex-policiais estarem há uns bons metros de distância. -Nesse caso, eu... Tenho um pequeno pedido para fazer a você, Raito-kun. –L odiou a forma como suas palavras hesitaram, mas não era como se pudesse evitar. Era até bom que soassem assim, diante de sua suposta maior demonstração de significância; tanto que teve que olhar para os próprios pés, enquanto coçava o tornozelo direito com os dedos do esquerdo, e abaixar o tom de voz ao máximo para que o que tinha que dizer não fosse nada mais do que apenas inteligível para o Yagami. — Nós dois... Estamos juntos, certo?

-É... A não ser que as últimas 36 horas tenham sido um delírio da minha fértil imaginação. O que seria definitivamente trágico, visto que eu teria que me contentar em saber que o estado atual dos meus lençóis foi originário de um acesso de puberdade que eu supostamente aprendi a reter há anos.

-Somente por causa disso?

-Não. –O Yagami abriu um sorriso cheio, uma vez que L havia tido a coragem de erguer os olhos do chão antes de querer saber. –Somente porque o dia mais feliz da minha vida seria meramente fictício...

-Mmm. –Mais feliz?... Não. Sem dúvidas, Raito só podia estar mentindo. Ou ao menos exagerando. Embora... Para L, talvez fosse possível defini-lo assim, inoportunamente. -É justamente por causa disso que eu... Acho que... Acho que você...

-Tire os freios da língua, Ryuuzaki.

-...Não deveria ter que ir visitar mais essa garota. -O detetive completou, e se não fosse satisfatório transparecer insegurança, seu orgulho provavelmente ficaria ferido, diante da obrigação de confessar tal coisa.

-...O que quer dizer? –Raito cruzou as pernas, encostando mais relaxadamente às costas da cadeira, e esperando, com um rastro de malícia, que L decodificasse seu constrangimento.

-Você sabe muito bem o que eu quero dizer. Termine o que quer que você tem com a Amane agora.

O silêncio pareceu perpetuar no ar, depois de alguns segundos que L havia proferido a frase.

Raito já esperava eu ele fosse dizer algo do tipo – na verdade, esse havia sido seu objetivo desde o princípio- mas nunca imaginou que ele fosse lançar com um desespero assim, como se fosse uma bomba ou algo que ele estivesse tentando refrear, mas não conseguisse, devido a um de seus mais detestáveis acessos de fraqueza...

- Você sabe que esse pode ser um processo complicado. Vai tomar bastante tempo. Ela provavelmente vai chorar por horas e eu vou ter que...

-Não importa. Demore o tempo o tempo que for necessário, contanto que faça isso agora...

-Agora... Você quer dizer, nesse exato momento?!

-Sim. Mas quero ter a certeza de que, quando voltar, eu vou ser o único que vai receber essas palavras suas. –L apontou para o papel com o e-mail impresso, repousando insignificantemente aos seus pés descalços, e por um momento, o Yagami só pôde ficar embasbacado, perguntando-se mentalmente porque o detetive priorizava tanto algo tão irrelevante – visto que era óbvio que ele nunca sentira nem sequer um milésimo de reciprocidade por Misa-, mas estranhamente satisfeito por pensar que L desejava tê-lo só para si –ou melhor, que havia conseguido não só provar que ele tinha sentimentos, como também bagunçá-los, já que ele parecia não suportar a perspectiva de perdê-lo, mesmo diante de uma ameaça tão estúpida. — Temos um acordo?

-Sim. –O garoto fechou seu laptop e levantou-se da cadeira onde estava sentado, ocultando as ondas de ansiedade que estavam invadindo cada milímetro de seu sangue, enquanto vestia uma máscara de dever e indiferença. –Mas quero saiba que você está priorizando o inútil, L. – Fez a ressalva, antes de fixar um olhar intenso no detetive, que o fez colocar as mãos nos bolsos, com um ar vago, como se temesse compreender o que Raito estava querendo dizer. -Você sempre será o único para quem eu disse essas palavras sem que elas fossem mentiras...

L se limitou a assentir, e Raito lamentou profundamente não poder vingar um contato físico mais próximo ao murmurar aquela sentença, visto que todos os demais agentes estavam ali...

Provavelmente elas teriam um impacto bem mais avassalador com suas peles unidas, formigando juntas, e suas pulsações sincronizando; mas era suficiente que o detetive experimentasse a dose adocicada de suas palavras, enquanto o analisava pegando a distância, tomando o destino que ele ordenara que tomasse.

Se eram mentiras ou não, o próprio garoto não sabia dizer.

Já fazia um bom tempo que dúvidas como esta repercutiam em sua cabeça, sem que soubesse definir uma resposta correta — embora soubesse que tendia a ser a menos satisfatória para quem ele era e a mais humilhante para seu Plano B.

Uma hora ou outra teria de descobrir.

O detetive, em contrapartida, passara também bons minutos olhando para o teto, enquanto Raito se afastava.

Ele não hesitara em ir embora – assim como sabia que ele faria, no instante em que a permissão lhe fosse concedida-, mas era de se surpreender que mais uma frase dele houvesse sido adicionada à lista dos ecos que ressoavam em sua mente.

O único para quem essas palavras não haviam sido mentiras... Sem dúvidas, sinceridade não se enquadrava nos adjetivos que compunham a personalidade de Kira. E o próprio Raito estava confessando isso, estava alegando que costumava não ser sincero, que nem sequer sonhara em ser sincero em sua vida. Mas dessa vez ele fizera questão de marcar que estava sendo. Havia um feixe especial no canto dos olhos amendoados dele, que fizera o detetive ter uma certeza interior desconfortável de que ele estava dizendo a mais segura das verdades...

No entanto...

Yagami estava saindo da Central de Investigações.

Sob suas ordens e sob sua permissão, mas ainda assim, saindo.

Ele agira de forma previsível. Como se quisesse escapar. Como se lhe fosse necessário alguns momentos sozinho...

Pois que fosse.

Uma vez que L havia admitido seu amor, não havia mais motivos para Raito querer barganhar nas saídas do QG, e ele não podia mais usar a desculpa de estar indo visitar Misa porque ela era sua namorada, depois desse Pacto que haviam firmado.

Ambos sabiam perfeitamente quem verdadeiramente namorava quem por ali.

E aquela seria última vez que L permitiria que ele se afastasse. A última vez que permitia que ele se fosse sem precisar colocar alguém para sondá-lo, persegui-lo nas ruas, ou vigiá-lo em seus acessos de livre-arbítrio...

O maldito livre-arbítrio que ele havia conquistado devido à maldita Regra dos 13 dias impressa no maldito caderno.

Ah, sim.

Não era como se tivesse sido um plano ou uma estratégia aceitar o que Raito propusera. L não estivera mesmo disposto a dizer “eu te amo” só para que ele não ousasse escapar de seu alcance. Mas não fora capaz de controlar os sentimentos, e já que era assim, não havia porque não se aproveitar das vantagens que eles traziam.

Declarar-se havia sido sua Redenção, mas também um excelente macete para manter Raito de mãos atadas, subordinado aos seus comandos.

Agora ele sairia do QG, sim, mas L se certificaria de ser esta a última vez. Se ele quisesse sair de novo, seria minuciosamente vigiado. É claro que uma vigília, se percebida por Raito, faria com que ele desconfiasse de que L não só tinha suspeitas remanescentes, como também não acreditava que a Regra dos 13 dias era verdadeira.

O garoto poderia até cogitar a hipótese de toda a investigação que faziam no QG ser o que realmente era: panos nas ações ocultas que estava realizando para encurralá-lo.

Mas não era como se isso fosse acontecer, pois Raito não seria vigiado e não tiraria tais conclusões se não colocasse os pés para fora do QG. E se quisesse coloca-los, L faria questão de ir com ele, necessariamente, sob o pretexto de estarem... Juntos.

Exceto por essa última e fatídica vez.

Somente deixou-o ir. Na verdade, ordenou que ele fosse -supostamente no caminho de ir cortar relações com Misa — mas livre para fazer o que bem entendesse.

Fazer-se de leigo, era muitas vezes, a atitude mais sábia de todas. E L não queria mesmo escoltar Raito dessa vez.

Por duas razões extremamente simples.

Primeiro: havia a possibilidade de Ele estar indo mesmo cumprir seu acordo: encontrar com Misa para dizer a ela que o namoro deles estava acabado. E embora fosse ser uma cena tragicômica, não era exatamente o que L se sentiria faceiro por presenciar.

Segundo: dessa vez, aproveitaria a ausência de Raito para agir além do que os olhos dele (e também os da própria Central de Investigações) conseguiam ver.

Já estava na hora de L ir conferir pessoalmente como as operações com o Death Note estavam indo.

Na manhã do dia 6 de Novembro de 2004, sábado, um condenado escrevera o nome de outro condenado no caderno assassino. Na manhã de 19 de Novembro, não havendo escrito outro nome, esse condenado deveria morrer, segundo a Regra dos 13 dias.

E se não acontecesse, essa Regra seria Falsa.

Era isso o que estava acontecendo nos bastidores das investigações de L, e ninguém além dele e Watari deveriam ter conhecimento disso, com o objetivo justamente de não chamar atenção para o fato dessa investigação estar acontecendo.

Mas era difícil não chamar atenção sem permanecer nas dependências do QG, e era por isso que L não estava acompanhando tudo de perto, como desejava.

Claro que Watari registrava e arquivava cada dado que a Corporação Confidencial da Polícia Nacional enviava. Essa Corporação era totalmente confiável, pois fora montada para a análise dos testes no caderno, justamente pelo comando de L — e era um grupo especializado e autorizado por Países do Mundo todo, visando a captura de Kira.

Mesmo assim, o detetive não se sentia seguro e queria conhecer ele mesmo cada mínima minúcia de suas ações ocultas contra Kira.

Até se certificar de que elas não seriam aplicadas com possibilidade de erro.

Logicamente, só podia fazer isso quando Raito não estivesse ali, para que o rapaz não levantasse suspeitas de Regras estarem sendo confrontadas unicamente com o intuito de incriminá-lo.

Aquela era a chance perfeita.

O grupo de agentes do QG estava absorto em sua nova tarefa investigativa, e L poderia escapar deles, sem que ficasse muito óbvio quais eram suas verdadeiras intenções com isso. Não que fosse deixar qualquer vestígio, mas era sempre crucial precaver-se...

A bem da verdade, o detetive escapou sem sequer dar explicações. Somente balbuciou alguma coisa sobre precisar ir até outros andares, enquanto na verdade se preparava para descer até o subsolo de seu enorme edifício, em um estacionamento oculto construído exatamente para tais momentos de necessidade, onde não havia monitoração por via das câmeras, muito menos com acesso à Central.

Watari já o aguardava, perante ordens prévias que havia lhe enviado por vias virtuais, com todo o material que lhe era preciso para a ‘missão’. O que incluía, basicamente, uniformes e credenciais falsas.

L logo embarcou na limusine preta, com agilidade, e tão logo que o fez sentiu-se estranhamente apagado pelos vidros de insulfilmes mais escuros que o lado oposto da lua, que visavam garantir sua segurança, embora ironicamente fossem o que mais chamava a atenção naquele carro.

Enquanto atravessavam a cidade de Tóquio, o detetive não se sentiu nem um milésimo da excitação que imaginou que sentiria por estar cada vez mais perto das provas concretas que dessa vez, certamente, o levariam a captura de Kira.

Só o que Lawliet conseguia sentir era um aperto onde começava seu estômago, e terminava seu coração — uma espécie diferente de agonia, que não lhe era familiar e que tampouco era decifrável, perante aquele nó em sua garganta, do qual já ouvia lido sobre, mas nunca cogitara sentir o sabor.

Era ácido.

Era patético.

Era vulnerabilidade.

Era um punhado de coisas que o mais leal escravo da Justiça não deveria possuir –e jurara de pés juntos que jamais possuiria — embora essa jura não fosse mais assim tão válida.

Há promessas que simplesmente nascem para ser descumpridas...

-Você está bem, Ryuuzaki? –Watari perguntou, depois de analisar pelo espelho retrovisor o estado latente do detetive – sentado com os joelhos dobrados à altura dos ombros, polegar nos lábios, e olhar além das janelas-, pelo que parecia ser a sétima vez, e curiosamente chegar à conclusão de que ele era o puro reflexo da melancolia.

-Por quê?

L se limitou a inquirir, depois de alguns minutos de reflexão silenciosa, em que o mais velho quase pensou que ele não havia ouvido a pergunta, e quase desistiu de querer fazê-la.

-Bem... Você tem agido de forma bastante... incomum, nos últimos dias.

-Mais incomum do que de costume? –Watari teve a impressão de vislumbrar, no retrovisor, um traço de deboche sob os lábios do detetive. O que por si só, já era outra característica surpreendentemente incomum nele. -Creio que isso seja impossível.

-Sim. Mas é que... –Não havia restado opção senão concordar, mas o patamar que Watari gostaria de alcançar ia um pouco mais além de um simples anuir sobre como os comportamentos de L eram excêntricos. -Há alguns backups da rede de monitoração de câmeras, que eu eventualmente consegui fisgar, e que contém algumas, uhn...cenas e... -

-Ah. –Como sempre, Ryuuzaki conseguia entender aonde Watari queria chegar, sem que tivesse de falar metade das palavras que estivera caçando, anteriormente. Óbvio que era mais um dos prós da genialidade de L, não mais surpreendente do que o fato dele conseguir permanecer impassível diante da compreensão das coisas, com o mesmo nível de emoção na fala — como se Watari estivesse fazendo um comentário sobre o tempo, e não sobre seus momentos íntimos com certo suspeito. — Queira não se preocupar, por favor. Isso tudo são apenas planos meus...

-Er...Desculpe-me, Ryuuzaki. Não me parece de seu feitio...

-Usar esse tipo manipulador de plano? Por que não? –L completou, e logo em seguida fez a questão fatídica.- Também Kira não gosta de manipular suas vítimas antes de matá-las?

-Temo que ele possa tentar fazer o mesmo com você.

-Pois que tente. Tentar e conseguir são conceitos completamente distintos, não podemos deixar de lembrar. –L apreciava o zelo de Watari por sua segurança e bem-estar. Era como sentir a preocupação do pai que nunca tivera. Mas o aviso dele parecia simultaneamente deixar implícito que aquele tipo de ação registrada nas câmeras fazia o tipo e favorecia muito mais a Kira, do que a ele mesmo. O que concedia uma nota de superioridade a Kira que o detetive simplesmente não conseguia suportar. -Entenda uma coisa, Watari. Kira e eu somos muito... Parecidos. E nossa ética não diz nada sobre limites. Muito menos sobre planos.

-Mas manipular Kira, e se deixar ser manipulado por ele...Parece ser um plano perigoso demais, Ryuuzaki.

-Eu sempre me predispus a correr o risco. –O detetive reafirmou, num tom de voz mórbido — confiante, mas completamente desprovido de emoções. -Não vai ser agora que vou hesitar, diante da perspectiva de ser morto ou de perder um...amigo. Você bem sabe como minha vida é bem mais produtiva sem tais distrações. Eu não sou o maior detetive do Mundo; sou os três maiores detetives, e eu vou resolver esse Caso nem que tenha que apelar para as medidas mais drásticas. Além disso, eu sempre estarei um passo adiante. Kira não sabe que estamos efetuando testes em seu precioso caderno. E há também a possibilidade destes testes demonstrarem que as Regras estão todas certas. Então aí, planos podem se tornar apenas... gestos.

-Mas você parece ter se apegado a estes gestos, Ryuuzaki. –Diante daquele discurso determinado, Watari quase se sentiu um cético por continuar batendo na mesma tecla. É claro que conhecia todo o infinito potencial do detetive e todos os métodos os quais ele já fora capaz de apelar pela Justiça. No entanto... -Parece estar... abalado com os efeitos deles.

-Equívoco seu. –Ryuuzaki se limitou a balançar os ombros, e a fugir o olhar para o tapete do carro, fitando os sapatos ali presentes com um imenso desgosto, e em seguida mirando lá fora, onde um portão trancado com diversas correntes demarcava o limite de território onde se podia avançar com carro. –Chegamos.

Não era uma pergunta, e tampouco uma certeza de L.

Era uma lamentação.

Lawliet lamentava ter de ir cumprir sua tarefa investigativa, e embora ele tivesse negado veementemente, Watari sabia muito bem qual era a razão para esse comportamento incomum...

Dessa vez, ele não era o equivocado.

Infelizmente.

Notas finais
(*) Pro caso de não se lembrarem... A Misa precisava receber um sinalzinho em Romaji (:

Puxa, finalmente o Watari marcando presença na fic, hm? *-----* E no próximo capítulo, mais 'alguém', que aposto que vocês já sabem quem é.. xDD
Well, até lá, lindos :3
Tenho semana de provas, então rezem pra que não demore éons T.T
E não se esqueçam do feedback, viu? õ//
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